Porta destrancada.
1 Capítulo 1
9PM, e me deparo lendo folhas de um diário velho meu jogado no fundo da gaveta.
Impressionante como em tão pouco tempo nosso raciocínio muda; como a gente aprende que: a vida nos compensa quando menos esperamos, e que o mundo não vai parar por sua dor, tamanha saudade que eu sentia dele. Mas também aprendi que a gente acaba compensando a nossa dor de alguma forma, e assim eu acabei lidando com a situação e até esquecendo de certa forma a saudade toda que eu sentia. Simplesmente pela vida colocar no seu caminho gente que mostre o quão incrível somos, e que uma pessoa não tem direito de nos decepcionar tanto, simplesmente por temos capacidade maior do que isso.
Porém, passado um tempo sem já lembrar da falta que Lee fazia, me acostumado com a sua total falta de mais de um ano na minha vida, a gente acabou se cruzando novamente.
Era um reencontro de formandos do ensino médio depois de um ano afastados. Todos ali presentes lembravam suas memórias um com os outros, lembravam das histórias que fizeram bêbados, dos beijos que já deram, dos sonhos que tinham juntos, dos planos que fizeram e os que não imaginariam fazer.
Acabei trocando míseras palavras com Lee numa roda de amigos, e ele usou um tom rude em sua voz ao dirigir-se á mim; não contendo as minhas próprias palavras em minha boca, tirei satisfação com ele: acabou dizendo que não fui sua intenção, muito menos com quem acha que não gosta dele.
Acabamos entrando em uma conversa saudável de como as coisas haviam acabado; a gente se desencontrou tão fácil, tão rápido. Tudo por míseras palavras ditas por ele em um momento de raiva, um momento de negação com a pessoa que eu havia mudado o comportamento ao longo do tempo. Disse ele que foram palavras ditas da boca para fora, e do tamanho arrependimento que sente por terem ditas, num momento que eu procurava apenas resolver as coisas.
Prometera mudar comigo e compensar o que havia feito. Um fato que há muitos meses atrás, achava que este momento ficaria fixado apenas nos meus sonhos que perturbavam-me á noite.
Aprendi que devemos perdoar as pessoas quando elas estão dispostas a assumir o erro e pedir perdão; coisa que exige orgulho deixado de lado por ambos. E que não importa quanto tempo passe, algumas coisas simplesmente não mudam.
Prova disto, é que uma semana depois, eu me encontrava sentada num banco, chateada com alguém que eu gostava muito. E eu me sentia invisível ao meio de toda aquela gente, ninguém notara o quão deplorável eu me encontrava, a não ser Lee.
E foi exatamente uma cópia do momento ocorrido no banco tanto tempo atrás. Lee me perguntara o que havia ocorrido, e disse que desta vez, apesar de tanto tempo sem nos falar, eu podia contar com ele na hora que eu precisasse, e ele me deu um apoio que me deu vontade de chorar.
Aprendi que, sem eu ter dito nada, ele simplesmente havia notado há muito tempo, que a porta estava destrancada; mas não sabia se ele havia noção que ele estava na casa da saudade: coisa que certeza, eu nunca terei noção sobre.
E essa pessoa á qual gosto muito, foi quem fez tudo isto acontecer: Lee voltara a falar comigo, assim como nos tempos antigos.
"Um dia você aceita que não importa quão boa seja uma pessoa, ela vai feri-lo de vez em quando e você precisa perdoá-la, por isso. [...] Aprende que quando está com raiva tem o direito de estar com raiva, mas isso não te dá o direito de ser cruel. [...] Aprende que não temos que mudar de amigos se compreendemos que os amigos mudam, percebe que seu melhor amigo e você podem fazer qualquer coisa, ou nada, e terem bons momentos juntos." — William Shakespeare.
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