Porque eu te amo... Hinata
1 Episódio 166: Declaração
Notas iniciais
“– Escutem todos! – Gritava uma menininha, no meio da rua. – Eu realmente serei a Hokage algum dia! Apenas esperem para ver!! – E saiu correndo
Infelizmente, para a pequena garota, ninguém lhe deu atenção. Pois assim que colocaram os olhos nela, só pensavam em uma coisa:
– Aquela garota... é a monstruosa Rokuubi no Washi, não é?
– Shh! É ela sim, mas já se esqueceu que é proibido falar nisso? – Repreendeu-o uma mulher.
Na mesma rua estava um garotinho, deveria ter a mesma idade da menina que correra, e por acidente acabou ouvindo a conversa.
– Rokuubi? Ko-san, o que é Rokuubi? – Ele perguntou, com sua inocência de criança, puxando a mão do adulto.
– Algo com que você não precisa se preocupar, Naruto-sama. – Ko respondeu, dando-lhe um sorriso terno. – Mas não deve se aproximar daquela garota.”
Ele ainda se lembrava perfeitamente desse dia. Toda e qualquer lembrança que envolvia Hinata, era impossível de ser esquecida.
– Hinata... – Uzumaki Naruto murmurou uma vez mais. Os olhos, vermelhos graças ao Sharingan ativado, fitavam cheios de preocupação o campo de batalha.
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– Você pode considerar a minha ideia de paz uma mentira, uma mera ilusão para os olhos; mas enquanto vivermos nesse mundo amaldiçoado, não haverá um dia em que as pessoas entenderão umas às outras. – Falava Pein.
– O Ero-sennin acreditava nisso. – Hinata retrucou. – Ele acreditava em uma era onde todos se entenderiam!
– Meras palavras. O que você pode fazer quando não consegue nem mesmo me responder? – Questionou. – Tudo o que pode fazer agora é me entregar o poder da Rokuubi. – Pein puxou mais um bastão de chacra e rapidamente perfurou mais um ponto do corpo de Hinata. A Hyuuga tentou mais não conseguiu reprimir um grito. — Como já disse antes: sua morte nos trará a paz.
“- Naruto-sama, espere!
Ko o chamou, mas Naruto não deu atenção. Mais uma vez havia falhado no treino, sendo derrotado por Konohamaru, seu irmão mais novo. Kushina até saíra da sala hoje, nem ficou para vê-lo treinar. E isso lhe doeu.
Corria pela vila, já estava fora do clã. Não conseguia conter as lagrimas, nem mesmo mantendo os olhos fechados. Mas foi justamente por não olhar por onde andava que acabou acontecendo:
– Ei! – Reclamou a pessoa em que o Uzumaki esbarrara.
Naruto abriu os olhos. A sua frente estavam dois garotos e uma garota, mais velhos que ele, e no chão havia um sorvete de casquinha.
– De-desculpem. – O loiro murmurou.
Os três o cercavam. Estavam nos fundos do jardim de academia. Ninguém os veria ali.
– Ahn? Vejam, ele é um Uzumaki! – Exclamou a garota do grupo.
– Tem razão, só eles tem esse símbolo de redemoinho.
– Será que é o primo do Sasuke? – Perguntou o outro. – Aposto que é metido também.
– Só por causa da família e da habilidade, pensa que é melhor que a gente. – Concordou a garota.
– E-eu não sou assim. – Naruto tentou fugir, mas eles o seguraram antes.
– Tentando ir embora sem pedir desculpes? Que coisa feia. – Repreendeu o garoto que o puxava pelo braço. — Agora, desculpe-se amigavelmente.
– Desculpem. – Murmurou com a voz chorosa.
– Como é? Eu não ouvi. – A garota reclamou, forçando o Uzumaki a se curvar.
– Desculpem, desculpe, desculpem. – Ele repetia, sentindo as lagrimas escorrerem.
– Parem com isso. – Uma voz feminina de repente se fez ouvida. Naruto levantou a cabeça e se deparou com a mesma garota do outro dia. A que gritou para todos que seria Hokage.
– O que você... Ei, é aquela garota. Aquelas que todos odeiam.
– Não é que é. – A garota confirmou, e os três começaram a rir.
– Eu não sou “aquela garota”! Meu nome é Hyuuga Hinata e serei Hokage algum dia!
– você é louca? – Um deles conseguiu falar entre as risadas. — Imagine! Uma zé-ninguém como você ser Hokage.
Hinata rangeu os dentes de raiva. Num impulso, conseguiu acertar um soco no do moleque que falava.
– Sua peste! – Ele reclamou, limpando o pouco de sangue que escorria do nariz. – Grrr, se você não fosse uma garota, juro que te devolvia esse soco.
– Se é só por isso, deixa comigo. – A garota do grupo declarou, já acertando uma bofetada em Hinata.
Mas aquilo foi apenas o começo. A mais velha não se contentou apenas com a vingança e ficou usando a Hyuuga como saco de pancadas. Os garotos nem se importavam mais com Naruto, estavam ocupados torcendo pela amiga.
– Naruto-sama!
– Shi, sujo, galera! – O que parecia ser o líder exclamou e os três saíram correndo.
Quem havia gritado foi Ko, que procurava por Naruto com seu Sharingan.
– Naruto-sama, você está bem? – Perguntou o Uzumaki, freando perto do menor. Mas nem esperou a resposta, olhou para o lado e viu Hinata inconsciente. Sua expressão endureceu na mesma hora. – Rápido, vamos sair daqui. – Ordenou, já puxando Naruto pela mão.
– Espere... ela veio me... – Mas Ko não o deixou terminar.
– Eu falei que não o queria perto dessa garota.
Naruto então se calou, seguindo o guardião. Mas não conseguiu evitar olhar para trás e ver a menina ainda desmaiada. Ela fora tão corajosa e parecia ter tanta confiança em si mesma... Pensando nisso, Naruto não apenas ficou agradecido como também desejou por um momento ser tão forte como aquela... Não, como Hinata.
– Hinata... é a você que eu tinha de pedir desculpas. – Naruto disse para si mesmo.
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– Argh. – A Hyuuga praguejou de dor ao ter mais um daqueles bastões a perfurando.
– A penetração foi leve e eu não atingi pontos vitais, porém você não pode mais se mover. – Declarou Pein. – Acho que já é hora de te levar. – Falou, concentrando-se para mais um jutsu.
Mesmo que continuasse encarando-o com determinação, Hinata não sabia o que fazer. Não podia se mover, estava sem forças... Se não fizesse nada logo, seria seu fim.
– HA! – Um grito foi ouvido e logo alguém aterrissou bem entre ela e Pein.
A fumaça causada pelo forte impacto se dissipava aos poucos, mas Hinata não acreditava no que via. De tantas pessoas, não estava acreditando que ele estava ali, que justamente ele veio socorre-la.
“Que cruel. Restringindo os movimentos da Hinata assim.” – Pensou o Uzumaki, vendo os sete bastões que perfuravam a Hyuuga. Virou-se para Pein, extremamente enfurecido.
– Não vou permitir que machuque a Hinata!
– Reforços? – O Akatsuki indagou.
– Por que veio aqui?! Fuja, rápido!! Você não é o oponente!
– Eu sei. – Interrompeu-a. – Estou apenas sendo... um pouco egoísta.
– Do que você está falando?! – Hinata questionava. – Não se exponha a um perigo desses!!
– Estou aqui porque quero. – O loiro declarou, calando a Hyuuga. – Dessa vez... Dessa vez eu vou te proteger, Hinata.
– Eu normalmente ficava chorando, desistia antes mesmo de tentar. Não consigo dizer por quantas vezes tomei as decisões erradas. Mas então você apareceu. – O Uzumaki relembrou, sorrindo minimamente. – Eu estava sempre atrás de você, sempre tentando te alcançar... Queria tanto andar com você lado a lado. Você me mudou, Hinata. A luz em seus olhos me salvou! E é por isso que não tenho medo de morrer, se for para te proteger! Porque, Hinata... Eu amo você.
O mundo parou. O tempo congelou. A Hyuuga não acreditava no que estava ouvindo. Encarava Naruto com os olhos arregalados, em choque.
O pequeno sorriso no rosto do Uzumaki desapareceu. Já tinha falado o que queria, agora precisava tornar aquelas palavras realidade. Entrou em posição de combate, seu Sharingan já ativo.
Pein também estava preparado para rebater qualquer golpe que o garoto pretendesse dar.
– Ha! – Naruto gritou e logo após foi ouvido o barulho de um metal se quebrando.
O Uzumaki acabara de quebrar um dos bastões que prendiam a Hyuuga. E já estava para quebrar outro quando seu corpo foi empurrado por alguma força. Pein usara seu jutsu para afastá-lo.
– Mas o que? – Naruto estranhou, recompondo-se rapidamente.
Correu para perto de Hinata, mas antes que pudesse alcançá-la, Pein repeliu-o mais uma vez.
– Naruto! – Hinata gritou, preocupada ao ver o Uzumaki sendo atirado longe.
Mas Naruto não desistiu, novamente levantando-se.
“Não consigo me aproximar da Hinata. O que eu faço?”
De repente, lembrou-se e algo. Concentrou chacra na palma da mão formando uma esfera.
– Rasengan!
Naruto não esperou, foi para cima de Pein com tudo. Tentava acertá-lo sem intervalos, mas o Akatsuki desviava. Porém, quando tentou usar o jutsu novamente, Pein misteriosamente não conseguiu, dando chance para o Uzumaki acertar seu golpe com tudo.
“É a minha chance!” – Exclamou em pensamento.
Praticamente voou para cima de Hinata e conseguiu quebrar mais um bastão. Mas quando ia atingir outro, Pein se recompôs e atirou-o para o alto.
A cena seguinte fez Hinata entrar em pânico. O Uzumaki estava numa queda livre em direção a morte. O desespero tomou conta da Hyuuga; e como suas cordas vocais eram tudo o que podia mover, sua única opção foi gritar.
– NARUTO!!!
E Boom!, o loiro foi ao chão.
Para um alívio imenso de Hinata, ele ainda estava vivo, embora acabado. Naruto tentou se levantar. Foi com muita dificuldade que se manteve em pé e começou a andar até a Hyuuga.
– Pare com isso. Naruto... por favor, não venha. – Hinata murmurava, tinha perdido a força na voz. Ver o loiro praticamente se arrastando era uma visão extremamente dolorosa.
O Uzumaki mal conseguia se manter de pé, suas pernas fraquejavam; mas todas as suas lembranças de Hinata, lembrando o quanto ela era forte, o faziam tirar foçar de sabe-se lá onde para continuar.
Quando finalmente alcançou a Hyuuga, Naruto cedeu ás suas pernas e caiu ajoelhado, em frente à sua amada. Teve de se apoiar no bastão que prendia as mãos de Hinata para não cair completamente.
– Eu jamais voltarei atrás com a minha palavra. – Naruto conseguiu murmurar. Hinata o encarou, novamente os olhos arregalados. – Porque esse... é o meu jeito ninja. – Naruto fitou aqueles olhos perolados que tanto amava. Nunca os vira tão de perto. – Eu te amo, Hinata.
Depois disso, foi muito rápido. Pein usou novamente o jutsu, jogando Naruto para o alto. Hinata assistiu, tudo parecia acontecem em câmera lenta. O estrondo da queda foi mais alto que da última vez, mas o que realmente a assustou foi que o loiro caíra bem ao lado de Pein. Sem esperar mais, o Akatsuki puxou um bastão e o enfiou em Naruto com tudo.
– Agora você vê? É pelo amor que sacrifícios são feitos. E o ódio nasce, para que então possamos conhecer a verdadeira dor.
Hinata ouvia, mas não prestava atenção às palavras de Pein. Seus olhos estavam vidrados na grande poça de sangue que escorria do corpo do Uzumaki. Ela não podia acreditar. Naruto estava morto, morto!
“NÃO!!!”
E perdeu a consciência. Seus olhos repentinamente brilharam em um amarelo selvagem, forte e incontrolável. Seu corpo foi envolvido por uma enorme explosão, e um gigantesco feixe de luz branco subiu até o céu.
Quando a fumaça da explosão sumiu, Hinata finalmente foi vista. Mas agora ela estava envolvida por um chacra lilás incrivelmente denso e tinha tomado a forma de uma águia. Ela estava envolvida pelo manto da Rokuubi.
– Você me odeia? — Perguntou o Akatsuki.
Com certeza não era mais Hinata que estava no controle, pois tudo o que recebeu como resposta foi um grito estridente e furioso, caraterístico de uma águia.
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