Porque amo pessoas e não gêneros!
4 Parte 1
Notas iniciais
—Não sei se vou aceitar -
—É o quê Isabella? — Travis perguntou girando para me encarar
Estávamos em meu apartamento, cuidando dos preparativos para o jantar enquanto esperávamos por Ethel e Willie, era um costume.
Todo sábado nós fazíamos alguma atividade juntos, como uma reunião de família.
Travis tinha ficado tão ou bem mais animado do que eu quando lhe contei sobre a minha aventura do dia e minha mais nova proposta de trabalho, e já estava pensando em todos os benefícios que poderia me trazer tal cargo.
Dei de ombros pondo a travessa de lasanha na mesa.
— Não acho que seja um bom ambiente para mim... -
—Ah não! Pode ir parando por aí! — exclamou me interrompendo
— Qual é a droga do seu problema? Você passou por tanta coisa para poder se transformar nessa mulher incrível, mas não deixa ninguém se aproximar e te conhecer!
Primeiro a escola, você se isolou e não fez amigos! Não teve namoradas ou namorados e acho que você mesma nem sabe ainda qual é a sua opção sexual! -
Ele ergueu um dedo para que eu me calasse quando abri minha boca prestes a me defender.
— Você poderia já estar trabalhando em lugar importante a muitos anos porque tem todo o potencial necessário, mas prefere ficar presa, se restringir só ao pequeno círculo de pessoas que trabalham na Boutique da minha mãe! Não vai a um bar, uma festa... Precisa dar um fim nisso! Você tem 22 anos, Tem que sair! Viver, apresentar essa mulher ao mundo, as pessoas! Namorar, ficar, ter uma aventura! Fazer amigos!
Mal sai de casa! Os únicos caminhos que você percorre diariamente é de casa para a Boutique e da Boutique para casa! E eu digo que você vai aceitar essa oferta sim! -
Sentenciou.
Fiquei lá parada por uns longos segundos surpreendida, certo que o meu círculo de conhecidos se restringiam a pelo menos seis pessoas, mas o jeito como ele havia falado tinha sido um pouco constrangedor.
Ele permaneceu lá, me encarando de volta, provavelmente me desafiando a negar qualquer uma das coisas que ele disse.
O que, é claro eu não poderia fazer já que ele estava coberto de razão.
Fomos salvos desse momento confrontador quando a campainha soou por todo o apartamento, eu sai rapidamente da cozinha, usando isto para fugir da presença de Travis pela primeira vez desde que o conheci.
Eu tinha mesmo me isolado tanto assim?
Bem, motivos eu tinha, uma lista extensa de "apelidos" nojentos, de quantas vezes eu tinha sido encurralada e quase havia apanhado e me vi forçada a usar a força que Ethan tinha naquela época.
A forma como grande parte dos outros adolescentes me excluiam durante o colegial.
Nunca tinha percebido o quanto aquilo havia me marcado até Travis expor tudo daquela maneira, fiz mentalmente uma lista de pessoas que eu realmente conhecia.
Ethel
Willie
Travis
Camille
Kasey
Jasmin
Forcei minha mente na tentativa de lembrar de mais alguém, porém nada.
Seis pessoas.
Eu só me relacionava socialmente com seis pessoas, três pessoas eram da família que me acolheu e as outras três, eram as funcionárias da Boutique.
Gemi desgostosa, Tray realmente tinha razão, eu de alguma forma me isolei das pessoas e seguiria seu conselho, tudo o que eu menos queria era ser uma Antissocial com A maiúsculo.
☆
☆
☆
Encarei os papéis em minhas mãos, indecisa sobre se entraria no prédio ou não.
O luxuoso prédio espelhado era imponente, e só a visão do edifício me fazia ter a sensação de estar com estômago cheio de borboletas.
Detestava a ideia de que estava me acovardando, mas não conseguia parar de pensar, ou imaginar qual seria a reação de Esme Cullen em ver os meus documentos que ainda provavam que um dia eu fui Ethan Swan.
Nunca tinha contado ao Travis, mas eu havia ido até empresa de decorações há algumas semanas atrás, e fui dispensada quase imediatamente da vaga que tinha me sido tão sugestionada e oferecida em todas as vezes que a proprietária havia aparecido na boutique, quando ela viu minha identidade.
Minha última cirurgia tinha sido a seis meses e durante a minha recuperação eu não pensei em mudar os meus documentos, na verdade aquilo nem mesmo havia passado por um milésimo de segundo pela minha mente, mesmo que esta fosse uma das primeiras medidas que deveria ter sido solucionada quando decidi passar pela minha redesignação sexual.
Embora eu já houvesse dado a entrada no pedido dos novos, até agora eu não tinha recebido nem uma resposta
Respirei fundo juntando cada gota de coragem que pudesse haver no meu corpo, e segurando um envelope próximo ao peito eu entrei no prédio.
Como já imaginava a Sra.Cullen já havia liberado a minha passagem no saguão, foi só dizer o meu nome para a recepcionista que a entrada foi liberada imediatamente, ganhei apenas um pequeno crachá com a palavra "Visitante" e fui aconselhada a pressionar o botão do último andar.
Mastiguei meus lábios em ansiedade enquanto o elevador se movia lentamente entre os vários andares.
☆
Acho que já haviam se passado belos vinte minutos que Esme Cullen estava sentada a minha frente, segurando um dos meus documentos, intercalando o olhar entre mim e o papel repetidamente sem dizer uma única palavra e eu tinha que admitir que aquilo estava me deixando extremamente desconfortável (bem mais do que eu já estava), imaginando qual seria a desculpa que ela daria para educadamente retirar a sua proposta de trabalho.
— Bem... Este é você? — perguntou em um tom cuidadoso
— Foi um dia — confirmei, ela assobiou baixo e lentamente
—Isto que eu chamo de uma surpresa — murmurou, abaixando os papéis e cruzando os braços sobre o mesmo.
Ela me avaliou por longos segundos e não pude evitar corar quando até mesmo o discreto decote da blusa que usava tinha sido "inspecionado"
Pigarrei
— Ok... -
— Então você quer começar agora, ou quer esperar seus novos documentos chegarem? -
perguntou me pegando de surpresa
—O que... Mas — balbuciei um pouco perplexa, era triste admitir mas esta não era a resposta que eu estava esperando
— Mas? — incentivou erguendo uma de suas delicadas sobrancelhas, senti meu rosto esquentar mais uma vez
— Veja bem Isabella, eu quero contratar você pelo ótimo potencial que você tem, não pela sua aparência, cor, religião, opção sexual, e nem mesmo pela sua identidade de gênero — falou
— Quero você no meu quadro de funcionários e como minha estagiária porque podemos nos ajudar mutuamente de maneira profissional, eu preciso do talento que vi em você, e você pode aprender umas coisinhas ou outras comigo ou com tantas outras pessoas que trabalham nesta revista.
Agora responda-me, quer começar antes ou depois de receber seus novos documentos? -
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Alguns dias depois de ser admitida no meu mais novo emprego por Esme sem nenhum traço de asco, preconceito nem nada do tipo, meus documentos tinham chegado e eu finalmente para o delírio de Ethel me matriculei na Seattle Central Community College.
Uma universidade comunitária.
Na área de design, e estava me saindo muito bem, tanto em meu novo emprego como nos estudos.
Tinha seguido os conselhos de Travis e conhecido novas pessoas, feito amigos, como a timida e amável Ângela que se dividia entre o trabalho, faculdade e cuidar de sua mãe doente, uma tarefa muito árdua para uma adolescente de dezoito anos.
Havia também conhecido Victória uma ruiva que era uma surpreendentemente extrovertida e criativa, ela podia transformar até uma pequena caixinha insignificante de fósforo em uma obra de arte incrível, mas estava apenas cursando moda.
E havia também James, que adorava ser o centro das atenções, com seu jeito espalhafatoso e vivia tentando fazer com que Travis o notasse, pois era completamente louco por ele.
Esses três eram o meu pequeno grupo de amigos, mas que eu presava muito.
Apressei meus passos pelos corredores, Seattle tinha se tornado basicamente um chuveiro, não parava de chover desde a tarde de ontem, o que significava engarrafamentos tenebrosos e eu atrasada para apresentar um trabalho importante, esses professores realmente não estavam para brincadeiras.
Entrei em minha sala, atrasada é claro, mas tinha chegado.
—Srta.Swan, que bom que nos deu o prazer de sua ilustre presença — o professor Brady Barron disse com aqueles olhinhos de répteis semicerrados enquanto me encarava lambendo os lábios suados e cheios, reprimi uma careta.
Brady Barron estava na sua faixa de sessenta ou pouco mais anos, era baixo e um pouco gordinho.
Usava uma camiseta que era muito apertada para alguem daquele tamanho e largura, e que em um dia muito distante daquele já havia sido branca, mas agora era uma mistura de manchas amarelas empapadas de suor.
Eu assenti, me afastando lentamente, James e Angela me encaravam com expressões óbvias de que estavam prendendo o riso, rolei os olhos enquanto me sentava ao lado deles.
— Se tivesse sido eu, eu teria uma bela de uma advertência — James zombou
— vocês são tão idiotas! — murmurei em um tom baixo, não querendo atrair a atenção do Sr.Barron, dando-lhe um pequeno murro ombro
— Ah qual é Bella?! O Shrek ali tá todinho na sua! — Angela tossiu uma alta gargalhada, corando quando toda a turma se voltou para nós
— O que é tão engraçado Srta.Webber? — o professor perguntou cruzando os braços sobre o avantajado abdômen
— Algo que queira dividir conosco? — indagou erguendo uma de suas sobrancelhas empapadas de suor
Angela negou rapidamente adotando uma postura séria
— Ah, mas nós fazemos questão que divida conosco, algo tão engraçado -
— Nós estávamos falando sobre uma filme, como é mesmo o nome? Hmm.... Shrek! Estávamos falando sobre o Shrek -
James falou indo em socorro da pobre menina, alguns dos outros alunos abafaram algumas risadas afinal, este era o apelido que tinham dado ao professor, e próprio Senhor Barron tinha conhecimento dele.
Ele crispou os lábios chamando a atenção da turma de volta para a apresentação de slides que se passavam na tela e exigindo silêncio de todos.
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Acenei feito uma louca para Victoria que já tirava seu carro do estacionamento, o Senhor Barron só havia me liberado da sala depois de me fazer continuar lá durante o mesmo período que eu havia me atrasado, ou seja vinte minutos de atraso e agora eu estava a quinze minutos atrasada para o início do meu expediente na Cullen Magazine.
Victoria buzinou, me dando a entender que havia me visto e estava me esperando, abri leu guarda — chuva e corri na direção de sua SUV cor de rosa.
Eu estava pensando seriamente em comprar o carro de entregas da boutique, não aguentava mais ficar correndo feito louca atrás de táxis e de perder o horário dos metrôs.
— E aí Bellescha! — me cumprimentou assim que entrei no carro, fiz uma careta.
Acho que de todos os apelidos apreciativos e depreciativos que já tive, esse com certeza era o pior de todos.
— Oi Vicky! — cumprimentei de volta a abraçando desajeitada intercalando olhares para o seu relógio de pulso
— Atrasada de novo? — perguntou com sua fina sobrancelha arqueada e me encarando com seus olhos azuis brilhando com divertimento.
Suspirei assentindo
— Okay... Então vamos lá — conversamos puras amenidades pelo caminho enquanto percorriamos pelas ruas da chuvosa Seattle
Victoria me deixou em frente a Cullen Magazine, depois de termos passado rapidamente na cafeteria da esquina do mesmo.
Equilibrei os dois copos fumegantes de cappucino na pequena bandeja que me haviam sido entregues e entrei no elevador.
Esme era um amor de pessoa mas era alguém que detestava atrasos, e nos últimos dois meses que havia trabalhado para ela, havia descoberto que nada a deixava mais calma do que um copo de Cappucino cheio de creme de leite, e desde então essa era a minha tática para acalma-la se algo saísse errado e eu acabasse me atrasando.
Ester Kangur estava no elevador junto com Letizia Lorenzi, ambas eram secretárias de Esme e fofoqueiras de marcas maiores, fiz um rápido aceno com a cabeça, um cumprimento distante e impessoal, pois sinceramente aquelas duas não eram nem de longe o tipo de colegas que eu gostaria de ter, passei por entre elas e me escorei no fundo rezando para que chegássemos logo no último andar.
— Ela está terrível! Com a chegada deles! — Ester bufou irritada
— Eu já fui em três setores diferentes só para ter certeza de que tudo já estava preparado para os "maiorais" — Letizia queixou-se
Eu tinha uma vaga idéia sobre o que elas estavam falando, os dois filhos mais velhos de Esme haviam terminado de se formar na universidade e estavam vindo para cá, "estagiar", porque todo mundo sabia que eles sempre tiveram as vagas que lhes foram destinadas desde o nascimento.
Eu não havia me envolvido muito no assunto, porém podia afirmar que Esme estava mesmo muito agitada.
— Ridícula! Você vê como ela age como se fosse uma grande coisa ter três filhos?! -
— Três filhos! -
Letizia bufou
— Ela se gaba tanto de ter três filhos "incríveis" quando na verdade só dois são homens de verdade — ela zombou
Franzi o cenho sem entender o que ela queria dizer.
Como só dois eram homens de verdade?
Balancei minha cabeça negativamente espantando estes pensamentos quando o elevador apitou e as portas se abriram para o andar que tanto almejava.
As duas serpentes sibilantes saíram na minha frente e tomaram seus postos em suas respectivas mesas, passei direto por elas e entrei na sala de Esme
Um pequeno cartão deslizou pelo chão até parar em frente aos meus pés, ainda mastigando minhas bochechas nervosa pelo meu atraso me agachei para pega-lo.
Era uma identidade, e uma garota de entre quinze ou dezesseis anos me encarava na foto 3×4.
Tinha os cabelos cortados bem curtos, possuíam um distinto tom acobreado, algo bem parecido com a cor de uma moeda de 1 centavo e apontavam para umas vinte direções diferentes; tinha um par de olhos verdes brilhantes que poderiam facilmente ser comparados a esmeraldas
— Você pode me devolver? — ergui os olhos me encontrando com o mesmo, idêntico, o próprio par esverdeado da garota só que em um corpo completamente diferente.
Só então as palavras ácidas de Letizia fizeram sentido
Ela se gaba tanto de ter três filhos "incríveis" quando na verdade só dois são homens de verdade
Abri minha boca em choque, sem consegui controlar os meus olhos de compararem repetidamente a garota e o homem a minha frente.
Ele era alto, realmente alto, pelo menos para mim com meus míseros 1,65.
Me perguntei qual seria ao certo sua altura, visualmente parecia algo em torno de 1,75 ou 1,80.
Seu cabelo ainda eram cortados curtos da mesma forma do que o da garota.
Seu rosto era no formato quadrado, possuía lábios carnudos e as maçãs do rosto altas.
Definitivamente o mas bonito em todo o seu rosto eram seus olhos.
Esmeraldas brilhantes que também eram emolduradas por cílios acobreados
Continuei o encarando por um longo tempo, sabia que ele estava completamente desconfortável mas me encarava com um brilho desafiador e o queixo erguido, com certeza imaginado que por minha cabeça estaria passando os mais absurdos pensamentos.
Nada nele poderia indicar o que só sua identidade me mostrou, aquele garoto a minha frente na verdade se chamava
Edythe Masen Cullen
E que um dia, ele tinha sido a garota daquela identidade.
Sorri calorosamente estendo minha mão para lhe cumprimentar
— Prazer, eu sou Ethan mas você pode me chamar de Isabella -
No momento em que ele finalmente registrou minhas palavras, seus olhos se arregalaram em surpresa e sua boca se abriu em um 'O' perfeito quando seus olhos começaram a percorrer minhas feições de forma frenética.
Ele logo sorriu, exibindo um estonteante sorriso torto
— Edward Cullen — falou antes de agarrar minha mão afobado.
Um calor aconchegante perpassou pelo meu braço, irradiando justamente de nossas mãos unidas, olhei para elas e depois para ele ficando presa na imensidão esverdeada.
— Edward querido! — Esme exclamou saindo do banheiro que havia em seu escritório, fatidicamente interrompendo o nosso "momento"
— Vejo que já conheceu a Bella! Ela não é linda? — perguntou
—Ela é — concordou me fazendo corar
—
—
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— Pra que tudo isso? — Travis perguntou da porta do meu quarto, pelo espelho eu podia vê-lo me observando com uma expressão zombadora
— Isso o que? — indaguei segurando o batom longe dos meus lábios
Ele apenas arqueou uma sobrancelha
Voltei a encarar meu reflexo, usava um salto vírgula bastante confortável preto, umas das minhas calças de cintura alta favoritas de cintura alta também preta, uma blusa branca um pouco aberta nas laterais e meu inseparável chapéu de feltro.
Tinha aplicado uma maquiagem leve e agora passava um batom matte na cor vinho, que fazia um belo contraste com meu tom de pele.
Sinceramente não estava vendo nada demais, girei para encarar Travis e abri os braços em um gesto claro de " O que? ".
Ele balançou a cabeça negativamente rolando os olhos, vindo na minha direção e parando ao meu lado
— Sabe, você tem toda essa coisa meio narcisista mas nunca passou praticamente uma hora inteira conferindo o seu reflexo — comentou arrancando o batom da minha mão e o guardando na minha maleta.
—Tudo isso começou quando o seu futuro chefinho chegou — anunciou brincalhão
Bufei rolando os olhos, se arrependimento matasse eu já estaria dura no chão.
Não sei o que passou pela minha cabeça quando eu falei sobre Edward para Travis.
Se eu estivesse entediada e suspirasse era por causa de Edward, se batesse o meu dedinho do pé em uma quina foi porque eu estava distraída pensando em Edward.
Resumindo, para Travis cada respiração minha era graças ao Edward, e sinceramente não sabia e onde ele havia tirado tudo isso.
Edward e eu somos apenas colegas de trabalho, nada mais.
— lá vem você! — resmunguei pegando um óculos de sol
— Ah, vamos Bella! Admita! Você gosta da Edythe -
— Edward — corrigi
— Que seja! Você tá toda balançada pelo Ed.Ed -
Lhe lancei um olhar atravessado
— Somos colegas de trabalho, nada mais -
— Un rum, sei — zombou
Abri a porta do meu apartamento e antes de sair Ergui meu dedo do meio para ele, escutando sua gargalhada quando bati a porta fechada.
Algumas semanas tinham se passado desde que Edward e seu irmão Emmet ( que eu ainda não conhecia) tinham chegado na C.M
Ele e eu tínhamos desenvolvido uma boa amizade, na verdade eu não chamaria exatamente de uma amizade, olhares furtivos e meios sorrisos não se encaixavam bem nessa categoria.
Era mais como um bom convivio já que não tínhamos nossas próprias salas e trabalhávamos no mesmo espaço na sala de Esme, algo que parecia agrada-la e muito.
Edward tinha 26 anos, quatro anos a mais que eu, e tinha acabado de se formar em administração, e pelo o que tinha percebido era de desejo de Esme que ele assumisse o comando da Cullen Magazine algum dia.
Ele era bastante centrado e responsável, mostrava para todos uma personalidade distante e indiferente de tudo ao seu redor mas, uma vez que ele deixasse você penetrar a sua armadura se mostrava uma pessoa extremamente agradável e gentil.
— Isabella! — mal tinha posto os pés no andar quando escutei Esme gritando por mim.
Amaldiçoei por sobre a respiração, aquela conversa sem noção com Travis tinha me feito chegar atrasada e agora eu não tinha nenhum Copo de Cappucino para domar a fera, quase tropecei no caminho quando vi Edward parado a frente da porta do escritório me encarando com uma expressão divertida enquanto segurava o copo de uma cafeteria que eu conhecia muito bem.
Assim que cheguei um pouco mais perto ele o estendeu para mim
— Com chocolate e bastante creme- sussurrou em tom cúmplice, eu ri murmurando um "Obrigado" antes de entrar na toca muito bem decorada da leoa.
Esme me encarou com severidade, lábios crispados enquanto desarrumava uma enorme pilha de papéis
— Isso é pra mim? — indagou cobiçosamente cravando os olhos no copo, abri um sorriso inocente
— Você sabe que sim! — confirmei lhe estendendo o copo que ela rapidamente arrebatou de minhas mãos
— O que está procurando? -
— O modelo da próxima Edição da revista -
Franzi o cenho
— Ele ainda não foi entregue? -
— Ao que parece — grunhiu
— Quem é Amelia? -
— O que? — perguntei largando os papéis para encara-la
Esme me fitava divertida, lábios crispados porém desta vez para prender o riso, girando o copo até que uma mancha negra apareceu
" Me liga! 17 6374-7731... Amelia Blake "
— Não faço a mínima idéia — respondi um pouco constrangida, ela me estendeu o copo agora vazio
—Você devia ligar -
— O que? Não mesmo! O copo é seu, ligue a senhora -
Esme gargalhou
— Mas, a pobre Amelia não sabia -
Dei de ombros, indo em direção a porta
— Onde vai? -
— Atrás de Lauren, o modelo da próxima edição já deveria estar aqui a três dias atrás! -
Edward ainda estava parado do lado de fora quando sai, escorado na parede ignorando os olhares das duas secretárias fuxiqueiras, ergui uma sobrancelha enquanto lhe entregava o copo, e ele me fitou questionadoramente o pegando.
— Você devia ligar! — foi só o que falei antes de lhe dar as costas
—
—
— Houve um problema! — Lauren admitiu exasperada enquanto ela e sua assistente reviravam gavetas atrás do que vim buscar.
Lauren Mallory, era a arrogante e intragável responsável por organizar cada coluna, imagem e reportagem de cada edição da Cullen Magazine
— Eu não sei! O exemplar já estava pronto há dias e já deveria ter sido entregue! — grunhiu encarando sua pobre assistente com um olhar de acusação, a pobre menina se encolheu revirando o conteúdo de uma gaveta com mais afinco
— Eu não pude encontra-lo! — se defendeu
— Você não quis encontra-lo! Você foi negligente e preguiçosa! — gritou espalmando a mão eu sua mesa cor de rosa.
A C.M tinha setores diversos especializados em várias áreas, desde música, decoração, moda, cinema e etc...
Cada setor tinha seu tempo limite para encaminhar seus arquivos para Lauren e ela tinha basicamente quase uma semana inteira para organizar o layout e mandar para a aprovação de Esme antes que o mesmo fosse enviado para a gráfica.
E pelo pouco que eu já conhecia dela, duvidava muito que a culpa houvesse sido da pobre mulher que procurava tão desesperadamente o arquivo enquanto Lauren estava sentada confortável a observando.
— Eu acho que se houve negligência aqui, não foi por culpa dela Srta.Mallory -
Ela se virou para mim, seus olhos soltando faíscas de raiva
— O que está insinuando Swan? -
— Absolutamente nada, estou afirmando que foi por descaso, imprudência e irresponsabilidade somente sua, que este exemplar não está na mesa da Sra.Cullen como deveria -
Sua boca se abriu em um "O" perfeito ao mesmo tempo que ela se levantava
— como você se atre...
— Daqui a meia hora, eu irei voltar e espero que tenha este exemplar em mãos Srta.Mallory — informei
Eu estava bem bela, sentada no sofá de couro que havia no escritório ajudando Edward e Esme a organizar a montanha de papéis quando Letizia bateu na porta e entrou logo em seguida informando que a Srta. Lauren Mallory estava do lado de fora pedindo para falar com a Sra.Cullen
Esme me encarou com uma sobrancelha arqueada e dei de ombros.
— Bem, então mande-a entrar — ordenou indo para sua mesa.
Lauren entrou cabisbaixa, mas teve tempo de me lançar um olhar raivoso enquanto se ia em direção a mesa de Esme, eu ergui ambas as sobrancelhas para ela de modo zombeteiro.
Não que eu fosse esse tipo de pessoa, mas não tinha mentido alguns minutos atrás quando disse que se a pasta tinha sumido a culpa era exclusivamente dela.
— Eu finalmente encontrei — anunciou com um sorriso ao mesmo tempo que estendia para a chefe o que parecia ser um caderno.
Esme o pegou com uma expressão nada amigável fazendo um gesto para que ela se sentasse na cadeira a sua frente.
Agarrando seus óculos de grau, Esme se pôs a folhear calmamente, estava quase me levantando para ir ao seu lado porém Edward pôs um braço a minha frente impedindo que me levantasse o fitei com uma sobrancelha arqueada e ele apenas balançou negativamente.
Quando Esme finalmente terminou ela cruzou os braços em cima da mesa e observou Lauren com olhos semicerrados
— Eu ainda estou esperando o exemplar da próxima edição da revista Lauren — informou
— O que? Mas... -
— Isto aqui, é um exemplar da última e um que eu não aprovei.
E o que me faz lembrar que você deveria fazer dois layouts e entretanto não há nenhum sobre minha mesa -
— Talvez possa ter ocorrido um desvio ou algu...-
— Um desvio? — ergueu uma sobrancelha
— Ou alguém o pegou — Lauren completou com um dar de ombros
— Eu duvido muito Senhorita Mallory, se este exemplar não está aqui a culpa é exclusivamente da sua irresponsabilidade -
— E se ele, não estiver sobre a minha mesa até o fim deste dia pode se considerar demitida! — setenciou
— Mas... Mas — balbuciou
— Você está perdendo seu tempo -
—
—
20:00 em ponto e nada de Lauren.
E olha que eu tinha sido Obrigada a ficar aqui até que ela aparecesse.
Assim como eu, Edward também estava super entediado e nós estávamos meio que brincando de peteca com uma bola de papel, super maturo eu sei!
E também conversávamos sobre filmes, séries e gostos musicais, qual minha surpresa ao descobrir que ele era tão ou mais fã de Florence Welch que eu?
E que a sua música preferida assim como a minha era Cosmic Love?
Nós parecíamos duas crianças bobas, falando trechos de músicas aleatórias de Florence para ver se advinhávamos qual era ao mesmo tempo que jogávamos a bola de papel um para o outro.
Esme estava assistindo American Horror History no seu tablet ainda sentada a sua mesa, eu sabia exatamente qual era a série por que conhecia aquela musiquinha da terceira temporada muito bem.
Meu expediente tinha terminado as dezenove horas e até agora eu estava aqui mofando no sofá de couro, o meu telefone celular já havia recebido no mínimo umas 15 chamadas variando de James, Victoria e Angela que estavam me esperando hoje a noite.
Eles haviam praticamente surtado quando comentei que nunca tinha tido uma festa do pijama e resolveram me dar uma de presente.
Porém né, eu estava super atrasada agora.
Consegui fugir para o banheiro durante alguns minutos e liguei para Travis para que ele pudesse ceder e receber os meus amigos no apartamento dele até que eu chegasse.
Quase me ajoelhei no chão para agradecer a Deus quando escutamos uma batida na porta, Esme desligou seu tablet assumindo uma postura séria e uma expressão nada amigável, Edward agarrou a bolinha de papel e a guardou no bolso de seu paletó também se sentando ereto na cadeira em frente a sua mãe.
Já eu fiquei exatamente como estava, Largada no sofá como uma amoeba, aquelas massinhas estranhas e molengas que todas crianças tinham hoje em dia.
— Entre — Esme falou seriamente
A porta se abriu e a assistente de Lauren entrou timidamente
—Hã... Com licença Sra.Cullen, eu só vim informar a pedido da Srta.Mallory que ela já deixou o prédio e arrumou suas coisas -
W. O. W !
Por essa definitivamente não esperava, Lauren sempre se mostrou tão autoconfiante em si mesma, que eu podia jurar que ela apareceria aqui com qualquer besteira na tentativa de amansar Esme, e não que ela pulasse do barco assim, deixando um prejuízo enorme já que sem o Layout não teríamos nada para enviar a gráfica, ou seja não haveriam revistas da Cullen Magazine nas bancas quando a manhã de segunda-feira chegasse
Esme soltou uma serie de palavrões que fez com que eu e a pobre mulher nos olhássemos estupefatas, enquanto Edward tentava acalmar sua mãe revoltada
— Não vai ter revista! Não haver revista! -
— Mãe, tenha calma! Lembre-se de sua pressão! — ele pedia calmamente, com sua voz rouca em um tom harmonioso e cadenciado.
Eu me perguntava se ele conseguia gritar já que sempre que dizia algo, era em um tom baixo porém firme e compassado
— Pressão uma ova! — sua mãe grunhiu
— Como ela pode fazer algo assim? Como nós ficaremos? -
— Mãe é só uma edição! Muitas outras vão vir, não se estresse atoa -
— Atoa Edward? Atoa? Eu comando essa revista a vinte anos e nada disso nunca aconteceu! Como vai ficar a nossa imagem? Quantas pessoas estão esperando por essa edição lá fora e não vão te-las? -
Me levantei, agradecendo a mulher e a liberando
— E meu emprego? — me perguntou em um sussurro quando eu a guiei em direção a porta
— Não se preocupe com isto por enquanto, daremos um jeito — respondi
Me virei para observar o diálogo entre mãe e filho, encontrando com os olhos de Edward cravados em mim enquanto abraçava sua mãe, franzi o cenho e ele estreitou os olhos para mim, eu é claro repeti o o gesto ao mesmo tempo em que colocava minhas mãos na cintura.
— Isabella — falou em um tom sério, mas tão sério que realmente cheguei a ficar com medo
Esme se soltou de seu Abraço e se virou para mim com ruga entre as sobrancelhas, me observava confusa intercalando olhares entre Edward e eu.
Ele cruzou os braços frente ao peito
— Você não cursa Design? — indagou com uma sobrancelha erguida, a expressão de sua mãe desanuviou na hora quando ela me fitou com um enorme sorriso
Oh Merda! Isto não estava cheirando bem
— Sim — meu tom fez com que minha resposta soasse mais como uma pergunta
— Estamos salvos! Oh minha nossa! Bella! — Esme começou a exclamar vindo até mim e agarrando me em um abraço de urso
— O que...
— Você pode fazer o Layout -
Edward falou, eu tinha certeza que aquilo não era uma pergunta e nem uma afirmação e sim uma ordem.
Acho que aquilo era coisa de família, já que sua mãe tinha uma jeitinho de dar ordens te fazendo acreditar que ela estava apenas pedindo um favor
— Eu não... Era para ser levado a gráfica amanhã de manhã, não há tempo de pegar todos os artigos dos setores, e junta-los em um Layout para amanhã -
— Há sim, se você virar a noite -
Eu fitei Esme
— Eu não sou a pessoa mais indicada para fazer isso! Sou só a estagiária e além do mais, mal comecei as aulas -
— E o que sugere? Que nós não publiquemos esta semana?- Edward perguntou
Caramba por que ele estava sendo tão persistente sobre isto?
Havia tantas pessoas mais qualificadas para que pudesse faze-lo,porque então justamente eu?
Abri minha boca e a fechei repetidamente, feito um peixe.
— Está decidido! Você pode fazer isso Bella, conto com você. -
Esme sentenciou
—
—
—
Usando a chave extra de Travis para entrar no apartamento abri a porta mais silenciosamente o possível, a televisão estava ligada e todos pareciam bem compenetrados no filme que era exibido, sentados confortavelmente.
Tipo, sério? Titanic? Isso mesmo?
Rolei os olhos fechando a porta suavemente
— Hey pessoal! — chamei
Quatro pares de olhos marejados me encararam, Ângela e Victoria estavam sentadas lado a lado no sofá com o saco enorme de batatas fritas entre elas, Travis tinha se sentado na pequena poltrona provavelmente na tentativa de por algum espaço entre ele e James, o que pelo visto não havia funcionado já que James estava sentado no chão bem a seus pés
— Bella! — Travis suspirou, tinha sido mais um suspiro de alívio mas tudo bem assim como eu os outros que perceberam também resolveram relevar.
Um coro de "Hey Bella" foi ouvido enquanto eu caminhava até o sofá, pondo a pasta que continha todos os artigos para o Layut, sobre a mesinha de centro e me joguei displicente por lá arrancando o saco de batatas fritas das mãos das minhas amigas e enchendo mão.
— Estão se divertindo? — perguntei com a boca cheia
— Claro! Principalmente com essas companhias de maravilhosas — James disse olhando subjetivamente para Travis
—Uma Pena que não vou poder ficar — informei
— Tem um trabalho super importante para ser entregue amanhã, vou ter que virar a noite para entregar amanhã pela manhã — informei
—Você trouxe trabalho Para casa? Que novidade é essa gente? — Travis perguntou com o cenho franzido
Bufei
— Uma irresponsável não preparou o Layut da próxima edição da revista, e como lembraram que eu faço design advinha para quem a responsabilidade caiu por sobre os ombros? -
— Você tem que preparar a revista desta semana? — Victoria perguntou com os olhos arregalados
— Exatamente, para entregar a chefe amanhã e enviar para a gráfica pra que na segunda as revistas já estejam nas bancas -
— Mal comecei e já estou com uma dor de cabeça terrível! — grunhi com os olhos fechados, pondo as mãos nas têmporas
— Nós podemos te ajudar — Ângela ofereceu timidamente, abri um Olho e a fitei arqueando uma sobrancelha
— Podem? -
— Claro! — responderam em uníssono
A noite tinha sido mais do que longa, Ângela não pôde ficar por muito tempo então tínhamos chamado um táxi para leva-la para casa, fora isso os outros haviam ficado e resistido a provação
Victoria havia me dado sábios conselhos sobre as páginas de moda, James sobre decoração, Travis tinha dado apenas alguns conselhos sobre música e o resto eu me arrisquei.
No fim eu não tinha dormido absolutamente nada, já que quando terminamos eram exatas seis da manhã, só deu tempo De tomar um banho rápido trocar de roupa e sair novamente.
Entrei na C.M exausta, hoje nem mesmo era meu dia de trabalho, era o meu dia de folga.
Não que eu me incomodasse por isso, mas quando finalmente tivesse um encontro com minha cama, nada nem ninguém poderia me afastar dela.
— Bom dia — murmurei ao passar pelas pessoas que atravessavam meu caminho
— Hey Bella! — Edward me cumprimentou assim que entrei no escritório e ignorando imediatamente o outro homem com quem conversava.
O outro homem era apenas mais alguns centímetros mais alto que Edward.
Possuía um porte de um segurança, ou só de alguém que era demasiado viciado em academia.
Seu físico facilmente me lembrava o ator Jason Momoa, era intimidante e parecia ser alguém com quem você não puxaria uma briga se não pudesse derruba-lo.
Tinha rebeldes, (mas não tanto quanto os de Edward) cabelos loiros e olhos azuis, possuía poucos traços que lembravam a Edward, como o formato dos lábios e dos olhos.
—Bella este é meu irmão Emmet, Emmet esta é Isabella Swan — nos apresentou os olhos de Emmet se arregalaram levemente demonstrando surpresa, mas logo um brilho de diversão apareceu neles
— Eu ouvi muito sobre você Srta.Swan — sorriu estendendo sua mão
— Eu queria poder... Hum.... Dizer o mesmo — comentei divertida e ele riu
— Eu não acho que o Edward possa pensar em algo enquanto está aqui na companhia de... -
Edward grunhiu, o que só fez o grandão sorrir ainda mais, exibindo pequenas covinhas em suas bochechas
— Nossa mãe aqui — completou, havia algo em seu tom que me dizia que ele estava segurando uma gargalhada, mas não havia nenhum motivo para isto
— Você conseguiu? — Edward indagou com um tom entusiasmado
— Tentei — respondi mordendo os lábios e com um dar de ombros lhe estendi o paradigma
— O que você esta fazendo aqui? — Esme praticamente gritou ao passar pela porta
— Eu vim trazer o... -
— Não, não, não! Leve para gráfica! -urgiu
— Mas vocês não vão olhar?Aprovar? -
— Não há tempo para isto Bella, apenas leve para a gráfica! -
disse agarrando meu braço e me puxando para fora do escritório e em direção ao elevador
—Mas Esme...-
— Confio em você querida, agora vá! E a propósito, só apareça aqui na terça, estou te dando a segunda de folga! -
Ia dar merda, eu sabia que iria dar merda.
Onde Esme e Edward estavam com a cabeça quando me puseram pra fazer o maldito layut?
Agora quando aquela coisa estivessem nas bancas de jornais na segunda pela manhã eu sabia que seria demitida.
Esme não poderia pelo menos haver me dado o seu aval, ao invés de praticamente ter me expulsado da empresa e me enviado a gráfica?
Sabia que todo aquele exemplar estava uma bosta mas o olhar da mulher que trabalhava na gráfica quando o folheou, foi a confirmação e na terça eu seria demitida.
Por que Deus? Porque?
Entrei no meu apartamento morta de cansaço e me joguei por lá mesmo, dormi praticamente o dia inteiro.
Pressão emocional era Uó!
—
—
Assim que entrei no edifício da C.M percebi que quase todo mundo estava me encarando, ou seja todo mundo já sabia que a pior edição da revista havia sido feita por mim.
Resisti ao no impulso de cobrir meu rosto e praticamente corri para o elevador.
—Olha ela aí! — Esme gritou quando passei pela porta me puxando para um abraço e dando pulinhos.
— O que está havendo? — perguntei assim que ela me soltou
— É um sucesso! — exclamou correndo para sua mesa, Edward não estava em nenhum lugar a vista.
Esme voltou correndo segurando uma folha de papel e me entregou, era um gráfico
— Vê aqui? A maior barra? É a sua edição! -
deu mais pulinhos
— sempre fazemos estes gráficos, comparamos a primeira revista do mês com a última, e em comparação as de Lauren a sua sendo muito mais requisitada! É um sucesso Bella! -
— Não deveriam fazer estes gráficos no fim do mês? Porque assim, no segundo dia da semana não quer dizer absolutamente nada -
informei cética, e ela bufou murmurando um " super otimista" sobre a respiração
— Nós também fazemos no fim do mês Bella -
Respondeu de costas para mim, acho que feri seus sentimentos
— Mas você vai ver! No fim do mês essa barra vai estar bem maior! — profetizou
E o pior foi que no fim do mês a bendita barra estava realmente maior, tinha sido a mais vendida do ano até agora, mesmo a versão digital havia batido este recorde.
Fiquei chocada? Fiquei!
Bebi vinho com meus amigos até esquecer meu nome enquanto comemoramos? Bebi
Acabei ganhando uma promoção e fui indicada ao lugar de Lauren? Ganhei!
Estava super animada com minha nova posição e sala, mas por outro lado, sentia falta de dividir o ambiente com Edward e com Esme também é claro!
—
— Então, você trabalha para minha mãe a muito tempo? -
Edward perguntou passando as mãos pelos cabelos nervosamente, corando.
— Não, eu... Trabalho aqui a um pouco menos de dois meses — nos encaramos por mais algum tempo.
Era bastante constrangedor no mínimo, nós conversávamos normalmente e animadamente no escritório, mas nunca estivemos a sós.
Sua mãe sempre estava lá como uma sombra e agora que estávamos sozinhos não conseguíamos iniciar e manter uma conversa de verdade.
E Esme tinha nos enviado como representantes da C.M no desfile de uma importante marca.
Ela ja queria se aposentar, e queria que Edward já pudesse ser reconhecido como o novo editor chefe da revista.
Havia o desejo de iniciar um diálogo entre nós?
Com certeza havia, mas ambos estávamos encabulados demais para conseguirmos manter uma conversação.
O caminho para o tal desfile foi desconfortável?
Foi sim!
O próprio dito desfile foi desconfortável?
Também foi
E agora a volta para a C.M também estava sendo constrangedora?
Com toda certeza!
Quase soltei um suspiro de alívio quando o carro em que estávamos parou em frente a revista, minha mão já estava na porta pestes a abri-la mas sua voz me parou, girei para fita-lo
— Sabe, eu queria... Nós não nos conhecemos muito bem, mas eu queria saber se você... -
Pigarreou, agarrando seus cabelos novamente e os puxou
— Se você... Você, quer.... Ou gostaria... -
—Eu quero! — exclamei célere o interrompendo.
Ele me encarou com as sobrancelhas erguidas em sinal de surpresa e mastigou a bochecha tentando conter um dos seus sorrisos tortos ao mesmo tempo que eu corava.
O motorista abriu a porta para mim
— Eu te pego no fim do expediente- anunciou sem ter êxito em esconder seu sorriso
— Eu saio às sete — informei timidamente, o que só fez seu sorriso aumentar um pouco
— Eu sei -
☆>☆
Às dezenove em ponto, Edward estava em frente ao elevador me esperando, com seu animado sorriso torto.
—Para onde vamos? — indaguei curiosa quando chegamos ao estacionamento e entramos no seu brilhante Volvo prateado
— Um lugar que gosto muito, já faz algum tempo que não vou lá -
falou ao mesmo tempo que abria a porta para mim
—Eu espero que goste! — sorriu tomando seu lugar no banco do motorista
—
—
— Uau — murmurei assim que entramos no estabelecimento.
Era pequeno, mas perfeitamente confortável e o incrível de tudo grande parte da decoração do ambiente era artesanal, desde as mesas as luminárias.
Seguimos a maître calmamente até uma mesa livre na varanda da pizzaria, o que nos dava uma bela vista da longa orla marítima de Seattle
Escutei Edward praguejar as minhas costas e o fitei curiosamente, ele corou assim que encontrou meu olhar se inclinando um pouco para murmurar.
— Eu acho que seria melhor nós irmos a outro lugar -
— Porque? Eu adorei este aqui -
comentei já me sentando na cadeira.
— Não quero que pense que sou um idiota Bella, por isso definitivamente acho que deveríamos ir embora -
— Sente-se Edward e me conte porque temos que ir — pedi, lhe sorrindo angelicalmente
Ele semicerrou os olhos, já sabendo que se sentasse nós com certeza não sairíamos dali, por fim ele suspirou e se sentou na cadeira a minha frente.
Tomei um tempo para admirar a mesa de madeira, que tinha várias tiras das folhas de bambu intrincadas em um complexo padrão na superfície, assim como as cadeiras.
A pequena luminária em nossa mesa também era feita do mesmo material, porém as tiras eram mais espaçadas e nos permitiam ver a pequena vela que ardia em seu interior
Edward se mexeu desconfortável em sua cadeira, o que atraiu meus olhos para ele novamente, adotei a postura rígida de sua mãe; braços cruzados na mesa e uma expressão séria
— Então, o que te aflige Edward? — ele me fitou por um longo tempo antes de se inclinar em minha direção.
—Você vê a garota loira a sua direita, a garçonete? — perguntou
O mais discretamente possível, joguei meus cabelos para o lado, para que pudessem criar uma cortina diante do meu rosto, girei minha cabeça lentamente na direção onde ele indicava olhando cautelosamente por entre as frestas dos meus fios, havia de fato uma mulher loira nos encarando, na verdade encarando a Edward com os lábios crispados enquanto segurava a pasta de cardápio, tinha os olhos semicerrados observando intensamente cada movimento dele, praticamente ignorando o que o casal na mesa lhes pedia
—Ela é minha ex-namorada, eu não sabia que ela trabalhava aqui, e agora estou com medo dela cuspir na sua pizza e misturar com o queijo derretido -
Engasguei com uma risada quando voltei a fita-lo
— Você quer apostar que ela virá nos atender? — desafiei erguendo uma sobrancelha, arregalando os olhos e ficando ligeiramente pálido ele negou rapidamente, me fazendo rir um pouco mais
— Então, porque vocês terminaram? -
—Ela era um pouco... hmm... Obsessiva -
—huh... obsessiva? Devo ficar com medo? — perguntei brincalhona
Ele fez uma expressão tão séria que eu poderia realmente ficar assustada se não fosse o brilho de divertimento em seus olhos
— Deve ficar apavorada — murmurou em um tom sério
Ficamos nos encarando quase sem piscar
—Boa noite! — nós dois pulamos nos assentos quando escutamos o cumprimento assim tão perto de nós, ao nosso lado a garçonete loira e ex-namorada de Edward nos encarava, dividindo seu olhar entre nós, provavelmente tentando adivinhar o grau de intimidade que nós tínhamos.
Murmurei um "Boa noite" e lancei num o olhar zombador para Edward, se nós tivéssemos apostado eu teria um bom dinheiro no bolso agora.
— Boa noite Edward — desejou em tom íntimo, entregando a ele o menu, este que pigarreou desconfortável
— Boa Tanya — a mulher abriu um sorriso tão grande que fiquei preocupada com a possibilidade de suas bochechas rasgarem, ele pegou o menu que ela lhe estendia e a encarou interrogativamente
— Sim? — ela perguntou, Edward apenas fez um gesto com a mão, me indicando.
Tanya girou lentamente para me olhar, eu sabia que se olhar matasse eu já estaria desfalecida nesta cadeira, a raiva nos frios olhos cinzas era evidente quando ela empurrou outra pasta na minha mão.
— Dois sabores? — perguntei, Edward assentiu sorrindo
Ouvimos um grunhido, pisquei para ele apenas para provocar um pouco mais.
E o grunhido foi ouvido de novo
— Desculpe querida, mas você quer uma pastilha para a garganta? — indaguei sorrindo angelicalmente.
Tanya semicerrou os olhos, forçando um sorriso que mais pareceu uma careta
— Eu agradeço Srta, mas dispenso -
Edward tossiu enterrando o rosto em sua pasta, na tentativa de disfarçar uma risada, e diga-se de passagem não conseguiu.
Me concentrei nos sabores das pizzas, lendo atentamente seus nomes e sabores.
— já escolhi! — Edward exclamou
— Eu também — informei
Ele se virou para Tanya
— Eu vou querer uma coca... Bella você também quer? — assenti positivamente
— Então, são duas Cocas e minha pizza de Marguerita — pediu fechando a sua pasta e estendendo a mão para pegar a minha
— E você Bella? — ele perguntou, mordi os lábios
— Vou querer a Portuguesa — respondi lhe entregando o menu, que ele por sua vez entregou para Tanya
— Então é isso, Duas Coca-colas, e uma pizza grande, metade Marguerita e metade portuguesa — Tanya anotou tudo rapidamente, mas resistiu um pouco antes de se afastar.
Lançou um olhar carinhoso para Edward e outro carregado de ódio para mim antes de finalmente ir, assim que ela se afastou, Edward interceptou outra garçonete e repetiu o pedido, eu quase ri.
— Melhor prevenir do que remediar — recitou
— Então porque Edward? — perguntei curiosa assim que nos vimos sozinhos de novo, e ele deu de ombros
— Minha mãe é um pouco aficionada pela letra E, e Edward era um dos seus personagens favoritos dos livros da Jane Austen — contou
— Sua mãe escolheu seu nome? — perguntei surpres
Ele apenas deu de ombros com um sorriso.
— E você, porque Isabella? — Edward perguntou agarrando um pãozinho da cesta e me encarando curiosamente
—Bom....- fiz suspense, com uma expressão séria
— Minha irmã quis homenagear a boneca preferida de sua infância-
Dei de ombros, ele me encarou por um longo tempo antes de jogar a cabeça para trás e rir com força, ri de sua reação porque sinceramente não tinha sido uma "piada" tão boa assim, mas sua risada era irrevogavelmente contagiante.
—Quando você descobriu que era o Edward, e não Edythe? — perguntei curiosa.
Edward franziu o cenho, seu rosto adotando uma expressão de concentração, como se elre vasculhasse todo o cérebro atrás da lembrança, até que por fim deu de ombros.
—Acho que sempre soube, minha mãe conta que desde que eu tinha três anos eu dizia que era um garoto -
— Três!? -
— Três! — confirmou divertido
— Ela achava que eu dizia isso apenas porque eu era rodeado de meninos, e queria parecer com eles, isso até minha prima Rosálie nascer.- ele se interrompeu rindo
— O que aconteceu? — perguntei
— Quando eu tinha oito anos ela cortou meu cabelo enquanto eu dormia, meu irmão Emmet cortou os cabelos da boneca de uma de suas bonecas, e como eu era a única garota além dela, fui a única suspeita -
Eu encarei meio chocada, não sabia se ria ou chorava.
Havia visto uma das fotos da pequena Edythe nas gavetas do escritório de Esme, a menina tinha cabelos simplesmente enormes que iam até os joelhos
—Desde aquele dia eu bati o pé dizendo que era um menino, vestia as roupas de meus irmãos, cortava meus cabelos com a tesoura de jardinagem quando ficavam grandes demais... enfim -
— E os seus pais? -
— Eles me levaram a psicólogos, terapeutas, psiquiatras, acho que deve ter sido muito difícil para eles quando lhes disseram que eu tinha "O transtorno de identidade de gênero"... Como se fosse alguma doença! -
Bufou
— Depois de muita pesquisa sobre o assunto, meus pais aceitaram e me apoiaram desde então, minha família tem uma mente muito aberta, mas não pense que foi tudo uma maravilha — comentou
— Assim que fiz doze anos minha mãe ficou grávida de uma menina, eu fiquei feliz por ganhar uma irmã, e por que minha mãe realizaria finalmente o sonho de ter uma garota, que se tudo desse certo também agiria como uma.
Mas, a bebê morreu no parto, o cordão umbilical estava enrolado ao redor do pescoço dela -
Estendi minha mão e pus sobre a sua, querendo lhe passar conforto. Era um assunto que obviamente não trazia bons sentimentos para ele, sua outra mão cobriu a minha, traçando pequenos desenhos imaginários em minha pele
— Minha mãe entrou em depressão, deve ser horrível perder um filho, principalmente um que se queria tanto... Cada vez que ela me via, chorava, porque ela tinha uma menina que preferia se vestir e agir como um menino, então eu decidir me afastar. Falei com meu pai e fui morar com meus avós na Florida -
Ficamos em silêncio por alguns minutos, eu não sabia o que dizer depois daquilo, mas eu tinha que quebrar o silêncio para arranca-lo das lembranças que o artomentavm enquanto ele ainda "desenhava" em minha mão.
—Quando você voltou? -
Edward me encarou confuso
—Da Flórida, quando você voltou de lá? -
— Aos quinze, minha mãe pediu para que eu voltasse perto do meu aniversário, meu presente de debutante foi a hormônioterapia — riu
— Acho que foi o jeito dela dizer que não se importava em quem, e em como eu era.... E a sua família? — perguntou curioso
Pigarreei
— Aqui está! — Tanya voltou, exclamando subitamente mais uma vez ao nosso lado sem qualquer indício da sua aproximação.
Eu quase a beijei em agradecimento a sua interrupção.
Trazia na bandeja uma pizza grande, de aproximadamente 30cm e um sorriso enorme.
— Aqui.... — a outra garçonete a quem Edward havia feito o pedido chegou quase que ao mesmo tempo.
Ambas se entreolharam com cenhos franzidos e pareciam prestes a entrar em uma discussão acalorada
—Obrigada Tanya, mas eu refiz o pedido com sua colega — Edward disse antes que alguém falasse algo
—Mas... -
—Você pode ficar com essa, eu vou pagar e dar a gorjeta de qualquer maneira — ele informou
— Tem certeza? Eu pedi para que pusessem queijo extra, do jeito que você gosta! — fez beicinho
Edward adquiriu um tom rosado enquanto corava, mordi o interior das minhas bochechas tentando conter um sorriso de diversão
—Absoluta! -
A loira crispou os lábios olhando desanimada a pizza que carregava, depois me lançando mais um de seus olhares "intimidadores" e em seguida se afastou.
A outra garçonete sorriu pondo os pratos, talheres e a nossa pizza gigante na mesa.
— Só um minuto e volto com as cocas — pediu
— Ela cuspiu — afirmou
E eu ri, ri muito, tanto que cheguei a chorar
— Ela cuspiu! — repeti
A garçonete voltou com nossas bebidas e em seguida se afastou novamente.
—Então? -
—O que? -
— Sua família — vacilei
Dei um gole no refrigerante tentando ganhar tempo
—Vamos dizer que eles não aceitaram tão bem quanto sua família -
Sua boca abriu em um "O" perfeito, ao mesmo tempo que ele assentia
— Você não precisa falar disso -
—Sem problemas Edward, eu quero. -
Foi meio estranho e nostálgico contar toda a minha história para ele, eu nunca contei para ninguém além da família Snow.
E isso me deixava um pouco desconfortável, devo ter chorado algumas vezes quando mencionei Alice e Bonnie, vi suas mãos se fecharem em punhos quando contei sobre o espancamento, e o vi segurar carinhosamente minha mão e depositar um beijo quando contei sobre os meses em que fui Obrigada a me prostituir
— Eu sinto muito por eles, que perderam a oportunidade de conhecer essa mulher extraordinária que você é — murmurou
—
—-
☆
— Então você... Você tirou o.... — engasguei com a Coca-Cola pega desprevenida com essa pergunta
— Caramba! Isso é tão pessoal! Me perdoe se eu estiver sendo muito invasivo, é só que nunca conheci alguém como... — se interrompeu envergonhado
— alguém como nós — completei depois de me recuperar e ele apenas assentiu ainda um pouco envergonhado
— Bom eu, sim eu tirei. Depois de muita indecisão -
— Indecisão? — repetiu
— Você sabe, todo sonho de uma mulher é se tornar mãe um dia, e mesmo que eu não utilizasse você sabe, "a coisa" ela ainda era a única ferramenta vamos dizer assim que podia me dar filhos -
contei
— Então você desistiu das crianças? -
— Na verdade não, eu fui bem metódica desde o início da minha transsexualização.
Eu salvei alguns "soldadinhos" antes de começar com a hormonioterapia porque, no momento em que comecei a tomar os hormônios eu me tornei infértil, foi só um receio que eu tive antes de fazer a penectomia — dei de ombros
— Então, quando eu quiser ter bebês, é só recrutar — completei com uma risada
E depois franzi o cenho, era estranho falar sobre isto, não que eu tivesse vergonha porque eu não tinha nenhuma vergonha da minha história, apenas achava estranho porque eu nunca conversei realmente sobre isto com alguém, sobre os processos cirúrgicos pelo qual passei para que hoje eu pudesse ser definitivamente a Isabella.
— Eu também fiz isso — comentou depois de tomar um gole da sua Coca
— Eu congelei alguns óvulos antes de fazer a histerectomia e a salpingooforectomia, minha mãe que sugeriu fazer isto e ficou muito feliz quando eu realmente fiz -
Franzi o cenho para ele
— Fazer o quê?- ele riu um pouco enquanto corava
— Histerectomia é o procedimento para a retirada de parte ou total do útero, no meu caso, eu fiz a retirada total, e a salpingooforectomia é a remoção das tubas uterinas e dos ovários -
explicou solícito
— Hã... E esses foram os procedimentos que você teve que passar? — perguntei curiosa
Ele bufou rolando os olhos
— Mas é claro que não! Eu fiz as retiradas das... hum... dos... -
—Seios? — sugeri quando notei seu óbvio desconforto, ele afirmou com um gesto positivo
— Eu ainda tive que fazer a vaginectomia que é remover toda ou parte da vagina e no meu caso... -
— Você retirou toda! — completei agarrando meu copo de Coca
— Touché! — respondeu divertido
— Hã houve a metoidioplastia, que foi a criação do meu pênis com o meu clitóris — riu suavemente
— Eu tinha um mini pênis de 8 cm! -
Engasguei com o refrigerante tentado controlar uma risada, já ele ria livremente
— Isso é.... Literalmente o tamanho de um dedo indicador! — falei com o próprio dedo erguido
— Dedinhos dão prazer Bella! Não seja tão má! — exclamou rindo
— Okay, Okay! Me desculpe! — pedi ainda rindo um pouco
— Voltando — falou com o dedo indicador erguido, olhei para seu dedo só um pouco antes de cair em outra gargalhada
Ele revirou os olhos antes de voltar a falar
— Também fiz escrotoplastia que foi a criação da bolsa escrotal com implantes de silicone nos grandes lábios, a uretroplastia que foi a reconstrução da uretra, e por último a faloplastia que é pra o aumento do pênis, ou seja, o meu "dedinho indicador" hoje tem cerca de 22 cm! — finalizou orgulhosamente
— Uau! Isso com certeza é muita coisa!- brinquei fingindo admiração
— Mas é claro que é, ele está classificado oficialmente como um pênis grande — disse orgulhoso
Rimos e então do nada paramos, nos encarando por um longo tempo, realmente tínhamos uma mania de parar no tempo e ficarmos nos observando que chegava a ser absurda.
—
—
—
O nosso "jantar" tinha sido maravilhoso, Edward era um cara maravilhoso, inteligente e talentoso.
Tínhamos conversado horas afins, sendo praticamente expulsos da pizzaria por sermos os únicos a ficarmos na mesa enquanto eles já se preparavam para fechar.
—Então, Tchau? — murmurei quando ele me trouxe até a frente do meu condomínio
—Acho que sim — respondeu pondo as mãos em seus bolsos da frente da calça social
Mordi os lábios
— Tchau! — murmurei, ele assentiu se afastando aos poucos
Fiquei parada lá esperando que ele entrasse em seu Volvo para que pudesse entrar porém ele parou no meio do caminho e girou para me encarar
— Eu esqueci — falou vindo em minha direção novamente, meu rosto dever ter atingido várias tonalidades de vermelho quando ergui a pequena sacola que continha as poucas fatias de pizza que nós não comemos
— As suas pi...
Fui interrompida quando ele ergueu as duas mãos segurando meu rosto suavemente e se apossou de lábios beijando-me
com ternura, suspirei contra sua boca e me ergui nas pontas dos pés para envolver meus braços ao redor de seu pescoço.
— Agora sim. — murmurou quando nos separamos
— Boa noite Bella — desejou acariciando brandamente minha bochecha com um de seus longos dedos
— Boa noite — corei mordendo os lábios e assistindo ele se afastar.
Edward buzinou uma vez antes de ligar o motor de seu carro e partir.
Meu apartamento estava em um breu total e silencioso, então não foi surpresa quando eu quase tive um enfarto quando Travis gemeu zombadoramente nas sombras enquanto saía da varanda.
— Jesus! — exclamei pondo a mão no peito
—Esta tentando me matar?! -
praticamente gritei para ele ao mesmo tempo que acendia uma lâmpada
—Encontro... Ummm — zombou com um sorriso enorme, cruzei os braços frente aos seios
—Você estava me espionando? — indaguei sem acreditar
—Quem vai me julgar? — deu de ombros
Bufei, me jogando no sofá e tirando mais uma fatia de pizza da sacola
—Ummm Pizza! — zombou novamente, ergui o meu dedo do meio carinhosamente para ele enquanto mordia
—Eu quero! — falou se aproximando e quase pondo a mão na minha sacola
—Chame o James para ir numa pizzaria — rebati, dando um tapa na mão que ele tinha erguida
—Você vai achar! -
— Qual o problema de sair com o James? -
Ele bufou
—Não vai rolar Bella, então pare de tentar me empurrar para cima dele, e ele para cima de mim — falou se jogando no sofá
— Sabe... Eu acho incrível isso -
Travis me olhou com uma sobrancelha arqueada
— Você vive dizendo para me desprender do passado, fazer amigos e encontrar alguém, mas você mesmo não faz nada disso. -
terminei de comer a fatia que estava em minha mão e pus a sacola na mesa de centro
—Tipo, eu sei e entendo que você passou por algo bem mais traumático do que eu, que você leva cicatrizes emocionais bem mais profundas e complexas que as minhas mas, você tem que trabalhar contra isso.
Você me diz que tenho que deixar o passado para trás e viver loucamente enquanto você mesmo faz exatamente tudo ao contrário.
Sinceramente, eu acho que você deveria dar uma chance ao James, ele gosta mesmo de você, e vejo que você também gosta dele por mais que tente negar -
— Um encontro e você já virou uma expert sobre romances? -
Eu ri ignorando o seu tom sarcástico, e dei ombros.
—
—
Os movimentos e sons que eu estava ouvindo no apartamento com certeza atrapalhava meu sono, eu trabalhava toda a semana, fora a universidade.
Só tinha os fins de semana para me jogar em minha cama acordar provavelmente às uma da tarde e não me levantar para absolutamente nada.
Mas ao que parecia este fim de semana seria atrapalhado, já que Travis parecia estar pondo minha casa a baixo, não vou mentir.
Eu deveria estar parecendo uma velha caminhando quase cegamente pelo corredor resmungando enquanto seguia os barulhos.
Parei abruptamente na soleira da cozinha não acreditando no que via, primeiro Travis estava "cozinhando", entre aspas sim porque aquele homem não sabia nem fritar um ovo, ele estava agachado em frente ao meu armário e panelas puxando todas para fora e aquilo produzia toda a parafernalia metálica.
E segundo Edward Cullen estava sentado na bancada, tomando calmamente o que eu poderia dizer ser um café, graças ao copo da Starbucks.
— Mas que... — balbuciei passando as mãos pelos cabelos na tentativa de doma-los um pouco.
Ambos se viraram em minha direção, Edward sorriu e Travis de levantou de súbito
— Bella! Sua cozinha é uma bagunça! Nem mesmo consigo encontrar uma frigideira aqui! -
Lhe lancei o meu melhor olhar ameaçador, no que ele estava pensando estando aqui uma horas dessas da manhã?
E ainda por cima ter trazido o Edward para meu apartamento sabendo que parecia o Chewbacca de Star Wars quando acordava nos fins de semana.
— Bom dia Bella — Edward desejou, nem pude lhe responder, apenas dei meia volta e corri de volta para meu quarto.
08:00 da manhã... Eu fui acordada no sábado às oito da manhã!
Porque? Isso não era justo!
Quando estava finalmente apresentável eu voltei para a cozinha, lançando um sorriso de Desculpas a Edward e outro olhar assassino à Travis, estes que estavam sentados tranquilamente tomando café da manhã.
—Bom dia — desejei me sentando a mesa
—Bom dia -
— Você já está pronta, isso é bom. — Edward comentou me estendendo uma sacola de papel do Starbucks.
Acho que que Travis tinha desistido do seu momento gourmet e tinha ido a cafeteria da esquina.
Franzi o cenho para ele
— Pronta para... -
— Hm... Eu não pude controlar minha língua e acabei contando a minha família sobre o nosso jantar, então fui coagido a te levar para um almoço com minha família -
— oh... hmmm... Uau -
—
'
— Só uma coisa — Edward murmurou quando estávamos no estacionamento.
Me puxou para seus braços para mais um beijo
—Agora sim, Bom dia -
Sorri lhe dando um tapa de brincadeira no braço.
A casa dos cullens estava localizada em um bairro de puro alto nível, e eu não esperava nada menos que isto.
O lugar tinha mais do que mansões luxuosas, variadas em estilos mediterrâneos, Tudor, vitorianos que continham dez há quinze metros de distância umas das outras.
A Mansão da família cullen resultou em ser a última casa dessa vizinhança, e era no estilo minimalista, sóbria e austera ela se erguia com matizes esbranquiçadas e altas janelas de vidro.
— Uau! — exclamei sobre a respiração
—É incrível não é? — Edward indagou
Ele precisava mesmo pesquisar isso?
— Deslumbrante! — confirmei
Ele segurou minha mão, levando até os lábios e dando um pequeno Beijo na palma
—Sabe, minha família é um pouco... Como eu diria... Um pouco invasiva, então por favor Bella, ignore as coisas estúpidas que tenho certeza que você vai ouvir aqui hoje — pediu
Eu forcei um sorriso enquanto assentia, eu tinha uma cota enorme de "coisas estúpidas" que já escutei, e tinha certeza que qualquer coisa que escutasse do resto daquela família seria fichinha.
—Cassete! — essa exclamação foi o que nos recepcionou assim que entramos na casa.
E tinha que ser justamente Emmet, ele me encarava com os olhos arregalados me observando dos pés à cabeça.
Tinha cinco pessoas na sala e estar onde Edward me levou, Esme, Carlisle a quem eu já conhecia a mais ou menos um mês quando foi buscar Esme para um almoço na C.M
E somente duas pessoas a quem não conhecia um rapaz loiro, e uma mulher também loira que estava enganchada no braço de Emmet
— Eu nunca diria que você já foi um cara! -
—Emmet! — seis vozes incluindo a de Edward, exclamaram reprovadoras
— Não cara! É sério olha só, Olha ela! — exclamou apontando para mim.
Ao meu lado Edward fez uma careta de descontentamento, me abraçando de lado
— Emmet! Sério? — perguntou calmamente, mas eu podia distinguir um toque de raiva em seu tom, apertei sua cintura com uma de minhas mãos tentando lhe tranquilizar, a reação de seu irmão poderia ter sido um pouco constrangedora mas eu não tinha me sentido ofendida.
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— Mãe! — Edward ladrou, Esme riu antes de se aproximar de Emmet e lhe acertar com um tapa na nuca
—Certo... Hum, deixe eu apresentar, este aqui é Jasper -
Edward gesticulou para o outro loiro, seus cabelos iam até os ombros e ele não parecia se incomodar com os fios que voavam para seu rosto, ele era mais esguio dos três irmãos e mais baixo também, tinha olhos verdes porém não poderiam se igualar ao tom quase místico de Edward.
E parecia ser bastante reservado, Jasper apenas exibiu um pequeno sorriso acolhedor enquanto dava um lento assentimento positivo com a cabeça
—E esta é minha prima Rosálie — deu um sorriso para a loira estonteante, e ela o deu um enorme sorriso em nossa direção
— Famosa Bella! — cumprimentou saindo de perto de Emmet e me puxando para um abraço meio desajeitado já que Edward ainda me abraçava de lado
— Famosa Rosálie — respondi também sorrindo
Ela franziu o cenho e me encarou confusa
—Famosa? -
—Ah, sim! Eu ouvi muito sobre a sua maestria com cortes de cabelo — brinquei e todos riram.
Acho que conquistei a família.
Pensei, olhando para Edward que sorria
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— Eu ainda não acredito que Rosálie vai casar primeiro do que eu! — Edward queixou — se quando saímos da pequena lanchonete que pertencia a seus tios em Port Tangeles.
Nós já estávamos juntos há três anos, e noivos a um.
Ele vinha repetindo isso desde que Rosálie e Emmet anunciaram que iam se casar há uns dois meses e agora que o dia do casamento estava batendo a porta, ele vinha resmungando isso mais do que o normal, feito uma velha caduca.
Se ele não me houvesse pedido em casamento antes do anúncio do irmão, eu juraria que eles estavam competindo.
—E provavelmente vai ter um filho primeiro que você — provoquei
Ele bufou
—Tem certeza que não podemos ir à Las vegas? -
Rolei os olhos
—Sim, tenho certeza!.-
A nossa frente uma mulher andava lentamente com os braços cheios de sacolas, se havia algo que eu mais odiasse no mundo, era alguém andando devagar na minha frente.
Um carro parou ao nosso lado e buzinou uma vez, a mulher balbuciou alguma coisa antes de se virar para entrar.
A sensação que tive quando peguei um flash do rosto da mulher, foi a mesma coisa de ter levado um soco no estômago a voz de Edward virou um zumbido, eu ouvia o som mas não podia compreender nada que ele dizia e tudo pareceu ficar em câmera lenta
— Bonnie! — exclamei antes que ela entrasse no carro, ela parou se virando em minha direção ainda segurando a porta aberta e me encarando curiosamente com o cenho franzido.
Diminui meus passos, ainda sorrindo calorosamente para ela e eu vi no exato instante que de alguma forma ela conseguiu me reconhecer.
Seus olhos se arregalaram ao mesmo tempo em que sua boca se abriu em um 'O' perfeito, pude vê-la murmurar um silencioso "Ethan" e seus olhos brilharem emocionados com lágrimas não derramadas antes de gritar um sonoro e animado
— Isabella! — fechou a porta correndo em minha direção e me agarrando em um abraço apertado
—Oh! Minha nossa! Veja só você! — exclamou se afastando um pouco para me olhar
— Está tão linda! — elogiu, mas franziu o cenho em seguida olhando para algo por sobre meu ombro
Me virei um pouco e encontrei Edward nos observando com uma expressão confusa intercalando olhares entre nós.
Eu o chamei e quando ele finalmente chegou até nós eu o abracei de lado
— Edward está é Bonnie, Bonnie este é Edward, meu noivo — eu os apresentei
Os olhos dela se arregalaram de tal forma que eu pensei que pudessem cair, antes que ela abrisse um sorriso maior do que o Iceberg que afundou o Titanic e puxasse Edward para um abraço
—
— O que aconteceu com você? — Bonnie perguntou, seus olhos brilhando de curiosidade.
Nós voltamos para a lanchonete dos tios de Edward e nos sentamos, Bonnie havia me contado que saiu de Forks dois anos depois de minha partida, juntamente com Alice e que ambas haviam me procurado por Port Angeles, ela confessou um pouco envergonhada que chegou a acreditar que eu pudesse ter sido assassinada ou até mesmo ter morrido de orverdose já que o bairro onde ela havia me deixado parecia ser cheio de dependentes e traficantes.
Me falou sobre Alice, que tinha terminado sua faculdade de psicólogia, mas que porém não o exercia, Bonnie me disse que assim como ela, Alice vivia aqui em Port Angeles e que tinha sido atacada durante uma de suas buscas por mim, foi horrível escutar aquilo e agradeci por Edward estar ao meu lado naquele momento, eu podia jurar que quase tive um surto de desespero quando ela tinha acabado de pronunciar as palavras.
Correu para me assegurar de que Alice estava bem, me pedindo para não me culpar.
Para tentar aliviar a tensão do momento ela me apresentou o seu marido Wanye, com quem já estava casada à seis anos e me mostrou uma foto da sua pequena filha Isabel de dois anos, uma menininha sorridente de cabelos negros e enormes olhos azuis.
Tinha me dito que o nome havia sido uma homenagem para mim, mas não havia sido nem necessário dizer.
Eu contei para ela quase tudo, sobre a família Snow, o meu emprego na Cullen Magazine deixando de fora sobre a prostituição, não era algo que falasse livremente principalmente em público.
Talvez eu houvesse lhe contado se seu marido não estivesse lá e acho que ela captou que estava escondendo algo quando semicerrou os olhos levemente quando pulei os poucos meses em Port Tangeles direto para a casa do Snow em Seattle.
Tivemos que nos despedir um pouco cedo na minha opinião, eles tinham que ir buscar a filha Onde quer que eles a houvessem deixado, Bonnie anotou o endereço de Alice para que eu pudesse ir ve-la e se dependesse de mim eu já teria ido no mesmo instante, mas Edward me convenceu que já estava tarde demais para uma visita, principalmente uma minha que não via Alice a mais ou menos oito anos e que seria um choque demais para ela.
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