Por você
12 O manipulador
As luzes finalmente se acenderam, causando irritação nos olhos sensíveis de Emma. A loira piscou repetidas vezes para se adaptar ao ambiente. Estava presa em uma espécie de gaiola estreita, posta em uma sala pequena, guarnecida com poucos móveis. Emma não conseguiu identificar o local. Tinha recebido a determinação de permanecer sentada, em silêncio, cabeça baixa. Não poderia encarar o seu raptor ou fazer qualquer outro movimento.
(Eu disse que deveríamos pegar a adaga. Pagaremos caro por esse desleixo)
Onde estamos?
(Em Storybrooke)
Sim, mas onde exatamente?
(Sei tanto quanto você, ocupamos o mesmo corpo, lembra?)
Pensei que seus poderes fossem ilimitados.
(E são. Limitadas são as perspectivas de quem os manifesta)
Podemos usá-los agora. Estou disposta a colaborar.
(Já não depende mais de nós. Estamos sob o jugo da adaga e de quem a manipula. Tudo pode acontecer)
Deve haver algo que possamos fazer.
(Não há. Até recuperarmos a adaga, seremos mero fantoche, sujeitos ao talante do seu detentor. Não podemos resistir ao domínio da adaga)
Por que eu não consigo me mexer?
(Porque ele não quer. A adaga controla a capacidade motora e a magia. O manipulador não precisa da nossa colaboração para satisfazer os seus desejos. Ele ordena, o corpo obedece)
Então vamos pegar a adaga na primeira oportunidade.
(Não é tão fácil. Por mais que queiramos, não somos capazes de fazer nada contra o manipulador, nem mesmo tomar a adaga. É preciso que ele nos entregue)
Então nossa consciência e vontade continuam livres.
(Livres, mas inúteis)
O homem retornou a sala, Emma pôde perceber que ele a observava à distância. Passou a andar nervosamente de um lado a outro, ansioso. Recendia a rum, suor e medo. Emma conhecia este cheiro. Sentiu seu estômago se contrair de raiva mais uma vez.
Covarde!
(Não sei por que você está tão decepcionada. No fundo, ele sempre foi um covarde)
Eu jamais imaginei que este desgraçado fosse capaz de uma traição, especialmente depois de tudo o que houve.
(Eu avisei que ele era um fraco, ele nunca me enganou)
O homem parou próximo à gaiola, de costas para Emma. Olhou pela janela, resmungou frustrado.
Ele não está sozinho nisso.
(É claro que não, ele não teria esta capacidade)
Quem mais estará envolvido?
(Saberemos em breve)
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