Por você

1 O Sacrifício


Notas iniciais
Então, esta é a minha primeira fic. Sou aficcionada por SwanQueen e penso com frequência em como eu gostaria que a história fosse. Resolvi escrever. E agora resolvi publicar, vai que alguém se diverte. Por favor, me digam se devo continuar ou parar. Beijo.

E então o vórtice de magia negra repentinamente desapareceu no ar, levando Emma consigo. No lugar onde ela estava, restou apenas a adaga, com uma nova inscrição na face da lâmina.

Não, não, não pode ser!. Desesperada, Regina se libertou dos braços de Robin e correu para se ajoelhar em frente a adaga, pegando o objeto com as mãos trêmulas.

– Por favor, me diz que não está escrito o que eu estou pensando!

Regina ouviu a voz chorosa do pirata atrás de si, mas não teve forças para responder. Emma Swan. Era o que estava escrito na adaga. Emma. Emma era a nova Dark One.

Hook começou a andar de um lado para o outro, passando a mão no cabelo cuidadosamente desalinhado. Lágrimas de ódio e frustração borravam o lápis preto que contornava seus olhos. Emma finalmente admitiu que o amava, mas em seguida destruiu a felicidade deles com aquele gesto estúpido. Tudo para salvar Regina pela milésima vez. Regina, sempre ela. Sempre ela se atravessando no caminho dos dois. Hook não entendia essa fixação de Emma por Regina, sempre em primeiro lugar. Ele havia se transformado em uma pessoa melhor, era merecedor da Salvadora, mas teve sua conquista arrancada mais uma vez. Por que isso sempre acontecia com ele? Hook não conseguia acreditar na sua má sorte. Não era justo.

A poucos metros do pirata, David olhava atônito para a adaga nas mãos de Regina. Era o nome da sua filha que estava escrito no objeto, ele podia ver claramente. Pela primeira vez em sua vida, David não sabia o que dizer nem como agir. Não se preocupou com a reação da Snow, não sentiu a urgente necessidade de confortá-la, de ser otimista, de procurar uma solução. Ele não conseguia se controlar, não conseguia sequer pensar. Sua garota tinha sido levada por forças desconhecidas e ele não sabia como salvá-la, não sabia nem se era possível salvá-la. Emma era a nova Dark One, não havia como desfazer esta maldição. David só percebeu que estava chorando quando sentiu as mãos delicadas de Snow em seu rosto, puxando-o para um abraço apertado.

A cena dramática se desenrolava ao redor de Regina, mas ela era incapaz de perceber. Sentiu seu estômago embrulhar e desabou em um choro convulsivo, com o coração esmagado pelo peso da dor. Apertou a adaga contra o peito, desejando que, ao abrir os olhos, Emma estivesse ao seu lado, sorrindo daquele jeito tranquilizador que sempre lhe dava segurança. Mas ela sabia que isso não aconteceria. Emma havia abraçado a escuridão e sacrificado a sua alma. Por Regina. Pelo final feliz que ela havia lhe prometido. Pura ironia. Não existe final feliz sem você, sua idiota, Regina pensou amargurada. Ela estava determinada a proteger a loira do mal, mas acabou sendo o atalho para a sua perdição. Se Regina tivesse escolha, jamais teria permitido que Emma tomasse o seu lugar. Mas ela estava paralisada pela densa magia que a envolvia e Emma não quis ouvi-la. Você lutou muito para ter seu final feliz destruído, a loira disse com os olhos marejados. E levantou a adaga, tomando para si o destino miserável que seria de Regina. Regina lembrou do olhar que Emma lhe lançou momentos antes de desaparecer. A emoção embargou a sua garganta e ela se sentiu sufocar. Nunca havia sido prioridade na vida de ninguém, nem mesmo de Daniel. Mas com Emma era diferente. A loira sempre esteve disposta a apoiá-la acima de tudo, mesmo quando tinha motivos para querer destruí-la, mesmo quando tinha que enfrentar o povo da cidade, o preconceito, seus próprios pais, demônios, monstros e maldições. E agora pagou um preço inestimável por tudo isso.

A culpa era de Rumple. Ele planejou tudo. Manipulou todos para conseguir o que desejava, como sempre. Maldito seja. Regina sentiu o sangue ferver e a velha sensação de ódio invadir o seu coração. Robin estendeu a mão para lhe ajudar a levantar, mas foi rispidamente repelido. Regina ignorou o olhar magoado do ladrão, não tinha tempo e nem paciência para ele agora. Ela precisava encontrar Rumple com urgência, fazê-lo retomar a escuridão que lhe pertencia, nem que para isso fosse preciso esmagar o coração do bruxo.

– Onde está o covarde do Rumple? – Regina se dirigiu a Snow, a voz tomada pela raiva. – Ele vai pagar pelo que fez, eu juro, vou obrigá-lo a retomar esta maldita magia negra!

– Ele não tem culpa dessa vez, Regina. – Disse Snow, que, incrivelmente, era a pessoa mais calma do grupo. – Rumple estava morrendo, foi o Aprendiz quem retirou a escuridão do coração dele com o chapéu mágico. Mas, de alguma forma, a magia escapou do chapéu e... bom, o resto você já sabe.

Regina riu com sarcasmo, o rosto desfigurado pelo desespero.

– Não se engane, Snow, a especialidade de Rumple é convencer as pessoas a fazer exatamente o que ele quer sem nem mesmo perceberem. Tenho certeza de que ele planejou isto tudo. Ele sempre quis que Emma abraçasse a escuridão, e só agora percebi onde ele queria chegar! – Regina estava quase gritando, nitidamente à beira de um colapso nervoso.

Foi então que Snow, reconhecendo o brilho sombrio que tomava o semblante de Regina, aproximou-se dela e gentilmente tomou seu rosto entre as mãos.

– Não, Regina, não foi ele. Pode acreditar. Ele sequer pode ajudar, está em um espécie de coma, não sabemos se ele irá sobreviver. Emma decidiu ser consumida pela escuridão, ela é a única responsável pelos seus atos, e agora precisamos encontrá-la e trazê-la de volta, ok? Mas para isso é preciso que você se acalme, por favor. Nós precisamos de você mais do que nunca. Emma precisa de você.

O tom carinhoso de Snow fez com Regina voltasse a chorar. O amor amolecia as pessoas.

– Mas não tenho ideia de onde ela possa estar, nunca ouvi falar de uma transição que tenha ocorrido sem a morte do antigo Dark One. Ela pode estar sozinha, perdida, com medo, presa, ferida...

Snow abraçou Regina, interrompendo o jorro de palavras. Deixou que ela soluçasse por alguns momentos em seu ombro, até que retomasse o controle. Voltou a olhá-la e sorriu com o otimismo que costumava irritar Regina, mas que agora lhe pareceu extremamente necessário.

– Nós vamos encontrá-la, Regina. Nós sempre iremos encontrá-la.

Notas finais
Só para esquentar...