Notas iniciais
Nossa, tem 36 pessoas seguindo a história, estou muito feliz! Segue mais um capítulo de "contextualização", espero que vocês identifiquem os pontos de vista da Rainha. Logo haverá POV´s da Emma também, mas ela precisa ser encontrada antes. Estou trabalhando nisso...rs. Enjoy!

Fazia exatos sete dias que Emma desaparecera e todos estavam à flor da pele, fustigados pela ansiedade, pela apreensão e pelo cansaço. Pelos quatros cantos da cidade, as pessoas comentavam o novo ato heroico da Salvadora e, especialmente, sua motivação. “Dizem que ela absorveu magia negra para salvar a cidade”. “Ela se sacrificou por Henry, não queria que o menino perdesse a outra mãe”. “Não sejam tolos, ela se sacrificou pela Rainha. Aquelas duas nunca me enganaram”. Cochichavam, alguns com malícia, outros com reprovação, muitos com admiração. E todos, sem exceção, estavam curiosos para saber o que havia acontecido com a Salvadora e quem ela era agora.

David, Robin e Hook lideravam buscas pela cidade e pela floresta. Vasculharam cada casa, cada canto, cada árvore, cada pedra. Regina usou magia, mas os objetos enfeitiçados não apontavam nenhuma direção. Enquanto isso, Belle, Henry e Snow, com a ajuda das fadas, buscavam informações sobre o Merlin, o mago que poderia eliminar a magia negra da adaga para sempre, mas ele parecia simplesmente jamais ter existido. Belle disse que Rumple havia mencionado o nome do mago uma vez, mas ele continuava em coma no hospital, sem sinais de progresso. Eles estavam em um beco sem saída.

Sentada em seu gabinete na prefeitura, Regina massageou as têmporas com força, sofria de enxaqueca desde o dia em que Emma se foi. Apesar dos esforços de Henry, não lembrava quando tinha comido decentemente pela última vez. Não tinha fome, não conseguia engolir, seu estômago parecia ter sido bloqueado pelas emoções. Muitas vezes ela fechava os olhos e chamava por Emma, esperando que ela pudesse ouvi-la. Mas ela nunca atendeu seu apelo. Olhou pela milésima vez para o cofre onde jazia a caixa que continha a adaga. Ambos estavam lacrados com feitiço de sangue. Sangue de Snow e David. Regina estava começando a considerar a ideia de invocar Emma. Cada minuto que ela passava longe deles era crucial.

O que mais angustiava a Rainha, contudo, era a sensação de que Emma não estava em Storybrooke. Quanto mais os laços entre elas se estreitavam, quanto mais faziam magia juntas, mais Regina conseguia sentir Emma. Percebia seu estado de espírito, sabia quando a loira estava por perto, sabia quando precisava de suporte. Mas agora perdeu a conexão. De alguma forma, a silenciosa comunicação que havia entre elas se rompeu. Regina temia que Emma tivesse sido levada para outro mundo ou simplesmente houvesse se transformado em outra pessoa, perdido sua identidade, sua essência.

Doía muito não tê-la por perto. Além da preocupação com o estado de Emma, Regina sentia uma saudade insuportável. Custou a admitir isso para si mesma, mas ela precisava da loira. Muito mais do que deveria. Precisava do cuidado dela, precisava da sua atenção, precisava sentir o seu cheiro. Sentia falta da sua companhia, do calor que emanava do corpo dela e que Regina era capaz de sentir mesmo à distância. Sentia falta das ideias geniais e das ideias tolas. Sentia falta da calma e da segurança que Emma lhe transmitia, da intimidade velada que a linguagem corporal de ambas revelava aos olhos mais atentos. Sentia falta das expressões confusas, da curiosidade infantil, do jeito atrapalhado, do entusiasmo com o controle cada vez maior da magia. Sentia falta da fortaleza em que Emma se tornava quando Regina precisava dela. Sentia falta do olhar investigativo que sempre invadia sua alma.

Durante algum tempo, Regina se sentiu ameaçada com o olhar penetrante de Emma. A loira parecia não perceber a intimidade daquele gesto. Devassava seus segredos sem qualquer cerimônia, sem pedir licença. Regina se sentia emocionalmente nua perto dela. No princípio, tentou bloquear esta invasão. Mas logo se percebeu adorando a forma como Emma a via. E a forma como ela mesma se enxergava através dos olhos da Salvadora.

Regina recostou a cabeça na cadeira, olhos fechados, deixando os pensamentos fluírem sem censura. Não era para ser assim, não deveria ser assim, mas fato é que ela se sentiu absurdamente atraída pela loira desde o primeiro encontro. Naquela noite em que Henry a trouxe para Storybrooke e ela lhe disse oi com aqueles olhos verdes e aquela expressão tímida no rosto emoldurado pelos cabelos dourados, o primeiro pensamento que veio à cabeça de Regina foi o quanto ela era linda. Regina soube, desde o primeiro instante, que ela era a Salvadora e que tinha vindo para tirar tudo o que ela havia conquistado, seu filho, sua cidade. Regina sabia que precisava se livrar dela, convenceu-se disso, mas se flagrava desejando estar perto de Emma sempre que possível. Inventava desculpas para procurá-la, provocava, chamava a sua atenção, seduzia. Ela se sentia encantada porque Emma sempre estava disposta a defendê-la e, apesar das brigas entre elas, a loira a via de um jeito que ninguém mais conseguia enxergar. A loira a conhecia de uma forma única, que nem mesmo ela percebia. Emma lhe mostrou que ela não era o monstro que pensava ser e que era mais uma vítima da própria maldição. A Salvadora reanimou os ponteiros do relógio da cidade e a vida de todos, inclusive de Regina.

Regina guardava vívida a lembrança da emoção que sentiu no momento em que Emma confrontou David quando a maldição foi quebrada e disse que não permitiria que ela morresse. Ainda lhe aquecia o coração a cena em que Emma a protegeu da revolta popular, quando ficou do seu lado enquanto todos a odiavam e desconfiavam, mesmo sabendo quem ela realmente era e o que tinha feito. Seria fácil para Emma tomar Henry só para si, mas ela nunca quis isso. Apesar de tudo, ela acreditava em Regina, confiava na Rainha. Eu sempre sei quando você está mentindo, ela disse. Regina mentiu tanto em sua vida que, às vezes, nem mesmo ela sabia distinguir a realidade da ficção. Mas Emma lhe deu norte, lhe guiou no meio da escuridão até que ela encontrasse a luz.

Regina lembrou a primeira vez em que fizeram magia juntas, abrindo um portal para a Floresta Encantada com o chapéu de Jefferson. Naquele momento, Regina percebeu que havia uma fantástica conexão entre elas. O poder daquele toque, capaz de abrir caminho para outra dimensão, deixou Regina completamente aturdida e a única explicação que conhecia para o fenômeno não tinha cabimento. Ao salvá-la do ataque de Wrath, Emma acabou caindo no portal, fazendo Regina experimentar, pela primeira vez, a angústia de perder a Salvadora.

Para Regina, não era fácil lidar com seus sentimentos em relação a Emma. No início, tentou se convencer de que a odiava, fazia questão de mostrar isso, mas sabia que não era verdade. Começou a nutrir simpatia pela loira a ponto de considerar sua proximidade tolerável. Em pouco tempo, a presença de Emma se tornou prazerosa. Agora era imprescindível. Porque tudo o que Regina sempre desejou foi tê-la para si.

Aquele ano que passaram na Floresta Encantada foi extremamente difícil para Regina. Quis enterrar seu coração para minorar a saudade. Saudade de Henry, mas também de Emma. Durante aquele tempo, entre as rusgas com Zelena e o medo da nova maldição que estava por vir, ela preenchia seus dias imaginando como os dois estavam vivendo em Nova York, imaginando a rotina deles. Doía muito saber que eles não se lembravam dela. Seu consolo era pensar que Emma e Henry estavam felizes e que seu presente tinha lhes dado condições de viver esta relação de forma plena. De todas as pessoas que Regina conheceu na sua vida, sem dúvida Emma e seu filho eram as que mais mereciam ficar bem. Você irá perder o que você tem de mais precioso, você irá perder as pessoas que você mais ama. Este é o preço que você irá pagar. Foi o que Regina ouviu durante o breve desmaio sofrido antes de interromper a maldição de Peter Pan. Pessoas que ela mais amava? Quem mais, além de Henry? Ao abrir os olhos, surpreendeu-se ao ver as orbes verdes de Emma cheias de aflição, mãos firmes em seu braço. Ela e seu filho a rodeavam.

Regina suspirou profundamente. Apesar da resistência, foi obrigada a reconhecer que tinha se apaixonado por Emma. Flagrava-se enciumada com a proximidade dos homens e reagia sem pensar, fazendo comentários ácidos e ridicularizando todos os interesses amorosos da loira. Não conseguia suportar a ideia de ver Emma se envolvendo romanticamente com outras pessoas. Sentia náuseas sempre que via a loira e o pirata juntos. Mais do que tudo, queria a atenção de Emma para si, queria tocá-la, sentir seu cheiro, seu gosto. Perdeu as contas de quantas vezes conteve o ímpeto de beijar a Salvadora.

Regina nunca foi puritana em relação ao sexo, pelo contrário, tinha plena consciência da sua beleza e a usava para seduzir todos, homens e mulheres, até conseguir o que desejava. Mas nunca se envolveu sexualmente com outra mulher, apesar de já ter cogitado, especialmente com Malévola. Tinha Graham para satisfazer suas necessidades carnais e a vingança para tomar seus pensamentos e o seu tempo. Por isso, nunca imaginou que pudesse se apaixonar por outra mulher, muito menos pela filha de Snow White.

Por muito tempo, Regina atribuía esta atração a sua carência. Emma foi a primeira pessoa que confiou genuinamente nela durante décadas, que não lhe julgava, acusava ou temia. Elas dividiam um filho, faziam poderosa magia juntas, nutriam uma forte ligação. Regina se sentia segura e confiante perto de Emma, e, mais do que tudo, protegida. E para completar a tragédia, a loira era linda, atlética, fofa, e seu sorriso fazia o coração da Rainha derreter. Foi-lhe impossível não se apaixonar pela Salvadora.

Regina sentia raiva de si mesma por se permitir cair nesta “armadilha”. Mais uma vez, estava sabotando a própria felicidade. Não era para ser assim, deveria amar Robin, o homem da tatuagem de leão que o pó de fada disse ser o seu final feliz. Se ela tivesse entrado naquela taverna, talvez as coisas tivessem sido diferentes. Mas ela não entrou e a sua história mudou de rumo. Ela escolheu ser a vilã, que sempre perde no final. Mudou, transcendeu e agora ela tinha Robin novamente ao seu alcance, a chance do final feliz. Mas tudo o que queria era estar com Emma. E a Salvadora estava mais inalcançável do que nunca. Tinha abdicado da sua luz e da sua alma por Regina. A Rainha tinha que encontrá-la.

Regina foi despertada de seu devaneio pelo ingresso abrupto de David no gabinete. Eles tinham que correr. Rumple havia despertado do coma.

Notas finais
Saudades da Emma já, né? Vamos em busca dela então. Aguardem os próximos capítulos, serão cheios de emoção! 8-)