Notas iniciais
Ai, pequeno, eu sei. Me desculpem a demora =s

Boa leitura.

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–James? — Chamei, do outro lado do telefone.

–Matheus...

–Você vai vir ou vai sobrar pra mim de novo?

–Eu não sei. Está...

–Chovendo muito? — O cortei, completando.

–É...

–Eu não me importo, traz uma sombrinha então.

–Mas cara, eu não tenho!

–Não tem uma sombrinha na sua casa?!

– Não.

–Tem sim! Para de enrolar. Olha só, a chuva parou. Está só chuviscando.

–Aaaah... – Resmungou.

–Larga de ser preguiçoso! Vem com aquela sua capa de chuva de sapinho... — Disse, segurando o riso

–Nem me lembre disso. – James disse sério.

–Não consigo! Você vai vir ou não?

–Vou, vou...

–Então anda!

Desliguei o telefone. Eu adorava o outono. Quando não chovia, porque eu realmente não gostava da chuva...

O celular vibrou e com ele, uma mensagem. De James. “Não me faça ter que tocar a campainha. Não estou afim de encontrar com sua mãe. Então me espera lá fora.”. Ele ainda achava que minha mãe guardava rancor por causa daquilo. Quantas vezes eu tinha que repetir? Bom, nunca. Com o James é assim. Você disse uma vez, ele acreditou, bem. Se ele não acreditou, dizer mais de uma vez é desnecessário e perda de tempo. Cabeça dura.

Sai de casa e andei em meios as pequenas gotículas de chuvas e ao ar denso. O vento soprou, balançando as cordinhas do meu capuz. Sentei em um muro baixo de uma loja que ficava ao lado de minha casa. Sempre achei estranho ter aquela loja de roupas ali, no meio de um bairro onde só havia casas... Mas até que era útil, as vezes. Virei a aba do meu boné para trás.

Ao longe, pude observar aquela fábrica muito estranha e abandonada. Cinza, cujas chaminés já não exalavam mais fumaça. O que por ora é até bom, não poluindo o ar. Mas por outro lado, era muito estranho saber ninguém entrava naquela fábrica há anos. Bati meu tornozelo contra o muro. Minha visão estava embaçada pelo leve chuvisco. Olhando para o lado, percebi uma silhueta. Tentei enxergar algo além da minha casa, talvez o próprio James, mas, aquela silhueta se movia de uma forma muito diferente para que fosse ele. Parecia que meus olhos estavam bloqueados por algum tipo de névoa... Mas não havia nenhuma.

Olhei para frente. Estava ali, aquela casa, feitas de lembranças de crianças. Tinha a leve curiosidade de saber como ela estava, depois de ter sido reformada. Principalmente, o quintal dos fundos. A última janela, no lado esquerdo estava aberta. Mas eu não enxergava bem. Ainda sim, pude distinguir um rabo de cavalo escuro, proveniente de fios de cabelos bem alinhados na cabeça de alguém. Uma garota. Mas não pude ver muito além da franja, cujo rosto estava se virando na minha direção. Alguém fechou uma cortina, exatamente naquele momento. Mas não foi a garota. Ela estava de costas para mim. Talvez a mãe. A cortina era fina. Pude ver as sombras que circulavam dentro do quarto. Distingui através da cortina, o rabo de cavalo e a silhueta do rosto daquela garota. Ela olhava para cima. Para alguém, talvez estivesse sentada, ou fosse apenas uma criança com seus 10 anos de idade, afinal, eu não via mais do que a cabeça. E também não me restou tempo, porque James, meio que “me empurrou” e eu tinha que dar um chute nele em troca.

‘x-x-x-x-x-x-x-x

–Mari? Que Mari?

–Marienne! – James falou.

–QUEM é Marienne?! — Perguntei.

–Mari! Aquela loira!

–Aaah sim, a loira – Disse, quando as lembranças vieram à minha mente. – O que tem?

–É ela!

–Meu Deus James! Será que dá pra você agilizar isso ae? Eu não tenho ideia do que você tá falando, cara!

–Você não escutou nada do que eu disse, não é?

–Você disse algo? – Eu ri, perguntando.

–Disse. – James fez cara de deboche.

–O que, exatamente? – Eu falei, olhando para o pé prata daquele banquinho colorido da lanchonete que eu e meu melhor amigo frequentávamos sempre. Mas dele banco era laranja. E o meu verde. Incrível, como que de acordo com as estações, a lanchonete mudava... O verde e o laranja não eram “vivos”, eram foscos. Neutros e calmos, da mesma cor que as folhas ficam quando estão caindo de suas árvores. As cores dali, tinham cor de outono.

–Ah! Eu disse que a loira que estava aqui antes da gente chegar, é a Mari, prima da Carol!

–E o que tem?!

–Afê, mas é besta mesmo! A Mari é próxima da Carol. Lembra? Aquela Carol que você está afim... – James disse sorrindo.

–Como assim afim?! Eu não estou afim dela! Quem disse isso?! – Perguntei desesperado.

James riu alto:

–Estranho, sempre que falo da Carol você fica vermelho... – Ele disse, olhando “distraído” para alguma mesa atrás de mim. Senti minhas bochechas ridículas corarem.

–Não é nada. Não significa que eu gosto dela.

–Eu te conheço, e quem falou em gostar dela? Eu disse que você está afim, é diferente.

–Tá! – Concordei relutante. – E a Mari tem a ver?

–Mula! – Falou James.

–Haha, olha quem fala, o aloprado.

–Deixa eu explicar, ô da mente lerda: – James disse e eu fiz cara de deboche – Mari é minha colega, talvez, se eu me aproximasse dela, poderia te ajudar com a Carol.

–Não preciso de ajuda.

–Larga de ser orgulhoso Matheus!

–Não enche Jamielsom!

–Já disse pra não me chamar assim.

Eu ri:

–Mas este é o seu nome. Jamielsom.

–Eu sei, não precisa lembrar que meus pais me colocaram um nome de manaúra.

–Jami-el-som. Sacou? – Brinquei. Ele não tinha entendido pela sua expressão.

–Jami el som! Sabe, pessoas que falam espanhol... Jami “o som”. Jami el som. – Expliquei novamente.

–Mas tu é uma besta mesmo... – Revidou James.

–Fiquei assim depois que comecei a andar com você!

–Nem vem, sempre foi assim... – James se defendeu.

–Cala a boca.

Ele só me olhou.

–Jamielsom. – Repeti rindo e provocando-o.

Ele largou seu sanduíche e me olhou com a cara da garota do exorcista, só que rindo em alto e bom som. Putz, ele ia se vingar de mim. Ferrou.


Notas finais
Vou tentar postar outro hoje, para compensar vocês.

U-U' Desculpe os erros! Meu pc quebrou e eu não consigo ver a tela direito --'

=3
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.