Por um instante
7 Capitulo 7
Capitulo 7
Acordei com um desconforto insuportável na coluna, quase não levantei da poltrona. Olhei para o lado e minha mãe não estava. Arregalei os olhos e pulei da poltrona. Sai correndo do quarto quando um médico jovem (muito jovem) com uma prancheta me impediu.
– Êpa! Cuidado mocinha. Você precisa de ajuda? Parece assustada... — Disse ele pegando no meu braço.
– Minha mãe não está na cama dela, eu preciso ver onde ela está. Me solta! — Tirei a mão dele do meu braço com muita força, o que fez ele deixar cair sua prancheta. Eu estava tão fora de si, que só me toquei disso quando ouvi o barulho dela caindo no chão.
– Meu Deus, me desculpa! — Fiquei nervosa.
Ele pegou a prancheta, olhou para mim.
– Tudo bem. Eu posso saber o nome da sua mãe? — Só após o meu "ataque" a ele, foi que percebi o quanto ele era atraente e novo.
– Melissa Morgan.
– Deixa eu ver... — Ele checou a prancheta, passando o dedo sobre ela. — Ah, Melissa... Ela teve uma recaída de madrugada, ela está na sala de ermegência.
– Que? Porque ninguém me avisou disso? Onde fica esta sala? Cade minha mãe? — Eu sentei no banco, coloquei as mãos sobre meus olhos.
– Moça? Eu levo você até lá. — Ele estendeu a mão para mim, a segurei e me levantei.
Fui atrás dele até chegarmos a sala em que minha mãe estava. Quando me deparei com ela deitada respirando através de uma maquina.
– Meu Deus, mãe? Mãe mas o que... mãe? — Eu comecei a suar e a tremer, aquela cena me deixou em choque. Fiquei totalmente sem reação.
Quando ela abriu os olhos devagar.
– Filha? — Ela disse segurando minha mão.
– Mãe, mas o que é isso? Você estava bem, não é? O que aconteceu?
– Parece que o corte foi mais profundo que a gente pensava, filha.
– Mas mãe e agora? Você vai ficar respirando por essa "coisa"? — Falei me inclinando para a maquina que auxiliava ela a respirar.
– Acho que por um tempo, sim. — Ela fechou os olhos.
– Mãe? Acorda! — Alguém pegou no meu braço, enquanto eu tentava acordar minha mãe. Ao me virar, era o médico.
– Moça, ela está sobre efeito de remédios, ela está bem.- Ele passou rapidamente a mão sobre meu braço para me confortar.
– Desculpa, mas qual seu nome? — Sim, me interessava.
– Daniel, e o seu? — Ele sorriu e olhou para os lados para ver se não tinha alguem olhando.
– Rachel... Rachel Morgan. Desculpa, mas você não é meio novo para trabalhar aqui? — Fiquei impaciente.
– É... Tenho 20 anos. — Ele sorriu mais uma vez.
– Pelo visto, alguém subornou o diploma da faculdade. — Falei virando para minha mãe.
– Não... — Ele sorriu mais uma vez. — Eu apenas entrei bem cedo para faculdade.
– E com quantos anos? — Eu disse.
– 16. — Ele sorriu de novo, eu já estava impaciente. — Eu estou em treinamento, apenas auxilio os médicos, mas não sou enfermeiro.
– Hm...
– E você? — Ele perguntou sorrindo, claro.
– Eu tenho 17, vou fazer 18 daqui a uma semana. — Parece que ele estava gostando da conversa.
– Ah... Rachel, eu preciso ir agora. Mas vou voltar para checar sua mãe. Ela vai dormir 5 horas, você não tem que ficar aqui, pode voltar para o quarto e mais tarde a levaremos de volta para lá. Caso ela melhore.
– Caso ela melhore? Então, não está "tudo bem" — Falei impaciente.
– Rachel, tenho que considerar as hipóteses. Mas tudo indica que ela vai melhorar sim. Vamos, você não pode ficar aqui agora. — Ele se dirigiu a porta, e me olhou com cara de espera. Olhei para minha mãe mais uma vez e fui atrás dele.
Cheguei no quarto e peguei meu celular, fui direto ligar para Clark. Ele atendeu. Expliquei o que havia acontecido mais cedo, então ele disse que iria me ver logo logo.
Estava tudo tão confuso, eu olhava em volta e via que ali não era o melhor local para se passar as férias. Decidi me sentar para pensar um pouco, quando olhei para a porta, lá estava ele, isso mesmo, Dr.Daniel.
– Posso ajudar? — Falei com tom de deboche.
– Vim checar, para ver se você está bem.
– Ah, e porque mesmo? Que eu saiba não estou doente. — Virei meu rosto para a janela e suspirei.
– Tudo bem, desculpa. — Dessa vez ele não sorriu e virou para sair.
Porque eu estava agindo feito idiota? Talvez a pressão de tudo aquilo estivesse me fazendo ficar louca.
– Espera! — Por um impulso de arrependimento da ignorância eu o chamei. — Não.. Eu não estou bem... — Ele parou, olhou de canto de olho e chegou mais perto da poltrona que eu estava sentada.
– Quer ajuda? — Ele disse.
– Não sei se você poderia, mas eu estou muito confusa. Uma hora eu estava na casa do meu melhor amigo onde aconteceram coisas estranhas... outra hora, minha mãe estava estirada no chão com uma faca enfiada na barriga... outra hora ela está respirando por maquinas. Não eu não estou bem. Porque isso tudo está acontecendo Daniel? Não queria que fosse assim, não era isso que eu queria para minhas férias. — comecei a chorar muito.
– Olha Rachel, as vezes as coisas são o que são, e não tem nada que possamos fazer para que elas melhorem. Mas inevitavelmente, elas acontecem... eu falo porque minha vida também não é fácil... nunca foi. — Ele pegou no meu ombro, talvez fosse a melhor forma de me consolar ja que estava "trabalhando".
– Dr Daniel? — Uma enfermeira entrou no quarto — Preciso de você no segundo andar.
– Sim, eu ja estou indo. — Ele tirou a mão do meu ombro bem rápido. Olhou para mim e saiu.
De uma forma, me senti bem melhor com as palavras dele. De outra, fiquei curiosa para saber o porque dele ter dito "minha vida também não é fácil".
As horas passaram, e eu acabei pegando no sono.
– Rachel? — uma voz me acordou, já tinha previsto, não ia conseguir dormir bem por um bom tempo. Era Clark.
– Clark? — me levantei e o abracei forte. — Você não sabe o quanto to preocupada com minha mãe.
– Eu devo imaginar. Onde ela está? — Ele disse sentando na cama que minha mãe deveria está.
– Ela está tendo tratamento especial em outra sala. — Sentei ao lado dele e apoiei minha cabeça em seu ombro.
– Ela vai ficar bem Rach. Enquanto a pessoa que fez isso com ela? — Ele falou se levantando. Ele estava me ignorando?
– Sinceramente, eu não ligo para isso agora, só espero que minha mãe fique melhor daqui para o final do dia.
– Verdade... — Ele estava impaciente e não me olhava.
– Você está bem? — Eu disse preocupada.
– Sim... é... O que você fez ontem de noite?
– Ah, não tive muitas alternativas. — Eu sorri. — E você?
– Eu sai com a Angel, fui na casa do Joey... — Angel? — Comi pizza... — Angel? — Dormi bastante...
– Angel? — pensei alto.
– Sim, é... Rachel eu preciso ir agora. Você vai ficar bem ai não é?
– Clark? O que você está dizendo? Você não ta aqui nem a 5 minutos. Que droga. Porque você vai?
– Eu to com horário marcado para um jogo com alguns amigos. Desculpa. — Ele disse olhando para baixo como se quisesse disfarçar.
– Clark? Mas o que...? Acho que você não entendeu não é? Eu estou sozinha nessa droga de hospital, e você sai com a Angel, vai ver jogo com amigos e comer pizza? Acho que você não entendeu ainda, eu preciso de você! Que droga eu amo.. — Me calei rapidamente para não falar absolutamente mais nada naquele momento. Ele olhou para mim, respirou fundo como se estivesse fazendo aquilo contra a vontade.
– Tchau Rachel, eu volto de noite.
– Quer saber? Tchau, não precisa voltar. — Ele apenas olhou para baixo e foi embora.
Aquilo me fez ficar mais confusa do que já estava. Eu pensava que Clark e Angel não existia mais. E porque ele saiu com Joey? Será que Alisson estava com eles? Que ótimo. Minha mãe esfaqueada, eu chorando em um quarto de hospital, e o menino que eu amo saindo e se divertindo com 3 pessoas que eu simplesmente odiava.
Já eram 13 horas, eu precisava me alimentar. Depois do que aconteceu eu ainda não tinha comido nada. Limpei meu rosto e fui para um restaurante mais próximo.
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