Depois de todo o ocorrido eu já não sabia se estava louca. — Que mulher estranha! — pensei comigo mesma. — O que será que eu vou descobrir no meu aniversário? Será que ela sabe o que eu tenho? Será que sou vidente?

Cheguei em casa pensativa e minha mãe perguntou:

– Está tudo bem?

– Bem... Hoje foi um dia estranho... Mas sim! Está tudo bem... — falei andamento em direção ao meu quarto.

Meu celular vibrou. Olhei e era Kylie mandando várias mensagens.

– " O que houve hoje? Nós precisamos conversar! Eu acredito em você! pode confiar em mim!"

Eu respondi dizendo:

— " Não dá para conversar por mensagem! Vem pra minha casa mais tarde!"

– " Estarei aí!"

Sentei na cama e olhei para o espelho pensando: — Será que falo sobre aquela mulher misteriosa? Se eu fosse ela não iria acreditar nessa história... Nem eu mesma acredito...- decidi contar. — além do mais ela é minha melhor amiga e vai me entender sem achar que eu sou louca.
Deitei na cama e fiquei olhando para o teto, lembrando do acidente de hoje depois da escola. — Aquele garoto... Será que ele está bem? Eu sai correndo e nem se quer pensei em como ele estava! — Pensei preocupada.

As horas passavam devagar e acabei dormindo. Comecei a sonhar... Era a mulher misteriosa, ela vinha na minha casa no dia do meu aniversário e dizia que eu não podia usar meus dons, se não minha irmã iria me encontrar. Eu só ficava escutando e no final ela me dava um correntinha com um pingente de Lua.

Eu acordei assustada, e já eram 18:48, Kylie com certeza já estava a caminho. Levantei, fui até a cozinha e comi algo, quando voltei para o quarto o celular vibrou, era Kylie avisando que estava na porta. Quando abri a porta Kylie entrou e me abraçou.

– Você está pálida... — Kylie disse com um olhar curioso.

– Eu tive um pesadelo...

– Foi uma visão? — Kylie perguntou entusiasmada.

– Eu acho que sim... Foi bem real!

– Como foi? Me conta!

– Vamos começar pelo começo Kylie! Vamos falar sobre hoje mais cedo, e depois vamos falar sobre esse sonho... — Eu disse fechando a porta.

Fomos para o meu quarto, Kylie sentou no banco da minha penteadeira e eu sentei na cama.

– Vamos! Me conte! Como são seus sonhos?

– Eles são diferentes... É como se não fosse um sonho! É como se estivesse acontecendo de verdade! Eu sinto tudo, o vento, o calor... Tudo! E depois quando eu acordo meu coração fica muito acelerado! Como se eu não estivesse dormindo e sim correndo!

– E como foi o seu sonho sobre o acidente?

– Eu só vi a cena de um garoto sendo atropelapdo... Eu ouvia o som do impacto do carro nele! E foi a coisa mais apavorante no sonho! Eu não o conhecia, disso eu sabia e que era em frente à escola! — Suspirei de alívio.

– Nossa! Isso é horrível! — Ela levantou e sentou do meu lado na cama e me abraçou. — Talvez não seja tão bom ver o futuro...

– Não é... Ele está bem? Você sabe de alguma coisa? Eu sai correndo e nem se quer pensei se ele estava bem...

– Eu acho que sim! Me disseram que ele só quebrou um braço! Eu descobri algumas coisas sobre ele! — Ela falou dando uma risada.

– O que você descobriu? — Falei dando uma risada também.

— O nome dele é Chris, tem 18 anos, veio da Flórida com os pais e estuda lá na escola na mesma série da gente mas, não na mesma turma! O que me deixou desanimada... Já que ele é um gato!

Eu ri. Como sempre não tenho jeito para falar dessas coisas. Mas seria bom conhecê-lo. Nós continuamos conversando, até que uma hora uma falta de ar e uma tontura tomou conta de mim e a última coisa que eu me lembro é do rosto da Kylie amedrontado me vendo desmaiar.

Eu não via nada, só ouvia. Era alguém falando em outra língua, mas tinha outra pessoa, uma mulher, que eu entendia o que ela dizia:

— " Precisa encontrá-la! Faça isso direito! Se concentre! Agora!" — A mulher falava aos berros e a outra voz falava cada vez mais alto em uma língua estranha.

Eu acordei ofegante, minha mãe estava do meu lado, e perguntou:

— Você esta bem minha filha?

— Quem era aquela mulher? O que a outra dizia? O que está acontecendo comigo? — Eu dizia desorientada.

— Jade! Calma! Está tudo bem! O que houve?

— A mulher falava em outra língua... A outra gritava! — Continuei falando frases sem sentido para quem ouvia. — Eu estou bem mãe... — Meu pai gritou chamado a minha mãe:

— Estella! — A voz do meu pai quase não se sobressai.

— Filha, se foi de novo aquele tipo de sonho... Por favor tire isso da cabeça!

Ela acariciou suavemente meu rosto e saiu do quarto.

Kylie sentou do meu lado, eu contei o que aconteceu, sobre o que eu ouvi, sobre a mulher estranha e sobre o sonho dessa tarde.

– Nossa! É muita informação! Você acha que essa mulher vai vir aqui na sua casa no dia do seu aniversário? — Perguntou Kylie.

– Até agora eu não errei... Acho que sim! Kylie é um melhor você ir... Esta tarde... Sua mãe deve estar preocupada...

– Sim! Eu vou! Ela já ta pedindo para eu voltar! Mas antes quero te perguntar uma coisa... — Falou Kylie indo em direção a porta do meu quarto. Você vai contar para a Saphira?

– Sim! Eu vou... Pretendo...

Kylie foi embora e eu fui dormir, porém, com medo se iria sonhar com alguma coisa...

No dia seguinte acordei aliviada, não tinha sonhado com nada. Fui à escola, o dia foi normal. Nada de visões ou sonhos estranhos.
No dia seguinte no final da aula eu encontrei o garoto que foi atropelado e me senti obrigada a falar com ele.

– Oi! -Disse quase em tom bem alto andando pelo corredor da escola.

Ele olhou para trás e me viu correndo na direção dele.

– Oi... — Falou ele surpreso.

– Ahm... Bem... Eu pensei em falar com você para saber se está tudo bem! — Falei sem jeito.

– Eu estou bem... Bem... Não tanto, como você pode ver quebrei o braço! — Ele levantou um pouco o braço esquerdo, já com algumas frases escritas. — Mas obrigado por se preocupar... Mas qual é o seu nome?

– Ah! Sim! Desculpe por não ter dito antes! Eu sou Jade!

Ele estendeu a mão e disse:

– Prazer! Chris! — Ele falou quando nos cumprimentávamos.

Fiquei vermelha, como sempre! Mas aquele sorriso e aqueles olhos verdes me deixaram sem jeito. Mas continuei:

– Eu sou do último ano mas sou da outra turma...

– Por isso não te conhecia! Mas prazer! Espero vê-la outra vez!

– Eu também... — Disse atrapalhada.

No caminho voltando pra casa eu estava pensando no Chris, ele é tão educado, e tão bonito. Pensei também no meu aniversário, que era amanhã, estava ansiosa para saber sobre meus sonhos... E sobre a mulher misteriosa. Se ela realmente vier me ver amanhã eu quero perguntar tanta coisa...