Notas iniciais
Oie! Olha eu aqui! Sim, estou de férias!!!!! Ouvi um amém, igreja? Demorei mais do que eu esperava para voltar a postar, o motivo: PREGUIÇA! Juro para você, eu abri o word todo dia, mas não conseguia escrever mais de um paragrafo, isso é depressivo. Mas o lado bom é que hoje eu agendei de estudar, e para fujir da agenda chata, resolvi acabar o capítulo!!!! Esse capítulo é cheio de coisas IMPORTANTES E INCRÍVEIS, prestem atenção aos detalhes, todas as minhas estórias se escondem nos detalhes! ;D Boa leitura para você!

Capítulo 6

Acordada não é uma palavra para me descrever, tudo a minha volta parece funcionar em flashes... Cada vez que eu pisco está acontecendo uma coisa diferente. Sinto meu corpo mole e não tenho forçar nem para me mexer direito, minha cabeça está pesada... Escuto quando Thomas finalmente para e desliga o carro... Onde estamos? Aqui não é a minha casa.

A porta do carro bate do meu lado e pouco depois ele abre a minha porta, sinto quando Thomas me pega nos braços... O esforço que ele faz para me segurar e fechar o carro seria cômico se não fosse trágico eu estar aqui com ele.

– Shiii.. Descansa, gatinha, amanhã você estará melhor.- escuto ele sussurrar.

Pisco novamente, ainda estou nos braços de Thomas, estamos em um elevador bonito, quer dizer que ele mora aqui? Minha cabeça está apoiada contra seu pescoço, posso sentir seu perfume novamente e sua pulsação sob a pele. Pisco e não vejo muita coisa quando abro os olhos, não estou mais com Thomas, estou deitada em uma cama, mas consigo escutar a voz dele não muito longe.

– Você pode arrumar ela?- dizia ele.

– Claro, meu filho. Me dê um minuto.- responde uma mulher, mas a mãe dele não está morta?

Meu corpo pede por descanso, por mais que eu queira teimar e ir embora, falta-me forças para isso e a cama está tão confortável... Escuto mais alguns barulhos ao meu redor, mas tudo parece tão distante...

***

Não sei quanto dormi, acho que ainda não o suficiente, pois tudo ainda está escuro como antes, a diferença agora é que estou mais consciente, para não dizer mais sóbria. O lado bom é que estou mais consciente agora, podendo assim ver melhor onde estou.

– Obrigado, Dirce. Vá dormir, irei dar mais uma olhada nela e vou me deitar também.- Thomas diz do outro lado da porta, que está apenas encostada deixando apenas um filete de luz entrar.

Escuto passos e a porta se abre mais antes de se fechar totalmente, deixando assim o quarto em uma escuridão quase completa. Como uma criança fecho meus olhos fingindo estar dormindo, mas fico atenta para ouvir todos os movimentos de Thomas.

– Você mal entrou na minha vida e já está fazendo a maior bagunça, ein gatinha?- sussurra ele e sinto o outro lado da cama afundar com seu peso.- Eu bem que disse pra você não ir para a festa, mas até parece que você iria me escutar!- continua ele rindo baixo.- Desde o primeiro dia foi isso que me chamou a atenção em você. Você não faz o que espero, parece não ter medo de nada... Sempre tão teimosa, com essas garrinhas afiadas e uma resposta na ponta da língua...- sinto ele mexendo no meu cabelo e é quase impossível manter os olhos fechados, quero olhar para ele, saber o porquê disso.

Lentamente abro meus olhos, mas quando o vejo seu rosto está próximo do meu, ele está de olhos fechados. Quase sem encostar seu rosto no meu ele coloca sua bochecha ao lado da minha e inspira profundamente logo depositando um beijo quase imperceptível na lateral do meu rosto. Ele se mexe um pouco e ainda sem abrir os olhos ele beija minha testa, acompanho suas ações de forma vidrada, ainda que não veja muito através do quarto escuro.

Seu nariz está alinhado com o meu agora e posso sentir sua respiração leve, sua boca está tão perto e me estranho por não ter tomado nenhuma ação em relação a isso, mas realmente quero saber o que ele vai fazer em seguida. Eu havia pensado que seu toque em minha bochecha tinha sido suave, mas de uma forma surpreendente ele aproximou seus lábios dos meus e fez com que eles se tocassem de uma forma ainda mais leve.

Não sei dizer se sua boca está mesmo tocando a minha ou se o que sinto é apenas o calor que irradia da sua para minha de tão próximas que ainda estão. Ele inspira ainda sem se afastar e de forma súbita cola nossas bocas com mais pressão, tornando o beijo concreto. É nesse momento que desisto de tentar pensar ou entender o que está acontecendo e me limito a sentir e retribuir seu beijo.

É evidente seu espanto quando movo minha boca sob a sua, mas ele também não parece disposto a parar para pensar e analisar o que estamos fazendo. A mão que mexia no meu cabelo desce para minha nuca quando ele toca meu lábio inferior com sua língua, me pedindo passagem. Esse beijo difere totalmente do toque gentil e superficial de antes, Thomas é exigente, sua boca toma tudo de mim, deixando minha mente turva enquanto tento corresponder à altura.

Sua boca tem gosto de menta, seu perfume mudou um pouco ao se misturar com o cheiro de sabonete e tudo isso está contribuindo para que eu me perca ainda mais nesse momento. O beijo se torna gradativamente mais lento e ele afasta o rosto minimamente do meu, abro meus olhos e o vejo me encarando. Milhares de perguntas invadem meus pensamentos já confusos, quero saber o que isso significou, por que ele fez isso, por que eu correspondi!

Ele parece ter visto meu conflito interno, sua mão sai da minha nuca e ele faz um breve carinho no meu rosto.

– Você tem que descansar. Boa noite, gatinha.- diz em um tom baixo ainda muito perto de mim.

Thomas me olha intensamente um segundo antes de depositar um beijo na minha testa e sair do quarto rapidamente. Me sinto engolida pela cama, o dia foi exaustivo, muitas emoções, e esse beijo me pegou totalmente desprevenida. Deveria ter gritado com ele, o xingado por se aproveitar da situação, mas quão hipócrita seria eu se fizesse isso? Eu mesma aproveitei, ainda sinto seu toque nos meus lábios...

Tenho medo das consequências disso, minha cabeça está pesada, tento afastar todas as incertezas que esse dia implantou em mim e tento dormir. Amanhã ainda teria que encarar o jantar com as pessoas do jornal, dar explicações quando chegasse em casa e o que mais me deixa apreensiva, saber que Thomas estará sob o mesmo teto que eu quando o sol nascer.

***

O que devo fazer? Estou nesse dilema desde que acordei. Sabia que estava na casa de Thomas, sabia que ele provavelmente vem me chamar logo, sei que nos beijamos ontem a noite, que eu bebi demais e não tinha muito controle sobre as minhas ações, mas eu quis o beijar, não posso fugir disso ou posso?

Mal me mexi na cama, mas meus pensamentos estavam mais agitados do que nunca, aflitos buscando uma saída dessa furada que me meti. Na noite passada eu não estava no meu normal, isso é evidente, já que nunca beijaria aquele idiota se estivesse com minha consciência perfeita. A porta se abre e dessa vez não tive tempo de fingir está dormindo.

– Ah, bom dia, menina!- diz uma senhora que aparenta ter seus cinquenta anos.- Que bom que acordou, fiquei preocupada com você ontem.

– Ontem..?- questiono por não me lembrar de já a ter visto antes.

– Quando o Thommy trouxe você, ele disse que você passou um pouco da conta na bebida. Ele achou melhor que seus pais não vissem você daquele jeito, ele é um bom menino, sabe..- esclarece ela enquanto anda pelo quarto, abrindo mais as cortinhas e deixando o sol iluminar todo o quarto.- Sorte sua que minha camisola não ficou tão ruim em você, de toda forma eu coloquei seu vestido de ontem na máquina, vou buscar para você.

Não tive tempo de falar mais nada antes que ela saísse do quarto, sequer sei seu nome e estou aqui usando uma camisona de algodão dela, que bate nos meus pés, o que não é bem meu estilo de roupa de dormir, mas não posso reclamar.

Pouco tempo depois a senhora volta e me entrega minha roupa de ontem, além de me dizer que seu nome é Dirce. Ela não ficou muito mais comigo, apenas disse que iria acordar o "Thommy" e preparar o café.

Vou para o banheiro do quarto onde encontro uma embalagem de escova de dente fechada no armário, escovo os dentes, arrumo o ninho de passarinho que meu cabelo se transformou e por fim coloco meu vestido no lugar da camisola de algodão. Escuto a porta do quarto abrir, talvez eu tenha demorado demais no banheiro.

– Dona Dirce, a senhora...- começo a dizer saindo do banheiro, mas paro imediatamente quando noto que não é Dirce quem entrou no quarto.

– Vejo que já conheceu a Dirce!- diz Thomas vestido apenas com uma calça de moletom e os cabelos mais bagunçados que o de costume.- Vejo também que não está mais com a camisola dela.. Uma pena, estava pensando em tirar uma foto e mandar para a Oli!- diz ele no tom zombador de sempre abrindo um pequeno sorriso.

Thomas pode ser bom com as palavras, provocações e brincadeiras, mas a expectativa que eu vi em seus olhos não estava sendo facilmente camuflada. Ele, tanto quanto eu, não deve saber como reagir ao beijo de ontem. As engrenagens do meu cérebro trabalham arduamente na primeira coisa que devo lhe falar, é quando tenho um momento de iluminação divino perfeito para escapar desse constrangimento.

– O que.. O que aconteceu ontem?- faço a melhor cara de confusa que consigo.- Minha cabeça parece estar pesando uma tonelada...- essa parte era totalmente verdade.- Só me lembro de ter brigado com meu pai e ido para a festa do português em um lugar esquisito...

– Imaginei que você estivesse com dor, por isso trouxe meu kit pós-ressaca.- responde ele indicando um copo cheio de água e dois comprimidos em cima do criado mudo.- Mas.. é sério que você não lembra de nada?

– Por que eu mentiria?- "porque você é uma covarde que não consegue assumir as consequências dos seus atos!", aponta minha consciência.

– Não, tudo bem, entendi... Não lembra de nada...- Thomas parece analisar o que a minha perca de memória significa na nossa "relação".- Vou te explicar então. — nesse momento o meu sangue gela, ele iria dizer que nos beijamos?- Ontem seu irmão me ligou e disse que você teve um dia difícil e saiu de casa parecendo transtornada, não sabia que havia brigado com o seu pai, sinto muito por isso. Então eu pensei para onde você poderia ter ido, e como você nunca escutaria um conselho meu, apostei que você estaria na festa do Rômulo. Pedi que meu amigo me deixasse lá e comecei a te procurar...

– Por que não foi na sua moto?- o interrompo.

– Er... Porque ela estava na oficina.- responde um pouco evasivo pro meu gosto, mas não insisto.- Quando eu estava te procurando, avistei uma menina meio alterada, pulando que nem uma perereca no meio da pista de dança, foi quando me aproximei e vi que era você!- diz rindo da minha cara.

– Que nem uma perereca é?- tento engolir a raiva.

– Não se martirize, a bebida estava batizada e você estava tentando desopilar, pelo que entendi.- fala de forma surpreendentemente suave.- Depois eu fui um cavalheiro te tirando de lá e te trouxe para dormir aqui, fim!

"Cavalheiro? Me levando nas costas como um saco de batatas?!", quis gritar, mas quando ele terminou sua narração sem comentar o nosso "incidente" preferi manter a boca fechada.

– Er.. Acho que te devo um obrigada, então.- declaro um pouco envergonhada por realmente ter que o agradecer.- Obrigada, Thommy!

– Dirce já está te contaminando com os apelidos dela?- diz em falto tom de indignação.- Se estiver pronta, pode ir para a sala e tomar café da manhã. Irei só me trocar e te levarei para sua casa.

– Não precisa se incomodar com isso, Thomas.- digo rapidamente.

– E perder a bronca que você vai levar? Nunca!- declara ele antes de sair do quarto.

Ótimo, eu "não lembro" de nada e ele não fala nada, assim deve ser melhor. Mas ele falou uma coisa certa, minha mãe vai arrancar minha cabeça fora! Estive tão preocupada com o episódio do beijo que não me lembrei que passei a noite fora de casa sem sequer avisar a minha família.

Vou até o criado mudo, tomo os comprimidos e bebo toda a água antes de deixar o quarto. No corredor, além da porta pela qual saí haviam mais três portas e o fim do corredor. Não parece ser um apartamento muito grande, três quartos talvez, mas assim que chego na sala o apartamento ganha mais pontos na minha análise. A sala era bem mobiliada com uma televisão enorme em cima de uma estante que também abrigava um videogame igual o do meu irmão e uma coleção de jogos de uma ponta a outra das prateleiras. O sofá era cinza e largo, parecia ser bom até para se dormir ali.

Havia um balcão que separava a sala da cozinha, na qual entrei na esperança de encontrar Dirce, mas fui frustrada ao ver somente os móveis. A cozinha era toda branca, geladeira, fogão, até a mesa de mármore era de tom claro. Como não tinha ninguém aqui e eu não iria ficar mexendo na geladeira dos outros, resolvi me sentar na sala e esperar Thomas aparecer.

Pouco tempo fazia que eu estava sentada no sofá da casa de Thomas, quando escuto barulho de chave na porta do apartamento. De onde eu estava sentada não conseguia ver toda a porta, mas quando a mesma se abriu foi impossível não notar o monumento que passou por ela.

O desconhecido deve ter quase um metro e noventa, tinha cabelos escuros bem arrumados em um corte que era a mistura perfeita entre clássico e moderno, curto e com um sutil topete penteado para o lado. Ele tinha também uma barba rala e bem fechada, além de está vestindo um terno que se moldou muito bem ao seu corpo atlético... E sim, acho que estou babando.

– Já posso lhe cumprimentar ou vai continuar me analisando?- disse o desconhecido parado na minha frente.

– Meu Deus, que vergonha!- digo em voz alta sem perceber e trato de cobrir minha boca com as mãos. Eu me mato de vergonha cada vez mais!- Desculpe.. Er.. Bom dia, eu sou a Sam.

Imediatamente me levanto e estendo a mão para o desconhecido, que agora me inspeciona de cima à baixo. Acho que meu rosto não pode ficar mais vermelho do que está agora.

– Bem, eu sou Túlio. — responde ele por fim voltando a me olhar nos olhos, ele pega minha mão estendida e leva aos lábios como lembro que Thomas fez com Oli no elevador outro dia, mas seu gesto não parece ter nenhum fundo de brincadeira.- O que faz aqui Sam ?

– Eu sou colega de faculdade do Thomas, ontem teve uma festa e ele me deixou passar a noite aqui.- digo-lhe a verdade.

– Entendo.. Colega da faculdade..- diz Túlio correndo os olhos por mim novamente.

– Não! Não é nada disso que está pensando, nós não dormimos juntos!- me defendo.- Ele só deixou eu ficar no quarto de hóspedes porque bebi demais.

– Não precisa me dar explicações da sua vida, Sam.

– Eu sei.. Só não queria que entendesse errado minha presença aqui.

– Isso não seria possível, você é muito diferente de todas as outras garotas que meu irmãozinho já trouxe aqui.

"...todas as outras garotas..", o que ele quer dizer com isso? Quantas dezenas de garotas Thomas trás para esse apartamento? Será que ele paga de super-herói com todas ou só com idiotas como eu que dão esse tipo de oportunidade? E que história é essa de "irmãozinho" ? Esse monumento ambulante tem o mesmo sangue que aquele idiota comedor de meninas inocentes? Mas parando para observar mais atentamente eles têm mesmo traços parecidos, além da mesma cor dos olhos.

– Diferente como?- resolvo matar uma dúvida por vez.

– Você é muito mais bonita, além de não parecer uma puta mesmo estando com um vestido provocador.- declara ele cruamente sincero.

– Nossa, obrigada.. Eu acho.- respondo envergonhada.- Você é bem sincero.

– A verdade é fundamental, e acho que você merece sempre ser lembrada da sua beleza.- diz Túlio me abrindo um sorriso de matar.

Falando em sinceridade, sinceramente acho que meu coração parou. Não havia reparado que minha mão ainda estava no meio das de Túlio e quando ele aproximou novamente minha mão de sua boca, agora me olhando profundamente nos olhos, eu quis que ele não beijasse apenas a minha mão.

– O QUE ESTÁ ACONTECENDO AQUI?- a voz alta de Thomas me assusta, fazendo que eu dê um pulo para trás e caia sentada no sofá.

– Bom dia, Thommy. Isso são modos de receber seu irmão preferido?- questiona Túlio abrindo os braços para o irmão.

– Eu só tenho você de irmão e nem assim você é o favorito, Túlio. — responde Thomas secamente.- O que faz aqui?

– Finalmente recebi o meu diploma e pude voltar, mas papai achou melhor que eu desse uma passadinha aqui para ver o que você anda aprontando.- responde Túlio encarando Thomas com um certo ar de superioridade.- Fiquei sabendo de festa e bebedeira, não foi isso, Sam ?- completa ele e desvia o olhar do irmão, voltando sua atenção para mim.

– Na verdade ele só...- tento explicar que Thomas não foi exatamente para festa nem bebeu nada, mas sou interrompida pelo próprio Thomas.

– Eu não preciso de babá, se o pai quer saber de mim, diz pra ele ligar e falar com a Dirce.- diz ríspido.- Agora que já fez o que ele mandou, pode ir embora da minha casa.

– Tecnicamente essa casa é minha também, irmãozinho, ou esqueceu que somos da mesma família?- diz Túlio abrindo um sorriso de lado.

– Quisera eu esquecer.- resmunga Thomas.

– Mas não fique irritado, nós sabemos o que acontece quando você perde a cabeça, não é?- diz Túlio, mas dessa vez Thomas fica calado, ainda que apertando os punhos até os nós dos dedos ficaram brancos.- Vou ficar morando com o papai mesmo, você sabe como gosto dos mimos da Dalva... Diga a Dirce que lhe mandei um beijo.

– Não sou garoto de recados, ela deve chegar logo, se quiser fique e dê você mesmo o beijo!- rebate Thomas.

– Não te entendo irmão, ora você me expulsa, ora diz para eu ficar... Sua bipolaridade está piorando é?

– Não sou bipolar, seu idiota!- rosna Thomas.

– Não, claro que não... Mas preciso mesmo ir, papai quer que eu encontre ele em um jantar que vai ter em Brasília ainda hoje.- o sorriso no rosto de Túlio é claramente provocador, mas eles são irmãos, isso é normal, não?- Sam, foi um enorme prazer conhecer você, espero que possamos nos ver novamente. Quem sabe um jantar quando eu voltar para a cidade?

Eu não tinha palavras para responder. Esse deus-grego está me chamando para sair? Será que ele gostou de mim mesmo ou está fazendo isso só para tirar Thomas do sério? Mas por que Thomas se importaria por eu sair com Túlio? Fico tão distraída com meus pensamentos que não percebo que Túlio veio até onde eu estava sentada, apoiou um braço no encosto do sofá e depositou um beijo mais demorado que o adequado na minha bochecha. Eu estava imóvel, não sabia como reagir a sua invasão ao meu espaço pessoal e assim que Túlio se afastou me mim tive a impressão de ouvir Thomas rosnar para o irmão.

– Quando eu voltar pego seu número com o Thommy, tenho certeza que ele tem.- acrescenta Túlio mandando um sorriso para o irmão e uma piscadela para mim antes de sair do apartamento.

Eu gostaria muito de saber o que aconteceu nos últimos dez minutos. Em um segundo eu estava conhecendo o irmão do Thomas e no seguinte presencio a troca de farpas entre os irmãos, além de ser tomada como joguete pelo mais velho. Como foi que eu me meti nisso mesmo?

– Por que você estava dando bola pra ele?- pergunta Thomas ainda com o maxilar trincado.

– Não que eu lhe deva satisfação, mas eu só estava o cumprimentando!- respondo me levantando e cruzando os braços sobre meu peito, não estava gostando nada do tom que ele estava usando comigo.

– Se eu não tivesse chegado vocês estariam se beijando!- acusa ele.

– Não estaríamos não! E isso não é da sua conta!- rebato irritada.- Aliás, por que você foi tão desagradável com seu irmão?

– Ele é um idiota filhinho de papai, não pode ver nada que é dos outros e já quer para si, ele se acha superior e melhor que todos, além de ter o péssimo hábito de infernizar a minha vida!- diz Thomas quase gritando.

"...não pode ver nada que é dos outros e já quer para si..", dos outros? Espero realmente que ele não esteja falando de mim como se eu fosse dele, mas a parte de Túlio ter flertado comigo apenas para o irritar não parece muito longe da verdade.

– Mas ele é seu irmão, vocês podiam conversar e tentar...

– Olha, Samantha, eu não fiquei me metendo na sua briga com o seu pai, ou você acha que só você tem problemas familiares? — me interrompe ele.- Não se meta na minha merda de família!

– Você diz para eu não me meter na sua família, mas você se mete na minha, jantou com eles, jogou com meu irmão e fez até meu pai te convidar para o maldito jantar de hoje!- esbravejo de volta.

– Não seja por isso! Avise a sua mãe que "infelizmente" não poderei comparecer ao maldito jantar.- diz ele.- Mas acho melhor não falar a parte do maldito.

– Com certeza vou deixar o maldito.

– Você disse que podia ir sozinha para casa, não disse?- diz Thomas me dando as costas e indo na direção do corredor.

– Se essa é a sua forma de me expulsar da sua casa, saiba que eu já estou fora!- digo pegando as chaves do meu carro que avistei na ponta da estante e saio do apartamento de Thomas batendo a porta com toda a minha força.

Não cheguei a dar dois passos antes de esbarrar com Dirce.

– Para onde você vai, menina?- pergunta ela.

– Vou para minha casa, minha mãe deve estar preocupada.- digo tentando controlar minha raiva ao falar com a senhora.- Obrigada por toda a ajuda ontem a noite, Dirce.

– Não tem problema, volte sempre.

– Eu acho que isso não vai acontecer, mas obrigada.- falo indo em direção ao elevador, mas paro para dar um último recado.- Ah, o Túlio lhe mandou um beijo.

Imediatamente o sorriso que tinha no rosto de Dirce some e quase acho que ela ficou pálida.

– Ele esteve aqui? Os meninos brigaram? Thommy está bem?- pergunta ela rapidamente, mas nem espera pela minha resposta antes de entrar as pressas no apartamento, me deixando sozinha no corredor.

Não tento entender essa confusão de está sendo essa manhã, apenas dou as costas para o apartamento de Thomas, pego o meu carro e dirijo para casa.

Notas finais
QUEM GOSTOU LEVANTA A MÃO!!! lol Cap grandão aí para vocês, espero que tenham gostado! COMENTEM E RECOMENDEM! O próximo capítulo já tem mais de 1000 palavras escritas, mas isso não significa que vá sair logo, me ajudem para que a preguiça não volte a atacar novamente! A estória tá ficando legal né?! Bjs, Tatá :3