Por trás do seu sorriso
12 Capítulo 12
Notas iniciais
E é claro que teve troféu e champanhe e tudo que uma verdadeira competição tem direito, até um indignado Marcos no lugar mais baixo do pódio. Thomas exibia um largo sorriso, como se ali fosse o seu lar, o seu lugar, em cima daquele pódio, erguendo o troféu e comemorando a vitória na corrida.
Quando enfim nos encontrou, ainda sendo cercado de fãs e mesmo de outros competidores, ele estava coberto de terra e com o capacete enganchado no seu antebraço enquanto arrastava sua moto.
– Muito bem, campeão! – disse Ian dando uns tapinhas no braço de Thomas e pegando a moto como se o elogio se dirigisse a ela também.
— Acho que ela vai precisar de um banho.. – digo para Ian me aproximando de Thomas. – E você também pelo visto!
Thomas apenas concorda me lançando mais um sorriso arrebatador da sua coleção. Ele começa a me passar as coisas que estava segurando com apenas uma mão, que no caso são o troféu e a garrafa de champanhe, que agora estava pela metade depois da tradicional guerra de jogar champanhe no pódio. Ele jogou o capacete para Ian que estava alerto o suficiente para o pegar com facilidade.
Ian se ocupava em colocar a moto em cima da carroceria da sua caminhonete com o auxilio de outros caras que se aproximaram para conversar com ele. Thomas começou a tirar a roupa da corrida sem o menor pudor, exibindo todos os seus músculos para quem quisesse ver e, bem, para mim também.
Mesmo por baixo da blusa de mangas compridas ele estava com uma fina camada de terra sobre a pele branca, que se espalhava igualmente por seus braços fortes e nos discretos gominhos do seu tórax e é claro que eu não notei isso olhando fixamente para o corpo dele enquanto ele se trocava, nunca! Ele parecia já ser acostumado com essa poeira toda, pois só tirou o mais evidente antes de vestir novamente a regata e substituir a calça e as botas por sua bermuda e chinelo de antes.
— Gostou da corrida? – perguntou se aproximando e bebendo um gole do champanhe que eu ainda segurava.
— Sim! Você foi muito bom, achei o máximo você desbancando o Marcos e ganhando incrivelmente! Parabéns! – respondi verdadeiramente animada estendendo o troféu para ele pegar de volta.
— Fica para você, afinal, eu tenho certeza que só ganhei por causa do seu beijo da sorte. – diz ele em um tom de segredo fazendo eu ficar com vergonha dele tocar nesse assunto tão abertamente, já que esse beijo eu não poderia fingir esquecer. – Você é a coisa mais linda do mundo quando fica vermelhinha assim! Vou parar de chamar você de "gatinha" e começar a te chamar de "moranguinho"!
— Não ouse! – esbravejo querendo meu estilo megera indomada, mas não estou com tanto crédito assim.
— Tudo bem, tudo bem, eu sei que você adora quando te chamo de gatinha, então vou chamar de moranguinho só quando você estiver vermelhinha assim! – diz e segura as laterais do meu rosto antes de dar um beijo estralado na ponta do meu nariz e sair para ajudar Ian a amarrar a moto.
Quando foi que as coisas ficaram assim? Quando foi que eu deixei ele invadir meu espaço assim? Quando eu comecei a gostar de estar do lado dele? Eu não tinha a resposta dessas perguntas como também não tinha das outras milhares que ocupavam minha mente em relação a esse garoto. Mas ali estava eu, em um não encontro com o Thomas, deixando ele inteiro mesmo depois de me roubar um beijo, tendo torcido por ele na corrida, pensando para onde iríamos agora e o que mais me aguardava nesse dia quente de praia.
Depois de amarrar bem a moto em cima do carro de Ian, Thomas guarda o capacete e declara que devemos comemorar a vitória com um belo almoço a beira mar, o que eu não pude concordar mais! Estava morrendo de fome e não precisei olhar no relógio para saber que passava da hora do almoço, o sol alto no céu e os resmungos da minha barriga com fome eram suficientes para isso.
Ian e Thomas foram na frente e eu me espremi no banco de trás entre o troféu, uma grande caixa de ferramentas do Ian, a roupa da corrida de Thomas, os capacetes e minha própria mochila. Uma música pop tocava baixo no carro, mas logo foi sobrepujada pela discussão de Thomas e Ian sobre onde iríamos comer, foi realmente engraçado ver eles interagindo daquele jeito. No final Ian ganhou com o argumento de que ele pagaria a conta, então ele iria escolher onde comeríamos.
Pouco tempo depois paramos em um restaurante a beira-mar que eu já havia frequentado alguns anos antes. Todo construído com detalhes em pedra e madeira, o lugar era lindo e acolhedor, com várias palmeiras e coqueiros ao redor e a constante brisa do mar, que estava apenas algumas dezenas de metros dali. Nos sentamos em uma das mesas do segundo andar do restaurante, tendo uma vista incrível do mar brilhante a nossa frente.
— O que vai querer comer, Sam? – questiona Thomas sentando ao meu lado e de frente pra Ian.
— Eu não sei na verdade, o que acha, Ian?
— Estou com fome para comer um boi, mas esse mar me dá vontade de comer um bom peixe frito, umas ostras, alguns camarões e até alguns caranguejos... – diz ele pensativo enquanto olha o cardápio.
— Cara, isso não está ajudando! – diz Thomas puxando o cardápio para si e olhando as opções ali. – Fora que não sei se confio na Samantha com um martelo, mesmo que pequeno.
— Muito engraçado! – reclamo. – Decida logo, estou com fome!
— Melhor você escolher logo amigo, se você diz que ela é perigosa normalmente, com fome deve apenas piorar. – provoca Ian e lhe lanço um olhar intimidador, que ele apenas responde com um sorriso e erguendo as mãos se rendendo.
Por fim acabamos pedindo bolinhos de bacalhau de aperitivos enquanto esperávamos um filé de peixe ao molho de camarão que parece ser o carro chefe do restaurante. Peguei meu celular para checar se perdi algo de importante da minha vida fora daquela bolha estranha que eu tinha entrado com Thomas. Algumas mensagens curiosas de Olívia querendo saber como estava o meu encontro, minha mãe dizendo para eu lembrar de passar o protetor solar, sério mãe?, e algumas mensagens no grupo da faculdade preocupados com um trabalho da próxima semana, mas havia mais ali para ter tantas mensagens.
Movida pela pura curiosidade entro no grupo da sala e me deparo com a mais recente bomba que estourou no primeiro semestre de engenharia civil: as notas da prova de ontem foram divulgadas!
— Ai meu Deus! – digo instintivamente, já ficando nervosa.
— O que foi, gatinha? – pergunta Thomas saindo da sua conversa sobre a corrida com Ian e se virando para mim. – Você está branca como um papel, o que aconteceu?
Posso ouvir a preocupação na sua voz e sinto quando ele passa um braço sobre meus ombros, mas estou focada no meu celular abrindo o site da faculdade e colocando meus dados para entrar na minha conta. Quando meu perfil está aberto sei que basta eu apertar em "notas" e saberei no que resultou todo o meu esforço e estudo essa semana, mas eu não conseguia apertar, simplesmente não conseguia.
— A nota.. saiu a nota. – digo em um tom baixo sabendo que Thomas conseguiria me ouvir.
— Você já viu qual foi? – pergunta ele e eu apenas nego com a cabeça. Thomas se aproxima e gentilmente tira o celular da minha mão. – Eu vou olhar e te digo, pode ser?
Eu apenas concordei e fiquei olhando enquanto ele virava o celular para ele, tirando o resultado da minha visão. Thomas aperta na tela e desliza o dedo enquanto procura a nota certa, ele está atento e percebo quando ele acha, pois ele alterna o olhar entre a tela e eu.
— Bem.. Acho que vamos ter que estudar mais para a próxima prova, gatinha. – diz ele com um ar muito sério.
— Foi tão ruim assim? Você acha que tem como eu recuperar? Mas a gente estudou tanto e.. – paro de me lamentar um segundo e respiro fundo, sabendo que surtar agora não adiantaria de nada, a prova já estava feita e a nota já foi lançada. – Vamos, me diga logo a nota.
— Acho melhor você ver pessoalmente.
Pego o celular um pouco menos determinada do que meio segundo atrás, mas minha surpresa não poderia ser maior do que quando vejo enfim minha nota. 9,9! Eu tirei nove ponto nove, nove virgula nove! Meu. Deus. Do. Céu!
— Eu tirei dez! – falo exultante de alegria passando meus braços ao redor do pescoço de Thomas e o puxando para um abraço totalmente espontâneo.
— Na verdade foi um 9,9.. – começa ele a dizer.
— Cala a boca! Eu tirei um 9,9 que vale um 10! – digo o empurrando de volta para sua cadeira, acabando o abraço de uma forma tão súbita quanto começou.
— Que bagunça é essa? – pergunta Ian totalmente alheio ao motivo da minha animação.
— Eu tirei dez em uma prova muito importante!
— 9,9.. – diz Thomas disfarçando com um tosse.
— Tinoco? – fala Ian, mas dessa fez ele dirige sua pergunta para Thomas, que apenas confirma com a cabeça. – Bem, então parabéns Sam! Mais um motivo para comemorarmos hoje!
O almoço em si correu bem, a comida estava absolutamente incrível e a vista só tornava o ambiente ainda melhor. Conheci mais sobre Ian, a oficina que ele abriu com o patrocínio inicial do pai, mas que agora já era um sucesso. Acabei por conhecer mais de Thomas, que falava mais livremente com o amigo ali, falando de aventuras que viveram em um passado distante ou as vezes nem tanto. Eu não poderia imaginar que um dia estaria tão feliz por está em um lugar assim, com Thomas, conhecendo um cara tão legal como Ian e querendo guardar o que estava sentindo naquele momento em uma caixinha e colocar junto com minhas boas lembranças.
— Eu acho que nunca comi tanto na minha vida! – declara Ian empurrando seu prato vazio, encostando-se na cadeira e colocando as mãos sobre a barriga que não parecia um milímetro fora do lugar.
— Deixa de mentir, você disse a mesma coisa semana passada quando comeu duas pizzas grandes sozinho e ainda pegou alguns pedaços da minha lasanha! – rebate Thomas e eles entram em uma discussão boba sobre quanto cada um teria comido no tal dia.
***
Saímos do restaurante perto das 3h, o sol queimava minha pele facilmente, mas tudo o que eu conseguia pensar era em me deitar em uma espreguiçadeira perto do mar e aproveitar a saciedade da refeição. Entramos no carro de Ian e seguimos pelo caminho que nos aproximava ainda mais da praia. Dunas e árvores passavam ao nosso redor, o mar quebrava na nossa direita e a brisa entrava pelos vidros abaixados.
Vez ou outra Thomas virava para mim do seu lugar no banco do passageiro e me dava um de seus sorrisos encantadores, fazendo uma fagulha estranha se esquentar dentro de mim. Quando finalmente nos aproximamos de um lugar onde havia vários guarda-sóis fincados na areia branca, reconheço algumas pessoa que estava na corrida e que imediatamente cumprimentam os garotos. Percebo quando algumas garotas se aproximam e não contem os suspiros quando Ian arranca a blusa, exibindo-se, ele tem um lado narciso muito forte, isso é notável.
Thomas também se desfaz de sua camisa, ficando apenas com a bermuda, o que atrai a atenção de outras garotas, muito entusiasmadas para falar com o campeão. Observo discretamente enquanto ele é simpático, dando até alguns autógrafos em lugares não muito comuns, como quando uma garota pediu para ele autografar a bunda dela! Limito-me a pegar minha bolsa e seguir Ian para perto de um grande guarda-sol com espreguiçadeiras embaixo.
Abro a toalha que levei sobre a espreguiçadeira e tiro minha blusa e shorts sem me incomodar pensando apenas em passar um pouco de protetor e enfim me deitar para aproveitar aquele sol maravilhoso. Estou distraída procurando o bendito protetor dentro da minha bolsa que não percebo Thomas se aproximar até que ele estivesse bem na minha frente.
— Azul definitivamente é a minha cor favorita. – diz ele me olhando, não disfarçando quando seu olhar desce um pouco mais para meu biquíni e para o meu corpo. – Quer ajuda com o protetor?
— Er.. Sim, por favor.. – digo um tanto quanto envergonhada lhe dando o protetor, me virando e segurando meu cabelo para que ele pudesse passar nas minhas costas.
Seu toque é suave e o liquido frio do protetor contra minha pele quente faz com que eu sinta todo o caminho que ele faz sobre a minha pele com ainda mais clareza. Thomas não tem pressa, passa o protetor solar o espalhando e ao mesmo tempo pressionando cada possível ponto de tensão das minhas costas. Respirar regularmente estava se tornando difícil, mas me esforço para fingir que seu simples toque não me afetava tanto assim.
— Prontinho! – Thomas diz afastando as mãos de mim e me virando para me olhar novamente. – Passa um pouco em mim?
Ele me estende o protetor, mas não vira de costas, continua me olhando intensamente com aquele resquício de sorriso no canto dos lábios. Não fujo do desafio que vejo em seus olhos, coloco um pouco de protetor na minha mão e logo a coloco sobre seu peito, bem em cima do coração. Thomas levanta uma sobrancelha com falso ceticismo e eu apenas levanto as minhas em resposta enquanto continuo a espalhar o liquido branco por sua pele. Tenho o prazer de ver diretamente como toda essa tensão entre nós também o afeta, ele estreitou os olhos e prendeu a respiração quando continuei a passar o protetor sobre seu estômago, seu abdômen e parando próximo ao cós da sua bermuda, apenas para voltar a subir novamente.
— Você vai virar para eu passar nas suas costas? – digo sem desviar daquela conexão magnética que nossos olhos mantinham.
Thomas segura minha mão novamente sobre seu coração quando ela terminou seu caminho de volta e não disse nada. Nós não estávamos tão longe um do outro assim, eu podia sentir como a sua respiração estava pesada, mas ele diminui ainda mais esse espaço.
— Porque você faz isso comigo? – diz ele em um tom baixo quando seu corpo já está praticamente colado ao meu.
— Foi você que pediu... – respondo não mais alto que um sussurro.
— É.. com certeza eu pedi.
Estávamos muito próximos e eu sabia que eu não deveria querer tanto que não houvesse mais nenhum espaço entre nós, sabia que não deveria querer tanto a sua boca novamente sobre a minha ou mesmo as suas mãos tocando-me mais uma vez. Ele ainda mantinha nossas mãos unidas sentindo o bater constante do seu coração, seus olhos passeavam pelo meu rosto como se quisesse gravar cada traço, memorizar cada detalhe desse momento assim como eu. Seu olhar para sobre a minha boca e por instinto umedeço os lábios, vejo que isso o faz levantar um dos lados do sua boca em um pequeno sorriso.
— Tom! – Escuto a voz de Ian se infiltrando naquela bolha que havíamos criado ao nosso redor um segundo antes de ver suas mãos sobre os ombros de Thomas o sacolejando. – Arrumei umas pranchas para a gente, vamos pegar umas ondas!
Ian estava animado e parece não perceber o que acabou de interromper, Thomas apenas deixa que Ian nos afaste enquanto continua a falar sobre como o mar está perfeito e como eles deviam aproveitar. O sorriso em seu rosto parece um tanto quanto amargo agora enquanto ele erguia os ombros na minha direção como um pedido de desculpas mudo. Mas pelo que ele estaria se desculpando? Pelo amigo excessivamente entusiasmado ou por o mesmo amigo ter interferido naquilo que estávamos tendo? Afinal, o que estávamos fazendo?
— Sam, vai pro mar com a gente? – pergunta Ian parecendo enfim me notar.
— Mais tarde, vou aproveitar para pegar um pouco de sol deitada aqui.
— Beleza, mas não vai dormir e ficar bronzeada só de um lado ein?! – responde Ian já arrastando Thomas para um grupo de caras parados com várias pranchas.
Pobre do Thomas, não conseguiu falar nada, limitando-se a me olhar sobre seu ombro algumas vezes enquanto Ian continuava a o arrastar diretamente para o mar.
***
Já era noite quando Thomas parou sua moto na frente da minha casa. Depois que ele e Ian surfaram por quase uma hora, eles se juntaram para me tirar da paz em que eu me encontrava na espreguiçadeira, me carregando até o mar e não pensando duas vezes antes de me jogar sobre a água fria. A tarde se estendeu com brincadeiras e implicâncias, corremos pela areia branca, dentro do carro de Ian também tinha uma bola e logo foi montado um não muito organizado jogo de futebol misto, além de Thomas ter tentado me ensinar a surfar quando o mar estava mais calmo. Não havia como dizer que esse dia não foi muito bom ou mesmo que eu não estava feliz de o ter passado ao lado de Thomas.
E aqui estava ele na minha frente depois de deixar os dois capacetes sobre o acento da moto. Não houve mais nenhum momento como aquele com o protetor solar, nenhuma palavra foi trocada sobre esse assunto, mas podia sentir que Thomas tinha algo para me falar pela simples forma que ele me olhava.
— Sam... Samantha, eu queria falar contigo.. – diz ele um pouco nervoso quando paramos na frente do portão.
— Você está falando, Thomas. – digo abrindo um pequeno sorriso complacente.
— Certo espertinha. – ele parece relaxar um pouco. – Na verdade eu quero te fazer uma proposta.
— Que tipo de proposta?
— Sam.. – ele se aproxima e pega uma de minhas mãos. – Por favor, não negue que sente isso que existe entre nós.. Todo esse magnetismo, toda essa atração.. Eu nunca escondi isso de você, mas parece que você ainda não quer assumir isso nem pra você mesma.
— O que você quer, Thomas? – pergunto na defensiva pela forma como ele parece me ler tão bem.
— Quero uma chance, uma chance com você.. Quero que você pense nisso, pare de me associar com aquele idiota do primeiro dia de aula e pense em tudo que já aconteceu conosco desde então. – ele levanta minha mão até seus lábios e beija os nós dos meus dedos. – Eu só te peço isso, que você pense na gente, eu sei que podemos ter mais.. Eu sei o que eu sinto quando estou com você e não é nada simples ou fácil, mas eu sei que é bom.. Muito bom.
Ele jogou tudo aquilo para mim em um tom baixo e sereno, mesmo que eu ainda ouvisse uma nota de nervosismo na sua voz. Sua mão ainda segurava a minha e seu olhar estava atento a toda e qualquer reação que eu pudesse ter.
Eu sinceramente não esperava por isso, uma abordagem tão direta e aberta, depois de todos os nossos joguinhos e tudo o que passamos. Não sei como reagir a isso, como encarar e mesmo classificar o que sinto por ele, pois como ele mesmo disse não é nada simples.
— Então, Sam, o que me diz? – pressiona Thomas. – Prometa-me apenas pensar sobre isso, sim?
— Er.. Sim. – digo apenas aceitando o mais fácil no que ele estava me pedindo, afinal o que mais ocupava meus pensamentos nos últimos tempos de qualquer forma era ele.
Vejo um pequeno sorriso ganhar espaço no seu rosto e o brilho nos seus olhos quando volto a encará-lo. O ar ao nosso redor está eletrificado e posso sentir o magnetismo me puxar para ele. Thomas solta minha mão e emoldura meu rosto com as suas duas mãos, prendo a respiração em antecipação, ele se aproxima tocando o meu nariz com o seu e dividindo o ar que respiramos. A ponta de seu nariz varre a minha bochecha e o sinto depositar um longo beijo ali.
Thomas se afasta, tirando devagar as mãos de mim, e tenho que respirar fundo para voltar ao meu eixo. Ainda olhando para mim ele monta na sua moto, coloca seu capacete e liga o motor, quebrando todo o silêncio do momento.
— Boa noite, gatinha. – ele diz simplesmente antes de me lançar um ultimo olhar e ir embora.
Me encosto no portão de casa ainda sem entender o que acabou de acontecer, o que aconteceu hoje o dia inteiro, o que vem acontecendo comigo desde que Thomas entrou na minha vida. Bem, parece que agora eu me comprometi a pensar de verdade em tudo isso e dessa vez eu sei que vou encontrar as respostas que preciso, tenho que entender o que de verdade eu sinto por ele.
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