Por trás de Frozen
14 Capítulo 13 - Olaf e Marshmellow
Notas iniciais
POV ELSA
Gosto de ficar na janela. Sempre achei que, mesmo depois de conseguir minha liberdade – se é que ela viria um dia -, preferiria ficar dentro de ambientes fechados, como um costume meu. Mas não. Gosto de ficar na janela. Gosto da sensação do vento gelado em meu rosto, como se fosse uma parte de mim. Gosto de observar o movimento da neve caindo do céu e as avalanches nas montanhas. E gosto, principalmente, de não conseguir enxergar Arendelle.
É como se toda essa cena enorme estivesse apta a receber a nova Elsa de braços abertos, sem ninguém para me interromper ou que preencha meus pensamentos.
Sorrio. Eu ainda estranho esse sorriso, mas ele está cada vez mais frequente. Às vezes, vem acompanhado de gargalhadas, e estranho ouvir o som da minha voz. No castelo, usava minha voz para me acalmar, para me controlar. Aqui, não preciso utilizá-la. O gelo, meu único súdito, é como se fosse uma extensão de mim, e age ao menor dos meus pensamentos. Mexo minhas mãos de maneira que a neve forme um passarinho, e acaricio a estátua de gelo. Costumava fazer isso quando brincava com Anna no castelo, no lugar de usarmos bonecas, e ela gostava.
Olho para trás, para dentro do meu castelo. Construí-o com dois andares. O primeiro é um grande hall com uma fonte congelada, um banheiro e uma cozinha – obviamente, cada um de seus mínimos detalhes feitos de gelo. Coloquei apenas os móveis básicos, o importante para caracterizar cada ambiente. Decidi não fazer nada muito planejado porque gostaria de fazer isso com o tempo, enquanto treinava meus poderes.
Dirijo-me para a cozinha e vejo um peixe na pia, que peguei mais cedo. A fome bateu muito tempo depois, quando já estava cansada de tanto usar meu poder. A sensação de ter a liberdade para utilizá-los sem limites era deliciosa, e nunca poderia enjoar dela. Olho para o peixe provindo um lago aqui perto. Não muito certa do que devo fazer, tento pegá-lo e controlar meus poderes ao mesmo tempo, tentando não congelá-lo.
Pego aquele animal com a ponta dos dedos – claro que acho isso estranho e um pouco nojento, pois nunca precisei lidar com uma situação como essa – e tento manejá-lo com cuidado. Concentro-me nas escamas do peixe e imagino gelo, deixando um longe do outro na minha mente. Observo com expectativa.
E...
Ele congela.
A frustração aparece quando franzo o cenho e cerro os lábios. Quanto à comida, não ligo muito; afinal, já estou acostumada com isso, já que posso contar nos dedos as refeições que consegui comer quente sem utilizar minhas luvas. Entretanto, meu coração se desespera com o fracasso porque... Bem, se fosse dar um abraço em Anna, eu...
Respiro fundo e balanço a cabeça. Não posso pensar nisso. Nem faz mais sentido! Tenho todo o tempo e espaço para aprender a controlar meus poderes.
Enquanto preparo o peixe – ou seria melhor “tento preparar”? -, sei que uma parte de mim sente falta da comida quente do castelo, da época em que Anna e eu jantávamos juntas no Salão de Festas. Um sorriso vem junto com a lembrança. Lembro-me de cada prato quente que comi, particularmente de um cordeiro assado, fumegante; Anna, meus pais e eu estávamos reunidos e comemorávamos o 4º aniversário de Anna, e meu pai contava episódios engraçados que vivenciava na vila. Não sei como mas, naquela refeição, congelei apenas os talheres. Fecho os olhos, sentindo o calor daquele cordeiro e do momento familiar, finjo que o peixe é o cordeiro e o mordo.
Abro meus olhos, espantada.
Para minha surpresa, o peixe não está congelado. Uma poça de água derretida se acumula na pia.
Largo o peixe no ato e olho para minhas mãos, vendo se elas possuem algo diferente. Sim! Há menos flocos de gelo nelas. Meu coração bate tão rápido e com tanta emoção que o sinto na garganta.
Eu descongelei o peixe.
EU DESCONGELEI O PEIXE.
— EU DESCONGELEI O PEIXE! – grito, e corro pela cozinha, exalando aquela alegria que se acumulou em mim tão de repente e com tanta força. Uma risada sai de mim e a sensação de vitória é tão sublime que não consigo me aquietar.
Não sei como lidar com essa alegria, mas queria saber uma maneira de guardá-la em mim para sempre. Essa... Essa coisa que me faz sorrir e querer pular como um cabrito das montanhas é tão inesperada e tão bonita. Nem acredito que eu estou sentindo isso!
Olho para o peixe, sentindo meus olhos brilharem de emoção. Eu esperei por esse momento a vida inteira. E ele acaba de se concretizar. Todos os pincéis, travesseiros, cômodos, cordeiros assados... É como se, definitivamente, tudo o que já congelei tivesse ficado no passado. E, com essas coisas, todo o medo, meu descontrole, aqueles anos terríveis. Parece que vou explodir de emoção. Meu Deus, faz 13 anos que não consigo descongelar nada! Nada. E, agora, sinto que posso descongelar tudo! E talvez... Talvez eu pudesse até...
Ah, quem liga para o controle dos meus atos e pensamentos agora?! A necessidade de controle ficou atrás de esse acontecimento inacreditável. Maravilhoso. Inesperado.
Talvez pudesse até abraçar Anna! Pensou, abraçar Anna? Isso seria incrível e a possibilidade de isso ser real é...
Uma parte de mim dá um tapa na parte que pensou isso. Que pensou tudo isso. “Você não pode, Elsa”, essa parte me diz. “Anna não faz mais parte da sua vida. E você não está segura suficiente para isso. Não se iluda. Toda essa alegria porque conseguiu descongelar uma coisinha? Vai demorar anos até que consiga compensar tudo o que congelou. Principalmente, para compensar o descontrole que quase causou a morte de Anna”.
Fico olhando para frente, boba com minhas reações. Como pude pensar tão vivamente em Anna, sendo que a verdade é que só consegui isso porque estou longe dela e de Arendelle?
Consequentemente, sinto minha alegria murchar, e me sinto fraca e medrosa. Olho para o peixe, sentindo-me terrível, e ele está congelado. Um riso irônico sai de mim. Eu nem precisei tocar nele! Minha vida inteira tentando descongelar alguma coisa e, quando consigo, desfaço isso sem o mínimo esforço, sem nem pensar!
Toda a completude que senti se transforma em fracasso, e apoio minhas costas em uma parede e me deixo escorregar até o chão, como fazia em meu quarto. Lágrimas caem. Parece que tenho menos controle sobre meus sentimentos desde que cheguei aqui – eles estão mais fortes e me sinto mais sensível -, apesar de controlar melhor os meus poderes. O contrário do que pensei minha vida toda.
Sinto raiva. Sinto raiva daquela porcaria de peixe, que me deu esperança por tão poucos segundos. Me deu esperança de que tudo poderia ser diferente.
— Droga! – ouço minha voz ecoar pelo castelo vazio. — Por que não foi diferente?!
O que eu fiz para merecer tudo isso?!
Me perguntei isso durante minha vida inteira, e nunca consegui uma resposta satisfatória. Eu não fui má. Não fui mimada. Nunca machuquei ninguém, eu fiz de tudo para nunca exagerar nos meus poderes e...
Então a verdade me atinge com um baque.
Ainda estava de manhãzinha naquele dia. Anna me chamou para brincar. Eu amava dormir, mas amava ainda mais brincar com ela. Fomos para o Salão Principal do castelo, em um silêncio cúmplice que aumentava a emoção. Transformei o lugar em uma sala de gelo: o chão liso para patinarmos, neve caindo do teto, bonecos de neve para brincarmos... e montanhas para Anna pular.
Anna pulava. Ela pulava e pulava e eu ia fazendo montanhas para ela pousar. Mas ela pulava rápido demais. Eu não a mandei parar. Eu escorreguei. Eu escorreguei no meu próprio gelo e atingi a cabeça de minha irmã com meus poderes e, a partir de então, tudo mudou.
A repugnância a minha própria pessoa vem de repente, e me sinto tonta e extremamente culpada. Eu mereci isso. Eu quase matei minha própria irmã porque fui imprudente com os meus poderes e eu...
Mas como poderia ter evitado escorregar?, outra parte minha se pergunta. Como poderia tê-la mandado parar?
Então tenho uma ideia. Uma ideia que pode tirar ou aumentar o peso que sinto nos meus ombros.
Levanto-me, decidida, e vou até o segundo andar, que é uma grande sala com uma porta que leva à minha suíte. Um grande lustre se encontra no meio do salão. Só agora percebo que o formato dessa sala é muito parecido com o do salão em que Anna e eu brincávamos.
Meu coração se aperta, receoso de fazer isso e descobrir que a culpa foi mesmo minha. Respiro fundo. Eu preciso fazer isso.
Com as mãos trêmulas, construo um boneco de gelo com a altura que Anna aproximadamente tinha naquela época. Fecho os olhos e sou a Elsa de 8 anos novamente.
— Lá vai! – digo, momentaneamente voltando no tempo.
Abro os olhos e o boneco de gelo Anna começa a pular e vou criando montanhas, concentrada, a respiração rápida, o medo me acompanhando. Medo de dar tudo errado novamente.
O boneco vai mais rápido ao mesmo tempo em que o pavor penetra minhas entranhas e sinto minhas pernas bambas.
— Espera! – grito.
Esses sentimentos me consomem, comprimem meu estômago e me sinto enjoada, e o gelo ao meu redor começa a adquirir tons diferentes, estalactites e estalagmites aparecendo ao redor da sala. Sinto o poder saindo do meu controle.
— Não, Anna, espera!
Meu medo é tão real que é como se Anna estivesse ali, e eu pudesse refazer tudo, toda a minha história, toda a nossa história. Sinto uma agonia e uma ânsia intensas, e tenho que procurar apoio de uma parede para me aguentar em pé.
Anna corre entre as montanhas de neve, e já aguentei mais que no passado.
— ANNA, VAI MAIS DEVAGAR! – grito. – VOCÊ VAI SE MACHUCAR, ANNA!
Uma ponta afiada sai da lateral da parede em que Anna está próxima.
— NÃO, ANNA! – grito tão alto que ouço minha voz ecoar pelo castelo. Um grito agudo e cheio de dor.
E a ponta a atinge.
O gelo se despedaça em mil pedaços, que se espalham pelo chão e alguns chegam até os meus pés.
Encaro, devastada. Não consegui salvá-la novamente. Não apenas a machuquei, como a matei.
Me afasto, aterrorizada, sentindo o estômago pesado, o coração pesado, a consciência pesada, meu corpo pesado, minhas lágrimas pesadas, meu medo tão pesado que me puxa em direção a um abismo dentro de mim mesma. E eu me perco, me perco sem controle nenhum sobre meus sentimentos, perdida em meio a meus próprios poderes, como se todo o sofrimento fosse começar novamente. Sinto um misto de emoções tão poderoso que percebo poder saindo de mim por todos os poros e em todas as direções, sem controle nenhum, formando estacas, montanhas, construções, buracos por todos os cantos e uma nevasca terrível a que uma pessoa normal nunca sobreviveria. Pontas afiadas apontam na minha direção, e percebo que isso é resultado do medo de mim.
Eu pensei que poderia contar comigo agora, livre em uma montanha sem me preocupar com ninguém. Mas percebi que isso está longe da minha realidade. Sem confiar em mim, só me resta uma alternativa desesperada.
Começo a agir sem pensar em meio à tempestade, e o resultado disso é que reconstruo o boneco de Anna e ele aparece ali, inteiro à minha frente novamente. Acrescento, rapidamente, o formato do rosto e os cabelos, e modifico as cores do gelo de modo a formar a minha Anna. E, levada pelo que acredito serem minhas emoções mais profundas, abraço a estátua de gelo. Abraço com toda vontade que desejei abraçar minha irmã durante todos esses anos, na tentativa de que todo esse sentimento terrível que me domina se afaste. É o mais próximo que jamais chegarei de um abraço de Anna. Finjo que a estátua é ela, a única pessoa a quem posso recorrer, de forma egoísta, já que não posso confiar em mim. É aí que todo o sofrimento de solidão, medo, angústia e repúdio a mim mesma despejam em lágrimas e soluços terríveis, que alguém que passasse por aqui ficaria tão assustado que não atreveria a entrar, provavelmente.
Eu precisava fazer isso. Precisava chorar. E precisava chorar nos braços de Anna, que é a única pessoa, a não ser meus pais, que me amou.
Não sei quanto tempo fico chorando, mas é até sentir que estou à beira da exaustão. A tempestade vai diminuindo ao ponto em que vou me sentindo mais calma.
Respiro fundo várias vezes, tentando passar pela sensação horrível pós-perda de controle que experimento após pensar que, finalmente, estava livre.
Finalmente, levanto a cabeça, olho para frente e vejo Olaf no canto da sala. Acho que é na tentativa de ficar mais próxima de Anna que refiz o boneco de neve que brincávamos quando crianças, enquanto cantava minha liberdade. Às vezes olho para ele com carinho, lembrando da única época boa da minha vida. Ele me lembra essa parte feliz que já existiu em mim. Pego o boneco e o coloco do lado da estátua de Anna. Isso é tudo o que tenho mais próximo dela.
O ameaço de um sorriso aparece e, nesse momento, a tempestade de neve que fiz dentro de casa cessa e as pontas afiadas que surgiram das paredes desaparecem. Entretanto, meu sorriso não se completa. Apesar de chorar descompassadamente ter ajudado a libertar o peso de minhas costas, da minha vida, isso ainda não muda o fato de que abraçá-la nunca será possível na realidade, já que nunca mais verei Anna.
E nem pretendo – penso, olhando para as montanhas de neve.
Além disso, o egoísmo de ter conseguido ter parado a tempestade apenas com a imagem de Anna me mata – porque, se isso fosse vida real, ela não aguentaria tanto poder e já estaria morta.
Respiro fundo mais algumas vezes antes de me levantar e, lentamente, me dirigir até meu quarto, sentindo-me completamente exausta. O dia foi muito pior do que eu imaginava. Ainda não consegui me desapegar de minha vida antiga, apesar de ter tudo para me apegar a uma nova.
Deito na cama e fecho os olhos. Percebo que meu vestido foi rasgado pela tempestade e que há alguns cortes no meu rosto causado pelo gelo. Isso ainda está aí somente porque estou remoendo os acontecimentos – pelo menos, aprendi isso. Se eu dormir, isso melhorará.
E cá estou eu, novamente, planejando como diminuir meus sentimentos, como se pouca coisa ou nada tivesse mudado. Isso me abate ainda mais.
Fico algum tempo remexendo na cama e, apesar das emoções desse dia, não consigo dormir. É como se faltasse alguma coisa.
Eu não queria mais pensar em Anna, mas uma parte de mim insistia. Como seriam as coisas se ela não tivesse me chamado para brincar na neve?
De repente, algo muda.
Anna.
Meu coração bate rápido, acompanhando meus pensamentos.
Se ela não fosse tão insistente, se ela não viesse sempre atrás de mim, eu não me sentiria assim. Não precisaria ficar mandando-a embora o tempo todo. O que ela ficava pensando? Que eu a mandava embora porque não gostava e então ela tinha que vir até a mim para mostrar que ela era boa e me amava?!
Viro-me de costas para a cama. Como ela pôde pensar algo assim?! Tudo bem que sempre fui grossa mas, com os últimos acontecimentos, ela tem que saber que fiz tudo isso pelo bem dela, porque a amo. Deve saber que, por isso, ela deve ficar longe de mim.
Eu nunca pude ser eu mesma perto da Anna; fui privada disso minha vida toda. Então, fui obrigada a criar uma personalidade defensiva e terrível, que ignorou a própria irmã, inclusive no dia em que nossos pais morreram.
Mordo os lábios e minha respiração fica densa. Sinto a cama começar a formar pequenos espinhos.
Mas que droga!
Esses pensamentos duais me consomem e me fazem ficar revirando na cama – ao mesmo tempo em que me sinto culpada por tratar Anna de maneira tão frívola, também a culpo por sua insistência. Será que ela não via que devia ficar longe?! Por que ela sempre procurou problemas?!
Nesse momento, a Elsa infantil, brincalhona e livre discute com uma que eu nunca tinha visto antes. Uma Elsa revoltada com a própria irmã, que joga nela uma grande parte da culpa por tudo o que está passando, mas que a ama profundamente e é obrigada a mandá-la embora por isso. Uma Elsa que se pergunta se a própria irmã não percebia que a matava aos poucos, toda vez que batia na porta e tinha que ignorá-la.
Olho para o canto e vejo um outro boneco sendo construído ao lado de Olaf (eu o deixo do lado da minha cama). Não é de neve, nem fofinho, com um rosto agradável; é de gelo, bem maior, defensivo, com o rosto amedrontador.
“Marshmellow”, penso de pronto. Sim, esse será o nome dele, pois eu tenho alergia a Marshmellow. Demonstra que, mesmo que eu ame algo, devo deixá-lo longe de mim.
Não posso deixar de me perguntar: que Elsa surgirá se Anna aparecer?
Levanto-me da cama, desistindo de dormir e me encaminhando para a janela. É ridícula a ideia de Anna aparecer, certo? Ela tem um reino para cuidar. Ela sabe que eu preciso ficar sozinha.
Certo?
Certo.
Respiro fundo, um pouco mais calma com a determinação do meu “certo”.
Observo Olaf e Marshmellow lado a lado. Qual deles representa minha relação com Anna?
“Pare de pensar nisso, Elsa”, um lado meu adverte. “Anna é inteligente o suficiente para se manter longe”.
“Anna é inteligente, mas também corajosa e insistente”.
Já sinto o gelo do castelo ganhar vida e pequenas nevascas invadirem os cômodos.
Eu não aguento mais. Mesmo longe, parece que não consigo me livrar desse medo. Desse fantasma chamado Anna.
Puxo meus cabelos, frustrada.
“Ela não vai aparecer”, digo a mim mesma. “A única parte que a quer aqui é a parte Olaf, que gosta de abraços, que imagina uma vida tão perfeita que nem tem inverno. E essa sua parte está com Olaf, não pode estar em você”.
Então, sinto como se essa parte de mim fosse canalizada e passasse para o boneco de neve em uma ligação estranha que nunca senti antes. Dou um pulo de susto, tentando entender o que aconteceu, pois não mandei nada daquilo acontecer. Por um instante, olho para trás e o boneco parece brilhar.
Franzo o cenho, confusa. Deve ser tudo fruto do meu cansaço, da minha imaginação.
“É melhor me deitar”, ambas as Elsas me aconselham.
Volto para a cama e observo Olaf e Marshmellow. Minhas duas partes mais extremas e confusas.
E, extremamente confusa e cansada, deixo o sono me tomar.
Fale com o autor