Por trás das câmeras

13 É um prazer conhecê-la


Notas iniciais
Nome da personagem principal não é por causa do meu nome (Carolina), juro :~ é porque em outro site que eu posto eu fiz um sorteio e acabou que uma Carol ganhou. Pura coincidência. haha. GUIAS PARA APARÊNCIA DA CAROL/SEULBI: http://img1.ak.crunchyroll.com/i/spire2/39ba42112a2b931a1a431378cbe96c5e1279354285_full.png olhos. http://more-sky.com/WDF-366374.html ela é uma sósia da atriz Park Shin-Hye, inclusive com esse cabelinho? Sim, ela é. http://cdn1.kooding.com/images/P/Korean-Asian-Fashion-Shopping-Mall-0000-164.jpg roupa que ela está usando. https://s-media-cache-ak0.pinimg.com/736x/90/49/f8/9049f83dc4cdbdee025b09f1c8f58c0b.jpg Essa é a roupa que a Lisa está usando, só que no corpo de uma brasileira.

Temos uma viagem marcada para o interior para que possamos gravar o clipe e, depois de um dia de folga (que foi uma tortura para mim, já que eu só conseguia pensar em ver uma certa pessoa que não posso ver), chega a hora de pegar a estrada. Passei tempo demais arrumando a minha mala, racionalizando mais que o necessário o que eu deveria levar, e isso não soa certo, pois eu não deveria estar me esforçando para ficar bonita. Só tenho que ser natural. Acabei decidindo por poucas roupas práticas, já que não vamos passar muito tempo, e quase nada de maquiagem. O que mais pesa na minha mala são as lentes e a câmera (como sempre).

Chego ao ponto de encontro na hora e me junto ao resto da equipe. Vamos viajar em um ônibus, enquanto os meninos vão em uma van. Fico desejosa ao pensar em toda a diversão que eles devem estar tendo, mas esse é um dos vários sentimentos proibidos, então logo trato de afastá-lo.

Já dentro do ônibus, me acomodo no assento da janela, mais para o meio, e ninguém senta ao meu lado. Posso ter construído uma boa (mas não permitida) relação com os meninos, mas eu e a equipe mantemos uma distância respeitosa. Não é a primeira vez que passo por isso. Eles não conseguem lidar muito bem com o fato de eu ser estrangeira, e eu não quero forçá-los.

Depois de alguns segundos de conversas sussurradas, percebo que ainda estamos parados. A conclusão óbvia é que estamos esperando alguém (malditos atrasados), e isso me irrita um pouco, pois, quanto antes chegar e começar a gravar, melhor. Assim que finalizo esse pensamento, uma garota meio atrapalhada entra, se desculpando pela demora. Não presto muita atenção e só volto a percebê-la quando, para a minha surpresa, ela senta ao meu lado.

Depois de um bom tempo de viagem, ela vira para mim, com os olhos grandes me estudando. Eu decido olhá-la também e perco o fôlego. Sou uma mulher hétero (até segunda ordem), mas a beleza da menina me deixa tonta por alguns segundos. Ela sorri, e seu rosto parece brilhar. Seus olhos, maiores do que os da maioria dos coreanos, mas ainda puxados nos cantos, são claros, de um mel beirando o esverdeado, e esse contraste incomum com as feições asiáticas a torna uma peça rara e maravilhosa.

“Você é brasileira, não é?” Ela pergunta em português, o que aumenta o meu choque.

“Si-sim.” Não tenho certeza se respondi em coreano ou português.

“Oh, que divertido! Finalmente conheci uma brasileira de verdade, além dos meus familiares, claro.” Seu sorriso fofo e honesto é gigante. Eu o retribuo, começando a me animar. “Prazer, meu nome é Caroline, mas pode me chamar de Carol, ou SeulBi, que é meu nome coreano.” Ela me estende a mão e eu a aperto.

“Prazer, Carol. Meu nome é Lisa. E... você é meio brasileira?” Pergunto o óbvio meio sem jeito, sem querer ser intrometida (o que sou mesmo), mas vencida pela curiosidade. A verdade é que eu quero saber sua história.

“Ah, sim! Meu pai é brasileiro, do sul do país, mas se mudou para a Coréia do Sul para se casar com a minha mãe. Eles se conheceram em um cruzeiro. Foi tudo bem romântico, quase uma novela...” Ela faz uma careta como se fosse vomitar e eu acabo rindo. “Como alguém se apaixona em um cruzeiro, rápido assim, e decide se casar? Não sei, só sei que deu certo, e graças a Deus, porque eu não teria nascido se eles não tivessem bebido umas garrafas a mais de vinho e trocado uns olhares.” Seu tom é divertido. “Mas eu me sinto 100% coreana. É estranho... Só fui ao Brasil uma vez, e meu contato com os meus avós é por Skype. Tenho mais convívio com o pessoal daqui, sabe?” Mesmo que ela diga isso, consigo sentir que ela não é nem ao menos 90% coreana. Se fosse, não estaria sendo tão aberta. Não que os coreanos não sejam simpáticos, não é isso (eles são uns amores, sério). Aqui na Coréia o pessoal só não costuma ser tão tagarela ou natural ao conhecer alguém. São um pouco mais reservados ou tímidos. “Eu queria ter falado com você antes, mas sempre que eu terminava de maquiar os meninos, você já começava a gravar, e eu não queria atrapalhá-la.” Maquiadora, claro! Por isso não me lembro dela do set de filmagem. “Mas bem, é um prazer conhecê-la.”

“Oh, eu que o digo. É um prazer conhecê-la, Carol.” O meu sorriso é gigante e espero que este passe todos os meus sentimentos. Realmente gostei do fato de ela ter sentado ao meu lado, de tê-la conhecido e de finalmente ter uma companhia verdadeira no atual trabalho. Nesse momento, tenho a certeza de que seremos boas amigas.