Por trás das câmeras

19 Uma mão consola, a outra destrói


Notas iniciais
Gente, não sei como vai ser a postagem até o final do carnaval, não sei se vai rolar :/ vou vou tentar vir aqui para postar, prometo.

Saio determinada, sentindo-me no topo do universo, mas, em poucos passos, essa sensação se esvai por completo. O peso do que fiz começa a se fazer notável, e sinto-me sufocar ao não conseguir carregá-lo. O desespero vai subindo pelas minhas entranhas e se alimenta da minha sanidade (sério, o que diabos eu fiz?!).

Confiei demais no meu trabalho, mas este, apesar de ser bom, ainda não é sólido. Quase não tenho carreira na Coréia, e o medo de não ser o suficiente, de perder tudo, finalmente me consome. Eu queria defender minha amiga, mas fui longe demais (palmas para você, Lisa). Sinto minha respiração acelerar e meus olhos borrarem, o mundo inteiro gira e consigo perceber, como um participante distante da minha própria vida, que me arrasto pela parede de um corredor qualquer, indo de encontro ao chão.

Estou prestes a chorar, sinto isso, mas me concentro em não fazê-lo. Todo o meu corpo treme e meus olhos se apertam, tentando segurar as lágrimas. Falta-me ar. O que antes era ódio, agora é puro desespero. Sinto-me afogar nos meus pensamentos conturbados (uma hora tenho orgulho pelo que fiz, outra me considero a pessoa mais burra do mundo). Uma mão surge na minha frente e eu, sem raciocinar, a seguro com força, como se ela fosse capaz de me puxar desse mar de angústia. De fato sou puxada, mas apenas para longe do chão.

Ao encontrar os olhos preocupados de Changkyun, libero o que há dentro de mim. Como uma criança, começo a chorar (com certeza uma cena e tanto). Ele não tenta me consolar com palavras doces ou pede para eu parar, parece entender meu sofrimento e me permite senti-lo, e eu o amo por isso. Para mostrar que está presente e pronto para me apoiar, quando eu quiser, põe a mão na minha cabeça e, por mais que ela pareça meio desajeitada ali, seu peso me acalma.

Quando consigo controlar o fluxo das minhas lágrimas, finalmente o encaro. No momento em que paro por completo, sua mão desce até o meu rosto, e seus dedos delicadamente enxugam os rastros que meus olhos deixaram. Sinto-me leve, gosto do efeito que ele tem em mim, mas logo lembro que esse é o tipo de intimidade que eu não posso ter.

“O que você...” Pretendia perguntar o que ele está fazendo aqui, dizer que continue seu caminho, mas não consigo formular a frase.

“Eu fiquei sabendo do que aconteceu e vim de te procurar. A Line é sua amiga, não é? Shownu está cuidando do Chae, ele não precisa de mim, então vim cuidar de você.” Sua voz é grave, mas delicada, e o pequeno sorriso que ele me mostra, meio tímido e um pouco maior do lado esquerdo, é adorável. É impossível não retribuir, mesmo que o meu saía triste. “Viu?” O sorriso dele se alarga. “Você fica linda quando sorri. Deveria fazer isso, em vez de chorar.”

Fico sem reação. Meu coração pára por um segundo e eu me sinto mais confusa do que nunca. Ele está perto demais, com a mão no meu rosto e me elogiando... Tenho que admitir que Changkyun pode ser novo, mas já é um homem feito, bonito e que mexe comigo. É estanho, porque no dia anterior constatei que estou apaixonada por Jooheon, o que é um fato, mas isso deveria excluir a possibilidade de qualquer outro homem na minha cabeça, e não é o que está acontecendo.

Então lembro mais uma vez do manager, e que eu não deveria ter tais sentimentos nem por um, imagine por dois. Sem dar motivos, tenho a esperança de que ele não consiga me demitir, mas, se eu pisar meio centímetro para a fora da linha (ou menos, até), não duro muito. Retiro as mãos do mais novo do meu rosto delicadamente.

“Obrigada, Changkyun. Você realmente fez com que eu me sentisse melhor. Mas, sem querer ofender, acho melhor evitarmos estar só os dois em corredores desertos. Alguém pode entender errado.” Sorrio e deixo um beijo delicado na ponta dos dedos que ele usou para enxugar minhas lágrimas, visando demonstrar minha gratidão.

Changkyun cora de leve, fica um pouco sem reação e eu aproveito esse momento para sair. Assim que viro o corredor, dou de cara com Jooheon, e é a minha vez de corar (se é que é possível, não sei se é perceptível), pois ele provavelmente ouviu tudo. Não consigo ler sua expressão, ele está fechado para mim, e seus olhos só transparecem uma confusão indecifrável. Ele pega a minha mão e a aperta, e esse pequeno gesto me passa mil sentimentos. Sei o quanto ele quer me apoiar, me dar forças, mas algo o prende também, e isso é tudo o que ele pode fazer agora.

Nesse momento, uma tristeza profunda me invade e eu sinto o choro subindo, querendo se soltar outra vez, mas o impeço de vir ao mundo. Aperto a mão do moreno como se fosse a única coisa que existe, sem querer largá-la, porque tenho a consciência que vou ter que fazê-lo. Finalmente entendo a seriedade da situação: eu não posso tê-lo. Ele é tão impossível para mim quanto escalar o monte Everest é para um manco. Posso apenas admirá-lo de longe.

Lentamente, vou deixando o meu aperto esmaecer, e minha mão desliza para longe da dele. Parece que acontece em câmera lenta e eu sinto meu coração quebrar em milhares de pedaços conforme nosso toque vai chegando ao fim. Sem dizer uma palavra, mas trocando várias através dos olhos e toque, eu o deixo para trás, tendo a certeza que nos amamos, mas nosso destino é trágico como uma peça de Shakespeare.