Por trás das câmeras
32 Eu pensei que você esperaria por mim
Notas iniciais
JOOHEON
Depois de muito girar embaixo das cobertas, decidiu que não conseguia dormir. Sempre que fechava os olhos, a imagem de Lisa entregue em seus braços, os olhos perfeitos fechados em aceitação e os lábios deliciosos esperando o tão desejado beijo, tudo isso vinha para torturá-lo. Repetia para si mesmo que havia feito o certo, pois, se tivesse seguido sua vontade, só complicaria sua relação com Changkyun e acabaria perdendo ambos.
Jooheon levanta-se e decide caminhar, para ocupar a cabeça com algo além de Lisa, mas sabe que foi em vão no segundo em que reconhece a cabeleira castanha e ondulada sentada em um banco no quintal. Chega a considerar se aproximar, mas lembra do mais novo e isso limita seus movimentos. Principalmente quando finalmente percebe que ele está lá, ao lado dela, se aproximando cada vez mais...
Eles se beijam. Changkyun e Lisa se beijam, enquanto tudo o que Jooheon pode fazer é observar. O mundo do moreno vira de cabeça para baixo, tudo começa a ficar escuro e ele se sente prestes a vomitar. Pensou que aguentaria ver os dois juntos, mas quando isso se torna um fato é mais pesado do que imaginava. O coração aperta e dói, a cabeça parece no ponto para explodir. Tenta respirar, se acalmar, mas os lábios de sua amada estão encontrando os de outro, e isso não deixa espaço para nenhum pensamento racional.
Quando volta a olhar, Lisa está sozinha. Não sabe dizer quanto tempo passou, o quanto ficou perdido no mar de sensações ruins, o fato é que ela está sozinha, e que isso o leva a tomar uma decisão que, em outro momento, não o faria. Ele se aproxima. Com a determinação de um homem louco, movido pela mesma imagem torturante e pela dor, ele a pega pelo braço e a levanta, trazendo-a para junto de si.
“Vocês estão namorando?” Lisa passa alguns segundos em silêncio por conta do susto, mas logo se recompõe e a expressão que aparece em seu rosto é de pura indignação.
“E isso te interessa?” Ela se livra do braço dele, mas não se afasta. Mantém o olhar duro e ambos se encaram por longos segundos.
“Só me responde, Lisa. Você e o Changkyun estão namorando?”
“Por que diabos você quer saber?! Tu não tem nada a ver com isso, Jooheon, e eu não te devo satisfação.” A raiva dela começa a aparecer pelo tom de voz e esse deveria ser o momento em que ele se retrai, pensa logicamente e volta atrás, mas o beijo se repete em sua cabeça e isso só serve como combustível para continuar com essa reação estúpida.
“Pelo amor de Deus, Lisa, eu só te perguntei uma coisa simples!” Ele também se estressa.
“Minha pergunta também não é difícil, por que diabos você quer saber?” A ironia e indignação transbordam a cada palavra. Não há como negar, a essa altura eles estão claramente brigando.
“Porque eu te amo, caralho!” No calor do momento, a revelação que ele tanto quis negar até para si, simplesmente sai. E Jooheon não consegue parar aí. A raiva, a dor e o medo de perdê-la para sempre, muito bem escondido embaixo da vontade de proteger o mais novo, mas que agora se revelou com toda sua força, fazem com que as palavras saíam da sua boca. “Eu te amo e preciso saber se te perdi para sempre, Lisa! Só me diz isso, então. Vocês estão namorando ou não? Porque, se tiverem, eu lembro que não posso te amar, e me esforço de verdade para esquecer tudo...” Derrotado pela frustração, a raiva se esvai e a dor assume. Sentindo-se prestes a chorar, desvia o olhar, pois constatar o quanto ela é bela, mesmo com raiva, não ajuda.
Lisa passa longos segundos digerindo a informação, apenas observando-o. É perceptível que o grosso de sua raiva desaparece, mas ainda há certa indignação em seu olhar. Ou melhor, mágoa. Ela está claramente magoada, o que só causa mais dor ao moreno. Ele sabe ser o culpado por isso. Com um suspiro pesado que arranha o coração de Jooheon, Lisa abre a boca para falar.
“E se eu e o Changkyun não estivermos namorando, o que você vai fazer?” Depois de alguns segundos de silêncio, ela tem a resposta que precisava, e isso a motiva a continuar. “Então é isso, você vai me rejeitar e humilhar como vem fazendo?” Mais um suspiro e Jooheon se encolhe ainda mais. “Você não me perdeu para sempre, Jooheon, porque você nunca me teve. Para começo de conversa, não sou um objeto para pertencer a alguém. Mas, se mesmo assim você quiser usar esse termo, vou ter que citar Hepburn e dizer que nós não pertencemos a ninguém e ninguém pertence a nós.” Lisa se aproxima e, delicadamente com a ponta dos dedos, faz com que o moreno a encare. “Porém, estou feliz que você finalmente esteja falando a verdade. Já é um avanço. Eu acredito em seus sentimentos, Jooheon. Eu só acho que você tem que aprender a amar.”
E, dessa forma, ela se vira e vai embora. Ele a assiste ir, sem uma réplica boa o suficiente para impedi-la. Porque é verdade.
Ele não soube amá-la.
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