Por trás das câmeras

27 Agora eu posso chamar você de recordação


Notas iniciais
"Com seus lábios vermelhos, rápido por favor, me mate e vá. Eu estou bem. Olhe para mim uma última vez, sorria como se não houvesse nada errado. Assim eu poderei lembrar quando sentir sua falta. Então eu desenharei seu rosto na minha mente. [...] Por que eu sou um idiota? Por que eu não consigo esquecer você? Você já se foi. Seus olhos, seu nariz e seus lábios. Seu toque que costumava me tocar até a ponta dos seus dedos. Eu ainda consigo te sentir. Mas a chama queimou, queimou e destruiu todo o nosso amor. Isso dói muito, mas agora posso chamar você de recordação.” Taeyang - Eyes, nose and lips. https://www.youtube.com/watch?v=OJg8piyVtq4

JOOHEON

Os primeiros dias foram os piores. Não conseguiu tirá-la da cabeça nem ao menos por um segundo e teve que desligar o celular, pois a tentação de atendê-la ou mandar uma mensagem era forte demais. Várias vezes, pensou em jogar tudo para o alto e ir atrás dela, mas então seus olhos encontravam o do mais novo e ele sabia que não podia fazê-lo. Precisava ter prioridades na vida.

Quando Lisa desistiu de entrar em contato, pensou que ficaria mais fácil, mas foi uma ilusão tão tola que depois chegou a rir de si mesmo. Os sonhos o perseguiam, as lembranças o torturavam quando estava acordado, e o ciúmes estava enlouquecendo-o. Ver Changkyun rindo enquanto respondia as mensagens dela era demais. Ficava se perguntando se a declaração já havia ocorrido, se eles estavam namorando, e ao mesmo tempo sabia que não queria essas respostas.

Vê-la pessoalmente o destruiu. Meu Deus, como ela está perfeita. Foi esse o pensamento que dominou sua cabeça no momento em que a viu entrar no salão. Lisa de fato estava magnífica, brilhava em comparação ao resto, e era tudo no mundo o que Jooheon desejava. Queria arrancar aquele vestido, tê-la novamente, dizer o quanto a amava e ser dela para sempre. Mas ela se desviou do olhar dele e foi encontrar o mais novo. Isso doeu.

Bebeu, bebeu e bebeu, tentando ter uma atividade para se ocupar e não ir atrás dela. Mas claro, o destino tinha que provocar esse encontro. Quando o corpo dela se esbarrou no dele, sentiu vontade de abraçá-la e mantê-la ali, mas tudo aconteceu rápido demais, quando percebeu já estava se desculpando, e isso não poderia acontecer. Lembrou de Changkyun, do quanto ele sorria ao falar dela, dos momentos em que sorriram juntos e se trataram como verdadeiros irmãos. Calou-se.

Se livrou da tentação falando palavras duras, pois sabia que assim ela se afastaria, algo que ele não tinha forças para fazer. Ele mesmo queria batê-lo pelo que disse, então aceitou a tortura que ela aplicou, aspirou seu cheiro uma última vez e a deixou ir. A cada passo dado para longe dele, mais um pedaço do coração já partido do moreno se quebrava.

Mas essa não foi a única dor que sentiu. No segundo em que Lisa saiu do salão, um tapa foi dado na nuca de Jooheon, o acordando de seus devaneios e fazendo-o virar com indignação e raiva. Pronto para descontar todos os seus sentimentos ruins em Minhyuk, o dono da mão, chegou a abrir a boca, mas foi interrompido pelo loiro.

“Você é idiota, Jooheon? Sério.” Minhyuk nega com a cabeça, indignado, enquanto o moreno o olha em estado de choque. “Sério que você falou aquilo? Aish, você não tem jeito. Vai atrás dela, idiota!”

“Eu não posso.” Fala com pesar, pois é a verdade. Realmente quer correr atrás dela, tomá-la em seus braços e nunca mais a deixar ir, mas não pode.

“Isso é coisa da sua cabeça! E Lisa não merece isso. Eu sei que toda essa situação é complicada e você deve ter os seus motivos, mas ela é uma garota única e boa demais para você descartá-la assim. Peça desculpas, diga que exagerou e diga que tem os seus motivos para se afastar, mesmo que ela não aceite. Pelo amor de Deus, só se desculpe pela merda que falou! Diga que está bêbado e saiu pior do que imaginava. Só... Aish, só por favor, não deixe ela chorando sozinha e humilhada na frente de um hotel. Você não achou certo quando o Hyungwon fez isso, então não faça pior.”

A ficha cai e ele finalmente percebe a dimensão da besteira que fez. No momento, pensou que palavras duras fossem a única solução, mas elas só criaram um problema maior. O que ele menos queria era humilhar ou magoar Lisa, porém, havia feito ambos. Sem falar mais nada, saiu correndo atrás dela. Iria se desculpar, conversar, e apenas dizer que eles não podiam ficar juntos. É óbvio que ela entenderia.

Quando chegou à frente do hotel em que o evento ocorria, encontrou-o vazio, e pensou ser tarde demais. Já pronto para gritar e xingar o mundo, voltou atrás quando a viu do outro lado da rua. Ela de fato estava a chorar, o que já é um problema suficiente, mas que se intensificou quando Jooheon percebeu que a pessoa a abraçá-la e consolá-la é Changkyun.

A imagem das mãos do seu companheiro tocando na pele que ele ansiou 24h por dia em tocar, a cabeça dela apoiada no ombro do mais novo, e a forma como os corpos se unem o deixaram cego. O peito inflou, os punhos se fecharam, e ele se aprontou para correr até ambos, separá-los e tomá-la para si, mas parou. Ela não é sua, Jooheon. Precisou dizer isso para si mesmo, e foi o que mais doeu. Porque é a verdade. E provavelmente nunca seria.

Derrotado, voltou para dentro do salão. Não havia mais nada que pudesse fazer.