Por trás das câmeras
27 Agora eu posso chamar você de recordação
Notas iniciais
JOOHEON
Os primeiros dias foram os piores. Não conseguiu tirá-la da cabeça nem ao menos por um segundo e teve que desligar o celular, pois a tentação de atendê-la ou mandar uma mensagem era forte demais. Várias vezes, pensou em jogar tudo para o alto e ir atrás dela, mas então seus olhos encontravam o do mais novo e ele sabia que não podia fazê-lo. Precisava ter prioridades na vida.
Quando Lisa desistiu de entrar em contato, pensou que ficaria mais fácil, mas foi uma ilusão tão tola que depois chegou a rir de si mesmo. Os sonhos o perseguiam, as lembranças o torturavam quando estava acordado, e o ciúmes estava enlouquecendo-o. Ver Changkyun rindo enquanto respondia as mensagens dela era demais. Ficava se perguntando se a declaração já havia ocorrido, se eles estavam namorando, e ao mesmo tempo sabia que não queria essas respostas.
Vê-la pessoalmente o destruiu. Meu Deus, como ela está perfeita. Foi esse o pensamento que dominou sua cabeça no momento em que a viu entrar no salão. Lisa de fato estava magnífica, brilhava em comparação ao resto, e era tudo no mundo o que Jooheon desejava. Queria arrancar aquele vestido, tê-la novamente, dizer o quanto a amava e ser dela para sempre. Mas ela se desviou do olhar dele e foi encontrar o mais novo. Isso doeu.
Bebeu, bebeu e bebeu, tentando ter uma atividade para se ocupar e não ir atrás dela. Mas claro, o destino tinha que provocar esse encontro. Quando o corpo dela se esbarrou no dele, sentiu vontade de abraçá-la e mantê-la ali, mas tudo aconteceu rápido demais, quando percebeu já estava se desculpando, e isso não poderia acontecer. Lembrou de Changkyun, do quanto ele sorria ao falar dela, dos momentos em que sorriram juntos e se trataram como verdadeiros irmãos. Calou-se.
Se livrou da tentação falando palavras duras, pois sabia que assim ela se afastaria, algo que ele não tinha forças para fazer. Ele mesmo queria batê-lo pelo que disse, então aceitou a tortura que ela aplicou, aspirou seu cheiro uma última vez e a deixou ir. A cada passo dado para longe dele, mais um pedaço do coração já partido do moreno se quebrava.
Mas essa não foi a única dor que sentiu. No segundo em que Lisa saiu do salão, um tapa foi dado na nuca de Jooheon, o acordando de seus devaneios e fazendo-o virar com indignação e raiva. Pronto para descontar todos os seus sentimentos ruins em Minhyuk, o dono da mão, chegou a abrir a boca, mas foi interrompido pelo loiro.
“Você é idiota, Jooheon? Sério.” Minhyuk nega com a cabeça, indignado, enquanto o moreno o olha em estado de choque. “Sério que você falou aquilo? Aish, você não tem jeito. Vai atrás dela, idiota!”
“Eu não posso.” Fala com pesar, pois é a verdade. Realmente quer correr atrás dela, tomá-la em seus braços e nunca mais a deixar ir, mas não pode.
“Isso é coisa da sua cabeça! E Lisa não merece isso. Eu sei que toda essa situação é complicada e você deve ter os seus motivos, mas ela é uma garota única e boa demais para você descartá-la assim. Peça desculpas, diga que exagerou e diga que tem os seus motivos para se afastar, mesmo que ela não aceite. Pelo amor de Deus, só se desculpe pela merda que falou! Diga que está bêbado e saiu pior do que imaginava. Só... Aish, só por favor, não deixe ela chorando sozinha e humilhada na frente de um hotel. Você não achou certo quando o Hyungwon fez isso, então não faça pior.”
A ficha cai e ele finalmente percebe a dimensão da besteira que fez. No momento, pensou que palavras duras fossem a única solução, mas elas só criaram um problema maior. O que ele menos queria era humilhar ou magoar Lisa, porém, havia feito ambos. Sem falar mais nada, saiu correndo atrás dela. Iria se desculpar, conversar, e apenas dizer que eles não podiam ficar juntos. É óbvio que ela entenderia.
Quando chegou à frente do hotel em que o evento ocorria, encontrou-o vazio, e pensou ser tarde demais. Já pronto para gritar e xingar o mundo, voltou atrás quando a viu do outro lado da rua. Ela de fato estava a chorar, o que já é um problema suficiente, mas que se intensificou quando Jooheon percebeu que a pessoa a abraçá-la e consolá-la é Changkyun.
A imagem das mãos do seu companheiro tocando na pele que ele ansiou 24h por dia em tocar, a cabeça dela apoiada no ombro do mais novo, e a forma como os corpos se unem o deixaram cego. O peito inflou, os punhos se fecharam, e ele se aprontou para correr até ambos, separá-los e tomá-la para si, mas parou. Ela não é sua, Jooheon. Precisou dizer isso para si mesmo, e foi o que mais doeu. Porque é a verdade. E provavelmente nunca seria.
Derrotado, voltou para dentro do salão. Não havia mais nada que pudesse fazer.
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