Notas iniciais
Boa leitura!Observação:A personagem principal, Raquel, possui as feições inspiradas na cantora Katy Perry. A diferença é que a nossa personagem possui olhos castanhos comuns, bem diferentes dos azuis da californiana.

O bar já ia fechar. Até os bêbados mais assíduos haviam se retirado cambaleando para casa, porém na ultima mesa, próxima ao balcão, havia uma garota de no máximo 18 anos rodeada de taças vazias. O dono do bar não tinha mais como esperar e pediu que o seu garçom a tirasse de lá e se preciso fosse a colocasse em um taxi para casa. O empregado obediente foi em direção da moça e começou a recolher as taças em sua volta, quando alcançou o sexto copo ainda um pouco cheio a menina segurou seu pulso tão rapidamente que ele poderia jurar que estava sóbria. Mas, bem, não estava.

– Ei! Não terminei ainda! – reclamou.

– Senhorita, o bar já vai fechar.

– Calma aí cara, senta, toma um drink – empurrou-o no banco a sua frente e pegou a taça – Não precisa ter pressa.

– Senhora...

– Senhorita.

– Senhorita, quantos drinks já tomou?

Ela o olhou como se estivesse pensando e calculando até que levantou três dedos de sua mão e disse:

– Quatro.

Depois encarou seus dedos e começou a gargalhar como se tivesse algo muito engraçado neles. O rapaz suspirou e disse:

– Vamos, vou leva-la pra casa.

– Minha casa é muito longe daqui...

– Não tem problema. Vamos. – levantou-a pelo braço – Como uma moça dessa idade veio parar aqui? Qual o seu nome?

– Eu tenho beber para idade suficiente de acordo com a lei dos Unidos Estados. – retrucou erguendo a etiqueta da blusa como se fosse sua identidade – E meu nome é Raquel.

– E como veio parar aqui, Raquel?

– Como vim? – Raquel respirou fundo e afundou-se em uma cadeira qualquer. – Com meus pés ué, porque se viesse de táxi não teria dinheiro pra pagar a bebida... Agora, o porquê... Bom, é uma longa história. Talvez não tão longa, mas muito triste.

– Não precisa contar se não quiser, venha. Você nem tem idade para estar aqui! Quem te deixou entrar? – respondeu puxando-a pelo braço. Ela se soltou puxando de volta com força e o encarou.

– Ei, calma ai fera, senta que eu vou te contar Marvin.

– Meu nome não é Marvin. É Jonathan.

– Jura, Marvin? Enfim... Tudo começou no Brasil, minha nação-natal. Morava lá até ano passado quando terminei a escola. Fiz todos os exames necessários para entrar numa boa faculdade e veja só, consegui uma bolsa de estudo numa das melhores universidades públicas de lá.

– Então por que não está lá?

– Shiu! Vou contar, Marvin. – respondeu irritada.

– É Jonathan...

– Como eu dizia Melvin, ganhei uma bolsa de estudos para cursar medicina e é claro que minha família pulou de alegria. Imagine só? Que honra seria ter uma filha médica formada em uma das melhores universidades e que conseguiu tudo isso apenas com o seu esforço e estudo, modéstia a parte? Bom, eu queria agradar meus pais e decidi me matricular. Passei o primeiro mês estudando em uma sala de aula como havia feito a minha vida inteira, mas no fim eu sabia que por mais incrível que fosse aquele conhecimento, meu coração não estava ali. – Ela fez uma pausa para respirar fundo e depois continuou. – O que eu queria mesmo era hollywood. Luzes, palcos, brilho. Poder fazer coisas diferentes em cada filme ou série que eu estrear. Eu não queria passar o resto da minha vida cuidando de pessoas por mais nobre que isso seja. Eu queria ser tudo. Do real ao irreal. Então eu decidi vir pra cá, Los Angeles. Disse pra minha mãe que tinha feito outra prova em segredo e ganhado uma bolsa para outra universidade na Califórnia e que a mesma funcionava como internato, com dormitórios e refeições para os alunos, assim eles não precisariam me procurar. Por incrível que pareça, eu sou o tipo de garota que nunca deu problema aos pais e eles acreditaram fielmente em mim.

Jonathan ouvia tudo atentamente e de vez em quando fazia menção a falar alguma coisa, talvez palavras de consolo, mas nada saia. E Raquel continuou.

– Bom, o resto é bem simples. Arrumei minha mala, converti minhas economias em dólar e peguei um avião pra cá. Tinha arranjado um apartamento pra dividir com outra garota chamada Jena que precisava de dinheiro e estava alugando um dos quartos e acabei ficando lá de graça com a condição de que eu cuidasse de todo o serviço doméstico. Depois que acomodei meu espirito cheio de esperanças decidi ir atrás de audições, mas só consegui ser ignorada na frente dos sets de filmagem. Estou há duas semanas aqui e não tenho feito nada a não ser servir de doméstica, não que seja um trabalho árduo e difícil, Jena costuma deixar tudo em ordem, mas não é nada do que eu sonhei. Hoje mais cedo meus pais me ligaram e foi a única vez desde que cheguei aqui em que agi como uma verdadeira atriz, menti pra eles.

Após calar-se, Rachel não aparentava estar tão bêbada quanto antes. Sua cabeça estava começando a doer e ela sentiu lágrimas escorrendo de seu rosto.

Notas finais
Obrigada por ler!