Por trás da vida
2 O coração há de falar
Notas iniciais
O vento da noite embalou-me em seus braços gélidos enquanto bailava com a lua. Aquele céu repleto de estrelas me questionava com sua inocência distante, deitei-me para tentar tocá-la mas, sua beleza me cativou, impossibilitando algo que já não conseguira.
Sua luz encaixou-se perfeitamente no cenário praiano, querida Lua. Vejo o mar negro, de repente, com um brilho prateado. O horizonte se aproximava de mim aos poucos, desejando ter sua própria beleza, atrás de si, via-se pequenas luzes cintilantes que procuravam ter um espacinho no céu azulado. As cores se misturaram naquela noite, fazendo-me derreter por dentro e congelar por fora.
Senti quando suas brisas marítimas me atingiram no peito e tentei me proteger com meus braços finos colados ao corpo. O falso silêncio da noite se alastrou pela praia, contaminando a areia e também seus mares que, antes , sussurravam alguma canção, distraídos.
Meus ouvidos logo se acostumaram com aquele vazio protetor. Eram inúteis a tentativa da lua de hipnotizar, a noite já estava a me escutar. A esperança noturna me alcançou e nesta margem hei de ficar.
Assim seguiu aquela noite, escondendo sua vida ao seio das estrelas, pousando sua face sobre a minha, sem ao menos, tentar fazê-la. Suas vozes não pediram permissão, só que eu abrisse meu coração.
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