Por trás da Rainha
2 Capítulo 2
Notas iniciais
1 semana depois
Regina acabara de acordar, o sol do outono ultrapassava as cortinas de seda e iluminava seu rosto. Ela piscou algumas vezes, tentando se acostumar com a luz sob os olhos castanhos.
Levantou-se preguiçosamente e percebeu que o marido não estava na cama, ele já devia ter ido para sua viagem de negócios. No começo do casamento ela teria se incomodado por ele sair sem qualquer satisfação, mas agora, já estava acostumada.
Ela estava perdida em seus pensamentos quando lembrou-se que iria acompanhar Snow White até o castelo do seu noivo. Merda. Ver o Príncipe James definitivamente não era uma coisa que ela tinha intenção de fazer. Desde que ele saiu do castelo na semana passada, ela tinha decidido que trair seu marido com o seu quase-genro não era uma coisa que estava disposta a fazer.
Mas ela ainda lembrava de suas mãos fortes ao redor de sua cintura, sua voz deliciosa em seu ouvido e as carícias em suas coxas por baixo da mesa no jantar. Foco Regina. Você tem condições de ficar longe de um príncipe galanteador.
.
...
James estava cavalgando. Estar no meio do nada apenas com seu cavalo era o único modo que ele encontrava de deixar as máscaras caírem. Ele voltava a ser apenas o pastor pobre e medroso que sempre foi: David.
Quando ele foi convocado pelo rei para substituir o príncipe morto, uma sensação de poder incrível subiu através de sua espinha. A possibilidade de deixar de ser aquele pastor foi como música para seus ouvidos. A partir de então, ele agiu como umconquistador idiota, fazendo filas de mulheres ao seus pés, inflando seu ego quando elas imploravam por ele e gemiam seu nome.
Mas tudo não passava de uma farça, um modo de esconder o homem fraco que estava por baixo do Príncipe James.
Quando ele soube que ia casar, a ideia de estar com uma mulher só e deixar sua verdadeira face aparecer, assombrou seus pensamentos por meses. Ele decidiu que Snow White seria só mais uma personagem de seu teatro, só mais uma mulher que imploraria por ele e gemeria seu nome.
Na noite em que ele foi conhecê-la estava confiante, acreditava que o casamento seria só mais uma peça do jogo.
Mas quando ele viu Regina passar pela porta, seu mundo caiu. Ele se sentiu novamente como aquele pastor. Ele não podia deixar que isso acontecesse. Ninguém poderia ter esse poder sobre ele. James faria ela gemer e implorar como outra qualquer, até que ele voltasse a se sentir poderoso na frente dela. E esse era o maior problema, ele já não podia ficar longe dela.
...
"Regina?!", disse Snow entrando no quarto da madrasta.
"Estou aqui querida", respondeu ela na frente do espelho.
"Avisei a guarda real que sairemos em uma hora, está bom pra você?", perguntou a menina referindo-se a visita que fariam ao castelo de George.
"Hmm, sim Snow, está...", ela murmurou tentando se concentrar em que ela iria apenas acompanhar a enteada, não ver o príncipe.
"Ok", começou Snow, "obrigada por me acompanhar Regina, você não sabe o quanto significa", agradeceu sorrindosinceramente.
Regina deu um sorriso frustrado. "Por nada, agora deixe-me sozinha, preciso me arrumar".
A princesa saiu da sala. Deixou sua madrasta sozinha e culpada.
...
A carruagem de Snow e Regina chegou ao castelo de George. As duas estavam frustradas por diferentes motivos.
Ao entrarem foram recepcionadas elegantemente pelo rei. Ele sempre foi muito cordial e educado. Apesar de ser homem e ter seus instintos, ele nunca cantou Regina de forma baixa, ou passou a mão em suas pernas como alguns outros reis. Olhares de desejo, talvez, mas nada além disso.
O príncipe entrou na sala com seu sorriso assinatura.
"Boa tarde, senhoritas", cumprimentou o príncipe.
"Senhora", respondeu Regina secamente.
Ele estranhou a frieza em sua voz, "Oh, me desculpe, apenas uma confusão que fiz".
"Está tudo bem", disse ela, "eu vou deixar que você converse com sua noiva, vou dar uma volta no jardim", completou saindo da sala.
James disfarçou sua tensão fazendo algumas perguntas aleatórias para Snow, e ela respondeu todas entusiasmada. Ela começou a sugerir alguns detalhes para o casamento, mas ele não podia se concentrar em nada mais do que a rainha gostosa que estava sozinha no jardim.
"Você concorda?!", perguntou Snow fazendo James sair do mundo dos sonhos.
"Hmm, claro, acho ótimo", ele não fazia a mínima ideia do que ela estava falando, mas concordar era uma saída rápida.
"Excelente!", disse ela sorrindo. Parecia que tudo estava dando certo para ela, ela ia casar e com um homem super compreensível.
Regina retornou a sala. "Snow, está ficando tarde, vamos?!", ela solicitou à princesa.
Snow ficou desapontada, ela queria continuar com seu príncipe. Até que ela teve uma ideia. "James, você não quer vir conosco?", sugeriu.
"O que?", perguntou Regina surpresa. "Eu tenho certeza que o príncipe prefere ficar e..."
"Na verdade," interrompeu ele, "eu adoraria ir com vocês". Ele deu um sorriso malicioso.
Regina respirou fundo. Ótimo. Ela iria passar por uma prova de força e determinação. "Ok, se é assim, vamos logo, antes que anoiteça".
...
Eles chegaram ao castelo por volta das oito horas, Regina fou imediatamente para seu quarto. Snow estava absolutamente esgotada da viagem.
"James, garanto que você ficará confortável no quarto de hóspedes, receio que não poderei ficar na sua companhia, estou exausta", explicou a princesa.
Os olhos dele brilharam em agradecimento à sua noiva. "Não se incomode Snow, descanse o quanto for necessário, eu logo irei dormir também", mentiu.
"Então, boa noite", disse ela subindo as escadas.
James decidiu esperar alguns minutos antes de procurar a rainha.
...
Ele subiu as escadas e atravessou o corredor vagarosamente para não fazer nenhum ruído. Ele não tinha certeza de qual das portas daria acesso ao quarto de Regina. Eram quatro portas. Uma seria o quarto de hóspedes. Outra o quarto de Snow. A outra o seu destino desejado, o quarto da rainha, e a última, ele não fazia ideia. Ele estava analisando as opções, escolheu a segunda portada direita por extinto.
Bingo. Logo ao abrir viu a majestosa silhueta de Regina penteado os longos cachos de ébano na frente do espelho. Ele sorriu. Fechou a porta atrás dele e viu o olhar de espanto quando ela percebeu sua presença.
"O que você está fazendo aqui?", indagou ela, "você ficou louco? Saia daqui agora!"
"Fique calma, aliás, não tão calma...", sussurrou ele sorrindo maliciosamente.
"Saia já do meu quarto!", ordenou ela irritada.
Ele jogou ela contra a parede e disse "Eu vou sair, contanto que você diga que quer que eu saia. Olhando nos meus olhos".
Ela sorriu. Era fácil fazer isso.
"Eu quero que...", ela foi pega de surpresa ao sentir suas mãos por baixo do tecido da camisola, acariciando o interior das coxas.
Ele sorriu. "Apenas diga rainha. Diga que você quer que eu saia", zombou ele.
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