Por trás de Frozen

15 Capítulo 14 - Oi, eu sou o Olaf!


Notas iniciais
Olá, cidadãos mais lindos de Arendelle! ♥ Tudo bem? Cá estou eu com mais um capítulo. Esse foi, particularmente, bem difícil de fazer! Mas tentei o meu melhor e espero que gostem! :')) É um POV que ainda não foi apresentado, e é complicado escrevê-lo de uma forma que seja mais aprofundada do que o filme mostra já que, nele, ele é um personagem com pouca profundidade. Tentei fazer da forma mais clara possível mas, qualquer dúvida/sugestão, é lógico que podem falar comigo nos comentários ou por mensagem! Obrigada por continuarem me acompanhando! :'))) Vamos lá! o/

POV OLAF

Oi, eu sou o Olaf, e gosto de abraços quentinhos!

Essa é a primeira frase que me vem à cabeça. Pisco e olho ao redor. Estou em um ambiente escuro, gelado – brrr, não gosto de gelo, prefiro calor – e existe uma pessoa deitada à minha frente, dormindo, com o rosto virado para mim.

Imediatamente, sinto uma grande onda quente que transpassa pelo meu corpo, e me sinto feliz e abraçado, como se tivesse uma conexão profunda com essa pessoa. Sorrio, e me sinto ainda mais feliz. Decido que gosto de sorrisos e de pessoas e de calor e, particularmente, dessa pessoa a minha frente. De repente, percebo que sei quem é essa pessoa – é Elsa, uma pessoa que é bonita, gentil e que, mais do que tudo no mundo, ama a irmã e se sente culpada pela relação entre as duas ser distante, tem vontade de mudar essa situação, tem saudades de brincar com ela na neve, e faria de tudo para que isso acontecesse novamente.

Como sei disso? Não sei.

Como sei pensar? Não sei.

Só sei que meu nome é Olaf, e que gosto de abraços quentinhos.

Continuo a observar ao redor e, ao olhar para o lado, vejo uma criatura horrenda feita de gelo que está parada. Sinto algo ruim em relação a ele, como se ele fosse minha antítese. E acho que é assim que eu era antes, parado e sem vida. Sim, isso mesmo! Memórias me vêm à cabeça aos poucos. Lembro-me de Elsa me olhar com carinho e amor; de a primeira coisa que senti ser o vento e o frio, enquanto Elsa estava cantando numa montanha; e uma memória bem vívida, a de Elsa e Anna, sua irmã, crianças e brincando comigo no gelo do castelo delas. Tento absorver mais de Elsa, mas isso é tudo a que consigo ter acesso. Então é isso. Eu sou uma parte de Elsa, minha criadora; a parte que ama Anna e faria de tudo por ela. Acho que devo alguma coisa a ela por ter me criado. Ah, é isso! Realizarei seus desejos com toda a vontade possível!

Uau, como eu sou fofo. Deve ser por isso que gosto de abraços quentinhos.

Olho para ela novamente e tenho vontade de abraçá-la, mas acho que não é educado abraçar as pessoas enquanto dormem. De repente, sinto um rebuliço em meus pés, e eles me levam para frente. Coloco os pés um na frente do outro, de modo que me locomovo. Sorrio e rio, até perceber que isso pode acordar Elsa, então eu paro.

Me aproximo dela e a imagem de Anna e Elsa brincando aparece novamente em minha cabeça, e Elsa dá um pequeno sorriso enquanto dorme. Neste momento, sinto fortemente, pela nossa conexão, o primeiro desejo que ela designa a mim: encontrar Anna, cuidar dela e trazê-la até aqui para que, finalmente, Elsa seja perdoada pela irmã, e que possam se abraçar e brincar.

Sinto-me completo, como se tivesse uma missão que faria tanto a mim quanto a Elsa muito felizes.

O seu sorriso reflete em meus lábios.

(Eu tenho lábios? Preciso de um espelho.)

Tenho certeza de que é isso o que Elsa me pede. E é isso que farei por ela.

Me aproximo e dou um beijinho gelado em sua bochecha.

— Até logo, Elsa! – sussurro. — Trarei seu abraço quentinho.

E saio porta afora, a fim de encontrar Anna.

Ando pelo castelo de gelo, impressionado com os poderes de Elsa. Penso em todos os sorvetes para refrescar o verão que ela pode fazer, na brisa deliciosa que pode criar no calor, nos tobogãs divertidíssimos que fazia quando brincava com Anna quando pequena.

Apesar de ser feito de neve, decido que não gosto muito dela. Por algum motivo, algo relacionado à Elsa, neve me lembra solidão e tristeza – por isso, penso no oposto do inverno: verão! Sol! Calor! Coisas quentinhas! Refrescar-me em algum gramado debaixo de um sol escaldante, a alegria daqueles raios solares penetrando em meu ser. De repente, consigo ter acesso a mais memórias de Elsa. O verão, lembram-me elas, é a época que ela mais gostava, pois era o momento em que sua neve se tornava especial, já que nenhuma outra criança tinha o privilégio de se refrescar ou brincar na neve nessa época. Ela gostava de como Anna se encantava ainda mais que o normal com seus poderes, e de como eles eram úteis em diversas partes do castelo, como para a conservação de alguns alimentos.

É, o verão arrasa.

Enquanto ando e estudo o palácio, percebo meu reflexo na parede de gelo. Vejo três bolas de neve – sendo a primeira mais ovalada, a segunda pequena e a terceira grande – uma em cima da outra, olhos pretos acompanhados de galhos como sobrancelhas, um buraco para minha boca (não são exatamente lábios, mas tudo bem, pois tenho um dente de neve), dois gravetos para minhas mãozinhas e duas bolinhas de neve para meus pezinhos. Pra completar o visual, alguns galhinhos espetados na minha cabeça – meus cabelos – e três botões pretos no meu corpo, como se fosse parte de um roupa.

muito bonito e estiloso.

Tenho vontade de apertar minhas bochechas de tão fofinho, mas decido que não tenho tempo a perder e devo encontrar Anna o mais rápido possível. Sinto apenas falta de um narizinho, mas posso pedir isso à Elsa depois.

Desço as escadas lentamente, ainda me acostumando a andar, e as portas do castelo se abrem para mim.

Outra memória vem até a mim quando cruzo a porta e vejo a floresta branca e gelada a minha frente. Elsa e Anna sempre brincavam de aventura na neve – Elsa construía arbustos e árvores de neve e gelo e ela e Anna passavam por eles e encontravam, eventualmente, um animal de gelo.

Ou eu.

Sorrio com a lembrança e a com a perspectiva de enfrentar uma aventura em uma floresta de verdade.

Então, me aventuro na neve em busca de Anna.

POV ELSA

Acordo me sentindo pesada, como se uma parte de mim tivesse me deixado. Atribuo esse sentimento ao turbilhão de emoções de ontem – só de me lembrar, meu estômago se contorce, com medo de que algo como aquilo possa acontecer novamente.

Espreguiço-me, e me dirijo em direção à penteadeira para ajeitar meu cabelo. Olho-me na parede feita de um gelo límpido e liso – meu espelho – e ajeito magicamente minha roupa, onde está sujo ou furado.

Então, viro para dar bom-dia a Olaf, meu companheiro neste lugar e...

E Olaf não está ali.

Olaf não está ali.

Me aproximo e me certifico de que não há nenhuma poça d’água no chão e suspiro, tranquila ao ver que não. Claro que eu poderia fazer outro Olaf, mas é que, inexplicavelmente, sinto uma grande conexão com aquele.

Marshmellow ainda está lá, imóvel. Com raiva, faço um gesto com minha mão direita que o faz sumir.

Procuro Olaf pelo castelo e não encontro.

Volto para meu quarto e sento na minha cama, frustrada. Por que tudo relacionado à Anna dá errado? Será que é o universo me dizendo para me afastar de Anna de todas as maneiras possíveis?

Coloco a cabeça entre as mãos. Ah, como eu queria que isso fosse possível...! Como queria esquecer essa parte que tanto ama a Anna. Como queria conseguir me desapegar dela, esquecer desse amor que tanto me machuca e me faz sofrer. Claro que já pensei em como seria se Anna não existisse. E uma parte de mim responde que seria mais fácil. Seria mais fácil lidar com tudo isso.

Eu não me desesperaria para protegê-la, nem teria que lutar contra a vontade de tê-la ao meu lado para me ajudar a passar por tudo isso, nem teria que me sentir horrível deixando-a sozinha e sem resposta durante toda sua vida, fingindo que ela não existe. Na verdade, sinto que uma parte de mim faria qualquer coisa para se livrar de tudo isso – desse amor pela minha irmã, de querer se reconciliar com ela... Isso não vai trazer benefícios para ninguém.

As lágrimas voltam com um desejo tão forte de que tudo isso fosse verdade que algo parece se quebrar dentro de mim, como se cordas estivessem sendo arregaçadas até o limite e, subitamente, estourassem.

E, de maneira estranha, a mesma coisa que senti ontem à noite parece se quebrar – uma conexão entre uma parte minha e alguma coisa.

Olho para a frente, de repente confusa. Tento me lembrar do que fazia antes de me sentir assim, mas não consigo. Estava procurando alguma coisa? Passo a mão pelo rosto, tentando entender, e percebo que estava chorando. Por quê?

Franzo o cenho e balanço a cabeça. O que aconteceu? Por que sinto um terrível vazio, como se uma parte boa de mim tivesse ido embora, se... Se desconectado? E o que foi embora? Parece um sentimento, um sentimento forte. Seria... amor?

Ah, Elsa, que ridículo. Você nunca teve amor. Nem por você e nem por ninguém, senão não faria tudo o que fez...

Balanço a cabeça, me repreendendo, e decido ir treinar meus poderes na fonte da sala principal, tentando conter aquele vazio que parece se alastrar dentro de mim.

POV OLAF

Oi, meu nome é Olaf, e gosto de abraços quentinhos!

Essa é a primeira frase que me vem à cabeça. Pisco e olho ao redor. Estou no meio de uma floresta cheia de neve – brrr, não gosto muito de neve, prefiro o calor –, parece que andando sem rumo.

Como vim parar aqui? Não sei.

Qual era meu objetivo? Não sei.

Tento me lembrar de alguma coisa, mas não consigo. É como se minha memória tivesse sido bloqueada, estivesse com alguém que não quer me devolver. Só sei que meu nome é Olaf e gosto de abraços quentinhos, e é como se eu tivesse um propósito que, de repente, foi retirado de mim. Como se eu fizesse parte de alguma coisa que se desconectou de mim.

É estranho, muito estranho.

E muito ruim também. Mas, ao mesmo tempo, me sinto mais independente para me aventurar por aí.

Uhuul!

Observo ao meu redor, tentando descobrir algum caminho para ir, e sinto como se uma corda me puxasse para a direita, em direção a alguma coisa importante.

Decido seguir nessa direção e, quase que instantaneamente, ouço barulho de passos e ando mais rápido, ansioso pelo que posso encontrar.

O lugar em que chego é tão lindo que choraria se tivesse lágrimas. As árvores e seus galhos estão congelados e o sol bate neles, de forma que brilham como diamantes; existe uma cachoeira congelada que parece uma cortina de brilhantes. O cenário é lindo. Só tem um problema.

É muito branco.

De branco, já basta eu. Eu queria ter uma corzinha, um laranja que me deixasse mais bonito, sei lá.

Fecho os olhos e me imagino em um lugar cheio de cores vivas, com areia quentinha para me receber, o calor derretendo o gelo em meus ossos (eu tenho ossos?) e aquecendo minha alma. Famílias reunidas, mais diversão, mais amor! Ahhh... O verão.

Então, ouço uma voz. Uma voz melodiosa e simpática, que chega até a mim na forma de um abraço, e me faz sorrir. Quero encontrá-la o mais rápido possível.

— Eu não sabia que o inverno podia ser tão... bonito assim. – diz a voz.

— É... É muito bonito mesmo. – decido conversar com aquela voz, porque gostei muito dela. — Não é? Tudo tá tão branco... Ah, sei lá, não podia ter uma corzinha? – minha voz tá muito engraçadinha e fofa, então decido continuar a falar para treinar minhas cordas vocais. Se é que eu tenho cordas vocais. – Eu tava pensando em carmim, ou azul. – não, essas cores me lembram inverno. Uma cor que me lembra o sol, talvez. Uh, já sei! – Ah!, que tal o amarelo...! Ah, não, amarelo não, amarelo em neve? Pfff. Não rola.

Rio do meu próprio erro – melhor rir que chorar, né? — e, quando olho para frente, há 2 pessoas – a dona daquela voz doce e um cara todo de cinza escuro — e uma rena me encarando como se eu viesse de outro mundo. Será que minha opinião foi tão louca a ponto de me olharem assim?

— Tô errado? – pergunto, confuso, e eles continuam me encarando, as bocas abertas e as sobrancelhas arqueadas, como se estivessem assustados.

Pelo amor de Deus, eles nunca viram um boneco de neve fal...

E, então, sinto como se minha cabeça tivesse sido chutada como uma bola de neve – sendo que é uma bola de neve, na verdade – e a sinto voando e se separando do corpo.

QUERO MINHA CABECINHA DE VOLTA!

— Ei! – grito, acompanhado por um grito agudo que vem da garota, e minha cabeça acaba nas mãos do grandalhão loiro. – Ooi! – respondo, sendo agradável.

— Que bizarro. – ele responde, e me sinto um pouco ofendido, principalmente quando ele me joga brutalmente para as mãos da garota.

E mais ainda quando ela joga de volta.

— Eu não quero!

Fecho os olhos para não aumentar a tontura que estou sentindo enquanto sou jogado de mãos em mãos, e consigo dizer quando é a mão da garota e quando é a do cara, porque as dela têm um toque familiar que me esforço para tentar lembrar de onde reconheço.

— Ow!

Além disso, as dele é de um brutamonte.

Hehehe.

— Joga no chão! – grito, cansado daquele jogo de bobinho com a minha cabeça, sendo que meu corpo é o bobinho e fica pulando para tentar alcançá-la.

Eu gosto de brincar, mas não quando tanto minha cabeça quanto meu corpo estão ficando exaustos com o exercício físico exagerado. Quer dizer, eu não faço muito exercício mesmo, mas...

— Tá tudo bem, é só uma cabeça! – o cara interrompe meus pensamentos.

Começo a me sentir enjoado e meu corpo para um pouco de se mexer, segurando a barriga para tentar não vomitar.

Eu vomito?

— Não! – a garota grita, parecendo me responder, mas acho que é só medo da minha cabeça.

— A gente não começou muito bem. – digo, repensando em como conquistar aquela moça que é, de alguma forma, tão importante pra mim.

— E aquilo é o corpo! – grita ela, e joga minha cabeça contra meu corpo.

Sinto o impacto como se tivesse caído do céu, e fico feliz por não ter um pescoço para quebrar enquanto meu corpo é jogado para trás.

Até gostaria de brincar de novo, mas estou tão tonto que não sei se conseguiria.

Pensando nisso, suspiro de alívio por, finalmente, estar no chão e abro os olhos. Sinto desespero quando vejo que tá todo mundo de cabeça pra baixo.

POR QUE EU TÔ VENDO TODO MUNDO DE CABEÇA PRA BAIXO SE NÃO SOU MORCEGO?

Será que, durante toda minha vida (que, na verdade, não sei quanto tempo é), vi o mundo com o olhar errado?

Isso seria divertido se fosse para imitar um morcego, mas não é o caso.

Oh, talvez eles estejam imitando morcegos.

Hehehe.

— Peraí, que que eu tô olhando agora? Por que vocês tão de cabeça pra baixo que nem morcegos?

Como eu sei disso sobre os morcegos? Não sei.

Só sei que passei toda minha vida enganado pelos meus olhos. Então, o chão era no céu? E o céu era no chão? O que será que...

Meus pensamentos são interrompidos pela garota, que se aproxima de mim. Antes, seus olhos traziam medo e, agora, fico mais tranquilo ao vê-los demonstrando curiosidade, inteligência e bondade para mim. A partir daquele momento, decido confiar nela.

— Tá bom, espera um pouco. – ela se aproxima ainda mais, pega minha cabeça, a gira e encaixa novamente no corpo.

Então, espera minha reação enquanto vejo tudo normalmente de novo.

— Uh, obrigado! – agradeço, sinceramente.

— De nada! – e sorri para mim.

Seu sorriso é sincero, bonito, e seus olhos brilham ao ver que estou bem. Sua preocupação e seu cuidado me fazem me sentir quentinho, como se tivesse sido abraçado por ela. Fico emocionado e tenho vontade de abraçá-la de verdade, e até de brincar de guerra de neve com ela. Tenho a impressão de que seria muito divertido.

Essa garota pode até não saber, mas é muito especial, e sinto uma espécie de dever para com ela. Não conheço muitos humanos, mas tenho certeza que poucos fazem você se sentir tão bem em tão pouco tempo. Faço a mim mesmo a promessa de ajudá-la e cuidar dela onde quer que seja e como for. Ela merece.

Sorrio, feliz por tê-la conhecido.

A roupa dela é até que simples, com uma capa rosa e seu cabelo ruivo caindo em duas longas tranças pelos ombros. Os olhos turquesa me encaram com satisfação por ter conseguido me ajudar.

— Agora eu tô perfeito! – digo, com vontade de sair me aventurando por aí com meu corpinho inteiro.

A garota me encara, pensativa.

— Achei que tivesse passado a vida toda de cabeça pra baixo. – desabafo para o brutamonte. Ele tem um jeito engraçado com suas roupas cinzentas, tão grossas quanto de um esquimó, e olhar perdido, como se não soubesse muito bem o que estava fazendo. Os sapatos são engraçados, com os bicos voltados pra cima, e a touca cinza esconde sua cabeça. Ele está tão cinza que parece um... burrinho.

Hehehe.

Quando olho para a garota, ela enfia algo com força em meu rosto e fecho os olhos por instinto (nem sabia que bonecos de neve tinham instinto, mas enfim), sentindo-me tonto com o impacto.

— Wow! – exclamo, ainda me acostumando a ter um objeto atravessando meu rosto.

É uma sensação esquisita, no mínimo, mas aposto que poucos bonecos de neve têm alguma coisa atravessando a cabeça deles.

Isso é muito legal.

Apesar de ter me deixado meio tonto.

— Oh! Te machuquei?! – ela pergunta, a voz mostrando o quanto se assustou com minha reação. – Desculpa! Eu, eu...

— Fiquei tonto. – digo, torcendo para aquela tontura passar logo.

— Você tá bem?! – pergunta de novo, ansiosa. Gosto daquela preocupação, acho muito fofinho.

— Tá brincando comigo? Eu... – pergunto, sério, só pra causar. — Eu tô ótimo! Sempre quis ter um narizinho! – e toco no toquinho laranja abaixo de meus olhos, orgulhoso. — Uh, fofo, tô parecendo até um bebezinho unicórnio.

Então, sinto um empurrão dentro da minha cabeça e, diante dos meus olhos, aquele toquinho laranja vira um tocão e fico com uma narigão alaranjado.

— Oh. Oww. – adorei. – Assim ficou ainda melhor! – gostei muito disso. E gostei ainda mais porque a garota fez isso por mim. Decido recomeçar nosso encontro para ser o melhor possível, um encontro lendário. – Ah, tá bom. Vamos começar do começo. Oi, pessoal, eu sou o Olaf e gosto de abraços quentinhos! – viro-me de braços abertos na direção da garota para ver se ela entende a indireta.

Eu queria tanto abraçá-la!

Mas o que ela faz é tirar o sorriso do rosto, o que deixa meu coração de neve um pouco triste, e me olha séria e pensativa.

— Olaf...? – fala meu nome como se fosse uma pergunta, como se fosse importante para ela. Sinto um borbulhar de uma boa expectativa, e espero ansioso enquanto ela pensa. – Isso mesmo, Olaf!

(Como sinto essas coisas? Não sei.)

Ela me reconhece! Ela me reconhece de algum lugar!

E por qual motivo ela me reconhece, me parece tão familiar e não me lembro dela? As engrenagens em meu cérebro tentam funcionar, mas parece que falta alguma ligação para que elas funcionem de vez.

Espero ela falar o nome dela, ainda na expectativa, mas ela não fala nada. Decido ajudar.

— E você é...? – pergunto.

— Ah! – exclama ela, me entendendo. – Sou a Anna.

Anna. Anna. Anna. Anna. Repito o nome e ele me é tremendamente familiar, e a expectativa aumenta. Sim, é familiar, assim como os cabelos ruivos dela e o jeito de me olhar.

Sinto as engrenagens voltando a funcionar. Olho sério para ela, assim como me olhara alguns segundos antes, tentando me lembrar.

“Psst! Elsa...!

Você quer brincar na neve?”

A voz melodiosa e simpática em minha mente parece abrir uma porta e, de repente, algumas imagens vagas passam por minha mente –a moça chamada Elsa me criando e sorrindo em minha direção, e o castelo de gelo que ela fez, não muito longe daqui.

Algo dentro de mim se retorce, como se eu fosse uma isca e um fio estivesse me puxando na direção desse castelo.

Sorrio, sentindo-me feliz com todas essas descobertas.

Sinto alívio por lembrar de onde vim. E o mais legal é que, quando olho para essa garota a minha frente, sinto alívio por saber para onde vou: em qualquer direção que ela seguir.

Tudo isso passa pela minha cabeça em questão de segundos – às vezes, me surpreendo com minha mente sagaz -, e raciocino que, se irei seguir a garota, também devo conhecer o burrinho e a rena que estão com ela.

— E quem é aquele burrinho estranho ali? – pergunto para ela, sussurrando.

— É o Sven. – respondo, feliz por nos introduzir, e penso que ele combina com o nome Sven.

— Ahã. – aceno, confirmando que entendi. – E a rena, quem é?

—... Sven.

Ué.

— Os dois? – pergunto, confuso, pois é muita coincidência. Bem, melhor pra mim! – Ah, ok! Facilita as coisas pra mim. – meus sentimentos ninjas preveem um movimento e pulo para trás no exato momento em que a rena se inclina para mim. Oownt, que fofa, querendo brincar! – Ah, olha só, ele tentou beijar meu nariz. Gostei de você!

— Olaf – Anna pergunta, e imediatamente me viro na direção dela. -, foi Elsa quem fez você?

Ué, ela conhece Elsa? Se ela conhece e eu conheço, talvez possa ajudá-la de alguma forma! Mas por qual motivo será que ela quer conhecer Elsa? Respondo rapidamente.

— Ahã, por quê?

Os olhos dela brilham e sinto o burrinho pegar um dos meus braços-galho e o analisar.

Ai, ai.

— Sabe onde ela está? – ela pergunta, ansiosa.

— Ahã, por quê? – talvez possa ajudá-la!

— Interessante. – ouço Sven falar atrás de mim.

— Acha que pode nos mostrar o caminho? – sim, posso ajudá-la!

— Ahã, por quê? – mas ainda gostaria de saber o motivo disso.

— Como isso funciona? – Sven continua, e decido dar um semancol em Sven, que está atrapalhando minha concentração com toda essa falação, e dou um tapinha nele com meu braço-galho.

— Para com isso, Sven! – reclamo, olhando feio para ele (apesar de não saber o quanto minha cara fofa pode assustar) e pegando e encaixando meu braço-galho de volta. – Tô concentrado aqui. Ahã, por quê? – continuo, voltado para Anna.

— Eu te digo o porquê. – responde Sven (esse cara tá causando muito, mas o respeito por ser amigo de Anna). – A Elsa tem que nos devolver o verão.

Continua ecoando na minha cabeça: o verão, o verão, o verão...

A Elsa, minha criadora, pode trazer o verão? Eu sempre soube que ela era uma pessoa excepcional, mas isso é incrível!

— O verão? – pergunto, e com certeza meus olhos brilham. Sinto meu estômago de neve fervilhar de alegria.

— Uhum. – Anna concorda.

— Ah, eu não sei o porquê, mas eu sempre gostei tanto da ideia do verão! Com o sol e coisas quentinhas!

Não sei mesmo o porquê, mas a ideia de coisas quentinhas lembra-me ser aquecido, e ser aquecido lembra-me abraços, alegria, o colorido da vida! O inverno é tão monótono, solitário. É bonito mas, para mim, é vazio. Já a praia tem o sol, e o mar, e gramados lindos e verdejantes e...

— Sério? – pergunta Sven, um pouco surpreso. – Suponho que não tenha muita experiência com o calor.

— Nenhuma. – respondo, e tento não deixar transparecer que toda minha alegria, de repente, despenca, e penso, dolorosamente, que é verdade. Nunca tive nenhuma experiência com o sol, o verão, ou com coisas quentinhas. Mas já imaginei. Já imaginei e fui muito feliz em minhas imaginações. E, não sabia o porquê, Anna me lembrava muito da felicidade que sentia quando imaginava o verão. Seria pelos seus cabelos ruivos? Decido continuar. – Mas, às vezes, eu gosto de fechar meus olhos e imaginar como vai ser quando o verão chegar. Ah...

Como mostrar para eles toda a alegria que o verão me traz?

Bem, uma das minhas poucas lembranças é de Elsa cantando e se sentindo cada vez mais poderosa, assim como eu me imaginando no calor.

Então, começo.

Abelhas zumbindo, crianças brincando e se divertindo, e eu fazendo o que a neve faz no verão...”

De repente, me vejo em um campo verdejante, cheio de flores amarelas e um sol tão brilhante quanto os cabelos de Anna. Depois, na praia, vendo a infinidade do mar e suas possibilidades. Tão diferente do frio, que nos faz ter vontade de ficar encolhidos debaixo da coberta dentro de casa, que me faz lembrar solidão e reclusão. Tão... monótono.

“Vou ver a brisa do verão afastar o mau humor!”

Sim, afastar o mau humor! Porque o calor aquece a alma, e nos faz sorrir. Me esqueço do mundo quando penso no verão. Penso apenas em coisas boas, e toda a tristeza que eu já senti – acho que nunca senti, aliás, mas tudo bem – desaparece, deixando lugar apenas para o conforto e a alegria.

“O inverno é uma época meio insossa eu quero o verão pra virar...” Uh. Não gostei muito dessa rima. “... um boneco de neve feliz!”

Enquanto canto, meus novos amigos me encaram. Anna parece gostar da minha música e me olha, sorridente; os Sven me encaram como se eu estivesse falando algo terrivelmente errado. O homem Sven sussurra algo coisa para Anna, que parece um pouco surpresa com seu comentário.

Provavelmente, só estão desanimados com esse inverno.

Só quero ver o que sentirão quando chegarmos no verão.

“No verãããããããããããããããããããããão!”

Minha grande nota de ópera deixa em mim uma sensação de triunfo, de esperança. Só de pensar que Elsa pode trazer o verão de volta, pareço flutuar de tanta emoção.

Vai ser tão legal!

— Vamos embora! – chamo-os, impaciente. – A Elsa tá pra lá. Vamos trazer o verão de volta!

— Vamos lá! – Anna emenda meu coro.

A corda que me liga ao castelo parece fortificar, e a sigo com fervor, levando Anna e os Sven comigo em uma aventura para trazer o verão de volta.

Algo me diz que Elsa ficará muito feliz e, além de tudo, conseguirei ajudar Anna.

Imagino nós 5 – Anna, Elsa, os Sven e eu – de óculos escuros no castelo tomando sol e conversando, felizes.

Sim! É isso que vai acontecer no verão.

NO VERÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃO!

Notas finais
POV Olaf! E aí, o que acharam? Gostaram? Foi tão complicado! Além de ser difícil explorar o Olaf, também tinha que explicar o motivo de, apesar de Elsa ter criado o Olaf, ela não se lembrar de o ter criado e nem ele se lembrar de Anna. Então criei essa "desconexão" entre os dois, devido à vontade de Elsa de se livrar da parte que ama e quer cuidar da Anna. Ficou legal? :D Até o próximo capítulo, arendellianos! *-*