Por trás das câmeras
28 O segundo primeiro dia
Notas iniciais
Tive apenas uma semana para superar um ego ferido e a humilhação de ter deixado Changkyun me ver chorar (embora tenha que admitir que foi bom ser consolada por ele). Não é muito, mas teve que ser o suficiente, pois mais uma vez fui contratada pela Starship, agora para fazer um mini documentário do Monsta X, e hoje é o meu segundo primeiro dia.
Estou nervosa como se fosse uma iniciante, o que está longe de ser verdade, pois já tenho dois clipes de sucesso (sim, pasmem, o comeback dos meninos estourou ainda mais que o meu primeiro trabalho) lançados na Coréia do Sul e agora sou reconhecida dentro da empresa, mas não é o trabalho em si que atiça meus nervos.
Só de pensar em rever o Jooheon, principalmente depois das palavras duras que trocamos, sinto vontade de vomitar. No caminho a casa onde gravaremos por cinco dias seguidos, respiro fundo e repito que sou uma profissional e vou conseguir ignorar o que ocorreu. Sentimentos e trabalho não andam juntos, só preciso me lembrar disso. Quase consigo me convencer, mas, no meio do processo, chegamos ao nosso destino.
Não demoro a encontrar o culpado pela minha angústia. No segundo em que viro o primeiro corredor, quase dou um encontrão nele, mas, por milagre, consigo evitar (para tudo tem uma primeira vez, né). Nos encaramos e meu ar vai embora. Ele pode ser babaca e me afastar de si, mas não consigo evitar meus sentimentos quando o vejo assim, tão próximo (trouxa). Esqueço como falar por alguns segundos, mas então o silêncio começa a pesar, e eu me obrigo a soltar algum som, nem que seja uma frase estúpida.
“Oi...” Eu abro a boca, mas é ele quem fala primeiro. Sinto um calafrio me percorrer por inteira quando escuto a sua voz e tenho que me esforço para lembrar que eu não o amo mais.
“Oi, Jooheon.” Respondo em um tom profissional e sem grande emoção. Não somos namorados, amigos, nada além de colegas de trabalho. Repito isso para que eu não esqueça.
No mesmo segundo, sua expressão se torna mais pesada e seus olhos, tristes. Meu coração pára por um segundo. Lembro o quanto desacreditei de suas palavras, o quanto tive que me esforçar para encontrar sentido para elas, e percebo agora o quanto ele parece arrependido. Mas claro, tudo pode ser coisa da minha cabeça. Talvez só esteja triste por me ver aqui.
Apesar de magoada, humilhada e levemente com raiva (e também com sentimentos confusos difíceis de reprimir), decido que o profissionalismo é o mais importante. Também sei pelo nosso silêncio que vai ser difícil convivermos como colegas e isso faz com que eu tome uma decisão. Preciso fingir que nada aconteceu.
“Então, o que achou da festa da empresa? Se divertiu? Você vai ter que me desculpar se nós nos divertimos juntos, mas eu não consigo lembrar de metade da noite...” Forço meus lábios a se abrirem no meu melhor sorriso falso e rezo para que seja convincente o suficiente. Parece ser, pois Jooheon se alegra minimamente.
“Ah, não foi muito divertido. E você tem sorte, tem coisas que eu também gostaria de ter esquecido.” Isso pode ter tantos significados que só me deixa mais confusa (ele está realmente arrependido? Realmente não passava de uma mentira? Ele quer esquecer que eu ao menos estive lá? Ou que falei com ele, independente do assunto? Quer me esquecer?).
“Tenho certeza que deve ter tido alguma parte divertida! Você não dançou loucamente? Não curtiu com os meninos? Não conversou com nenhuma menina bonita?” Esforço-me para usar minha voz brincalhona e, apesar de estar curiosa, claramente sondando o terreno, consigo.
“Não, mais ou menos e sim, mas não com uma garota. Eu conversei com a mulher mais maravilhosa de todas, mas só consegui fazer papel de idiota.”
Não consigo responder. Não sei se ele está falando de mim. Prefiro, para o meu próprio bem, acreditar que não, mas meus desejos toscamente reprimidos gritam e meu coração esquenta com a esperança de que essa mulher pode sim ser eu. Só depois que o silêncio volta a pesar é que ele parece ter percebido o que falou. Vejo seu rosto ficar vermelho e isso quase faz com que uma risada escape dos meus lábios.
“Eu tenho... Er... Eu tenho que ir ali.” Jooheon sai sem me dar chance de resposta.
O dia mal começou, e eu não tenho certeza de nada (para falar a verdade, estou mais confusa do que antes), mas, mesmo assim, um sorriso alegre e bobo toma conta dos meus lábios.
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