Por trás das câmeras
20 Culpa, desejo, ciúmes: sentimentos que consomem
JOOHEON
Jooheon passa a ter plena consciência do que procura quando olha em volta. Não consegue tirar Lisa de seus pensamentos, e nem está se esforçando de verdade, porque não o deseja. Lembrar do sorriso dela é o suficiente para ter uma melhora considerável no humor, e recordar o sabor dos lábios que mantêm tal riso o leva até as nuvens. Mas o diálogo que ouviu entre ela e Changkyun logo trata de puxá-lo de volta. Ficou repetindo-o na sua cabeça, tentando entender o que aconteceu, mas sem ter a certeza se queria de fato fazê-lo. Por que diabos Chang se preocuparia em ir cuidar dela? E aquele maldito elogio. Sabia que I.M era atencioso, mas ele não tinha que ser tanto assim com Lisa. Queria estar no lugar do mais novo naquele corredor, mesmo que fosse para ouvir a mesma rejeição.
Ao chegar para se maquiar, encontrou a sala vazia, e só então lembrou que Caroline foi demitida. Isso o entristeceu bastante, pois gostava da menina, e também o desesperou. Quando ouviu o pessoal comentar sobre funcionária com comportamento indevido, a primeira imagem que veio na sua cabeça foi Lisa com malas prontas, indo embora porque alguém descobriu sobre o beijo, e a culpa o consumiu. Mas não o arrependimento. Por mais egoísta que isso soe, ele jamais poderia se arrepender por um ato tão magnífico, o qual só queria repetir. Mesmo se a garota perdesse sua carreira, ele ficaria arrasado, mas não desejaria voltar no tempo e escolher não tê-la em seus braços.
Percebe que está sorrindo que nem um bobo para o espelho e se envergonha, mesmo que não tenha ninguém para ver. Vira para sair, se informar se vai ter mesmo gravação, apesar dos inconvenientes, e dá de cara com Lisa, que mais uma vez quase esbarra nele. Eles se encaram. Perdido no mar castanho, Jooheon pensa o quanto essa cor parece ser normal, mas até isso tem o seu diferencial, pois fica meio avermelhada ao sol. Ela não consegue ser convencional em nada, o que ele sinceramente adora. Depois de um tempo de silêncio que o garoto não percebeu passar, ela pigarreia e o acorda de seus devaneios.
“Você veio fazer a maquiagem? Pode sentar. Eu vou substituir a SeulBi hoje.” Ela parece profissional demais, força não só uma distância, mas um abismo entre ambos. Jooheon sente seu coração apertar e pensa em mil e uma palavras que gostaria de dizer, mas se mantém calado e obedece.
Lisa começa o seu mais novo trabalho e, no segundo em que os dedos delicados tocam a pele branca e macia de Jooheon, ele sente uma corrente elétrica se espalhar por seu corpo. Conforme ela avança, a corrente o domina e o faz vibrar, a respiração falhar e o desejo consumir sua sanidade. Toda vez que a garota vira para pegar algum material diferente, ele observa como o jeans se adapta às curvas das nádegas e cintura, e como estas são voluptuosas, no ponto certo para deteriorar sua capacidade racional. E é o que está acontecendo. Percebe que, mais um segundo disso, e vai perder o controle sobre suas ações. Precisa tocá-la, descobrir a pele que se esconde por baixo do tecido, e prová-la. Deus, essa mulher vai me levar à loucura.
Quando Lisa termina, se aproxima para observar os detalhes, e Jooheon abre os olhos mesmo que ela tenha dito para mantê-los fechados. Ele constata que ela está perto, perto demais, e que os lábios estão tão acessíveis. Quer beijá-la. Aqui, agora, e que o resto do mundo que se exploda. Nunca quis tanto algo.
Sabe que deixa seu desejo transparecer no momento em que escuta o barulho de pincéis se chocando com o chão, e a mão delicada dela sobe ao seu rosto. É agora. No momento em que formula tal pensamento, Lisa também deve tê-lo feito, mas, em vez de continuar e o livrar da angústia que está sufocando-o, prova que tem mais autocontrole do que imaginou. Se afasta e, antes que Jooheon possa protestar e puxá-la para si, sai correndo.
O moreno precisa de um tempo para digerir o que aconteceu. Lembra a si mesmo que esse tipo de coisa não pode acontecer, pois alguém poderia ver e então seria o fim para a sua menina. Repete que não precisa do peso dessa culpa. Respira fundo e dá um tempo para seus nervos e coração se acalmarem. Por fim, decide ir atrás dela e se desculpar. Eles precisam conversar e decidir algo, colocar limites, talvez até falar sobre uma possibilidade futura.
A encontra mais rápido do que imaginava, mas ela não está sozinha. Tem como companhia o manager, que parece triunfante, enquanto Lisa aparenta ter visto um fantasma, e um dos bem assustadores, capazes de fazer o moreno deixar toda a sua masculinidade de lado. Mesmo sabendo que ela sabe se cuidar muito bem sozinha, seu instinto protetor grita, e, antes que perceba, está entre ambos. Só então nota o celular na mão do manager e a foto que ele estava mostrando. É Lisa e Changkyun no corredor, a mão do mais novo está no rosto dela e ambos parecem prontos para se beijar. Então sente o mundo virar de cabeça para baixo, o café da manhã subir e uma vontade louca de socar um certo membro do Monsta X. É um sentimento estranho, que não gosta de ter, mas inevitável. O ciúme o consome.
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