Por trás das câmeras

14 Colocando ao menos um pingo em um i


JOOHEON

Jooheon caminha sozinho pelo corredor do hotel, sem destino ou consciência. Mais uma vez, seu subconsciente tem um desejo oculto, e procura pela dona do sorriso que tanto ama, mas seu dono ainda não reconhece tal sentimento.

Durante o dia de folga, se pegou pensando no momento que tiveram na ilha de edição, e tentou resgatar o que se passava pela sua cabeça, mas era tanta coisa, lapsos de consciência confusos, que se tornavam difíceis de compreender. Sabia que não conseguia olhar Lisa da mesma forma, que algo dentro de si vibrava e se expandia quando ela sorria, mas não sabia dar nome a isso. Paixão? Desejo sexual? Amor? Ou só a achava bonita? Bem, disso ele tinha certeza: ela é linda.

Quando deu por si, estava no lobby do hotel, que se encontrava cheio porque a equipe tinha acabado de chegar. Apesar disso, a primeira pessoa que viu foi ela. Seus olhos eram automaticamente atraídos por aquele sorriso, por aquela pequena falha nos dentes dianteiros, um pouco mais separados que o normal; quase imperceptível, mas ele notou, e achou fofo. Lisa conversava com Line, como ele gostava de chamar a menina da maquiagem, de quem ele era relativamente próximo. Caroline o viu e foi correndo encontrá-lo.

“Oi, Honey!” Ela fala, animada como sempre, e Jooheon sorri. Lisa vem atrás, olhando de um para o outro, e há algo um pouco sombrio nesse ato. Ela parece levemente incomodada.

“Oi, Line.” Ele vira para Lisa. “Oi, Lisa.” Jooheon não percebe, mas o seu subconsciente, ao constatar que seu objeto de desejo está perto, fez uma felicidade invadir seu consciente, e isso se demonstra pelo tamanho do seu sorriso, em como seus olhos se tornaram linhas curvas e pelo seu tom de voz.

“Oi, Honey.” Lisa repete o apelido, com uma pitada de sarcasmo, e o mundo do garoto vira de cabeça para baixo. Não parece ser grande coisa, é só uma forma diferente de chamá-lo, mas ele não consegue disfarçar o quanto adorou essa intimidade nova e, esperava que fosse, crescente. Pensou novamente em como a pele dela era macia, em como ele queria nivelar os rostos de ambos, como ele queria se aproximar... Oh, Deus, eu realmente quero beijá-la. Essa afirmação o atinge com tanta força que ele se sente preste a cair ao chão.

“Honey, cadê o resto dos meninos?” A voz de Caroline o faz acordar de seus devaneios e ele sente suas orelhas esquentarem. O medo tolo de que alguém estivesse ouvindo seus pensamentos o invadiu. “Ah, ali!” Ela responde a si mesma e sai correndo. Quando ele vira, vê Hyungwon, Wonho e Changkyun vindo.

SeulBi começa a conversar com Wonho e Hyungwon, que param, mas I.M continua seu caminho até vir ao encontro de Lisa, e Jooheon sente um incômodo crescer dentro de si. Tenta afastá-lo, mas não consegue.

“Oi, Lisa! Quer ajuda para levar essa mala até o quarto?” O moreno fica sem ar ao ouvir isso. Quer falar algo, impedir o que está prestes a acontecer, mas não entende por que deveria fazê-lo. O que ele tem a ver se Changkyun leva uma mala ou não? Não deveria interessá-lo.

“Não, não. Tenho braços e pernas, consigo carregar sozinha. Mas obrigada pela intenção, Changkyun.” O alívio do mais velho é palpável e seu triunfo, perceptível. Ela o chamou pelo nome, enquanto me chamou de Honey! Um pensamento bobo, mas incontrolável.

“Aish, como é difícil ser gentil com você! Já que você é tão forte assim, bem que pode levar minha mala, hein? Ainda ta ali, do lado da recepção.” Jooheon fala, em tom divertido. Lisa ri e seu triunfo é alimentado. Ela dá um tapinha de leve no braço dele e ele se sente capaz de tocar nas nuvens.

“Eu não sou sua empregada para você falar desse jeito comigo! Vá você pegar sua mala, Honey.” O apelido sai transbordando sarcasmo, mas ele adora ouvi-lo mesmo assim.

Lisa sai andando, fingindo estar com raiva, o que ele acha fofo. A acompanha com o olhar e um sorriso nos lábios, e só desvia sua atenção quando a porta do elevador se fecha. Encontra o mais novo encarando-o, mais sério que o comum, e ele retribui com a mesma intensidade. Pensa na gentileza exagerada dele com Lisa, as conversas e os risos trocados, e não consegue ver Changkyun da mesma forma. Tem algo ruim junto, o que é triste, mas inevitável. Ele se recusa, mas aos poucos vai conseguindo dar um nome a esse sentimento: ciúmes.