Por trás daquela farsa
23 E quem saiu ganhando?
— Ele tem uma conta para depositar todo o dinheiro de volta, depois, distribuirão para os devidos donos – Cynthia repassou para Mark, o que Edward havia lhe dito.
— Isso é muito estranho – o jovem homem também fica um tanto ressabiado a respeito daquela história. – Ramon sabe disso?
— Não, eu não consegui falar com ele ainda, mas não temos saída – ela disse, antes de repassar o número para ele.
Mark digitou freneticamente no seu computador, transferindo todo o dinheiro, até só sobrar apenas quinhentos mil. Ele encarou a cifra desalentado, era uma ninharia depois de tudo que tiveram.
— Pronto! Está feito – anunciou.
— Obrigada, Sirius – Cynthia desligou e voltou-se para o homem à sua frente. – Está feito, e agora?
— Só vou confirmar o recebimento do dinheiro e você estará livre, para continuar a sua vida – Pegou seu telefone, falou com alguém por alguns segundos e desligou. – Está tudo certo, poderemos seguir a nossas vidas, como se nada disso houvesse acontecido. Bom dia, Cynthia. – Deu-lhe um sorriso cínico e uma piscada de olho, virou-se e saiu pela porta.
Sozinha, no seu apartamento em ruínas, desconhecendo o paradeiro da sua namorada, apenas com uma pequena parte de todo aquele dinheiro, após tanto trabalho, Cynthia desabou no sofá, escondeu o rosto nas mãos e chorou muito, uma mistura de tristeza e raiva, liberando toda a angústia contida nesses últimos dias.
Após mais uma tentativa inútil de falar com Marcos, Ramon desligou desanimado, imediatamente, o telefone tocou, cheio de esperança, olhou para a tela e se decepcionou ao ver o nome ali.
— Eu já pedi para não ligar para mim – diz, impaciente.
— Eu precisava, depois do que aconteceu – Mark se desculpou, afoito.
— O que aconteceu?
— Pegaram Cynthia, ela estava sendo ameaçada de morte, por isso, eu tive que devolver o dinheiro, só restaram 500 mil.
Ramon não sabia se ficava aliviado ou zangado com aquela notícia, respirou fundo e passou a mão no rosto, estava exausto. Não falou nada, apenas desligou o telefone, levantou e começou a desatar os nós que prendiam o outro homem, que assistia tudo incrédulo.
— Vai embora. Acabou.
— Como assim? E o dinheiro? — Rafael estava incrédulo.
— Seu comparsa já conseguiu o que queriam, todo o dinheiro já voltou para o banco – Ramon comunicou, sem emoção na voz.
— Comparsa?! Que comparsa?! – Rafael parecia não entender o que estava falando.
— O tal de Sam, ou seja, lá qual for o nome dele.
— Espera aí! O que você está dizendo?
— Ele sequestrou e ameaçou de morte um dos meus sócios, por isso, devolvemos o dinheiro para o banco.
— Não é possível! Meu telefone? Onde está meu telefone?! Porra!
— Aqui – Ramon entregou-lhe o aparelho, ele digitou rapidamente e esperou ansioso até alguém atender, então falou alto, brigou, por fim, desligou, derrotado. Encarou Ramon com os olhos frios como aço, que o interrogou com o olhar.
— Você deveria estar contente – Ramon falou, com desdém.
— Você não está entendendo, eu não tenho nenhum comparsa ou sócio ou o que quer que seja, eu trabalho sozinho para o banco, não há mais ninguém.
Minutos mais tarde, ao abrir a porta para Rafael ir embora, Ramon viu Marcos voltando, os dois se olharam nos olhos.
— Eu pensei em ir à polícia – Marcos começou, a expressão do outro foi de surpresa. – Mas, pensei bem e achei que só pioria as coisas, então, fiquei andando por aí por toda noite, até o amanhecer.
— Acabou, Marcos. Não tem mais dinheiro – Ramon revelou de modo triste.
Marcos lhe deu um sorriso melancólico, passou os braços sobre ombros dele e juntos entraram em casa.
Mark olhou mais uma vez para a tela do computador, ainda sem acreditar no sumiço de todos aqueles zeros, suspirou resignado, levantou, abriu a porta e desceu para tomar seu café da manhã, junto com os seus pais.
Loretta levantou cedo, sentindo-se ainda cansada, porém precisava ir trabalhar, para sustentar a família, dar um futuro melhor para o filho, quem sabe, ele se torne um doutor.
O avião sobrevoou baixo o mar que brilhava ao sol, com salpicado de diamantes, preparando-se para aterrissar, um leve baque e estava no solo. Os passageiros se agitaram logo que os motores pararam, loucos para sair do ventre de metal e aproveitar o sol daquele lugar paradisíaco. Edward respirou fundo, sentindo o cheiro da liberdade, nunca mais precisaria pedir nada para o seu pai, ser tratado com um nada por aquele velho arrogante, agora era dono do próprio nariz. Retirou uma mochila do compartimento superior, sua única bagagem, e caminhou para a saída. Os tramites legais foram rápidos, antes de sair na área de desembarque. Uma mulher de cabelos louros cacheados e roupas insinuantes, que remetia à antiga Alicia, aproximou-se e ele a envolveu pela cintura, dando-lhe um longo e ardente beijo na boca, sem se importar com os espectadores a sua volta.
— Finalmente juntos!
— E o dinheiro?
— Bem seguro, agora. Sentiu minha falta, Julie?
— Sim, muita, Edward – respondeu com um sorriso sedutor, mas ele sabia que ela mentia, nunca confiou naquela garota desde que se conheceram no banco, onde trabalhava e ele fazia um serviço para o escritório do pai, quando ela veio com aquela história maluca de roubo das contas, que gerenciava. Edward constatou que era verdade sendo assim, acharam que poderiam reverter as coisas ao seu favor. — Você ainda não confia em mim, não é mesmo, Edward?
— Essa é minha natureza. Você deveria aprender comigo.
— Eu já sei. Vamos para o hotel, tomas uma pina colada na beira da piscina e aproveitar a vida e todo esse dinheiro.
— Sim, vamos aproveitar a vida, enquanto, ela durar.
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