Por trás da vida

5 A inocência de um encanto


Notas iniciais
Eu nunca consegui dar nome á minha imaginação. Talvez ela não precise de um nome. Só precise de incentivos. Durante muito tempo pensei na escrita como um hobby, hoje a vejo como uma saída. Um buraco. Tão fundo, tão compreensível. Letras, palavras, frases... Elas me confortam. Imagino o porquê de eu precisar delas mas, logo, repenso. Afinal, por quê alguém não precisaria delas?

Um toque invisível chega aos olhos úmidos. Imagens inacabáveis brotam em minha mente atordoada. A confiança parece nunca alcançar minhas mãos, um vazio rouba-me a consciência. Palavras, um dia, deram vida á um papel branco. Mas, só consigo ver um borrão. Inúmeras letras se desfizeram, deixando-se na folha apenas uma lembrança de suas fragilidades.

Observo a tinta escorrer pelas bordas do papel e, carregando um grande peso nos ombros, ela leva meus pensamentos sem pestanejar. Uma certeza me corrói por dentro. O encanto das palavras me enganaram, me fizeram pensar que a eternidade as guardava. Inocência tola.

Fecho os olhos na esperança de encontrar uma solução. Ao longe, avisto devaneios que ainda insistem em ficar ao meu lado. Reflete em mim um ser inesistente. Frágil. Alguém que teme a própria existência. Ainda assim, consigo me aquecer com o calor da persistência.

Meus erros trazem consigo um medo. Palavras passageiras percorrem o meu interior. O passado me toma nos braços. Eu cubro meu rosto com as mãos cansadas. Desejo que tudo passe rápido. Um silêncio profundo invade o quarto enquanto me deleito no prazer da liberdade.

Tentarei, mesmo que em vão, juntar os pedaços de minha querida desilusão. Só espero poder reconstruir meu caminho juntamente com as palavras. Aquelas que, durante muitos anos, agradaram meu coração sensibilizado. Não penses que desconheço meu risco. A inocência já foi levada desse corpo.

Agora, só me resta esperar pelo dia em que outras letras se unirão diante á mim. Quando este momento chegar, tenho certeza, eu estarei aqui para me apresentar.

Notas finais
A minha capacidade de escrever coisas sem nexo e depois dar sentido á elas me impressiona. De verdade. Eu escrevi esse texto hoje mesmo, durante um momento melancólico. Não tenho certeza de que ele faz muito sentido pra você mas, pra mim faz. Emfim, quem nunca teve a inocência de acreditar na eternidade? Acho que pararei de escrever aqui por um tempo, não tenho noção do quanto. Entretanto, isso também pode depender de vocês então, se gostarem e quiserem mais textos, venham me pedir. Ficarei grata por continuar. PS: Dedico esse capítulo á Leo Burk que está sempre aqui com um review muito feliz pra mim *-*