Notas iniciais
Desculpem a demora e boa leitura!

Emma anda apressada pelo instituto Mills enquanto arruma a gravata do uniforme e pune a si mesma em pensamento. Estava atrasada mais uma vez. Como poderia perder a hora assim com tanta facilidade? Essa era apenas mais uma pergunta da tantas que rondavam sua cabeça durante toda a noite; questionamentos sobre Regina e sua mensagem vaga e misteriosa: “vamos conversar amanhã”. Conversar sobre o quê? Algo bom ou ruim? Será que Regina finalmente contaria o motivo de tanta distancia? Será que tinha mais alguma coisa acontecendo e ela não sabia? A nova professora, talvez? Não poderia ser. Com certeza devia ser algo com relação à Cora. De uns tempos para cá a prefeita vinha fazendo visitas muito frequentes ao escritório de Regina. Devia ser isso, só poderia ser isso.

A maldita da gravata não ficava certa de jeito nenhum e aquela multidão de alunos obstruindo o corredor a estava irritando. O que tinha de tão interessante? Pergunta-se ao encontrar um espaço entre Ruby e Alan:

—... e essa nova professora é um arraso, né? Cruzes, Emma..., caiu uma bomba na sua cama essa manhã? – O garoto pergunta de forma divertida.

A loira revira os olhos tanto para a pergunta de Alan, quanto para a cena pintada em sua frente: Regina, em seu clássico terninho preto, sorria e mostrava a escola para a nova professora, que também sorria.

— Isso só pode ser brincadeira! – Reclama de forma audível.

—Isso o quê? – Pergunta Alan.

—Essa gravata desarrumada. Me deixa arrumar isso. – Ruby fala cortando o assunto e puxando a garota para fora da multidão.

—O que está acontecendo aqui, Ruby?

—Como assim? É um tour. É normal, não acha?

—Com todos aqueles sorrisos? Não, não acho!

—Deixa isso prá lá, Emma... é normal, sim. Você está imaginando coisas. Essa professora está na minha.

—Está sim... – Fala ironicamente enquanto pega o bilhete no bolso do uniforme e o entrega a amiga.

— O que é isso?

—Bilhete da professora que está “super na sua”. Ela me deu ontem quando tava voltando para a casa com o seguinte recado: “não tenho 17 anos”. Esquece ela. Pelo que vi ali o negocio dela é com a Regina.

—Seu ciúme está atrapalhando seus pensamentos, loirinha. Essa foi só uma batalha..., vou ganhar essa guerra, você vai ver. Ela não se interessa por você, mas por mim será diferente.

—Ok então. – Concorda com sarcasmo.

A multidão é dispersada pela diretora. Emma vai para classe irritadiça com as teorias e técnicas de Ruby para seduzir a senhorita Grimm. A garota não parava de falar. Ela não entendia. Aquilo não era uma disputa para descobrir quem era a mais “queridinha” das professoras. Resolve sentar numa cadeira no fundo da sala assim que Ruby de distrai com outra coisa. Porém, cinco minutos sem tormento, foi apenas o que Emma conseguiu naquela manhã: Alison Grimm entrava pela porta.

—Bom dia, turma. Meu nome é Alisson Grimm, sou a nova professora de literatura de vocês.

—Perfeito! — A garota bufa. Nada poderia ser pior naquele momento.

**

O dia estava sendo cheio de divagações não apenas para Emma. Regina andava com os saltos batendo firmes pelo corredor central da prefeitura imaginando mil coisas que fariam Cora convidá-la para um almoço e uma conversa tão urgente que não poderia esperar. Com certeza a prefeita falaria mais uma vez dentre tantas sobre as eleições do próximo ano e aquela ideia absurda de fazer Regina concorrer ao cargo de prefeita.

Se ela pensa que me trazendo aqui vai fazer alguma diferença, está muito enganada.

Pensa ao entrar no gabinete da prefeita.

Cora recebe a filha com seu típico sorriso de uma simpatia maníaca.

—Regina..., fico feliz que tenha aceitado meu convite. Faz tempo que não temos um momento entre mãe e filha. Venha, sente-se..., nosso almoço chegará em breve.

—Vamos almoçar aqui?

—E porque, não? Discrição é a alma do negócio. Parece que você não aprendeu muito bem isso.

— Do que você está falando?

A conversa é interrompida por batidas na porta.

—Senhora, o almoço está servido. – Notifica a secretária.

—Me acompanhe. – Cora pede educadamente.

Do caminho do escritório até a sala de conferencias a imaginação de Regina corria solta por todas as possibilidades que aquela indireta. Conhecia Cora como poucos naquela cidade. Sabia do que a mãe era capaz para conseguir o que quer e o problema era justamente esse: Regina sabia demais e por isso, temia. Cora era mestre em chantagens de baixo nível.

O almoço seguiu silencioso. Uma ou outra palavra foi trocada: Henry, o instituto, a prefeitura. Tudo muito superficial e sem emoção. Sentia que os olhos de Cora rondavam alguma coisa em sua mente. A mulher procurava algo, isso era obvio, mas o quê?

— O que você realmente quer? Não me fala sobre almoço em família, nunca tivemos isso, não é agora que vamos começar esse relacionamento amoroso de mãe e filha. É impossível, você sabe disso. É a prefeitura? Já disse e vou continuar dizendo: Não quero ser prefeita!

—Regina, criança..., acalme-se. – Cora fala em palavras compassadas.

—Não, não vou ceder a qualquer chantagem que você faça a respeito do Henry.

—Querida, não estamos falando do Henry, muito menos em chantagem.

—O que é então?

—Tenho muitos olhos, Regina..., você continua sendo a mesma garota estúpida de sempre. Parece que não te ensinei nada, que não é uma Mills.

—Acho que não entendi. Por ser uma Mills tenho que abrir mão do que realmente gosto de fazer e do que eu sou para seguir algo que você determinou para mim? Já não foi o suficiente tudo que você fez? Tudo que você destruiu?

—Danielle? Não me assusto nem um pouco em saber que essa historia de criança ainda está em pauta. Porém, me interesso mais por novidades.

—Quais novidades?

Cora mostra um leve sorriso no canto da boca. Senta-se tranquilamente.

O silencio é perturbador.

A prefeita joga sobre a mesa um envelope.

—Abra.

Regina olha para o envelope como se estivesse vendo uma bomba em cima da mesa, um envelope de Anthrax.

Tentando fingir normalidade pega o envelope cuidadosamente. Sua cabeça era um turbilhão. Todo aquele mistério e a expressão tranquila demais de Cora, deixavam Regina com os nervos a mil. Aquilo devia ter algo a ver com Emma? Não era possível. Tinha tomado tanto cuidado com aquele romance.

—Abre.

De dentro do envelope seus dedos retiram ansiosamente a pedra que vai direto para a vidraça.

— Não pode ser!

—Como disse, tenho muitos olhos, em todos os lugares. – Cora diz tranquilamente.

A pedra não passava de uma simples fotografia de uma garota loira saindo de um navio no cais de Storybrooke.

—A propósito, Regina..., para quando posso agendar a festa de candidatura?

Notas finais
Espero que tenham gostado, em breve mais novidades....
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.