Notas iniciais
Olá, pessoas...Nunca escrevi fic, esta é minha primeira. Não sei se alguém vai ler isso se vai gostar ou até mesmo comentar, maaaas tive essa ideia maluca e nunca vi em nenhuma outra fic, era algo que eu gostaria de ler e tals... então resolvi escrever.É isso. Boa leitura!

"Perfeito". – Emma pensa de forma irônica ao terminar de arrumar a última peça de roupa na mala. Seu pai havia conseguido o que tanto desejava. Após anos trabalhando como policial em Boston finalmente foi promovido a xerife e agora comandaria sua própria delegacia. Tudo isso seria ótimo “realmente perfeito, dessa vez sem ironias”, se não fosse por um pequeno "detalhe", um minúsculo grão de areia, um átomo que há dias vinha perseguindo a paciência de Emma Swan: estavam mudando para uma cidadezinha no interior do Meine. “No Meine, não..., no meio do nada, pra ser mais exato”, dizia sempre em suas reclamações diárias. Seu discurso era sempre o mesmo:

– Acho que essa cidade nem existe no mapa. Lá não deve ter nada, nem uma minúscula biblioteca ou cinema, internet, quase uma cidade abandonada dessas do velho oeste em que aparecem aquelas palhas rolando no meio do nada, sabe? – Fala observando a mãe.

– Emma, você tem de parar com essa implicância besta – Diz Mary Margaret enquanto arruma as últimas malas para a viagem. — Storybrooke não deve ser tão ruim quanto você imagina. Veja o lado bom: respirar ar puro, acampar no final de semana, ficar mais perto da natureza..., David me disse que lá tem praia, isso não é ótimo? — Faz uma pausa ao perceber a falta de palavras da filha. Respira fundo como se já estivesse sentindo as boas vibrações daquele “fim de mundo” e conclui:

– Você fará novos amigos, meu bem. – Fita a filha com os olhos confiantes esperando alguma resposta positiva além de seu costumeiro bico de chateação, uma simples palavra ou gesto que corroborasse suas esperanças, mas a garota fica muda. Emma solta o ar pela boca olhando todas aquelas malas no chão. Não conseguia não demonstrar sua chateação, não era o tipo de pessoa que gostava de mudanças radicais. Moravam em Boston desde sempre e tinha tudo que precisava ali. Desvia o olhar das malas para a mãe e alega cansaço. Rapidamente se levanta a caminho do quarto ainda sob as palavras de Mary:

– Durma bem, Emma. Amanhã partiremos cedo. Quando seu pai chegar ele termina de arrumar as malas.

– Boa noite, mãe. – Diz sem olhar pra trás. Um gesto um tanto indiferente de sua parte, confessa a si mesma, mas não conseguia, naquele momento, fingir que estava feliz.

Deita na cama com a roupa que estava. Olha o Ipod ao lado do travesseiro: "que os deuses dos fones de ouvido me acompanhem, amém". Adormece ali mesmo. O que o outro dia lhe traria, o que aquela nova vida de cidade do interior lhe traria, não havia como imaginar naquele momento, mas com certeza, na cabeça de Emma, não seria nada além de tédio.

Engano seu.

***

–Emma, acorda! Está na hora, você não consegue ouvir os ventos da mudança?

–Deus...!!! – Reclama irritada tapando os ouvidos com o travesseiro. Seu pai não parava de cantar aquela mesma música. Levanta-se lenta, bocejando e esfregando os olhos sem parar. Abre a porta do quarto e se depara com ele ali, parado. David Swan, o homem mais responsável, bonito, engraçado e correto que já conhecera; seu pai, cantarolando como uma criança que ganha brinquedo novo. Sorri pra ele. Não queria de forma alguma magoá-lo, principalmente ele que estava tão eufórico com a mudança.

– E o café da manhã? – Pergunta.

–Emma, minha filha, sua mãe é a grávida da casa e é você que só pensa em comida? – O homem olha a filha na espera de uma risada para sua piada; como sua pequena não esboça sorriso cerra os olhos: — Comeremos pelo caminho e antes que você pergunte pelas camas, não se preocupe, o apartamento em que ficaremos já está pronto para nos receber. A prefeita da cidade foi muito legal quanto a isso. Agora vá lavar esse rosto, está horrível. — Diz com uma expressão divertida.

–Pai, que grosseiro! — Sorri tentando parecer descontraída. Vai ao banheiro no mesmo passo lento de antes. Deixa a água quente cair sobre meu corpo e durante alguns minutos se permite não pensar em nada.

***

Dez da manhã entram no carro. David ao volante, Mary ao seu lado e Emma atrás com seus santos fones de ouvido torcendo pra que a bateria do Ipod não descarregasse antes do fim da viagem. Enquanto os dois conversam Emma pôde perceber em suas expressões e sorrisos o quanto se amavam. Eram tão jovens, tão bonitos. David com seu jeitão de príncipe encantado: cabelos claros, olhos verdes, alto, um rosto de galã de cinema; e Mary, com sua expressão de princesa: era gentil, doce e alegre; pareciam feitos um pro outro como um romance mais melado que pudesse existir. Algumas vezes se perguntava se poderia mesmo ser filha de pessoas tão boas assim. Uma adolescente chata e egoísta que não queria sair de sua zona de conforto e enfrentar novos desafios. Não, algo estava errado. Quem sabe seu irmão, que ainda estava ali esperando para vir a mundo, fosse mais parecido com o casal encantado que ela tanto amava.

“Ok”. Diz para si mesma. “Não custa nada tentar, posso ir embora quando terminar a escola. Já é o último ano mesmo. Quem sabe uma universidade bem longe de Storybrooke. É só uma questão de tempo. Paciência, Emma. Você pode sobreviver”.

Seria isso um pensamento egoísta demais de sua parte? Talvez..., mas não se deixava levar por uma questão tão difícil. Talvez Storybrooke nem fosse tão ruim assim.

***

Três horas de viagem depois chegam ao Maine e encontram a estrada que os levaria “pra lugar nenhum”, como pensa Emma. Depois de um tempo e de muitas músicas David quase pula no banco do motorista quando avistam a placa: "Bem vindos a Storybrooke".

“Excelente..”. Emma pensa sem nenhuma euforia “Eles tem placa de trânsito”.

Entram na cidade.

Seu pai maravilha-se com tudo: as casas, as lojas, os postes..., tudo! A cidade até parecia bonita, assim a primeira vista. Para uma primeira impressão era charmosa e maior do que havia imaginado. Nos seus pensamentos estavam se mudando para um fim de mundo que talvez nem tivesse internet, mas aquele “passeio” inicial já começava a mudar um pouco as ideias de Emma sobre o local. Restava, a partir disso, que a loira passasse a simplesmente aceitar o fato de que sua família melhoraria em questões financeiras e isso lhe bastasse para suportar a falta de movimento que deveria ser aquele lugar.

Emma Swan sempre fora uma garota meio solitária. Gostava de livros e música. Aprendera a ler muito cedo e não parara mais. Poderia dizer que qualquer lugar poderia ser bom desde que houvesse uma boa biblioteca. Na sua cabeça livros e música eram coisas melhores que amigos e badalações. Pergunta-se agora, querido leitor, o motivo de toda essa impaciência com Storybrooke? A resposta nos vem de forma simples. Nossa pequena Swan é uma observadora de pessoas e para esse tipo de observador quando mais seres humanos para observar melhor e na sua cabecinha observadora, aquela cidadezinha tinha apenas árvores.

Voltemos à Storybrooke.

A família passa pelo centro da cidade ou o que parecia ser o centro, pois tinha lojas, lanches e um relógio antigo. A garota acha aquilo bem interessante. Os ponteiros se aproximavam do meio dia e então, ouviram pela primeira vez as badaladas do sino no alto da torre. Depois de observar o relógio, decidem comer alguma coisa antes de procurar a casa nova.

– Granny's, parece um bom lugar para comer, o que vocês acham? – David pergunta contente. Estava eufórico, tanto que nem se deu a trabalho de procurar um restaurante, o que ele geralmente faria para que não comessem porcarias na hora do almoço, mas somente dessa vez foram direto para a lanchonete.

– Ótimo... – Emma diz tentando parecer animada enquanto seu pai continuava cantarolando aquela mesma música.

“Take me to the magic of the moment

On a glory night

Where the children of tomorrow dream away (dream away)

In the wind of change”.

– Pai, essa música fala sobre o holocausto você sabe, né?! Não me parece nada com uma música alegre pra se comemorar boas mudanças. — Diz enquanto ocupavam uma mesa nos fundos do Granny's

– Claro que sei, Emma. Mas a música fala principalmente sobre mudança e esperança e nada que faça referencia a mudanças pode ser algo triste. Por mais que coisas ruins aconteçam conosco, e sempre acontecem, devemos sempre ter esperança...

Naquele momento uma garçonete atrapalha o discurso do novo xerife para anotar os pedidos. Mas Emma parecia ter esquecido a fome nas palavras do pai se deixando pensar nessa tal esperança, talvez isso movesse o amor que eles sentiam um pelo outro e ela, não..., não era uma pessoa muito esperançosa, na verdade era até meio pessimista e egoísta, prova disso é que estava ali tentando parecer otimista, um otimismo cheio de ironias.

–Emma! — Mary interrompe seus pensamentos. — O que você vai comer?

–Eu? — Diz ainda meio fora do ar e olha para a garota em pé ao seu lado esperando com um bloco e caneta em mãos. — Um Chesse Burguer e Milkshake de chocolate, por favor.

– É pra já! — Diz a garçonete sorrindo e indo em direção ao balcão fazer os pedidos.

Emma observadora, não pôde deixar de notar o quão aquela garçonete destoava no ambiente. Cabelo comprido castanho escuro com mechas muito vermelhas, maquiagem e batom muito fortes, um micro shorts vermelho e uma blusa branca amarrada à cintura com a barriga quase toda de fora, sem falar nos saltos gigantes e o decote considerável. “Ela deve ser o escândalo dessa cidade”, pensa consigo mesma.

Quando os pedidos chegam comem tranquilamente e conversam sobre coisas aleatórias. Minutos depois David pede a conta e aproveita para perguntar à garçonete de pouca roupa onde ficava a Rua Encantada. Sim, aquele era o nome da rua em que iriam morar a partir daquele dia. A garota dá todas as informações possíveis. Saem do Granny's e seguem suas instruções. A rua não ficava muito longe e logo encontram o apartamento. O síndico os esperava com as chaves.

Entram.

Emma olha curiosa para tudo que havia lá dentro, estava totalmente mobilhado, só esperando pelos moradores.

– Prefeita legal essa, hein? – Diz se dirigindo ao pai.

– Sim — Concorda sorrindo.

Sobe as escadas e logo encontra o que seria seu quarto a partir daquele dia. Estava tudo muito bem arrumado e o espaço era realmente muito bom. Deita na cama do jeito que estava. Seu corpo chorava por um bom descanso, depois desfaria as malas.

***

Acorda com a mãe batendo na porta. Estava na hora do jantar. Não imaginara que dormiria tanto. Levanta da cama lentamente e vai ao banheiro. Toma um banho demorado enquanto pensa em todo o ocorrido durante as últimas horas: talvez seu pai estivesse certo. Em Boston a vida não estava indo muito bem. Sua mãe teve de deixar o emprego por conta da gravidez de risco, nem sabiam se ela aguentaria viajar de carro tanto tempo sem passar mal, mas ela foi muito forte. O salário de policial de David não era lá essas coisas, essa promoção apareceu na hora certa ou estariam ainda mais ferrados quando o bebê nascesse.

Pensava no quanto devia ceder, pois era o que todos, de alguma forma, estavam fazendo. Todos estavam cedendo algo pelo bem da família e ela, como filha, tinha de realmente tentar não pelo pai ou pela mãe, mas por todos. Sabia, mesmo que não fosse pronunciado em palavras que eles se chateavam com suas pequenas ironias. “Emma.., você nunca foi tão egoísta assim, pode deixar isso de lado vez e encarar uma nova realidade”. Diz a si mesma.

Emma sempre teve medo de mudanças e do que as mudanças trazem: lugares novos, adaptação. Tudo isso sempre a deixou meio nervosa. Era bem mais simples apenas continuar onde estava vendo tudo passar por ela sem ela ter de passar por nada. Às vezes é bem mais fácil nos contentarmos com o que já temos. Mas..., se nunca tentarmos algo novo, existirão coisas boas, momentos bons, que jamais viveremos.

Após o jantar (pizza), Emma queria mostrar aos pais que estava interessada em conhecer a cidade e então propõe dar uma volta.

– Vou sair pra andar um pouco, ver o que tem na cidade, tudo bem? — Pergunta tentando parecer animada.

– Não volte tarde, não sabemos se aqui é perigoso e você não conhece a cidade, não vá muito longe a ponto de não saber voltar. – Diz Mary.

– Qual é, mãe! Essa cidade é meio morta, duvido que alguma coisa aconteça aqui. – Fala enquanto pegava a jaqueta e sai em direção ao desconhecido.

Notas finais
Hey.. se você chegou até aqui eu agradeço demais!