Por que Eu não Me Acostumo sem Você?

1 Por que eu não me acostumo sem você?


Notas iniciais
A história se passa no final da Saga da Soul Society.
Quando Ichigo, Inoue, Ishida e Chad já voltaram para o mundo real e os shinigamis na Soul Society ainda se recuperam dos seus ferimentos e da traição de Aizen.

Em uma noite fria de inverno, Kuchiki Byakuya, estava em seu aconchegante quarto localizado na 6ª divisão. Nele haviam uma escrivaninha com alguns papéis sobre ela, cuidadosamente organizados, uma confortável cama e um armário, grande o suficiente para guardar seus pertences pessoais. Byakuya estava sem sono e perambulava de um lado para o outro pelo seu quarto. O inverno em especial, era a estação do ano que mais o lembrava da mulher que ele amou, a única que realmente tocou seu coração. Hisana não havia abandonado seu marido por completo, toda a noite ia visitá-lo em forma de um doce e agradável sonho.

A madrugada avança, Byakuya se agasalha e sai de seu confortável e quente quarto para apreciar a noite fria ao ar livre. Como ele ama a noite, ainda mais uma noite como aquela em que a neve caia suavemente. Aproveitando a solidão da noite e o silêncio da Sereitei, Byakuya escolhe cuidadosamente um lugar longe de algum quase possível olhar curioso.

Perambulando distraidamente, Byakuya senta-se em uma espécie de varanda, um pouco afastada da sua divisão.

Lá ele se perde em seus pensamentos, olhando ao longe, deixou a sua suposta frieza de lado e se deixou mergulhar em um momento um tanto nostálgico. Apesar dos anos a lembrança de Hisana ainda pairava muito viva dentro de seu coração o amor que ele ainda sentia por ela é a sua maior fraqueza, o seu maior segredo. Pois, por trás daquele homem sério e frio, havia um outro que apenas sua amada conheceu.

Quando Byakuya fechava seus olhos para visualizar melhor Hisana a imagem de Rukia também vinha a sua cabeça, “como são parecidas” pensava consigo mesmo.

Com um suspiro Byakuya abre novamente os olhos e sorri para si mesmo, lembrando da última promessa que fez a Hisana. A única coisa que o entristecia era o fato de Rukia não ter conhecido ou pelo menos se lembrar de Hisana.

Ele sentia orgulho por ter cumprido sua promessa, afinal de contas, Rukia era a única lembrança realmente viva de sua amada. Byakuya manteve a promessa de proteger Rukia enquanto pode, ensinou muito a ela, ensinou-a o que os nobres sabiam e ela como tal também deveria saber, quando finalmente estava preparada, foi ele de uma certa forma selou o destino de Rukia, confiando ela as mãos de seu amigo Ukitake Jyushirou capitão da 13ª divisão, sem nunca descuidar é claro, Byakuya pediu a Ukitake para que jamais a deixasse subir de nível independente de seu poder espiritual.

Ele acompanhou o crescimento das habilidades de Rukia na 13ª divisão. Ukitake cumpriu a promessa que feita a Byakuya e designou Rukia a uma das funções “menos” perigosas da Sereitei que seria purificar os hollows. Rukia perdeu seus poderes no mundo real quando os transferiu para Kurosaki Ichigo. Logo a Soul Society descobriu e decretou a pena de morte para Kuchiki Rukia, Byakuya recebeu com pesar essa notícia, pois, havia ficado em dúvida qual promessa seguir, aquela feita a sua amada ou a de nunca mais quebrar as regras, feita no túmulo de seus pais. Ele optou pela promessa feita no túmulo de seus pais, mas, apesar de tudo o destino lhe ajudou mais uma vez, pois, quando precisou quebrar sua promessa “aquele rapaz” como ele prefere dizer, ajudou a mante-la, logo depois ele se redimiu colocando sua vida em risco para salva-la também.

Essa história passou como um flash na cabeça de Byakuya, novamente ele fecha os olhos e vê Hisana sorrindo diante dele, mas seu turbilhão de pensamentos é interrompido, por alguém que se aproxima lentamente.

Byakuya abre os olhos e se coloca em estado de alerta mas não pergunta quem está aí, logo a figura de uma pequena mulher se aproxima.

- Rukia, o que está fazendo fora da sua divisão?

Pergunta Byakuya com a sua eventual frieza na voz.

- Desculpe nii-sama – a garota abaixa a cabeça – estou sem sono comecei a caminhar e vim parar aqui, mas se quiser eu posso ir embora.

- Parece que a insônia nos pegou – Byakuya sorri. Rukia tenta encara-lo e se espanta ao vê-lo sorrir, mal se quer olhara para ela e agora estava diante dela sorrindo. – se quiser se sentar.

Byakuya fecha o meio sorriso e volta a olhar ao longe.

- Claro nii-sama.

Rukia exita mas senta ao lado dele.

- Aquele rapaz, você parece ter muito carinho por ele e ele por você.

Diz Byakuya sem olhar para Rukia.

- Não sei se quero voltar a vê-lo tão cedo. – diz Rukia também olhando ao longe – nii-sama, você já se recuperou?

- Certo, não foi dessa vez que me derrubarão.

Diz Byakuya que volta a fechar os olhos e a lembrar de sua amada, como ela e Rukia se pareciam a não ser pelo jeito que Hisana falava era mais doce, mais delicado. Rukia, com um sorriso, observa Byakuya.

- Essa é uma noite fria. — diz Rukia, com o sorriso ainda nos lábios, olhando para Byakuya que abre os olhos lentamente como se fosse tragado para realidade. Ele encara Rukia e por um breve momento enxerga Hisana.

- Sabe, você e sua irmã são realmente parecidas. A não ser pelo jeito de falar, mas tenho certeza de que quando você encontrar alguém novamente será tão doce quanto sua irmã era. – Byakuya tira os olhos de Rukia que abaixa a cabeça.

- Então é nela em que você está pensando? – Rukia pergunta premeditando a resposta.

- É nela em que eu penso todas as noites, a lembrança de Hisana está muito viva em mim – Byakuya pousa seus olhos em Rukia – é nela que eu penso quando vejo você.

Rukia olha para Byakuya perplexa e apenas diz:

- Então quando você olha para mim, enxerga minha irmã?

Com um suspiro Byakuya responde:

- Não, quando eu olho pra você, enxergo Kuchiki Rukia, minha irmã, fruto da promessa que fiz a Hisana e que hoje sinto orgulho em ter te adotado na família, você para mim não é apenas uma lembrança viva da Hisana, é uma ótima pessoa e uma boa shiningami. – Byakuya sorri e mais uma vez para surpresa de Rukia, ele a puxa para perto de si e faz carinho em seus cabelos.- sabe Rukia, eu realmente fico muito feliz por você estar viva, não apenas para aliviar o peso da minha promessa, mas porque eu me afeiçoei muito a você.

Rukia cada vez mais espantada, nunca havia recebido carinho do seu “irmão” ele nunca falara esse tipo de coisa a ela.

- Eu também me afeiçoei muito a você nii-sama. – Rukia pousa a cabeça no peito de Byakuya e lhe abraça. Byakuya continua fazendo carinho em seus cabelos e dá um beijo em sua testa.

- Logo o dia amanhece, é melhor você voltar para a sua divisão e tentar dormir um pouco, se continuar sem sono, não conseguirá recuperar seus poderes tão cedo. – Byakuya diz, abraçando Rukia sem parar de fazer cafuné em sua cabeça, seu corpo grande e forte, envolvia o frágio corpo de Rukia.

– Eu também já vou me deitar. – Byakuya fecha os olhos mais uma vez tentando buscar sua amada, mas, sabe que é inútil, por mais que ele goste da Rukia, esta jamais será Hisana.

Byakuya abre os olhos novamente, beija a cabeça de Rukia com um amor fraternal e se levanta segurando as mãos dela. Rukia ainda sem entender o que aconteceu, se apóia nas mãos de Byakuya e se levanta.

- Boa noite, nii-sama. Rukia diz olhando Byakuya, que por sua vez responde:

- Boa noite Rukia.

Ambos se viram e cada um pega seu caminho, Byakuya ainda da uma olhada para trás e se certifica que Rukia pegou o caminho para a 13ª divisão, logo ele se dirige para seu quarto e se deita em sua confortável e quente cama, olhando para o teto ele pensa em voz alta:

- Por que eu não me acostumo sem você?

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!