Por favor, esteja
1 Eu
Notas iniciais
Geralmente atualizo de final de semana.
Beijos e boa leitura!
— Matthew.
O vestido cor de lavanda balançava conforme as pessoas passavam apressadas entre a garota. Ela só sorria. Era normal as pessoas andarem apressadas na estação de trem, porque estão ocupadas demais trabalhando para viver, mas não vivendo para trabalhar. Ela entendia isso completamente, porque estava na plataforma, só esperando o próximo trem passar. Só torcia para ele estar lotado. Quem sabe assim não acordaria a mente das pessoas tão apressadas para trabalhar?
Olhou suas duas mãos finas e frágeis. Quem diria que estava a ponto de fazer algo tão rude, como diria seu avô, mas a verdade era que ela não se importava. Seu avô mal se lembrava do próprio almoço, imagina se lembrar de sua neta.
As unhas estavam quase naturais, se não fosse pela fina camada descascada de esmalte cor de rosa bebê. Sua vida era tão clara quanto seu esmalte e sua pele. Ela facilmente se confundiria com uma boneca de tão pequena, frágil e branca que era.
Então os olhos percorreram os braços. Ela riu ao se lembrar de que nunca conseguiu abrir uma garrafa de refrigerante qualquer, porque não tinha força. A única coisa que conseguia fazer bem era costurar seus vestidos de cores claras, pois aquilo não exigia força e sempre a elogiavam por estar tão feminina quando usava vestido.
Era por isso que hoje tinha se preparado? O vestido cor de lavanda na altura dos joelhos estava impecável e criava um contraste com seus cabelos castanhos claros. Lisos, mas não compridos. Ela achava complicado demais pentear longos fios, por isso os mantinha um pouco abaixo dos ombros. Só não cortava mais, porque elogiavam o quão macios eram seus cabelos.
Era por isso que hoje estavam soltos? Talvez sim, mas a verdade era que ela apreciava a sensação de sentir os ventos passaram por entre os fios como se estivessem dando olá para cada parte do seu interior. As únicas coisas que encostavam seus fios eram o vento e as mãos especiais que tanto amavam a maciez do cabelo.
Esticou os braços finos e abriu as mãos conforme o vento a invadia. Era uma sensação tão gratificante! Mais gratificante ainda era que ninguém na estação se importava com aquilo. Com os olhos ainda abertos, observou os trilhos do trem, logo abaixo de seus pés. Um passo a mais e ela cairia.
Fechou os olhos, o vento aumentara de intensidade. Os passos cessaram e ela podia sentir corpos atrás dela, mas esses corpos eram apenas pessoas apressadas para pegar o trem e irem trabalhar para viver.
Ouviu barulhos nos trilhos de longe e logo não ouviu mais nada. O mundo a sua volta tinha se calado como um aviso: a hora de ficar quieta para sempre era agora. Respirou fundo, sentindo seus pulmões se encherem de ar, abriu os braços, descansou a cabeça para trás, subiu nas pontas dos pés, caminhou lentamente para o limite da plataforma e sorriu, porque em breve as pessoas apressadas não importariam mais. Seu avô não importaria mais e muito menos-
— Jane.
Ela abriu os olhos e seu sorriso nos lábios fechou, não por ódio, mas porque ela queria guardar cada traço dele, Matthew.
Seus braços se fecharam e o trem parou. Pessoas passaram entre a garota mais uma vez, mas ela não entrou no trem, apenas ficou parada, no meio do caminho das pessoas apressadas olhando para onde Matthew estava.
Subitamente sua mão direita foi segurada e Jane foi puxada para trás, sendo imediatamente abraçada pelo Matthew.
— O que você estava fazendo?
Notas finais
Até a próxima!
Beijos,
JinX
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