Por favor, espere.

9 Por favor, tudo de mim, ama tudo em você.


Delegacia Central de Lidbetter;

Madrugada de domingo – 16 de novembro de 2014

Bento desceu do carro de Gregori, e foi seguido por Gregori e Felipão que estava apenas de cueca e meias brancas. Gregori segurou a mão de Bento e olhou carinhoso pra ele.

Bento sorriu e se sentiu mais seguro e confortável naquele lugar horrível.

Os três entraram na delegacia e foram abrir um B.O contra o garoto que tinha roubado o Felipão.

― Isso são trajes, meu jovem? ― O policial ironizou enquanto olhava para Felipão.

Felipão ficou vermelho e sem graça.

― Oi, eu sou Gregori Goulart... ― Gregori começou.

― Eu conheço você, minhas filhas são fãs da suas revistas. ― O delegado disse sério. ― Qual o problema?

Bento coçou o queixo e ficou tenso com aquela situação e por estar naquele lugar. O jovem tem lembranças horríveis dali. Desde que seu irmão tinha sido preso e morto dentro de uma delegacia, Bento tinha pavor aquele lugar.

― Você está bem? ― Gregori sussurrou sentindo o desconforto de Bento.

― S-Sim! ― Bento sussurrou de volta e sorriu. Falso, mas sorriu.

O delegado pigarreou e indicou que Felipão já podia começar a falar.

― Como aconteceu e onde você estava? ― Um policial loiro e de olhos cinza, perguntou.

― H-Hm, bom... Eu estava na balada quando ele apareceu. Começou a se insinuar pra mim, até que veio a mim, conversamos e hm... ― Felipão começou.

― E hm? ― Perguntou o policial.

― Nós... Nós fomos ao dark room da balada e transamos. Até então estava tudo bem, logo depois de transarmos, saímos do local e voltamos para a pista. Eu achei que ele iria querer apenas transar e depois sair fora, mas ele ficou comigo o restante da noite. Resolvemos ir embora, para um lugar mais ‘reservado’. Quando procurei a chave do carro, não encontrei. Foi quando o garoto sacou uma arma e me mostrou a chave. Ele perguntou se era o que eu estava procurando e riu. ― Felipão disse mais baixo o final se lembrando da cena. ― Então me fez tirar a roupa, e levou tudo. Carteira, celular, carro...

― E a dignidade! ― Bento falou bravo.

― Não interrompa, por favor... ― O delegado brigou.

― Desculpe-me... ― Bento disse baixo.

― Continue... ― O policial pediu.

― Eu fiquei pelado e sozinho, desesperado. Então ele voltou e me jogou a cueca de volta, dizendo que bom... Ninguém precisava ficar vendo o horror que era o meu pênis flácido! ― Felipão disse.

O policial riu.

― Desculpe-me! ― O policial falou tentando segurar o riso. ― E como era esse garoto?

― Loiro de olhos escuros, magro, baixo e disse que se chama Toni. ― Felipão disse olhando pra baixo.

― E o seu carro? ― O policial perguntou.

Felipão dizia as características do seu carro e o policial anotava tudo. Bento estava sem paciência já, tudo que queria era ir embora. Era tomar um banho quente e se jogar em sua cama para descansar. Mas diferente do que ele pensou, só foram liberados da delegacia quase de manhã.

― Cinco e quarenta e cinco! ― Gregori disse enquanto olhava no relógio.

Bento bocejou.

― Sua família deve estar mega preocupada com você! ― Bento disse enquanto segurava a mão de Gregori. Então se lembrou de Felipão e a saltou rapidamente.

Gregori riu do jeito torto e safado que faria qualquer pessoa sentir os membros amolecerem, ou melhor... O membro endurecer.

― É você poderia me dar uma carona até em casa? ― Felipão perguntou.

Gregori sorriu.

― Tudo bem pra você, Anderson? ― Gregori perguntou a Bento, usando um tom mais formal.

― Por mim o deixávamos aqui! ― Bento disse sério, mas então sorriu cansado.

― Ah pára... ― Felipão começou.

― Espera, já volto! ― Bento disse sério, e tirou seu celular do bolso e atendeu. ― Alô!

Bento começou a se afastar dos outros.

― Nós conversamos depois, Luc. ― Bento disse sério.

― Bento por favor... ― Luc disse ao telefone.

― Não sei se o que você fez tem perdão. Tu transou na minha cama, com um garoto qualquer... ― Bento disse sério e então passou a mão pelos cabelos. ― Mas conversamos depois. Até.

Bento desligou e voltou para o carro.

― Vamos? ― Ele perguntou

Os três entraram no carro e partiram.

Apartamento de Bento;

Domingo – 16 de novembro de 2014

― E então nossa noite romântica, se transformou em uma noite na delegacia! ― Bento disse baixo e sem graça.

― Era uma noite romântica? ― Gregori perguntou.

― N-Não era? ― Bento perguntou mega sem graça e super corado, parecia um pimentão de tão vermelho que ficou.

Gregori riu alto.

― Sim, era uma noite romântica, e mesmo com esses contra tempo, ele foi romântica e especial pra mim! ― Gregori disse baixo e puxou Bento para o seu colo.

Bento foi levado para o colo do maior, sem resistência alguma.

― Você... Quer dizer, acho que você deveria ligar para sua família, antes de ir embora! ― Bento disse baixo e começou a acariciar a barba que começava a nascer no rosto de Gregori.

― Está me mandando embora? ― Gregori perguntou.

― Está pensando em ficar? ― Bento provocou.

― Essa era a idéia, se não ficamos pela noite, hmm ficar pelo dia! ― Gregori disse com um grande sorriso no rosto.

Bento sorriu também e então começou a beijar os lábios de Gregori. Sim, dessa vez ele tomou a iniciativa, não podia mais negar pra ninguém, muito menos para si mesmo, ele estava apaixonado por aquele homem. O beijo foi calmo e molhado. Bento então riu e parou o beijo.

― O que? ― Gregori perguntou sorrindo.

― O meu chefe e eu. É daria um bom livro. ― Bento disse rindo.

― Ah é? Então você não vai se importar se eu usar uma frase clichê que serviria muito bem num romance? ― Gregori perguntou.

― O que? ― Bento disse sorrindo.

― Tudo de mim, ama tudo em você! ― Gregori disse baixo com sua voz sexy e grave.

Bento sorriu.

― Acho que esse é o momento que você me leva pra cama! ― Bento disse vermelho, sem graça, mas decidido.

― Quando você ficou tão atirado? ― Gregori perguntou rindo e se levantou do sofá com Bento em seus braços.

― Depois discutimos... Agora só me faça seu! ― Bento disse baixo.

(...)