Por favor, espere.
13 Por favor, quando você ficou tão idiota?
― Eu não sei não. Eu acho que peguei pesado com ele entende? Eu quase o intimei a fazer algo que ele teme demais, você não entende? ― Bento pareceu fazer uma pausa e ouvir o que alguém falou para ele no telefone. ― Não! ― Bento quase gritou. ― Eu não posso fazer isso, entende? Eu quase o obriguei a assumir nosso namoro. Ele está me evitando. Faz uma semana que não nos vemos... Eu estou enlouquecendo, acho que realmente o perdi... ― Bento choramingou. ― E tudo porque fui um idiota apressado e grosso.
Bento ouviu um barulho estranho na cozinha e se assustou.
― Acho que tem alguém aqui... ― Ele sussurrou para a pessoa que estava ao telefone. ― Depois nos falamos Fê. ― Bento ouviu assustado. ― Eu não vou ligar pra policia sem ter certeza de nada... ― Ele disse e então tirou o telefone do ouvido, Felipão gritou com ele ao telefone. ― Está bem, está bem, eu vou ligar... Beijos.
Bento colocou o telefone no gancho e levantou da cama, o rapaz olhou em seu quarto algo para se proteger, mas a única coisa que encontrou foi um guarda chuva. O rapaz olhou com cara de ‘sério?’, mas pegou o objeto e de dirigiu para a cozinha. Bento foi caminhando em passos leves e super devagar, mas não se conteve e quando chegou perto, saltou e gritou.
― Te peguei! ― Olhou em volta, e não tinha ninguém.
― Miau!
Bento se assustou e olhou para o chão. Havia um gatinho branco com manchas pretas por todo o corpo. O focinho estava sujo de algo vermelho, Bento logo percebeu que era do molho que estava na panela no fogão.
― Oh... Não acredito que você fez isso na minha cozinha, senhor gato! ― Ele disse rindo e se ajoelhou no chão. Bento pegou o gatinho em suas mãos. ― Ah você é bonzinho!
O gatinho fez um barulho estranho, que gatos faziam quando estavam felizes, ou gostando do carinho.
― Está perdido, amiguinho? ― Bento perguntou para o gato e sorriu. ― Acho que vou ficar com você... ― Bento disse pensativo. ― Sim, vou ficar com você.
― Miau! ― O gatinho fez como se estivesse alegre.
Bento riu.
― Acho que você vai precisar de um nome! ― Bento disse pensativo. ― Hm, que tal... Muffins? É você tem cara de Muffins! ― Bento gargalhou e acariciou a cabecinha do garoto. ― Acho que vou precisar lhe dar um banho!
O gato miou alto e fez cara de bravo. Bento riu alto.
― Vai ser um banho bem quentinho, com sais maravilhosos. Você vai adorar. ― Bento disse carinhoso e começou a caminhar pela casa em direção ao seu banheiro.
Bento ouviu alguém batendo a sua porta.
― Já vai! ― Ele disse sério e meio confuso; ― O banho fica pra depois, Muffins! ― Ele soltou o gato e o mesmo correu para o sofá e pulou lá em cima.
Bento caminhou em direção a porta e olhou pelo olho de vidro. Era Gregori. Bento sorriu e começou a arrumar o cabelo, a camiseta que vestia e então abriu a porta.
Não houve tempo para dizer nem um oi. Gregori entrou bravo pela porta e quase empurrou Bento. O rapaz ficou assustado e fechou a porta.
― O-O que aconteceu? ― Bento perguntou.
― O que significa isso? ― Bento berrou em direção a Bento e lhe jogou uma revista que tinha em mãos.
― Isso o que? ― Bento pegou a revista.
“Empresário Gregori Goulart, aos beijos com funcionário.” Estava estampada na revista, e tomando a capa inteira, uma foto de Bento e Gregori se beijando.
― O-O que é isso? ― Bento disse sério e nervoso. ― Que revista é essa?
― Eu que pergunto Bento, eu que perguntou. ― Gregori berrou. ― Eu não achei que você fosse tão baixo assim.
― O que? ― Bento perguntou confuso.
― Não se faça de idiota, porque você colocou nossas fotos na porra de uma revista, Bento? Eu ia fazer o que você pediu, eu iria terminar com a Annie, e ficar apenas com você. Só que você, seu filho da puta. Você não esperou porra nenhuma e estragou tudo. ― Gregori gritou pra Bento.
― O que você está dizendo? Você está louco? Eu não sei nada sobre isso! ― Bento disse sentindo seu coração vir parar na boca.
Gregori gargalhou.
― Não adianta mais pagar de puro, Bento. Sei do que você é capaz... ― Gregori disse sério. ― Você não vale nada, seu mentiroso de uma figa, traidor... Eu achei que... ― Gregori disse sério e então olhou pra baixo. ― Eu quero você longe da minha vida!
― O que? ― Bento gritou. ― Você está maluco? Por favor, Gregori! Quando você ficou tão idiota? ― Bento perguntou e caminhou na direção de Gregori. ― Me escuta, eu nunca seria capaz de fazer isso, eu nunca seria capaz de te prejudicar!
Bento tentou tocar em Gregori, mas o mais alto empurrou o garoto.
― Não toque em mim, eu não quero mais nada com você! ― Gregori disse baixo. ― Aliás, você está demitido!
Bento olhou para Gregori, mas o homem saiu do apartamento.
Bento levou as mãos até os cabelos e sentiu as lágrimas começarem a descer pelo rosto.
―
― Claro... É... Hum... Eu só preciso de um tempo, talvez um mês. ― Gregori disse baixo.
Bento riu.
― Por favor, eu quero outra proposta... ― Bento disse e piscou pro namorado.
― O que? ― Gregori perguntou irritado.
― É isso mesmo, Gregori. Ou a gente assume essa droga de namoro pra todo mundo, ou acabamos de uma vez. Não sou mais um adolescente pra namorar escondido. Eu quero outra proposta, ou você dá um jeito ou nem precisa mais me procurar, entendeu? ― Bento disse sério. ― E tem mais, toma cuidado... ― Bento disse e saiu caminhando.
Bento sorriu ao perceber que o homem tinha ficado assustado com sua ameaça, mas ele tinha convicção que não seria capaz de fazer nada, e nem queria, só queria assustar o namorado, para adiantar o processo.
―
Bento continuou deitado no chão, enquanto chorava e pensava no que havia dito para Gregori alguns dias atrás.
― Eu não seria capaz disso nunca... Eu te amo Gregori! ― Bento estava repetindo para si mesmo a mesma frase várias e várias vezes.
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