Por favor, espere.

15 Por favor, o que foi que eu fiz.


― Eu te amo Bento! Mas nunca mais vou ficar com você! ― Gregori disse sério.

Bento pareceu pensar e fechou os punhos.

― Eu realmente não me importo Gregori! ― Bento disse sério e se virou. Saiu caminhando devagar, mas as lágrimas queimavam os olhos do rapaz.

― Bento espera... ― Falou Felipão, mas Bento começou a correr.

Bento sequer olhou para trás, só queria sair dali e ficar longe de Gregori. O garoto chegou ao jipe dos amigos e se encostou ao carro, não estava nem se importando com a areia quente queimando os seus pés. A pele branca do rapaz tinha uma coloração avermelhada agora. Os olhos estavam tão vermelhos, e quem não soubesse o que tinha acontecido há minutos atrás acharia que era tudo por conta do sal da água.

― Porra, Bento... ― Disse Felipão bravo.

― Dá um tempo, Felipão. ― Negão reclamou e caminhou pro lado do amigo, acariciou os cabelos de Bento. ― Se você quiser, eu volto lá e quebro a cara daquele filho de uma puta desgramado. Ele é mesmo um otário.

Bento encostou-se ao peito de Negão e começou a chorar.

― Ei... Psiu! ― Negão disse sem jeito. ― Está tudo bem, está tudo bem...

Felipão chegou mais perto do amigo e os três se abraçaram num abraço coletivo.

― O-Obrigado, gente... Mas eu quero ir embora! ― Bento disse mais calmo, e soltou-se dos seus amigos. Secou a face molhada pelas lágrimas e ergueu a cabeça.

― Vamos sim, aquele filho da puta miou nossa diversão. ― Disse Felipão. ― Mas podemos pegar um cineminha, ou um filme em casa, o que me diz, hem? ― Felipão começou a apertar a barriga definida e magra de Bento.

Bento fez um esforço gigante para sorrir. Sabia que o amigo estava apenas tentando deixá-lo melhor, e isso o fazia ficar um pouco melhor. Saber que tinha amigos tão lindos e importantes como aqueles. Foi então que o rapaz pensou em Luc...

― Eu prefiro ficar em casa sozinho, se vocês não se importarem... Eu amo vocês, e agradeço por estarem sempre tentando me fazer melhor, mas no momento a única coisa que vai me deixar bem, é tomar um banho quente e descansar. ― Bento disse sincero.

― Mas... ― Felipão começou.

― Claro, a gente entende! ― Negão falou e olhou feio para Felipão. ― Vamos, subam!

Os três subiram no jipe e partiram dali. O caminho da praia até o prédio onde Bento mora, é realmente longo. E tudo que Bento queria era um pouco de silêncio, mas durante a viagem até em casa, os garotos falaram, e falaram muito. Mas Bento não prestava atenção. Bento ficou olhando cada coisa no caminho. Casas, prédios, estabelecimentos, ruas, semáforos. E pessoas. As famílias, os casais, todos que caminhavam na rua, mas tudo isso o deixava ainda pior.

― Chegamos! ― Negão disse sorrindo e olhou para Bento. ― Bento?

― Ah oi, obrigado pela carona, meninos. ― Bento disse sério e desceu do jipe com suas roupas nas mãos. ― Fê, depois eu devolvo sua sunga, certo?

― Pode deixar mais tarde eu passo aqui pra buscar e ver como você está. ― Felipão anunciou ainda preocupado com o amigo.

Bento sorriu e acenou.

O jipe partiu deixando Bento sozinho. Só então o garoto notou que estava em frente ao seu prédio só de sunga, saiu correndo.

― Olha mamãe, um homem se cueca. ― Disse rindo um menininho que estava na portaria do prédio.

― Ele está de sunga, Júnior. ― A mulher ao lado da criança reclamou baixo. ― É uma roupa para banho.

― Mas por que eu não uso uma para tomar banho, então? ― O menino perguntou alto.

A mulher ficou vermelha quando notou que Bento ouviu. Bento sorriu e caminhou até o garotinho.

― Oi. ― Disse Bento, sorrindo.

― Oi, por que você está com roupa de tomar banho aqui na frente de todos? ― O garoto perguntou sorrindo.

― Essa é uma roupa para banho na praia, piscina... ― Bento falou carinhoso. ― Qual seu nome?

― Júnior, e o seu? ― O loirinho que aparentava ter uns seis anos perguntou.

― Bento. ― Bento sorriu. ― Você mora por aqui, Júnior? ― O garoto balançou a cabeça afirmativamente e Bento sorriu. ― Ah, talvez algum dia a gente vá a piscina juntos e você também use uma sunga como a minha.

― Não, a sua é feia! ― O garoto falou decidido. ― Eu vou querer uma do Ben 10.

Bento gargalhou e afagou a cabeça do garoto.

― A gente se vê Júnior! ― Bento falou para o garoto e sorriu para a mulher. A mulher sorriu de volta. Talvez achando que tivesse alguma chance com Bento. Já que o rapaz não tinha um jeito tão afeminado.

Bento se dirigiu para o elevador e subiu para o seu apartamento.

Mansão dos Goulart;

Almoço em família.

Gregori entrou em casa cambaleando, o homem mal se aguentava em cima das pernas.

― Greg! ― A mão do garoto falou assustada e levantou-se da mesa onde estava, correu até o filho. ― O que aconteceu meu amor?

O pai de Gregori também se levantou da mesa e caminhou até o filho, o homem avaliou o estado do rapaz, e fechou a cara.

― Bêbado em horário de trabalho? ― O homem reclamou. ― Eu sabia que deixar a empresa em suas mãos não seria uma boa idéia. Você não tem senso nem pra cuidar de si mesmo, olha o estado que está sua cara.

― Cala a boca! ― Gregori gemeu.

― Olha o respeito, garoto. ― O homem gritou. ― Quem você pensa que é? Nem suas próprias conta você paga. Sou eu que pago, eu te sustento com a minha empresa. Empresa essa que se depender de você vai cair. ― O homem falou bravo. ― Eu andei avaliando tudo, Gregori. Você basicamente deixa tudo nas mãos de terceiros... E sabe o que eu descobri? Alguns de nossos milhões foram desviados para uma conta indevida.

Gregori sentiu o choque na palavra do pai. Mesmo estando bêbado ele sabia do que o pai estava falando. Roubo.

― A partir de hoje, você não é mais nada naquela empresa, Gregori. Eu vou voltar ao comando, não estou tão velho para isso. ― O homem virou as costas para o filho. ― Agora vá para o seu quarto não somos obrigados a ter um bêbado à mesa.

A mulher que ajuda o filho a ficar em pé, nada disse. Apenas ficou em silêncio observando o que o marido falava.

― Eu nunca imaginei que você fosse ser veado! ― O homem ainda completou. ― Não ligaria, se você fizesse tudo as escondidas, mas em rede nacional e internacional? Saia da minha frente, ou lhe partirei a cara.

Gregori queria partir para cima do pai, mas a mão o segurou e sussurrou algo em seu ouvido, Gregori saiu junto à mãe.

Apartamento de Bento;

Noite.

O dia passou rápido. Mas para Bento tudo foi uma eternidade, quando não se tem o que fazer, as horas passam devagar, Bento estava deitado no sofá segurando o seu gato Muffins nos braços quando ouviu batidas fortes a porta.

― Quem é? ― O rapaz perguntou assustado.

As batidas continuaram, e ele levantou rápido e correu até a porta. Olhou pelo olho de vidro e viu Gregori em sua porta, o garoto se afastou da porta.

― Vá embora, Gregori! ― Bento gritou.

― Me deixa entrar, por favor... ― Gregori pediu.

― Não Gregori, eu quero que você vá embora... ― Bento pediu sentindo as lágrimas escorrerem pelos olhos. ― Ou eu vou chamar a policia.

― Não... Me deixa entrar! ― Gregori pediu com voz de choro.

Bento notou a voz de choro do homem e sentiu seu peito apertar, ele abriu a porta lentamente e viu Gregori parado em sua porta. O homem estava diferente do que pela manhã, ainda tinha um ar grogue, de quem estava de ressaca. Mas os cabelos estavam penteados, a barba feita, e vestia roupas a quais Bento nunca o tinha visto vestido antes. Calça jeans, camiseta com desenho e tênis esportivo.

― Posso entrar? ― Pediu Gregori baixo.

Bento balançou a cabeça afirmativamente, e deu passagem para Gregori. Ele fechou a porta e se afastou um pouco ficando em frente a Gregori.

― Desculpa vir essa hora... Mas, eu preciso conversar, preciso de você, Bento! ― Gregori pediu chorando e se ajoelhou abraçando Bento pela cintura.

Bento ficou parado, não sabia o que fazer.

― Fala comigo... Por favor... Bento! ― Gregori pediu chorando.

― O-O que aconteceu? ― Bento perguntou confuso.

― Só me abraça, por hora só me abraça! ― Gregori pediu em lágrimas.

Bento sentiu seu coração doer muito, e se ajoelhou abraçando o homem a sua frente. Ele não negaria aquilo mesmo se quisesse, amava tanto aquele homem. Os dois tinham pouco tempo junto, mas o que Bento sentia era tão intenso tão forte.

― Estou aqui... ― Bento disse baixinho, tentando acalentar o homem. ― Estou aqui com você, meu amor... ― Bento disse sem pensar.

Gregori continuou chorando por um tempo e então olhou para Bento.

― Eu... ― Gregori começou, mas não teve tempo de completar. Levou a boca para a boca de Bento e os dois começaram a se beijar, estavam distantes há dois meses, queriam aquilo tanto.

Bento passou os braços pelo pescoço de Gregori e se entregou como sempre fazia quando Gregori tomava as rédeas.

“Deus é que me livre ficar sem você, fica do meu lado que não falta amor. Sem o seu carinho eu vou enlouquecer, vem chegar mais perto me dar o seu calor. Deus sabe que nada eu vou poder fazer, se um dia eu perco todo esse amor. Vem ficar comigo quando escurecer, eu quero estar contigo seja onde for... ♪”

Bento afastou-se lentamente de Gregori, mas não abriu seus olhos.

― Por favor, para... ― Bento disse baixinho. ― O que foi que eu fiz?

Gregori ficou olhando para Bento de olhos fechados e sorriu, acariciou a face do homem.

― O que nós dois estamos querendo, mas deixa isso pra depois... ― O homem disse sério e sorriu logo depois.

“Eu sei que o meu mundo girou só pra te encontrar, parece que achei no teu peito um lugar para morar. ♪”

― Agora só me beija Bento... ― Gregori pediu.

Bento não agüentaria mais nem um segundo sem o calor dos braços de Gregori, aquele homem era como droga, ou vicio para ele, mas antes de tudo, ele queria saber.

― Gregori, você acredita em mim? ― Bento perguntou.

― Acredito... Nós vamos descobrir juntos, quem fez isso Bento! ― O homem forte falou sincero, e com uma dor na voz.

― Gregori... Eu não sei... ― Bento começou.

― Shhhhh, deixa tudo para depois, me beija! ― Gregori pediu, mas não esperou Bento fazer nada, ele mesmo levou os lábios para o do outro rapaz.

Os dois continuaram a se beijar, o beijo tomando ritmo e força a cada segundo, queriam um do outro cada vez mais, não queria parar nem para respirar, não podiam parar. As mãos de Bento subiram lentamente para a nuca de Gregori e começou a acariciar e puxar os cabelos do maior com vontade. Gregori gemeu safado e sorriu entre o beijo.

“Você já sabe que em qualquer lugar, eu estou pensando em você... Por mais distante que eu pareça estar, eu estou pensando em você. A tanta coisa fora do lugar, que eu tento arrumar por você. Só pra poder te mostrar, que ao seu lado é meu lugar... ♪”

Gregori lentamente começou a tirar a roupa de Bento, e o menor apenas sorriu e abriu seus olhos. Gregori também sorriu, e arrancou a camiseta de Bento. Sem demora arrancou a sua também e os dois voltaram a se beijar. Gregori deitou Bento sobre o chão frio e esse gemeu quando sentiu frio, mas pareceu não se importar, Gregori se encaixou entre as pernas de Bento e mordeu o queixo do garoto.

― Eu te amo, e eu me odeio me odeio tanto... Por não ter acreditado em você. Por ter te mandando embora, Bento. Esses dois meses foram os piores da minha vida. Eu te amo tanto, eu nunca mais quero ter de te deixar... ― Gregori disse com a voz triste.

Bento levou os dedos até os lábios do maior fazendo o mesmo se calar.

― Eu também te amo muito, Greg, mas deixa isso tudo para depois, agora eu quero você... ― Bento falou baixinho.

Gregori gargalhou.

― Você quer o que, Sr. Anderson? ― Gregori perguntou.

― Você! ― Bento disse baixinho.

― Diga... ― Gregori pediu baixinho. ― Eu adoro quando você fala safadeza.

Bento sorriu de leve.

― Eu quero você, dentro de mim... ― Bento pediu com um sorriso safado.

― Seu pedido é uma ordem, meu senhor... ― Gregori falou com animação na voz.

Os dois logo estavam despidos na sala e prontos para começarem a se amar (...)