Por ela, por você e por nós
2 Capitulo 2 - Por ele
Notas iniciais
Remo
Dor era a sensação que vinha me acompanhado, desde o instante que ouvi o banque do corpo delicado com a parede, e então o som do desmoronamento. O mundo naquele instante parou, e perdeu todo seu brilho, da mesma forma que aqueles lindos olhos se apagaram eternamente. Segundos depois eu vi vermelho de ódio e o restante da guerra é um borrão na minha memória.
Ainda não tive coragem de visitar o tumulo da Ninfa, tinha uma esperança idiota principalmente nas primeiras semanas que ela chegaria tropeçando nos próprios pés, me dizendo que tudo tinha sido em engano.
As vezes depois das transformações, esperava ela entrar com um café da manhã reforçado e todas as poções para curar minhas novas feridas. Esses eram os dias mais difíceis nos quais normalmente chorava antes de dormir.
Merlin que tivesse piedade da minha alma, mas ainda tinha dificuldade de olhar para o meu filho, ele me lembrava Ninfa de tantas formas, tão parecido com a mãe em sua maneira de ser.
Tinha, no entanto, um lugar no qual tinha passado muito tempo, o memorial construído nos terrenos de Hogwarts, muitos dos que amei estavam ali, retratados como os verdadeiros heróis de guerra que foram, meu rosto devia estar ali, no lugar do dela.
No dia da inauguração, fiquei ali até o anoitecer, debaixo da chuva, deixando as gotas se misturarem com minhas lagrimas, chorei até que não tivessem mais lagrimas a derramar, então fiquei apenas encarrando a foto de Ninfa, sabia que tinha alguém me observando, mas não dei importância, por mim ficaria ali para sempre.
Quando a chuva finalmente deu uma trégua, senti uma aproximação, sabia que não era uma ameaça, o cheiro era familiar, uísque e terra, Hagrid tinha vindo me buscar no mínimo a pedido de Minerva.
— Professor, o senhor não quer em acompanhar até o castelo, o jantar já deve estar sendo servido, ou podemos ir até minha casa e tomar uma boa dose de uísque, sabe para aquecer o corpo.
— Obrigada Hagrid – minha voz estava rouca, pela falta de uso – mas acho que devo voltar para casa, e por favor não me chame de professor, perdi esse título a muitos anos.
— Você que sabe, se quiser posso te acompanhar até o ponto de aparatação.
— Agradeço novamente, mas posso fazer isso sozinho, até mais ver, mande meus agradecimentos a preocupação de Minerva.
— Claro professor, digo Remo. – Antes que ele continuasse, forcei minhas pernas a levantarem e seguirem o rumo aos portões de Hogwarts – mas não foi ela quem me pediu que viesse.
Não prestei muita atenção a sua última frase, seja lá quem for que se preocupa comigo, está apenas perdendo tempo.
Ao chegar em casa, vi uma coruja me esperando, trazia em sua pata uma carta. Me aproximei da ave e lhe fiz um afago, antes de abrir a porta e deixar que passasse e fosse se alimentar.
Era de Andromeda, me dizendo que Teddy continuava a pedir por mim e por Ninfa, que ela precisava de ajuda, que eu precisava ficar com meu filho, no fim talvez tomada pela raiva e tristeza, me dizia que eu era um covarde, por não aproveitar a chance que a filha dela não tinha mais de ver o filho crescer.
Respondi dizendo que passaria amanhã na casa dela, para discutirmos sobre o que fazer em relação ao pequeno, hoje não tinha mais forças para nada, então me arrastei até o sofá e virei um bom gole do uísque de fogo que tinha deixado ali antes, e adormeci assombrado pelas memorias.
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