Por detrás das ondas
2 ARQUIVO EXTREMAMENTE CONFIDENCIAL, MITCH SOKOLOV – Cap.2
8:00PM
Mitch buzinou para que o porteiro do seu condomínio abrisse o portão para ele passar.
–Acalme-se rapaz! – Disse o velho porteiro.
Assim que o portão se abriu, Mitch acelerou o carro fazendo com ele o pneu “cantasse”.
–Mas que porcaria! Logo hoje esses caras me mandam uma mensagem! Até pensei se eles tivessem morrido! – Mitch resmungou saindo do carro em sua garagem.
Chegando ao seu apartamento no térreo, Mitch fechou todas as janelas para ter privacidade e evitar supostos olheiros. Ele foi ao seu quarto e arrancou a camisa social de trabalho, exibindo seu abdômen definido e sua tatuagem: U49. Mitch apresentava uma respiração pesada, denunciando certa insegurança. Ele arrastou sua cama e tirou do chão um grande piso falso de madeira que era muito semelhante ao piso real do apartamento.
Ele fez uma pequeníssima aterrissagem num lugar escuro, que até então estava debaixo do piso falso, ascendeu a lâmpada e viu que o computador em uma mesa, duas grandes CPU, um rádio e cadeiras estavam cheios de poeira.
–Não sei quando esse povo vai fazer contato comigo novamente, então é melhor limpar de qualquer jeito – Mitch comentou com ele mesmo limpando tudo com a mão.
Após da “limpeza”, Mitch ligou tudo que havia naquele quarto confidencial. No computador ele executou um programa complexo com vários números, senhas e códigos.
11:30 PM
Mitch encontrava-se ainda naquele quarto, acompanhado com uma xícara de café para deixa-lo acordado. Depois de inúmeros dígitos, Mitch finalmente entrou numa página na Deep Web. De repentino, a webcan do computador ligou e emitiu uma forte luz no rosto dele, e como num piscar de olhos, a luz sumiu.
–Ah! – Mitch demonstrou feições que denunciavam dores oculares – Isso não dá certo, seus idiotas!
Mitch instantaneamente ligou o rádio, na frequência 4625. E a voz masculina de antes tomou o rádio novamente dizendo:
–Tri... Sorok, sto dve, dvadtsat’. Ivan.
Mitch anotou a lápis num caderno: “Três, quarenta, cento e dois, vinte. Mitch”. Depois de analisá-lo por alguns segundos ele disse franzindo a testa:
–Ok.
1:20AM
Mitch estava mole de sono, mas logo essa moleza se cessou, devido a voz masculina na rádio novamente, dizendo:
–Sorok devyat', sem'desyat dva tselykh dve, devyanosto chetyre.
–Finalmente fiz contato... A cada ano é mais difícil. – Mitch comentou e passou a mão em seus cabelos lisos e castanhos.
Mitch anotou novamente: “Quarenta e nove, setenta e dois ponto dois, noventa e quatro.” Depois de ler esta anotação inúmeras vezes, ele fez uma cara de quem não gostou e resmungou:
–Mais um. Tsc. Tenho que ir à Ibrainovitch amanhã... Quero dizer, hoje! – Ele disse olhando no seu relógio de pulso.
Depois de emitir ondas em seu rádio, Mitch desligou tudo, subiu para a superfície, tampou cuidadosamente o piso falso, colocou sua cama no lugar e finalmente foi dormir.
10:12AM
–Chefe, você... Sabe alguma coisa do Mitch? – Dana perguntou sentada numa cadeira confortável, em sua nova mesa de secretária rodeada de papéis e um computador.
–Ele me enviou um e-mail, e disse que a Tia dele não está bem e não tem ninguém para cuidar dela, então ele teve que se ausentar por um momento do trabalho.
–Nossa! – Dana ficou surpresa – Ele vai voltar hoje?
–Ele disse que ao meio dia ele estará aqui. Por que pergunta dele, Dana?
–Por nada... – Ela respondeu cabisbaixa.
–Você quer almoçar comigo? Será um prazer tê-la almoçando comigo. – Henry fez cara de safado.
–Não, obrigada. Eu tenho uma acompanhante já.
–Ah , Ok. Mas está me devendo uma. – Ele disse indo embora da sala em que os dois ficavam.
12:56 PM
Mitch foi recepcionado por um faxineiro da loja Enox, onde Mitch trabalhava. Logo após ele foi a sua sala.
Não demorou muito para que a porta se abrisse, era Henry dizendo:
–Está... – Henry se deparou com a cara de Mitch – Mas que cara é essa, amigo?
–Olá, chefe... – Mitch disse com uma voz de sono – Só passei a madrugada inteira cuidando da minha tia.
–Você tem certeza que quer trabalhar mesmo assim?
–Só vou deixar umas coisas resolvidas aqui e irei pra casa. Tem problema?
–De forma alguma. Bom, já vou indo almoçar. Qualquer coisa me chame!
–Ok.
3:30PM
Dana encontrou Mitch no bebedouro, que ficava num lugar “inóspito” da loja, engolindo uma espécie de remédio e disse:
–Mitch! Eu estava tão preocupada. Como você está?
–Dana eu... – Ele foi envolvido pelos braços da secretária – Tive que cuidar da minha tia nessa madrugada. To super cansado – Ele pode sentir o cheiro e a maciez da pele daquela mulher sobre seus ombros.
–Quer que eu te ajude em algo? – Ela ainda o abraçava.
–Não. Daqui a pouco estou indo embora. – Ele a abraçou de volta, nas costas dela. – Infelizmente não posso te dar carona.
–Eu me viro – Ela falou. Ainda no abraço ela distanciou um pouco para ver o rosto com olheiras e olhos vermelhos de sono do administrador — Sabe... Muitos empregados da loja me ofereceram carona, mas eu não quero ir com eles, porque eles mentem pra mim falando que minha casa é caminho para a casa deles.
–Você sabe detectar mentiras? – Mitch perguntou, incomodado com essa nova informação.
–Sei. Mas você foi o único que falou a verdade, lembra? – Dana sorriu.
–Lembro – Mitch estava tão perto de Dana, que conseguia encara-la sem medo.
–Então... Você pode sempre me dar carona? – Ela passou a mão na nuca do administrador.
–Claro que posso. – Ele respondeu como se fosse um cão domado.
–Depois a gente conversa sobre isso. – Ela deu um beijo provocante, perto da boca do Mitch, muito semelhante ao da noite passada.
–Ok.
Os dois terminaram o abraço longo, e Dana se despediu de Mitch e ela foi indo para sua sala.
–“Mas o que foi isso? Onda de carência?!” – Mitch pensando, iniciou a caminhada que iria para sua sala – “Onde já se viu uma mulher linda e provocante ao mesmo tempo?! Preciso tomar cuidado com ela. Não posso, de jeito nenhum, me apaixonar por ela!”.
Fale com o autor