Por Você

11 Capítulo 11


Notas iniciais
Gomen nasai!!!
Não tem desculpa...simplesmente não tem desculpa!
Sei que abandonei a fic num momento crítico, mas aconteceram muitas coisas que me impediram de postar logo, a mais importante delas foi o bloqueio criativo, não conseguia pensar na continuação -.-'
Enfim, o capítulo não é muito grande, mas dá a resposta para a pergunta do Hikaru ao Tamaki e praticamente encerra a parte do acampamento.
Espero que vocês gostem...comentários adicionais nas notas finais, leiam por favor!!!

" Viveste sempre na minha vida, e eu estive sempre contigo quando sorriste. Hoje, a solidão. Desapareceremos um do outro, deixaremos de ser nós, pare sermos só tu e só eu. Mas não esqueceremos. E lembrarmo-nos de quando acordávamos e olhávamos um para o outro, pois tínhamos acordado ao mesmo tempo e tínhamos ao mesmo tempo pensado em ver-nos. Lembrarmo-nos de falar na nossa maneira de falar, e ficarmos com essa linguagem só nossa na cabeça, essa maneira de falar que nunca mais utilizaremos com ninguém. hoje, deixarte-ei, sabendo que sempre tive amor por sempre teres estado comigo. E não tenho mais vergonha dessa palavra que nunca dissemos: amor: essa palavra: amor: que nunca chegamos a dizer e que hoje preciso de dizer. Sincero, verdadeiro, irmão. Irei sentir a tua falta. Sem o poder explicar a ninguém por não existir ninguém ao meu lado, irei sentir a tua falta."

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- E você, Tono-san, o que sente pelo Kaoru??


- Eeeh?? Como assim Hikaru? – O mais velho estranhou a pergunta do ruivo.

- Isso mesmo que você entendeu! O que você sente pelo meu irmão, Tono-san? – Tamaki percebeu que o gêmeo mais velho tinha no rosto uma expressão irritadiça, parecia estar incomodado com a possível resposta que ele daria a pergunta, mas não compreendeu o motivo disso. Com indiferença, o maior disse:

- Eu amo o Kaoru-kun!

Quase foi preciso que o ruivo segurasse o próprio queixo para que não despencasse, não acreditava no que o loiro acabara de lhe dizer. Como assim ele amava Kaoru?! Desde quando!? Porque ele nunca lhe dissera nada!? Antes que pudesse manifestar verbalmente estes pensamentos, foi interrompido pelo mestiço, que continuou sua fala:

- Eu amo o Koaru, assim como eu amo você, o Mori–senpai e o Honey–senpai, e também o Kyouya e a Haruhi apesar deles serem maus comigo às vezes – acrescentou fazendo bico, como uma criança emburrada.

Hikaru ficou confuso, não estava entendendo onde o loiro queria chegar com essa conversa, e o maior percebendo isso, acrescentou:

- Hikaru-kun, você esqueceu que eu sou o pai e vocês são todos meus filhos? E o Kyouya é a mãe! É claro que eu amo vocês! – de repente uma idéia surgiu na mente do maior que, imediatamente, abraçou o ruivo, enquanto lágrimas corriam de seus olhos como cachoeiras – Você acha que eu não estou dando amor suficiente para vocês? Eu tenho sido um pai ausente?? Me perdoe, meu filho!!! – Tamaki continuava com sua cena dramática enquanto uma gota enorme surgia na cabeça de Hikaru.

- Ok Tono-san, já entendi. Deixa isso pra lá. – Hikaru percebeu que havia se enganado completamente quanto as intenções do maior e, se não fosse pelo dramalhão do loiro teria ficado muito envergonhado da situação. Saiu andando para dentro da trilha, deixando para trás um Tamaki perplexo.

- Deixar pra lá? Como vou deixar meus filhos “pra lá”? – E saiu atrás do menor, ainda com cachoeiras no olhos.

Hikaru fez um facepalm enquanto constatava que essa história ainda iria longe.

Depois de algum tempo dedicado as tarefas que cada um havia recebido, os hosts se reencontraram no acampamento, onde fizeram sua refeição. Era por volta de meio dia, e o clima estava bem mais quente que no dia anterior.

Era o último dia deles naquele local, e decidiram que naquela tarde não fariam nenhuma atividade em grupo, cada um aproveitaria o seu tempo livre da maneira que preferisse afinal essa era uma boa maneira de todos relaxarem e dedicarem suas ultimas horas de descanso antes do retorno as aulas, às atividades que mais gostassem.

Haruhi, que trouxera alguns livros consigo, havia decidido por ficar no acampamento se dedicando a leitura porém, depois de muita insistência por parte do presidente do Host Club, decidiu acompanhar o mesmo até “um local muito bonito” que o mesmo disse ter visto no dia anterior quando foi procurar frutas junto a Kaoru.

O mais novo dos Hitachiin decidiu que iria para o rio, mesmo tendo sido advertido por Kyouya que não deveria fazer muito esforço físico logo após a refeição. Contrariando as indicações do mesmo, mas dizendo que não cometeria nenhum abuso, pegou uma toalha e se dirigiu à pequena trilha.

O gêmeo mais velho resolveu apenas explorar o lugar, não tinha disposição para entrar na água, muito menos para ficar sentado lendo, então apenas se embrenhou na mata munido de seu aparelho celular.

Mori-Senpai seguiu Honey-Senpai, quando o menor manifestou uma vontade de caçar borboletas, usando a desculpa de que procuraria um local aberto para treinar.

Kyouya, ao se ver sozinho no acampamento, resolveu que faria o que Haruhi desistiu de fazer, leria um bom livro para passar o tempo.

Kaoru, que vestia uma sunga preta colada ao corpo, apenas sentia a água fria envolvendo sua pele, as pontas dos dedos dos pés, assim como as mãos, estavam fora do alcance da água naquele momento, e a brisa fresca do local parecia ter nessas partes um efeito gélido, uma vez que depois de entrarmos na água fria, a temperatura externa sempre nos parece mais baixa do que antes. O mais novo do Hitachiin encontrava-se com o corpo recostado a uma pedra grande que fazia uma leve inclinação para fora d’água, permitindo que o rapaz pudesse ficar deitado com as costas sobre ela, apenas admirando o céu límpido daquela tarde e a luz do sol coada pelas folhas das árvores que margeavam o rio. Naquele raro momento solitário, o garoto pensava sobre o passado, sua infância ao lado de seu irmão, e todos os momentos que viveram juntos.

Olhando para as pontas de seus dedos das mãos, percebeu que os mesmos começavam a ficar enrugados, e lembrou-se das brincadeiras com o gêmeo na grande piscina de sua casa, onde, por vezes, passavam tardes inteiras de verão se divertindo. Riu-se, ao lembrar da peça que pregaram certa vez em uma das muitas babás que os pais contrataram para cuidar deles enquanto eram pequenos. Naquela ocasião ambos combinaram que Hikaru, que tinha mais folego, ficaria boiando de barriga para baixo na piscina enquanto Kaoru chamaria a jovem mulher avisando que o mais velho teria se afogado, lembrava-se com perfeição da expressão preocupada da jovem ao correr para a piscina, da sua surpresa ao ser agarrada pelo calcanhar pelas mãozinhas do supostamente afogado Hikaru, e da sua cara de indignação após cair na piscina molhando seus “maravilhosos e perfeitos” cabelos. Ficaram de castigo por uma semana, sem poder utilizar a piscina, mas valeu a pena e, afinal, ficaram de castigo juntos, nem se incomodaram, o importante era terem um ao outro por perto. Sorriu largamente com essas lembranças de infância, sempre foram apenas eles, um era o universo do outro, as brincadeiras eram as mesmas, as roupas compartilhadas, o jogo de se fazer passar um pelo outro na escola ou de imitarem um espelho na hora do banho, as noites de frio ou de tempestade em que dormiam abraçados e sempre um acabava acordando com dores no corpo no dia seguinte, as vezes em que levou bronca por uma traquinagem do irmão e ganhou sua parte da sobremesa como recompensa, as tarefas e provas trocadas na escola, a queda dos primeiros dentes de leite – que aconteceu no mesmo dia para ambos, os momentos em que falavam a mesma frase ao mesmo tempo, parecendo que um podia ler a mente do outro, e talvez realmente pudesse pois o vínculo era tão forte, que era difícil explicar, eram uma alma dividida em dois corpos.

Kaoru pensou que poderia viver assim com Hikaru pelo resto de suas vidas, para ele o outro era o que bastava, o gêmeo mais velho era o único a quem realmente se preocupava em agradar, de quem a opinião sempre fazia a diferença, de quem sempre tinha vontade de estar perto... Por que depois de crescidos as coisas tinham que mudar tanto? Era triste, mas ele tinha que se conformar. Soltou um longo suspiro e deixou que as palavras saíssem de seus lábios sem perceber:

- Hikaru...por que tem que ser tão difícil?! – O mais novo dos gêmeos não teria se preocupado em pensar alto, se não tivesse ouvido, naquele momento, um farfalhar nos arbustos atrás da pedra onde se encontrava deitado. Levantou o tronco rapidamente e pode perceber um vulto saindo apressado. De imediato ficou um pouco ressabiado, mas depois conformou-se com a ideia de que poderia ser algum pequeno animal ou até mesmo Honey-Senpai correndo atrás de insetos pela mata.

Mal sabia ele que era o próprio alvo de seus pensamentos que estivera, momentos antes, observando seu momento de reflexão.

O ruivo mais velho havia caminhado um pouco pela mata, mas logo se cansou disso eresolveu procurar pelo irmão, seguindo assim a trilha do rio, já que sabia que o mais novo estaria lá. Ao avistar o local, loco conseguiu identificar o mais novo sentado com os pés dentro da água e, ainda sem ter sido visto, fez menção de ir até, porém a visão que teve a seguir o fez voltar a sua posição inicial, um tanto aturdido. O gêmeo mais novo acabara de se levantar e, pretendendo entrar completamente na água, começou a retirar a camiseta e a bermuda que vestia, para ficar apenas com a sunga que trajava sob as demais peças. O mais jovem sequer tinha consciência da presença de mais alguém no local e, portanto, retirava cada vestimenta sem nenhuma malícia, porém o mais velho não conseguia desgrudar os olhos de cada movimento do gêmeo, percebendo cada simples volteio dos dedos finos sobre o tecido, a luz, que refletida pela água, fazia sombras que se movimentavam por sobre a pele que revestia os músculos delicados do corpo a sua frente, corpo igual ao seu mas que, naquele instante, lhe pareceu tão novo e tão diferente. Não resistiu a ficar observando e, abaixando-se atrás de alguns arbustos, pôs-se deliciar-se, sem perceber, com a imagem a sua frente. Era como se fosse sua própria imagem refletida, mas tinha uma delicadeza que ele não encontrava em si próprio e, enquanto via a água tomar conta do corpo branco e delgado como o seu, percebeu o riso leve que se formava nos lábios que ouvia chamar seu nome todos os dias, desde sempre, e se deu conta do quanto amava ver aquele sorriso, aquela expressão tranquila e sonhadora, que talvez ele próprio nunca fosse capaz de fazer, ainda que tivessem o mesmo rosto.

Antes que se desse conta de que ficara com os lábios secos ao reparar em cada detalhe do corpo do irmão, o mais velho percebeu o outro inclinar a cabeça um pouco para trás e soltar um suspiro longo, seguido do seu próprio nome. Com medo de ter sido descoberto, saiu depressa do local, sem ouvir a última parte da frase do mais novo e sem perceber que não havia sido visto.

Ao se encontrar um pouco longe da margem do rio, parou, recostando-se a uma árvore e neste instante reparou que, além de estar ofegante pela corrida, sentia o rosto queimar, as mãos formigarem, e o coração a querer saltar para fora do peito. Não conseguia compreender o motivo dessas sensações, mas a imagem do irmão se banhando no rio parecia ter tudo a ver com as mesmas, afinal ao se lembrar disso, sentiu o rosto aquecer ainda mais. Decidiu que era melhor não pensar mais nisso por enquanto, talvez conversasse com Haruhi sobre o assunto uma outra hora.

Notas finais
É isso galera, no próximo capítulo o encerramento do acampamento, é claro com a cena do Tamaki e da Haruhi, só que ainda não pensei nisso.
O trecho do início é do livro Nenhum Olhar, de José Luís Peixoto, essa fala é do personagem Moisés para seu irmão gêmeo Elias. Achei muito bonito o discurso, e achei que cabia muito bem para a fic.
Enfim, espero postar com mais frequência agora.
Não se esqueça do review, ainda que esta autora baka não o mereça -.-