Por Você
2 A chegada.
Notas iniciais
A viagem foi cansativa, mas... Aqui estou eu, apenas com uma mala e uma mochila e meu melhor amigo. Minha mãe insistiu para que me desse dinheiro todo o mês até eu arrumar um trabalho. Concordei até porque eu não estou louco de recusar dinheiro.
19h52min chegamos ao endereço da casa, mas resolvo perguntar para alguém se é este o lugar.
– Ei, amigo! — chamo um senhor que passava na rua — sabe nos dizer se tem uma casa vazia nesta rua, cujo o dono era Izaque Manstersong?
– Sei sim, é aquela grande casa ali. Mas há um porém. — Diz o desconhecido.
– Qual, porém?
– Essa casa ficou vazia, depois que o dono morreu, faz mais ou menos duas semanas. Mas, recentemente, chegou uma senhora e, aparentemente, ela está morando lá.
– Uma senhora? — Pergunto.
– Sim. Moro na rua de trás, por isso eu sei.
De repente começo a pensar: quem será? Não me lembro de saber que teria companhia, além da de John.
– Bom... Obrigado pelas informações. — digo.
– Disponha.
Toco a campainha e uma senhora aparece e vai direto para o portão, onde eu e John estamos.
– Com licença, esta casa é da senhora?
– Não. Era do meu patrão. E vocês, quem são?
– Meu nome e Jack Manstersong e este é meu melhor amigo John Crinst. Nós...
– Você é Jack Manstersong? — diz ela interrompendo minhas apresentações.
– Sim. — digo sem entender e penso: ela me conhece?
– Ótimo, estava a sua espera. Meu nome é Dimitra Rhaster. Seu tio Izaque era o meu patrão. — e se dirigindo a John diz: — prazer em conhecê-lo John. Entrem. — disse ela em um tom formal.
Ao entrar na casa, vejo logo uma grande sala de estar com ula televisão realmente enorme, três sofás grandes e quadros abstratos. Não costumo prestar atenção em detalhes de decoração e arquitetura de casas e apartamentos. Sendo habitável, para mim, está de bom tamanho.
Já a senhora Rhaster parece ser uma boa pessoa. É mediana, um pouco grisalha e deve ter entre quarenta e cinco à cinquenta e cinco anos de idade. Ela explica que no testamento, meu tio deixara ela como a pessoa que cuidaria de tudo em relação a casa. Meu tio Izaque tinha diversos empregados, mas deixou claro que após sua morte apenas o emprego de Dimitra deveria ser mantido se a mesma o quisesse. É. Parece que meu tio confiava mesmo nela. Sem querer saber mais sobre isso de testamento, mudanças e etc, pergunto a ela onde será o meu quarto e logo ela indica onde será o de John. Assim que descubro onde é o meu quarto, entro nele e me jogo na cama (estou exausto). Adormeço.
Acordo de maneira brusca. Pesadelo. Olho no relógio que esta na estante do lado da minha cama. São 04h07min da madrugada. Ouço sons vindos do lado de fora da casa e desconfio.
– Mas que barulho é esse? — exclamo num tom de voz baixo e rouco. Levanto da cama de mau humor e decido abrir a janela para ver que faz este barulho. Bufo. Gatos barulhentos... Precisam fazer tanto escândalo para procurar comida no lixo? — penso.
Olhando pela janela, em um momento de distração, vejo uma garota andando e olhando para trás como se estivesse sendo seguida. Está escuro e não consigo ver o rosto dela nitidamente. Ela está mancando e, como já estou de pé, decido descer e ajudá-la. Desço as escadas com pressa e vou até a rua.
– Ei, garota, precisa de ajuda?
Ela olha para mim e volta a caminhar ignorando minha pergunta. Tropeça e cai no meio da rua que está deserta, até porque, são por volta de 04h15min. Corro para ver se ela se machucou. Ela tenta se levantar, mas não consegue, parece estar sem forças. A pego em meus braços e a levo para a calçada da minha casa.
– Você está bem? — Digo-lhe mostrando-me preocupado. Não me responde. Não parece bem. Está assustada, eu acho. Levanto seu rosto para que eu possa ver quem e como ela é. Ela deixa.
Meu Deus! Como ela é bonita. — penso. Muito bonita. De olhos azuis, cílios curvados, nariz fino e a boca muito bonita. Mas vejo que está com o rosto um pouco sujo e que há um corte, mas não sangra.
– Você está ferida. Vamos, entre, vou pegar um curativo para você. — Tento levanta-la, mas me empurra com o resto de força que ainda tem – Ok, certo, não quer entrar então me espere aqui eu já volto — deixo-a sentada na calçada, entro e corro para pegar um curativo. Encontro em uma gaveta no armário da cozinha e não demoro mais que dois minutos. Quando volto, não está mais onde a deixei. Procuro por ela, mas não vejo ninguém, nem rastro dela. E o pior é que não sei nem mesmo o seu nome.
Volto para o meu quarto e deito novamente.
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