Por Você

20 Final - Parte... Final


Notas iniciais
Bom, eu sei que prometi para o fim de semana e não tenho justificativas para o atraso além de querer fazer o melhor possível para encerrar essa história com chave de ouro. Eu estava aguardando uma coisa, mas acabei deixando de lado por respeito a vocês que leem, acompanham, comentam, aguardam e me fazem tão feliz. Espero que gostem do final que criei para essa história que me surpreendeu tanto, e que eu não os decepcione =S Os agradecimentos aos leitores e demais comentários estão nas notas finais, leiam por favor!

Existe uma lenda que diz que no tempo dos deuses havia uma civilização onde a harmonia e o amor reinavam, pois ela havia sido criada por Vênus e Eros. Uma civilização muito, muito diferente. Os seres possuíam quatros braços, quatro pernas, duas cabeças e dois troncos distintos, mas com apenas uma alma. E esta harmonia provocou a fúria de outros deuses. Então os outros deuses enviaram uma tempestade com relâmpagos e trovões naquela civilização... Vênus e Eros tentaram lutar, mas foi em vão. E cada relâmpago que caía na civilização atingia um ser, foram dois dias e duas noites de tempestade e fúria. Os corpos eram divididos pelos relâmpagos e levados pelas águas, separados em duas partes e dividindo sua alma ao meio... E assim muitos se perderam, muitos ficaram sozinhos, mas conseguiram sobreviver. Dizem que até hoje estes seres vivem na luta e na busca de sua outra metade, a sua “Alma Gêmea”.

A sabedoria popular também diz que aquilo que mais procuramos pode estar ao nosso lado sem que nós percebamos...

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Hikaru e Kaoru chegaram à casa exaustos, não apenas pela festa, mas por todos os acontecimentos anteriores a ela e que, diga-se de passagem, foram bem desgastantes do ponto de vista psicológico de ambos.

Naquela madrugada nada mais foi conversado sobre o que houve antes do baile. Cada um tomou seu banho separadamente e vestiram seus pijamas, logo indo se deitar.

Parecia haver um entendimento silencioso entre eles, como se palavras fossem desnecessárias para exprimir o que estavam sentindo naquele momento.

Kaoru estava confiante, compreendia agora que o irmão também seria capaz de qualquer coisa para fazê-lo feliz e por isso ele esperaria o quanto fosse necessário para concretizar tudo aquilo que desejava ter ao lado do mais velho.

Hikaru estava tranquilo, conseguira finalmente compreender o que se passava com o mais novo e sabia que de agora em diante eles nunca mais se separariam. Sabia que seria estranho no começo e que ainda não sabia como agir, mas percebia a compreensão do irmão e isso o tornava mais calmo para deixar as coisas acontecerem tranquilamente.

Depois de apagar as luzes e se deitarem sob o edredom, os corpos se moveram automaticamente, ficando um de frente para o outro, e foi tão natural quanto um cruzar de olhares que os lábios se tocaram numa carícia tímida, mas repleta de ternura e carinho. De início fora apenas um toque superficial, os lábios se grudavam e logo se descolavam, vagarosamente, apenas experimentando a textura de seus pares, como não tiveram tempo para aproveitar das duas primeiras vezes. Porém apenas esse tipo de toque não foi suficiente para que ambos ficassem satisfeitos, e foi o gêmeo mais novo quem tomou a iniciativa de passar a língua nos lábios do mais velho, no intuito de aprofundar o ósculo. Hikaru não se fez de rogado, recebeu de bom grado o musculo úmido tocando o seu próprio. No começo os movimentos eram calmos, as línguas se roçavam dentro das bocas apenas testando os sabores, degustando cada parte tranquilamente. Porém quando o mais velho dos gêmeos foi um pouco mais ousado na carícia, forçando sua língua em direção a garganta do outro e logo em seguida sugando a dele com os lábios com um pouco de força, o mais jovem não resistiu e soltou um longo suspiro entre o beijo, tornando a situação um pouco mais quente. Em questão de segundos uma batalha estava travada. Cada qual lutava por dominância no beijo e as línguas se provavam numa ânsia incontida, até escorregarem e passarem a se esfregar uma na outra do lado de fora das bocas, o que gerava um rastro de saliva nos lábios e queixos de ambos. Apenas quando o ar se fez necessário e os irmãos se encontravam totalmente ofegantes e corados, a carícia arrefeceu.

Os sentimentos de ambos naquele momento eram tão intensos que tiveram dificuldades para se encarar. Ainda que não houvessem mais barreiras entre eles, era difícil lidar com uma situação dessas. Não era como se algum deles estivesse preparado para sentimentos tão avassaladores, ainda mais se esses sentimentos eram voltados para alguém ao lado de quem estiveram por toda a vida. Era tudo muito confuso e estranho para eles. Sobretudo para Hikaru.

Mas Kaoru compreendia e aceitava.

O mais novo dos gêmeos, assim que recuperou o controle de sua própria respiração, deu um beijo singelo na bochecha do irmão, e calmamente deitou-se ao lado deste, segurando firmemente a sua mão e dizendo:

– Oyasumi, Hikaru. Aishiteru.

Hikaru surpreendeu-se com a atitude do mais novo. Acreditava que ele iria querer ir até o fim e por isso acabou se espantando quando recebeu apenas um beijo e um voto de boa noite... E uma declaração de amor, claro. Ligeiramente emocionado, deitou-se também, correspondendo ao aperto em sua mão, e respondeu:

– Oyasumi, Kaoru. Aishiterumo.

E assim, um de frente para o outro, mãos dadas e olhares cruzados, ambos cederão aos braços de Morpheus e se entregaram ao merecido descanso por aquela noite.

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Kaoru foi o primeiro a acordar no dia seguinte. Deviam ser por volta de 11h da manhã. Era sábado e, por isso, não tinham aula. As empregadas provavelmente os deixaram dormir até mais tarde devido ao horário que chegaram de madrugada.

O mais novo dos Hitachiin fez menção de se levantar, mas estagnou quando, ao movimentar seu quadril, percebeu algo completamente inusitado.

Os gêmeos estavam a dormir de conchinha, Hikaru abraçado a Kaoru por trás, as mãos entrelaçadas em sua cintura. Porém não foram as mãos de Hikaru que fizeram Kaoru congelar naquela posição. Na verdade os braços do mais velho estavam apenas colocados sobre o mais jovem, era perfeitamente possível se movimentar sem acordá-lo. O problema estava bem mais abaixo...

A verdade é que Hikaru estava com uma bela ereção matinal encostada às nádegas de Kaoru. Ao constatar esse fato, primeira o gêmeo mais novo corou até as orelhas, depois deu uma rápida olhada para trás, a fim de conferir se o irmão ainda dormia. Por fim decidiu-se por ficar ali até que o mais velho despertasse. Fingiria dormir para que o outro não ficasse constrangido quando acordasse e foi o que fez. Depois de 15 minutos não foi mais necessário fingir. A quietude do ambiente aliado ao ressonar ritmado do mais velho fez com que o mais novo voltasse ao mundo dos sonhos.

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Era cerca de meio dia quando o gêmeo mais velho despertou assustado. Tivera um sonho, digamos, quente, envolvendo seu irmão e não ficou surpreso ao perceber o efeito que este sonho tivera em seu corpo. Rapidamente virou-se para o irmão que repousava tranquilamente ao seu lado, na intenção de confirmar que o outro não havia percebido nada. Sentiu-se aliviado, mas resolveu levantar-se o quanto antes para evitar constrangimentos. Mesmo porque ele teria que resolver “aquele problema” no banheiro...

Não muito tempo depois, Kaoru foi quem despertou e percebeu o irmão penteando os cabelos, já devidamente vestido e ele, ligeiramente envergonhado, resolveu fazer sua higiene.

Hikaru estava tão absorto em seus pensamentos sobre o sonho que tivera que sequer percebeu a vergonha do irmão e sua postura mais calada que o habitual.

No restante do dia agiram normalmente, com a exceção de que estavam ainda mais próximos, mais felizes e que sempre aproveitavam algum momento em que estavam sozinhos para trocar selinhos carinhosos e andar de mãos dadas.

Os dias que se seguiram não foram muito diferentes daquilo para ambos. À noite sempre trocavam beijos afoitos e calorosos, mas sempre que a situação começava a ficar mais quente um dos dois interrompia e eles acabavam indo dormir.

No fundo ambos tinham seus receios. Hikaru tinha medo de não saber o que fazer, de não conseguir agradar o irmão. Kaoru tinha medo de parecer muito afoito, de desrespeitar o tempo de Hikaru. E assim os dois seguiam reprimindo seus desejos com medo de magoarem o outro.

Porem esses desejos reprimidos acabavam se manifestando nos momentos em que a mente não tem barreiras, ou seja, durante os sonhos, e acabou por se tornar frequente que um ou outro acordasse molhado ou com uma visível ereção e tivesse que deixar a cama antes que o outro acordasse para resolver o problema.

Por incrível que parece, Kaoru era o que mais sofria com a situação. Não era de agora que ele percebera que tinha desejos pelo irmão, porém poder tocá-lo e beijá-lo levara o seu autocontrole a um patamar insustentável. Ele sempre queria mais, mas o medo de ter suas investidas rejeitadas o segurava. Era insuportável.

Mal sabia ele que Hikaru também estava em seu limite.

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Kyouya estava aliviado, a semana havia sido cheia e desgastante por diversos motivos, mas agora parecia finalmente ter um pouco de paz.

Logo numa segunda-feira teve de ir a cada dos Houshakuji para formalizar seu relacionamento com Renge. Era uma situação estranha do ponto de vista do Ootori, apesar da família de ambos ter recebido a notícia com grande entusiasmo.

Por falar nisso o namoro com a loira ia às mil maravilhas, apenas não tornaram público pois os dois entraram num acordo que isso poderia atrapalhar o prestígio do Host Club.

Falando em Host Club, o que mais estressou o rapaz de óculos durante a semana foram as reuniões particulares que foi praticamente obrigado a ter com alguns dos anfitriões.

Depois do tão aclamado baile, o Ootori percebeu que, assim como no caso dele e de Renge, outros casais se formaram, e se viu obrigado a colocar um pouco de juízo na mente de seus “filhos” como Tamaki gostaria de dizer.

Os primeiros foram os mais evidentes, Honey e Mori. Kyouya achou melhor chamar apenas o Morinozuka, pois não gostaria de enfrentar um Honey-senpai irritado.

Kyouya deixou bem claro o quanto a exposição do relacionamento dos dois poderia ser algo precipitado e prejudicial. Ele própria não tinha nenhum tipo de preconceito, mas sabia que numa escola onde praticamente todos eram filhos de grandes empresários, isso poderia ser usado para, de alguma forma, atingir os negócios da família deles. O moreno ainda sugeriu que esperassem até se formarem, já que faltava bem pouco, e que fossem fazer uma faculdade juntos longe daquela cidade. Poderiam dividir um apartamento e assim ter a certeza de que o relacionamento daria certo antes de se exporem publicamente. Takashi concordou com o ponto de vista do mais jovem e prometeu conversar com o loirinho. Kyouya tinha certeza de que ele conseguiria, de alguma forma, convencê-lo. Só preferia não pensar em que forma seria essa...

Com Tamaki e Haruhi foi mais fácil. Chamou a Fujioka, que ele sabia ter a cabeça mais no lugar do que um certo loiro meio-francês, e explicou calmamente o quanto o host club seria prejudicado e ficaria mal visto caso ela revelasse que era uma garota ao que a mesma concordou. Por outro lado deixou claro que expor um relacionamento com Tamaki fazendo os outros acreditarem que era um garoto, apesar de agradar um publico fangirl, poderia também prejudicar a imagem da família do Suou. Prática e racional como era, Haruhi não se opôs a manter a relação em segredo e também prometeu convencer o loiro.

O problema maior foi com os gêmeos. A muito custo conseguiu convencer Hikaru a deixa-lo conversar a sós com Kaoru. O gêmeo mais novo surpreendeu-se ao saber que o mais velho havia descoberto sua relação com o irmão, e ainda mais surpreso quando o mesmo não demonstrou nenhum sinal de desaprovação. Porém foi com certo peso no coração que Kyouya teve de dizer ao mais novo dos Hitachiin que provavelmente eles teriam de manter o seu relacionamento em segredo por toda a vida. Foi obrigado a deixar claro que relacionamentos homossexuais já eram mal vistos, entre irmãos então, pior ainda. Era difícil, mas eles deviam saber que a sociedade nunca os aceitaria, provavelmente nem mesmo sua família. Se não fossem gêmeos eles poderiam fugir juntos para algum lugar onde ninguém os conhecesse e viver seu amor tranquilamente, porém no caso deles o parentesco estava estampado em suas faces para qualquer um ver. Eles tinham de se preparar e o Ootori odiava ser aquele que lhes abria os olhos.

Kaoru deixou a sala reservada do Host Club com lágrimas nos olhos, porém agradecido ao moreno pelos conselhos.

Provavelmente essa foi a conversa mais estafante que Kyouya teve nos últimos tempos. Ele procurava sempre manter a pose de durão, mas a verdade é que ele se importava, e muito, com seus amigos. Só esperava que todos eles alcançassem a felicidade ao lado de seus pares.

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Hikaru ficou preocupado ao ver o estado em que seu irmão deixou a sala após conversar com o vice-presidente do clube e teve que ser segurado por Kaoru para não ir tirar satisfações com o mais velho. Mais tarde naquele dia o gêmeo mais novo explicou do que se tratara a conversa e porque ficou tão abatido.

Ambos ficaram bem abalados ao finalmente refletir sobre o futuro que os aguardava, mas prometeram um ao outro que nada do que pudesse acontecer abalaria os sentimentos que tinham e a decisão de ficarem juntos. Viveriam a felicidade daquele momento, e que o sofrimento de amanhã ficasse para amanhã.

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Quem conhecia os gêmeos percebia a aura de felicidade que pairava entre ambos e o clima de cumplicidade ainda mais forte. Alguns diriam até que algo havia acontecido que parecia ter amenizado os defeitos de personalidade de ambos. Hikaru estava mais comedido, menos arredio enquanto Kaoru estava mais espontâneo, menos introvertido. Ambos poderiam dizer que estavam se esforçando para ser melhores um para o outro, mas era melhor que isso ficasse apenas subentendido.

Apenas uma coisa ainda estava em aberto, um detalhe nem tão pequeno que faltava para deixar o relacionamento entre eles completo. Mas parecia tão complicado que, em segredo, os dois irmãos chegavam a achar que aquilo não se desenrolaria nunca. E para adolescentes com hormônios a flor da pele, isso era desesperador.

No entanto não demoraria tanto quanto eles imaginavam.

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Era um fim de semana novamente, deviam ter passado cerca de um mês desde que haviam começa o relacionamento, por assim dizer.

Não houve um pedido formal ou algo parecido após a conversa na ponte, mesmo porque ambos se compreendiam sem precisar de palavras, então ficou claro que estavam num namoro... alguns poderiam até dizer casamento, uma vez que moravam juntos e dividiam o mesmo quarto, cama, vários objetos e etc. Só faltava a consumação do ato.

Kaoru estava muito concentrado mexendo no seu laptop quando Hikaru entrou no quarto oferecendo-lhe um bombom. Havia pegado da caixa que estava no armário sem que a cozinheira o visse e acabou pegando um para o irmão também.

O mais velho percebeu que o irmão assustou-se com a sua aproximação e imediatamente fechou a tela que estava vendo abaixou a tampa do computador. Hikaru estranhou a reação do irmão e perguntou o que era ao que Kaoru respondeu que se tratava de um jogo qualquer. O mais velho pediu para que ele o mostrasse depois para jogarem juntos ao que o mais novo assentiu, dizendo que naquele momento iria tomar um banho, deixando tanto o computador quanto o bombom sobre a escrivaninha e saindo apressado em direção ao banheiro.

Kaoru soltou um suspiro ao entrar no box, provavelmente seu irmão não tinha percebido nada. Agora era só tratar de resolver o probleminha que tinha dentro das calças.

Assim que ouviu o barulho do chuveiro, Hikaru imediatamente pegou o laptop de cima da escrivaninha, lembrando antes, é claro, de gravar a posição em que o mesmo estava para não levantar suspeitas.

Ligou o aparelho rapidamente e agradeceu mentalmente por o mais velho não usar senha e assim que a área de trabalho surgiu na sua frente tratou de abrir o navegador de internet e clicar sobre a guia Histórico. Realmente haviam alguns sites de jogos, filmes e animes memorizados, porém um deles chamou a atenção do mais velho dos gêmeos. Se tratava do endereço de um site de vídeos pornográficos. Não que Hikaru fosse algum moralista, ele mesmo já acessara aquele site várias vezes e achava isso perfeitamente normal, mas Kaoru... ele parecia tão... tão puro e meigo. Simplesmente não conseguia imaginar o mais novo vendo aquele tipo de vídeo. De repente outra realização o atingiu. Se Kaoru sempre foi gay, provavelmente os vídeos que ele via deviam ser de sexo entre homens!

Hikaru engoliu em seco e, tomando coragem, clicou sobre o último vídeo visto, não antes, é claro, de verificar se o computador estava com o som desabilitado. Parecia se tratar de um vídeo pornô comum, a não ser pelo fato de serem dois rapazes. Os dois eram loiros e bem jovens, conversavam tranquilamente até que o assunto mudou repentinamente e ganhou um teor sexual. Na sequencia eles começaram a se acariciar a logo migraram para a cama que havia no aposento. Nesse momento Hikaru paralisou o vídeo. O irmão já estava no banho a um tempo e ele achou melhor desligar o aparelho e deixa-lo onde havia encontrado. Mais tarde pesquisaria o vídeo e veria até o fim, uma vez que ficara totalmente curioso e excitado com a continuação dos acontecimentos.

Naquele mesmo dia o mais velho dos gêmeos conseguiu ficar um tempo a sós em que se dedicou a assistir aquele vídeo e a pesquisar outros que julgou interessante. Por mais que ainda achasse um pouco estranho ver aquele tipo de vídeo e saber exatamente como o sexo entre homens acontecia, acabou por ficar muito excitado se imaginando com o irmão fazendo aquele tipo de coisa. Pensando nisso acabou por bolar um plano que colocaria em prática naquele mesmo dia se tivesse sorte.

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Devia ser por volta de 21h quando Hikaru, deitado na cama de casal que dividiam, chamou o irmão.

– Ne Kaoru, vamos ver um filme? – O mais velho estava deitado e tinha o notebook no colo, pois já estava com o arquivo preparado.

– Ehh? Mas aqui? Não quer ir na sala de vídeo? – Kaoru estranhou a atitude do irmão pois normalmente era ele quem preferia ver filmes na tela grande.

– Ah, é que eu acabei de baixar esse da internet... – Hikaru tentou disfarçar, seus objetivos não poderiam ser concretizados na sala de vídeo.

– Ué, mas é só ligar o computador na TV, já fizemos isso outro dia – O gêmeo mais novo ainda não compreendia a insistência do irmão.

– Ah, é que eu queria ficar aqui na cama, é um saco subir as escadas quando to com sono – Fez manhã na intenção de convencer o mais novo.

Kaoru assentiu, era verdade que o mais velho ficava sonolento depois de ver filmes em casa e depois ele praticamente tinha que ser arrastado escada acima. Isso quando não fazia manhã querendo dormir no sofá da sala de vídeo.

Hikaru vendo que havia conseguido convencer o irmão, abriu espaço na cama para ele, mas apenas o suficiente para que o ruivo mais novo se deitasse e acabasse por ficar bem próximo a si, praticamente colados.

Kaoru não reclamou da aproximação, nem se incomodou na verdade, pelo menos não até saber de que filme se tratava.

O mais velho havia escolhido um filme que havia ficado bem famoso naquele ano. Era um filme de guerra. Até aí sem problemas, não fosse o filme tratar de uma temática polêmica. Um relacionamento homossexual entre dois homens. Pelo que Kaoru sabia os atores tiveram até mesmo um envolvimento durante as filmagens e ao que parecia estavam em um relacionamento sério até o momento. Kaoru sabia também que a classificação indicativa do filme era +18 e ficou um pouco receoso com que o que os aguardava.

Hikaru não parecia incomodado com esses detalhes, na verdade o mais velho ria internamente das caretas que o mais novo tentava esconder.

Apesar dos pesares viram o filme normalmente. Claro que nas cenas mais picantes ambos ficaram um pouco vermelhos e envergonhados. Eram cenas fortes e muito convincentes, ambos ficaram pensando se durante as filmagens daquelas cenas os atores já estavam juntos e até que ponto era encenação.

Quando apareceram os créditos, Hikaru virou-se para o irmão, deu-lhe um selinho e perguntou:

– E aí? Gostou do filme? – seu sorriso era ligeiramente malicioso.

– S-sim, gostei bastante. É bonita a história, né? E os atores também – apenas murmurou a última parte para que o mais velho não ouvisse.

No entanto o ruivo mais velho ouviu sim o comentário do irmão sobre os atores mas apenas riu soprado, achando graça do jeito do outro.

Primeira parte do plano completada, restava agora a parte mais difícil.

Antes que o mais novo tivesse chance de levantar para se preparar para dormir, foi surpreendido por uma pergunta, no mínimo, inusitada do gêmeo.

– Ano, Kaoru... Você por acaso gosta de ver filmes adultos? – Hikaru evitou encarar o mais novo enquanto aguardava pela resposta.

Kaoru congelou no lugar. Teria o mais velho percebido o que estava vendo mais cedo, ou seria apenas uma pergunta trivial. Resolveu responder logo antes que levantasse maiores suspeitas.

–B-b-bom...de vez em quando eu vejo algum... É normal na nossa idade, não?! – O mais jovem dos Hitachiin sentia o suor escorrer pela sua nuca. Não esperava ter esse tipo de conversa, muito menos naquele momento em que acabaram de ver um filme com cenas quentes entre homens e que haviam causado certo efeito no seu corpo. Seria por isso que Hikaru estava perguntando esse tipo de coisa constrangedora?

– Eu acho que sim, eu também vejo alguns, mas acho que não são do mesmo tipo que você vê, sabe? – Hikaru queria dar a entender que não via vídeos gays e o mais jovem entendeu rapidamente e assentiu envergonhado, o que fez o mais velho continuar – Mas então... Eu estava pensando se você não quer ver um vídeo desses. Junto comigo...

Kaoru achou que ia morrer naquele instante. Parecia que todo o sangue do seu corpo estava localizado em duas partes, seu rosto e num outro lugar mais abaixo. Ele estava ficando louco ou seu irmão acabara de o chamar para ver um vídeo de pornografia?! Era surreal. Não bastava o filme que viram antes e que já o deixara animadinho o suficiente para ter que tomar outro banho? Qual era a intenção de Hikaru, deixa-lo maluco?

Claro que o gêmeo mais novo não disse nada daquilo para o irmão. Apenas perguntou inseguro:

– E-eu não sei... você quer? Pode ser embaraçoso e eu... – foi interrompido pelo dedo de seu irmão em seus lábios.

– Shii, não precisa ficar com vergonha, Kaoru. Somos irmãos, somos homens, não há nada demais ver um vídeo desses juntos. Eu só quero ficar mais próximo ainda de você. Você não quer?

– S-sim. — A fala de Hikaru quebrou qualquer barreira que ainda podia existir e Kaoru se ajeitou melhor ao seu lado para que pudessem ficar confortáveis vendo o tal vídeo.

Era um filme pornô normal. Primeiro apareceu a vinheta dos produtores e na sequência já vinha uma cena entre dois rapazes asiáticos, um loiro e um moreno, num quarto. Ambos estavam sentados numa cama jogando vídeo game e parecia haver uma aposta de quem perdesse tirar uma peça de roupa. Depois de um tempo, quando ambos já estavam completamente nus, as apostas começaram a ganhar um teor sexual. Os dois trocavam carícias a cada partida perdida e quando um deles foi desafiado a fazer sexo oral no outro o jogo foi deixado de lado. À partir daí as cenas eram de sexo explícito, envolvendo sexo oral e anal além de carícias íntimas capazes de deixar qualquer um de cabelos em pé.

É claro que nenhum dos gêmeos ficou imune ao vídeo. Assim que Hikaru fechou a tampa do laptop e esticou o braço por cima do irmão, colocando-o na escrivaninha ao lado da cama, percebeu que o mais novo estava muito corado e engolindo em seco. Na verdade ele próprio sentia algumas gotas de suor escorrendo pela sua testa e seu membro desperto fazer pressão contra a roupa íntima.

Era agora ou nunca, ambos estavam excitados e prontos para por em pratica o que tinham visto, ainda que Hikaru soubesse que nem tudo era plausível de se realizar numa primeira vez.

O mais velho realizou então o movimento decisivo, ao invés de voltar a sua posição inicial, ao lado do irmão, apenas deixou que parte do seu corpo repousasse sobre o dele, deixando o mais novo surpreso e momentaneamente sem fôlego, para em seguida beijar-lhe os lábios rapidamente. Antes, porém, de afastar os rostos, ele murmurou contra os lábios de seu gêmeo:

– Eu quero tanto, Kaoru...

O mais jovem dos Hitachiin engoliu em seco uma, duas, três vezes antes de processar o significado das palavras do mais velho. Era surreal, bom demais para ser verdade, mas também era assustador. Era uma experiência totalmente nova que Kaoru não sabia se estava pronto para vivenciar. Sua mente parecia um turbilhão e ele, sem saber o que dizer, apenas deixou que as palavras brotassem de seus lábios:

– Q-quer o que, Hikaru? Vo-você quer fazer...sexo? – Hikaru só ouviu a última palavra por estar com o seu rosto praticamente colado ao do irmão. Deu um meio sorriso, percebendo o nervosismo do outro, e disse:

– Não, Kaoru. Eu não quero fazer sexo — Percebeu o mais novo parecer murchar abaixo de si e, para reverter isso, logo completou: — Eu quero fazer amor com você, Kaoru... Você quer?

Na verdade Hikaru só passava a impressão de estar calmo. Suas mãos suavam, as pernas tremiam e ele ansiava pela resposta do outro. É claro que em sua mente passavam mil e uma situações em que Kaoru o rejeitava e ele ficaria com vergonha de encarar o irmão por semanas. Porém, para o seu alivio, o mais novo apenas assentiu com um menear de cabeça e sussurrou:

– É tudo o que eu quero, Hikaru...

E, à partir daquele momento, não tinha mais volta.

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No início era apenas uma pequena célula, praticamente imperceptível, invisível a olho nu. Sequer tinha consciência de sua própria existência. Aos poucos essa existência se tornou mais complexa, passou a se dividir rapidamente até o momento que algo quase mágico ou milagroso aconteceu. Aquela pequena existência se tornou duas e nesse momento o destino delas estava selado.

Antes mesmo de conhecerem o mundo aqui de fora, eles já se conheciam, tocavam-se e seguravam nas mãos um do outro involuntariamente. Quando, num belo dia, abriram os pequenos olhos âmbares, simultaneamente, diga-se de passagem, a primeira coisa que viram foi o que parecia um reflexo no espelho. Ouve um reconhecimento, ainda que superficial. E apenas a percepção da presença do outro ao seu lado já amenizava qualquer choque que as paredes brancas, vozes desconhecidas e movimentos acelerados poderiam causar.

Aos poucos foram crescendo, e a conexão foi ficando ainda mais evidente.

Antes que pudessem falar, ambos já tinham uma linguagem própria com a qual podiam se comunicar um com o outro. Não que ela fosse necessária pois eles se entendiam apenas com o olhar.

Quando as palavras se fizeram presentes, a primeira coisa que disseram não foi papai ou mamão, mas o nome um do outro. O nome daquele que sabiam que estaria para sempre ao seu lado.

A segunda palavra que aprenderam foi a que designou aquilo que seriam um do outro para sempre... irmão.

Mas chegou um tempo em que irmão não era suficiente para ambos, pois eles não apenas viviam juntos e compartilhavam da mesma família e da mesma rotina. Eles brincavam juntos, se divertiam juntos e riam juntos. Eles eram parceiros.

No entanto a parceria apenas era pouco, eles partilhavam ideias, gostos, momentos. Então eles podiam dizer que eram amigos

Porém a fase das travessuras e artes chegou para ambos e apenas a amizade não foi suficiente, eles armavam pegadinhas com as empregadas, com os professores da escola e com os outros alunos. Quando um ficava de castigo, o outro dava um jeito de trocar com ele por algum tempo para que ambos pudessem desfrutar da liberdade. Eles eram cúmplices.

Mas nem toda a cumplicidade do mundo poderia fazer com que um entendesse o que se passava na mente do outro, houve um momento em que eles passaram a ser duas pessoas diferentes, com ideias diferentes, e era necessário que eles contassem um ao outro o que se passava em suas mentes e corações. Assim eles passaram a ser confidentes.

E isso pareceu bom por um tempo. Ambos sentiam o laço que os unia se esticar, afastando-os aos poucos, mas nada conseguiam fazer. Mas o destino quis que essa linha que os unia fosse como um elástico, que quando chega ao seu limite, volta a sua forma inicial, trazendo as duas pontas para perto uma da outra novamente. E foi inevitável que eles se tornassem amantes.

E esse amor os supria quase que completamente. Eram felizes como pareciam nunca haver sido. Mas no íntimo de cada um eles sabiam que faltava algo. Um detalhe.

Dizem que todas as coisas tendem a retornar a sua origem. “Do pós viestes, ao pó retornarás”. A existência que se dividiu, tende a se tornar novamente um só ser.

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Ambos estavam muito nervosos. Por mais que quisessem que tudo fosse perfeito, que houvesse uma atmosfera romântica, etc, os dois eram completamente inexperientes no assunto e isso atrapalhava, e muito, o andamento das coisas.

Nesse momento os dois estavam parados um de frente para o outro, sem saber bem o que fazer.

Passaram alguns segundos sem fazer menção de se mexer. Apenas os barulhos das respirações e, vez ou outra, um engolir de saliva de algum deles era ouvido. Nenhum dos gêmeos tinha coragem de encarar o outro pela simples vergonha não do ato que pretendiam realizar, mas da falta de jeito para aquilo.

Hikaru acabou sendo o primeiro a se mexer ao retirar a camiseta que vestia. Na verdade o mais velho dos gêmeos fez isso mais em virtude do suor que começava a se acumular em seu corpo do que para iniciar alguma coisa. No entanto seu gesto pareceu destravar algo no mais novo que acabou o imitando e tomando a iniciativa.

Kaoru despiu-se também da camiseta, diferente da do irmão, que vestia e aproximou-se um pouco relutante de Hikaru. Tomou-lhe a mão direita entre as suas e levou aos lábios, beijando o dorso, a palma e, em seguida, levando-a ao seu próprio rosto.

Hikaru sentia seu corpo tremer de ansiedade, mas não recusou o toque do mais novo, pelo contrário, aproveitou a deixa para tocar todo o rosto do irmão com a ponta dos dedos, demorando-se mais, propositalmente, nos lábios e depois descendo para o pescoço, onde passou a fazer carinhos leves e contínuos com o polegar.

Kaoru fechou os olhos assim que o mais velho passou a tocá-lo por conta própria. Parecia deliciar-se apenas com esses pequenos gestos de carinho. Quando, no entanto, percebeu que o outro cessara os movimentos, abriu os olhos, e pode perceber o quanto Hikaru já havia encurtado a distancia entre eles.

O mais novo encarava o outro que lhe sorria terno, mas seus olhos não se demoraram muito no rosto do mais velho e as mãos acabaram acompanhando o movimento dos orbes. Primeiro Kaoru tocou os ombros do outro, sentindo a textura da pele a firmeza dos músculos de contornos tão belos e tão iguais aos seus próprios. Descendo para o peito, o que lhe chamou a atenção foram as pequenas marcas de machucados adquiridos na infância pelas travessuras e as poucas pintas espalhadas pelo torso. Eram os pequenos e poucos detalhes que os tornavam diferentes fisicamente e que, talvez justamente por esse motivo, o encantavam profundamente.

Quase que sem perceber, Kaoru aproximou os lábios do ombro esquerdo do irmão, numa carícia terna, mas que acabou gerando um estremecer por parte do mais velho. Hikaru estava tenso, tudo era novo e excitante e apenas a proximidade e o calor do corpo do mais novo já o tiravam do pouco controle que tinha. O mais velho dos HItachiin sabia que não podia confiar na firmeza de suas pernas naquele momento, então simplesmente segurou nos ombros de Kaoru e tomou-lhe os lábios com firmeza, aproveitando-se disso para guia-lo até a cama, onde ambos sentaram-se meio de frente um para o outro, ainda com as pernas para fora do móvel. O ósculo ainda durou alguns instantes, cada um deles travando uma intensa batalha com as línguas, a fim de explorar ao máximo o sabor único daquele contato tão íntimo.

Quando separaram-se, o rubor nas faces não podia ser escondido, e depois de se encararam por alguns segundos, os dois acabaram rindo de sua própria falta de jeito, uma vez que puderam ver estampadas no rosto do outro seus próprios medos e receios. Quando o riso cessou o clima parecia diferente. A tensão entre eles era palpável e foi difícil dizer quem deu o primeiro passo para o que viria a seguir.

Em um instante os corpos já estavam deitados um sobre o outro na cama, as bocas percorriam a pele que encontravam pelo rosto, pescoço e ombros. Um rastro de saliva era deixado por onde as línguas tocavam, parecendo deixar a pele em brasa e causando tremores e ofegos naqueles corpos tão iguais. Num ímpeto de assumir o controle da situação, Hikaru colocou-se por cima do irmão e passou a descer suas carícias para a região do peito. A língua morna experimentava cada pedaço da pele pálida que encontrava pela frente, sentindo o sabor único do ser abaixo de si misturado ao salgado do suor que começa a encobrir ambos os corpos. Foi quase que por acaso, enquanto buscava sentir a textura dos músculos firmes em seus dedos, que Hikaru percebeu uma sensibilidade excessiva ao redor dos mamilos do mais novo. Levantou os olhos encarando-o enquanto colocava a língua para fora e abaixava lentamente a cabeça, no intuito de estimular aquela área sensível com a língua. Ao perceber os olhos semicerrados e a boca entreaberta, num pedido mudo para que continuasse, o ruivo mais velho não teve duvida em saborear aquele ponto rosado que começava a se tornar rígido sob seus lábios. Tendo certo receio de machuca-lo, primeiro apenas circundou a língua ao redor do mamilo, para em seguida, ao adquirir mais confiança, sugar levemente a ponta com os lábios. Qual não foi a sua surpresa ao ouvir os gemidos quase ininteligíveis mesclados a tremores intensos abaixo de si.

–hghnnn...Hikaru, mais!

O amis velho dos HItachiin não entendeu bem o que o mais novo queria, mas à partir disso passou a sugar intensamente mamilo esquerdo, como se quisesse levar o corpo do outro ao ápice da excitação.

Não foi com surpresa que sentiu Kaoru puxar sua cabeça pelos fios alaranjados guiando-a para o outro mamilo, ao qual ele acabou dando o mesmo tratamento, com muito gosto.

Ao perceber a respiração cada vez mais entrecortada do mais jovem e a ereção pulsar contra seu abdômen, o mais velho voltou a beijá-lo com paixão, as línguas agora não se preocupando em se manter dentro das bocas, fazendo uma dança selvagem e luxuriosa que os deixava sem fôlego.

Kaoru sentiu que era o momento de tomar as rédeas da situação. Aproveitando-se do entusiasmo do beijo, inverteu as posições, ficando por cima do mais velho e também aproveitando para provar do sabor da pele do outro. Hikaru gemeu quando sentiu os lábios se fecharem com certa força no seu pescoço, imaginando que ficaria a marca, sentindo-se estranhamente ainda mais excitado com essa ideia. Sua excitação parecia então chegar ao máximo quando percebeu o mais jovem se preparando para dar aos seus mamilos o mesmo tratamento que recebera. Kaoru porém não se demorou muito nessa tarefa, já que a parte da anatomia do irmão que mais o interessava no momento estava mais abaixo. Kaoru faria algo que desejava muito com seu irmão e não foram necessárias palavras para que Hikaru consentisse com o que viria a seguir. Um tanto desajeitado, o mais novo removeu a calça de moletom que o mais velho usava e a excitação do outro ficou ainda mais evidente devido a cueca boxer cinza que usava, já um pouco melada pelo pré-gozo. Kaoru tocou o membro ainda recoberto pelo tecido fino da cueca, ainda receoso do que estava prestes a fazer. No entanto, ao encarar os olhos desejosos de Hikaru, não teve mais dúvidas. Em um único movimento removeu a última peça que cobria a nudez do irmão, a ereção se revelando rígida e molhada de excitação.

De início Kaoru apenas tocou o membro com a mão, sentiu a textura da pele com a palma, fechou os dedos experimentando a grossura e extensão, achando curiosa a sensação tão familiar de manipular aquele órgão, porém agora não se tratando do seu. Ao ouvir um gemido sofrido do mais velho e ver sua expressão suplicante, passou a fazer movimentos ritmados de vai e vem, até que tomou coragem para levar os lábios a glande rosada e melada que despontava no membro túrgido. Ao tocar a ponta da língua no pré-gozo que já era expelido em abundância pelo pênis do mais velho, Kaoru sentiu o sabor salgado e estranho ao paladar, mas não achou ruim... exótico talvez e não teve dúvidas ao abocanhar o pedaço de carne pulsantede uma vez, sugando-o com força e envolvendo ao máximo que sua boca permitia.

Hikaru sentiu o corpo espasmar violentamente e quase gritou tamanha a surpresa de ter o membro tomado de uma maneira tão intensa logo de cara. O mais novo forçava ao máximo o órgão em sua boca, por vezes chegando a quase engasgar, o que o fazia deixar o pênis do mais velho ainda mais molhado pela saliva que escorria pelos cantos de seus lábios. Hikaru sentia sua mente girar e sabia que poderia gozar a qualquer momento, o que o fez reunir todo seu autocontrole para afastar a cabeça de seu irmão do meio de suas pernas, o movimento fazendo com que um fio de saliva que ainda unia a boca rosada ao seu pênis fosse rompido lentamente.

Por um instante Kaoru achou que tivesse feito algo errado. Ele sabia que um esbarrar de dentes num momento como esse podia ser doloroso e imediatamente encarou o irmão a fim de descobrir o que havia acontecido. Porém ao encarar o rosto rubro e perceber a respiração descompassada, percebeu que ele estava próximo de seu limite. O próprio Kaoru sentia a excitação doer, ainda presa pelas roupas e, quando levou a mão ao próprio membro, ainda por cima da calça, a fim de se aliviar um pouco, foi surpreendido pelas mãos do mais velho que afastaram as suas, colocando-o deitado novamente sobre o colchão, agora de barriga para cima, e imediatamente se dirigiram as peças de roupa que ainda cobriam seu corpo, removendo-as rapidamente.

O mais novo, quando deu por si, já estava completamente nu sobre a cama, o corpo exibia uma fina camada de suor e uma ereção totalmente desperta e pulsante, necessitada de atenção.

O ruivo mais velho rapidamente posicionou-se com o tronco entre as pernas abertas do outro, o membro duro praticamente tocando-lhe o rosto. Resolveu, porém, dar uma atenção especial as coxas e a virilha do irmão primeiro. Passou a língua por toda a extensão de pele que encontrou, alternando beijos molhados e sugadas leves, até chegar a intimidade do outro. A primeira parte que lhe chamou a atenção, no entanto, não foi o pênis rosado e sim os testículos. Não que ele não se sentisse excitado pela visão do pênis do outro, mas sim que este era praticamente igual ao seu, que ele via todos os dias, ainda que de uma forma totalmente diferente. Jás as bolas, bom, dessas ele não tinha uma visão tão privilegiada, uma vez que ele não fazia o tipo que coloca um espelho no chão pra examinar suas partes íntimas. Enfim, a visão que ele tinha se limitava a vista de cima, parcialmente encoberta pelo pênis, e agora ele tinha um ângulo privilegiado, podia ver a pequena prega que seguia do meio das bolas e seguia pelo períneo, até chegar à entrada rosada e deliciosamente pulsante.

Essa simples visão deixou Hikaru extasiado, sentia seu membro doer de tão duro que se encontrava, ainda mais depois do tratamento que recebera. Tinha que agilizar as coisas, ou não sabia se conseguiria suportar tamanha excitação.

Antes que Kaoru pudesse reclamar da posição um tanto constrangedora, sentiu a língua morna serpentear por seu órgão, subindo e descendo lentamente, até sentir os lábios se fechando levemente ao redor de um dos testículos, o que o fez tremer e quase fechar as pernas de tanto prazer. O mais velho sorria internamente pelas reações do irmão e, depois de dar o mesmo tratamento ao outro testículo, passou a lamber a linha que levava à entrada rosada, demorando-se mais, propositalmente, na área que separava as bolas do ânus, fazendo pressão naquele pedaço, pois lera em algum lugar que era uma área muito sensível nos homens. Essa hipótese foi confirmada ao perceber o corpo abaixo de si arquear levemente e o membro pulsar mais forte liberando uma grande quantidade de pré-gozo. Hikaru voltou-se ao órgão principal e deu uma sugada forte e demorada, parecendo querer extrair toda aquela essência do corpo do irmão. Em seguida, o gêmeo mais velho ergueu levemente as pernas do outro, expondo ainda mais a entrada virgem e, deliciado, passou a lamber aquela área.

O mais novo sentia como se choques elétricos estivessem percorrendo o seu corpo. O músculo quente rodopiava a simulava uma penetração em seu ânus de uma forma que o fazia se contorcer. Kaoru não podia explicar com palavras a sensação, primeiro porque sequer conseguia formular uma linha de pensamento coerente, e segundo porque era muito difícil de definir. Não era como se fosse gozar apenas com aquilo, sabia que não era o suficiente, mas ao mesmo tempo o deixava excitado num nível que fazia ter vontade de gritar e estimular-se a si próprio para se aliviar.

– Hahh, ughnn... i-isso é muito bom... – o mais velho se deliciava ao ouvir os gemidos do irmão e, ao perceber o quanto o mesmo se contorcia buscando mais prazer, decidiu que era hora de continuar. Desvencilhou-se do corpo do gêmeo rapidamente, o que fez o mais novo abrir os olhos e soltar um muxoxo em decepção, que logo foi substituído por curiosidade ao ver Hikaru vasculhando uma gaveta do criado-mudo a procura de algo.

Hikaru havia guardado ali um hidratante em gel que encontrara no quarto dos pais. Sabia que o ideal deveria ser um lubrificante específico, mas não era como se pudesse ter saído correndo para a farmácia e depois, quando provavelmente fosse indagado pelo mais novo sobre aonde teria ido, simplesmente dizer: Ah, fui comprar um lubrificante porque pretendo fazer amor com você essa noite, ok?! As coisas não funcionavam assim e ele achou melhor se virar com o que tivesse a mão. Desde que não machucasse o irmão, estaria tudo bem.

Kaoru corou um pouco ao ver o maior despejar uma quantidade considerável do hidratante sobre a mão esquerda e, na sequencia, lambuzar três dedos da mão direita no gel. O mais novo sabia bem o que o outro pretendia e isso o deixava um pouco tenso e ansioso ao mesmo tempo.

Compreendendo a ansiedade do mais novo, Hikaru deixou de lado o frasco de hidratante e deitou-se novamente por cima do corpo do irmão, tomando-lhe os lábios num beijo lento e carinhoso. Quando separou os lábios, o mais velho dos gêmeos passou a fazer uma trilha de beijos por todo o tórax do outro, até chegar novamente a excitação, que passou a sugar avidamente, provocando como resposta um gemido languido de Kaoru.

Aproveitando-se da distração do ruivo mais jovem, o outro passou a sondar a entrada rosada com os dedos já devidamente lubrificados. Após testar a resistência do anel, acabou penetrando um dedo, gerando um estranhamento no outro.

Era uma situação estranha para Kaoru, a invasão não era ruim, nem chegava a ser dolorosa, ao menos por enquanto, mas era esquisito sentir aquele “corpo estranho” dentro de si se remexendo e tocando-o despudoradamente.

Depois de algum tempo o mais novo passou a sentir algo estranho, como se sentisse cócegas por dentro, ou uma espécie de coceirinha, e precisasse que aquele dedo fosse mais fundo dentro de si. Passou então a mover os quadris em direção a mão de Hikaru que, percebendo isso, julgou estar na hora de adicionar um segundo dígito, o que fez logo em seguida.

Kaoru quase se arrependeu... Quase. Não podia dizer que não doía sentir os dois dedos de Hikaru dentro de si fazendo movimentos de tesoura, o alargando aos poucos, mas era bom, de uma maneira que era difícil explicar. Era como se o mais velho estivesse mais perto de alcançar algo bom dentro de si, alguma parte que estava esperando para ser tocada, e essa sensação de quase prazer o fazia suportar aquela dorzinha incômoda que, ele sabia, tendia a ficar ainda pior logo mais.

Quando Hikaru julgou que a preparação já era suficiente e que a dor em seu membro já era insuportável, retirou os dedos de dentro do irmão e pegou novamente no frasco de hidratante, agora lambuzando o próprio pênis enquanto observava o corpo do irmão jogado na cama, suado, corado e ofegante, a ereção latejando. Ainda que durante toda a vida tivesse julgado preferir mulheres, essa era a imagem mais bela e erótica que já havia presenciado e gostaria de gravá-la na memória.

Kaoru não percebeu o irmão encarando-o pois seus olhos estavam fixos nos movimentos da mão de Hikaru sobre o sexo rijo. Apenas foi tirado de sua contemplação ao ouvir a voz do mais velho:

– Ainda dá tempo de desistir... – Hikaru parecia um pouco temeroso da resposta do irmão.

– Hikaru... Eu já quis desistir do meu amor pela sua felicidade, não vou desistir de mais nada...

O mais velho sorriu diante da determinação do gêmeo e sentiu-se confiante para seguir adiante.

Fazendo o mais novo surpreender-se, Hikaru puxou o corpo dele virando-o de lado sobre a cama e posicionando-se atrás do mesmo, como de conchinha, levantando a perna esquerda do dele e flexionando-a para ter mais acesso a sua intimidade. Kaoru ficou um pouco tenso, nessa posição ele não podia ver direito o que acontecia e isso o deixava ainda mais nervoso.

Hikaru, no entanto, escolheu a posição por achar que seria mais confortável para o mais novo. Ele não precisaria fazer grande esforço, mas também não precisaria aguentar seu peso sobre si. Além disso o mais velho poderia controlar a penetração e ter uma visão privilegiada.

(Não se enganem, o mais velho dos gêmeos Hitachiin não era nenhum expert no que remetia a sexo, mas uma boa pesquisada na internet sempre resolvia esse tipo de situação.)

O mais velho puxou o rosto do irmão para si, selando-lhe os lábios com desejo enquanto esfregava a ereção contra as nádegas durinhas do mais novo. Kaoru estremeceu ao sentir o falo duro pressionando-se contra si, e retesou quando percebeu as investidas contra a sua entrada. Era difícil e doloroso, o mais novo contraía os músculos sem querer devido a dor, e Hikaru teve grande dificuldade de vencer a resistência natural do ânus e penetrar a glande entumecida. Kaoru soltou um grito estrangulado aos sentir o órgão dentro de si, mesmo ainda não tendo recebido nem metade do membro em seu interior. A sensação era algo como ser partido ao meio, queimava e ardia muito, tanto que foi impossível segurar as lágrimas que começaram a rolar pelo rosto corado.

Hikaru preocupou-se muito com a reação do irmão, passou a estimular o pênis dele para que este se distraísse e também beijava-lhe as costas, ombros e pescoço docemente, enquanto murmurava palavras de conforto ou pedia para que ele relaxasse ao máximo.

Aos poucos Kaoru sentiu-se mais controlado, ainda que qualquer mísero movimento o fizesse lembrar da dor excruciante da penetração inicial. Ao olhar para trás, no entanto, viu a expressão dividida de Hikaru. Por um lado ele parecia extasiado de prazer, por outro era possível ver o quanto ele se controlar além do possível para não se mexer, e essa preocupação o comoveu. Ignorando a dor que pudesse sentir, moveu os quadris para trás, a fim de se fazer penetrar totalmente pelo membro do irmão.

Hikaru deu gemido longo e gutural diante da ação do mais novo. A sensação de ter o membro esmagado pela carne quente e úmida do interior de Hikaru era dolorosamente deliciosa. As paredes do canal pareciam sugar-lhe o falo, enquanto o esfíncter apertava levemente a base. Não demorou muito para que ele começasse a se movimentar, ainda que lentamente devido a sua preocupação com o mais novo.

Kaoru ainda sentia muita dor, mas algo dentro de si anunciava um prazer maior do que qualquer outro. Ele sentia-se totalmente preenchido e parecia que agora o irmão estava ainda mais próximo de alcançar aquele lugar dentro de si que almejava ser tocado. Foi pensando nisso que o mais novo resolveu ignorar a dor e o orgulho e pedir:

– Ahnn...Hi-hikaru, mais...mais rápido! – o tom de súplica contido na voz do irmão fez o mais velho perder completamente qualquer resquício de sanidade que ainda pudesse existir e passar a arremeter-se com força contra o corpo do irmão, o falo turgido mergulhando fundo no canal apertado enquanto ele próprio se sentia afundar numa torrente de sensações que o prazer lhe proporcionava.

Os corpos agora se chocavam vigorosamente, vez ou outra as línguas brincavam se tocando ou tocando pescoço, braço e costas. As mãos apalpavam cada pedaço de pele que encontravam deixando sua marca. O falo gotejante passara a ser estimulado ao ritmo das estocadas e o barulho gerado pelo contato entre os corpos se misturava aos gemidos e ofegos emitidos pelos corpos.

Havia uma sincronia tão grande que quem os visse de fora não conseguiria distinguir onde começava um ou terminava o outro, pareciam fundidos num único ser.

Numa estocada mais funda, Kaoru sentiu a visão nublar e um prazer indescritível o acometer. Agradeceu por Hikaru estar sustentando sua perna levantada na dobra do braço, pois eu corpo todo pareceu amolecer com aquela sensação. O mais velho havia encontrado aquele lugar, havia acertado exatamente o ponto de prazer que Kaoru almejava, e despido de qualquer pudor que ainda pudesse existir, o mais novo choramingou:

– A-aí! De novo, por favor!

Hikaru compreendeu rapidamente e passou a estocar fortemente naquele ponto. Arremetia-se contra o corpo do irmão de maneira insana e sentia como se a qualquer momento sua consciência fosse se derreter, tamanho era o prazer de sentir-se esmagado pelo interior do mais novo.

Kaoru sentiu um choque perpassar seu corpo, seguido de espasmos convulsos que o fizeram ficar com a mente totalmente em branco por alguns instantes. O orgasmo veio para si em jorros fortes e o fez gritar o nome do irmão enquanto parecia cair num abismo de sensações.

Hikaru segurou firme o corpo do irmão o senti-lo chegar ao clímax, e em mais algumas poucas estocadas, não conseguiu resistir às deliciosas contrações em torno de seu membro e inundou o interior do mais novo com seu esperma abundante. Moveu-se mais um pouco para prolongar a sensação, sentindo um pouco do sêmen escorrer para fora manchando os lençóis.

O mais velho se retirou do interior do outro lentamente, mas manteve-se na mesma posição e abraçou-o apertado, os corpos trêmulos e suados esgotados pela atividade recente.

Kaoru virou-se de frente para o irmão e abraçou o seu tronco, pousando, em seguida, a cabeça no peito do mais velho e relaxando. Hikaru preocupou-se com ele, questionando se ele se sentia bem, etc, mas o mais novo apenas riu e disse que não era nada demais, como o outro poderia ver no dia seguinte. A sútil “ameaça” não assustou o mais velho, pelo contrário, apenas o deixou ansioso pelas novas descobertas que ainda fariam juntos.

Entre beijos, carícias e sorrisos, ambos acabaram adormecendo, nus e abraçados, pernas e braços entrelaçados e sorrisos nos lábios, uma imagem ao mesmo tempo delicada e sensual. O retrato do verdadeiro amor e da felicidade consumada.

Não importava o que viesse a seguir, se tivessem que encarar problemas, enfrentar o mundo, eles o fariam. Tudo que lhes era valioso estava agora ao seu alcance, não havia o que temer.

Eles haviam cumprido o desejo que já havia neles desde antes de nascerem, pois eram uma única alma dividida em dois corpos.

Fim

Notas finais
Enfim, o Fim! Parece até mentira! Capítulo gigante e notas finais monstruosas... rsrs Bom, essa história começou como uma oneshot que virou twoshot e acabou crescendo de uma maneira que eu não previa e fazendo um sucesso que eu não esperava. Confesso que me sentia o máximo com os reviews elogiando, mas também gostei muito das críticas sempre construtivas que recebi. Foi apenas devido retorno positivo que eu continuei, à duras penas, essa história e hoje pude postar o final. Espero sinceramente que tenham gostado ^-^ Meus agradecimentos especiais aos que comentaram nos últimos dois capítulos: Hatsune Miku, Miss Do JongIn Jye, Loli Kitsune, lawliet, Alcqimene, Emme Phantomhive, Yuukis2Kaname, AkiXD12, Neko Girl, Mikki, Megu Rinne, Ciela Phantomhive, aos que acompanharam, leram, comentaram, favoritaram e, principalmente, recomendaram (seus lindos) e aos que aturaram com paciência meus bloqueios e atrasos, capítulos de transição, ideias estranhas, OOCs e personagens surgidos do nada, rsrs. Sinto uma certa melancolia em dizer adeus, então eu espero que seja apenas um até logo e que possamos nos ver novamente e em breve nesse mundo de fanfictions. Yaoi forever o/ Grande abraço a todos e obrigada por tudo =D Moro-chan
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!