Por Trás Do Mundo Da Névoa
20 Partidas e chegadas.
Notas iniciais
Bom, após eu ver a minha melhor amiga praticamente morta em cima de uma cama de hotel, ( o que cá entre nós, não é a pior coisa que se pode acontecer com um semideus) o resto do dia foi bem normal. Nós evitamos sair do hotel pra não ter ataques de monstros, o que tinham sido até poucos considerando que nosso cheiro deveria ser bem forte. O dia foi normal, o que não quer dizer que não tenha sido um saco pra três adolescentes com déficit de atenção, ficar trancado em um quarto é basicamente uma tortura. Quando deu umas dez da noite nós nos preparamos pra dormir.
– Boa noite amores. – A Charlie disse, enquanto se cobria e deitava.
– Vou tomar banho. – Eu falei já pegando minhas coisas.
– Quer companhia?
– Hahaha NO. Engraçadinho. – Lancei um olhar incrédulo na direção do Greg e fui pro banheiro. Botei minhas coisas em cima do balcão e comecei a me despir, quando estava só de calcinha e sutiã, vi o terror dos meus pesadelos em baixo da pia. Uma barata daquelas enormes e voadoras ainda por cima. Apanhei a toalhinha de rosto ao invés da de corpo na hora do desespero, não dava pra me cobrir, óbvio, mas lá que eu não voltava. Cheguei na porta do banheiro, Greg me olhou surpreso.
– O que houve?
– Deuses... Eu... Quase morri. – Disse ofegante.
– Hãm?
– Uma barata... Das enormes... Aaai Greg , mata por favor. – Eu disse quase chorando.
– Você é uma filha de Hades, governador da morte, etc... E está com medo de uma baratinha indefesa? – Ele disse com ar de riso.
– Por favor. – Falei implorando.
– Okay né? – Ele deu de ombros e foi em direção ao banheiro. Ouvi alguns tabefes lá dentro, e depois de alguns minutos, ele saiu.
– Pronto.
–Obrigado mesmo, eu tenho trauma de baratas desde que uma pulou dentro da minha roupa na quinta série e ficou passeando por mim. – A lembrança me fez estremecer.
– De nada, e a propósito, você fica linda de lingerie. – Ele foi chegando perto de mim, e acabou me prensando na parede, naquela famosa gaiola. Então... Me beijou. Eu já estava ofegante, mas como ele estava de guarda baixa, segurei no quadril e no braço dele, de modo que agora quem estava na gaiola?
– Obrigado pelo elogio, — Eu disse a cinco centímetros do rosto dele. – Mas, por favor, sem contatos físicos. – Dei uma risadinha, soltei ele e fui tomar banho. Quando sai do banheiro, o Greg parecia já estar dormindo. Fui na cama da Charlie, ajeitei o lençol dela, depois fui na cama do Greg, beijei a bochecha dele e sussurrei um boa noite.
– Você costuma fazer isso? – Ele perguntou de olhos fechados.
– Isso o que?
– Cuidar das pessoas.
– Minha mãe me ensinou que a gente deve demonstrar o quanto gosta das pessoas até antes de dormir, porque nunca se sabe quando pode ser a ultima vez que você vê ela. E pra um meio-sangue, isso vale ainda mais. Mas enfim... Boa noite. – Ele me puxou, me deu um selinho e eu fui dormir. Graças aos deuses, foi um sono sem sonhos pra variar.
******
– Bom dia. – Greg que acordou primeiro, e então foi na cama de nós duas e arrancou nossos lençóis. – Já são 7h30min, o trem pra Espanha sai ás 9h. Acordem vocês duas vambora.
– Aargh, ninguém merece. – Charlie disse puxando o lençol de volta e dando um soquinho no ombro do Greg.
– Digo o mesmo. – Mas por fim, acabamos nos levantando.
– E ai, essa roupa tá boa? – Charlie perguntou.
– Tá linda, e a minha?
– Perfeita.
– Tá, vamos lá? – Greg pegou a mochila e foi saindo do quarto. Nós fizemos o mesmo, pagamos os dois dias que tínhamos ficado lá e fomos em direção a plataforma do trem.
– Vai ser uma viagem de 6h50min, ai eu mereço. – Eu disse.
– Merecemos né? – Não consigo ficar parada 5 minutos, imagina 6h. – Charlie falou. Nós embarcamos, sentamos juntos.
- Tomara que tenha comida. — Charlie disse enquanto tirava umas pecinhas do bolso e ficava remexendo.
- Claro que tem comida dãã. — Eu disse rindo.
- Vamos fazer um jogo? — Greg perguntou virando pra nós.
- Que jogo?
- Ping Pong. Eu digo uma palavra, e vocês dizem a primeira que vier a cabeça, depois a gente reveza.
- Não tem nada mais pra fazer mesmo. — Charlie disse. — Começa.
- Tá, ér... Deixa eu pensar. Já sei. Chocolate.
- Vicio. — Eu disse.
- Willy Wonka. — Charlie falou e nós caimos na gargalhada.
- Minha vez. — Falei. — Hades.
- Elisios. — Greg disse.
- Cerbéro. — Nós rimos de novo da resposta da Charlie.
- Agora sou eu. — Ela disse se ajeitando no banco. Senhor D.
- Rabugento. — Falei.
- Pai. (??) — Greg falou e rimos de novo. Estavamos parecendo três retardados.
- Beijo. — Greg disse.
- Viciante. — Charlie respondeu.
- Greg. — Falei involuntariamente, e depois vi os dois me fitando com ar de riso. *Le poker face*
E após quase 7h de tortura praticamente interminável, desembarcamos em Madrid.
– Bievenidos a mi España.
– Haha’, menos Greg. – Charlie disse. — Saímos da plataforma de desembarque do trem direto no centro de Madrid e o que eu posso dizer sobre a Espanha a noite? Nada menos que linda e encantadora. As construções antigas sempre me fascinaram , e sem falar do tanto de menino lindo que tinha ali não era brincadeira não.
– Bom, eu sei uma pousada bem baratinha aqui perto pra gente ficar até conseguir um trem pra Paris. – Greg falou. Sim, na Europa chegar nos outros países é facinho assim, só pegar um trem.
– Então vamonos. – Falei com meu portunhol de merda e eles dois riram. Andamos até chegar na frente de um prediozinho com arquitetura dos tempos imperiais também.
– Ér... Gente, olha aquilo ali. – Falou a Charlie. Me virei.
– De novo? Fala sério.
Notas finais
Bjoo e até o proximo *-*
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