Por Traz de Um Olhar!
1 Capítulo único
Notas iniciais
Enfim... Boa leitura! ^^
Sugestão de música para acompanhar a leitura: Seether - Careless Whisper
CAPITULO ÚNICO
- É nessas horas que eu percebo o quanto a minha vida é cansativa. — suspirou – Ser shinigami é tão difícil... É sempre bom ter uma folga.
Os homens que estão presentes a mesa, olharam a loira peituda indagativamente. Alguns reviraram os olhos, outros permaneceram com os olhos fixos naquele decote bem chamativo.
- Até parece, Matsumoto. — Ikaku cruzou os braços virando o roto – Você não faz nada.
- Claro que eu faço! — ela retrucou, se apoiando a mesa.
- É mesmo... — Yumichika deu um leve sorriso zombeiro – E quando foi a última vez que você organizou os papéis do esquadrão?
Rangiku franziu o cenho. Na verdade, fazia um bom tempo que não organizava os documentos do esquadrão. Droga!
- Acho que ela nem sabe que existe isso! — murmurou Ikaku no ouvido de um dos companheiros.
O sorriso de Yumichika ficou mais largo enquanto aguardava a reposta.
- Vocês não prestam! — Matsumoto se deu por vencida, virando o rosto igual a uma criança emburrada.
Vários risos tomaram o lugar.
-Não falem assim da Rangiku-san! — Hisagi a defendeu colocando o copo de sakê sobre a mesa – Ela se formou agora. Ainda não está acostumada com o ritmo!
- Viram só? Só o Hisagi me entende! — um largo sorriso se formou nos lábios da loira, que abraçou o seu defensor como forma de agradecimento.
Hisagi sentia-se privilegiado por estar nós braços de umas das mulheres mais desejadas e belas de Sereitei.
- Você diz isso porque tem segundas intenções, Hisagi. — disse Ikaku arqueando uma sobrancelha, sorrindo maliciosamente.
Rangiku rapidamente o soltou e Hisagi encarou Ikaku, lançando lhe um olhar \'não-se-meta-onde-não-é-chamado!\'.
- Que maldade, Ikaku. — Yumichika aclamou o amigo.
O homem com a tatuagem 69 limitou-se abaixar a cabeça, ficando meio constrangido e jurando para si que iria pegar aquele careca na hora da saída.
- Não se preocupe, Hisagi. — Rangiku começou, recebendo o olhar dele – Eu até acho você bem charmoso! — piscou.
Ele passou um tempo digerindo as palavras dela, ou na verdade não queria apenas se convencer de que era real o que havia escutado?
- Já ganhou, Hisagi! — Ikaku não perdeu a oportunidade.
- Eu te mato, Ikaku! — Shunhei cerrou os punhos – Juro que te mato!
Mais uma vez vários risos enfestaram o lugar.
- Vamos brindar a nossa vida fácil! — disse Matsumoto se levantando e erguendo o copo em suas mãos.
Hisagi imediatamente se juntou a ela.
Gotas surgiram na cabeça de alguns. Mas fazer o que? Apesar de ser um motivo tão imbecil, era o que achavam também. Então a única alternativa era fazer o mesmo que ela.
- Uhuu! — Rangiku riu alegremente.
- Será que eu poderia me juntar a vocês?
Rangiku ficou estática. O sorriso em seu rosto desapareceu em questão de segundos, enquanto os olhos azuis cintilantes tomaram um estado de choque.
Não precisava olhar para saber a quem pertencia aquela voz melodiosa e sarcástica... Aquela voz presente em seus pesadelos, mas na maiorias das vezes presentes em seus sonhos.
- Tenente Ichimaru? — Shunhei foi o primeiro a falar. — C-Claro que pode.
O sorriso de raposa ficou mais largo. Logo Gin puxou uma cadeira se assentando a mesa. No entanto, apenas uma pessoa não se moveu.
- O que você tem, Rangiku? — indagou Yumichika – Não sei se percebeu, mas já é pra você sentar.
Todos os olhares estavam em sua direção. Rangiku percebeu a situação em que estava, fazendo o que Yumichika lhe dissera. Estava sendo boba ao ter essa reação, mas não poderia ignorar aquela presença. O que ele está fazendo aqui?
Com a presença do tenente do 5º esquadrão, as brincadeiras antes abundantes, resumiram-se ao estado de silêncio e cruzamento de olhares curiosos.
- Então... — Gin resolveu quebrar o clima tenso – O que vocês estão fazendo?
- Bebendo. — Ikaku respondeu simplesmente.
- Sério!? Eu não havia percebido. Obrigado por ter me dito, Ikaku-san.
Alguns leves sorrisos embargados puderam ser distinguidos. \'Perguntas idiotas merecem respostas idiotas\' – era o que achavam. Curiosamente tenente Ichimaru despertava esse tipo de questionamento. Se estava fazendo de proposito? Não sabiam dizer.
- Bem... Ontem o meu esquadrão recebeu novos recrutas. — disse Hisagi tentando criar um assunto.
- Que bom! — Gin foi o único que se mostrou interessado.
- Que assunto interessante. — Yumichika murmurou ironicamente.
Era incrível como o assunto havia acabado de uma hora para outra.
- Eu tenho que ir agora. — a loira quebrou o seu jejum de silêncio, se colocando de pé.
- Mas já, Rangiku!? — falou Hisagi – Ainda está cedo, porque você-
- Até amanhã. — ela não se justificou, continuando a andar em direção a saída.
Olhares indagativos a seguiam.
- O que há de errado com ela? — a pergunta que rondou o ambiente.
-
Por pouco não chagava ao estado de correr. As ruas escuras de Sereitei pareciam não ter mais fim, enquanto tentava apressar o passo com o intuito de chegar em um lugar seguro. O mais longe possível.
Por que agiu desse jeito?
O coração se contrariava ao achar aquela atitude certa, e ao mesmo tempo errada para suas expectativas. Esperava, mas também queria adiar aquele momento. Nem ao menos ousou olha-lo, era melhor assim. Era melhor manter a distância, era seguro para o seu frágil ser.
- Mas que falta de educação sair assim...
Os pés de Rangiku travaram no chão. Desta vez não pode segurar o próprio instinto, olhando para o dono daquela voz que à espedaçava cada vez que chegava em seus ouvidos.
- Gin... — sussurrou inaudivelmente.
O sorriso dele ficou mais largo. Os olhos semi-abertos fizeram um pequeno movimento, como conseqüência de a vê-la mais uma vez tão perto.
- A quanto tempo, Rangiku.
Fitavam um ao outro. O tempo pareceu ficar mais lento.
Por um breve momento, ele desviou o olhar do rosto dela, correndo aqueles olhos estranhos pelo corpo jovem de Rangiku. A mudança era notável. Ela já não possuía mais aquele corpo frágil de uma menina tristonha, agora ela era uma mulher que poderia levar qualquer homem ao ponto da insanidade.
- O que você quer? — ela o interrompeu de seu momento de deslumbre.
Em um tom firme, Matsumoto tentava se manter segura. A cicatriz se formou recentemente, podendo abrir a ferida novamente a qualquer momento. Lutaria para que isso não acontece. Não suportaria mais sofrer pela solidão.
- Fiquei surpreso quando a vi na academia. — ele ignorou a pergunta, lançando um comentário como resposta.
Rangiku franziu a sobrancelha irritada com aquele tom cínico.
- Pensei que nunca tivesse notado que eu estava aqui em Sereitei.
- Pelo contrário... — Gin rapidamente retrucou sem perder o sorriso – Desde o início eu notei sua presença... Porque está aqui, Rangiku?
Ela suspirou.
- Rukongai nunca foi um lugar bom para se viver. A única saída era vir para cá, como você fez. — a ultima frase saiu em um tom ríspido.
Ichimaru percebeu o que se escondia por traz daquela simples frase.
- Por que, Gin? — continuo, perdendo aos poucos a imagem que queria transparecer – Por que você não me disse nada? Por que você...
- Você não entenderia. — interrompeu-a.
Rangiku comprimiu os lábios com força. Tentava segurar as emoções que começaram a querer ganhar espaço, mas viu que aquilo já estava se tornando impossível.
- O que eu não entenderia!? — sem perceber começou a ficar exaltada.
- Eu vi que você já poderia se cuidar sozinha, Rangiku. Vi que não haveria mais perigo em deixa-la. Você já sabia como viver em Rukongai. — tentou justificar o seu ato de uma forma simples, mas não aceita por ela.
- Você ensinou o meu corpo a viver em Rukongai. — os olhos marejados mostravam a sua angustia – Mas se esqueceu de que sem você o meu ser não vive.
O sorriso desapareceu do rosto dele, algo raro de acontecer e prova de que as palavras dela o estavam atingindo.
- Esse seu péssimo hábito de sumir sem dizer para onde vai... — abaixou a cabeça fechando os olhos, fazendo com que as lágrimas corressem por suas bochechas – Ele me mata aos poucos Gin. Você nunca se importou comigo.
- Não diga isso, Rangiku.
A voz dele se fez tão próxima, que teve que erguer o rosto novamente para perceber o quão perto ele estava. A aproximação só fez com que suas emoções ficassem mais fragilizadas, e o coração temeroso pelo perigo de o vê-lo ir embora novamente.
- Você não conhece a solidão, Gin. Não sabe como é ficar sozinha e...
- Eu sou a pessoa mais solitária que você conhece.
Repentinamente os olhos dele se abriram, levando espanto aos dela.
O vermelho conheceu o azul.
O vermelho fragilizava o azul.
O azul era a razão do vermelho estar vivo.
- Se você se sente tão só... Porque me abandonou? — ela tentou se manter lúcida perante aquele olhar. Tentava dá uma solução para a ferida de ambos – Porque você vai embora? Eu não sou o suficiente para acabar com a sua solidão? Você não vê que fazendo isso você só irá atrai-la.
- É a minha natureza, Rangiku. — disse ele sem desviar o olhar.
Ela o estava embriagando aos poucos. A presença dela o deixa em um estado de total insanidade. As lágrimas dela eram como uma doença terminal.
Ela o abalava. Ela era a única pessoa que o conhecia verdadeiramente. Rangiku era a única.
Ichimaru levou uma de suas mãos ao rosto dela, sentindo aquela pele macia tocar a sua. Poderia ficar assim para sempre, mas não poderia. Ainda estava no início, mas sabia o que poderia ocorrer futuramente.
- Você não pode. Você não deve me querer ao seu lado. Você irá se machucar.
- Eu não tenho medo. — ela disse de uma forma digna – Eu corro o risco! Eu posso, Gin!
O sorriso voltou ao rosto de Gin diante a inocência dela.
- Você não sabe de nada, Rangiku. Você é a única pessoa que eu me importo, por isso o mais seguro é você ficar longe de mim.
- Como você sabe? — Matsumoto permanecia firme, retrucando qualquer motivo – Como posso saber que está falando a verdade? Como posso saber se sou a pessoa que você mais se importa?
Ele acariciava o rosto dela.
- Você não percebe em meus olhos o que eu sinto por você, Rangiku?
Rangiku mergulhou-se naquele olhar. Os olhos que para muitos era estranho, no entanto para ela eram os mais belos. Eles eram a chave do verdadeiro Gin que se escondia por traz daquela mascara sorridente. Essa era a sua beleza.
Eles eram a chave. Sabendo disso chegou a conclusão do que ele sentia – Por traz de um olhar!
- Você é linda. — ele a despertou de sua reflexão.
Ele entrelaçou as mãos na cintura de Rangiku, pressionando-a contra o seu corpo. Ferozmente possuiu os lábios dela em um beijo cheio de paixão e desejo.
Era o primeiro beijo que compartilhavam.
Alguns poderiam interpretar mal o jeito como se encontravam, principalmente quando é o primeiro beijo, que na maioria das vezes é presenciado pelo casal vagarosamente.
Mas Gin e Rangiku eram diferentes. Suas personalidades não deixavam. A ansiedade da aproximação não deixava. O fogo ardia no coração de cada um. Era um amor de criança, amadurecido no coração de dois adultos que poderiam chegar a loucura.
Saboreavam os lábios um do outro na emoção de poder ser a única vez.
Ele não saberia o que poderia acontecer futuramente. Não sabia quanto tempo levaria.
Ela não sabia quanto tempo ele iria continuar ao seu lado. Quanto tempo ele permaneceria em seus olhos, antes de sumir nas sombras novamente.
O fato era, iriam permanecer o máximo possível juntos. Iriam aproveitar essa pequena regalia que chegou até eles. Dependiam disso para sobreviver.
Se separaram ofegantes. Um leve sorriso adornava os lábios dela, mas nada que se comparasse aos dele. Seria possível que ele sorrisse mais?
Uma troca de olhares aconteceu novamente. Através disso puderam distinguir um no outro o que precisavam; o que queriam.
Em questão de segundos sumiram nas sombras. A noite tinha muitas surpresas para eles, e não iriam desperdiçar a oportunidade de ficarem eternamente juntos. Ligados.
Por quanto tempo iria durar? Realmente não se importavam.
FIM!
Notas finais
Reviews? *-*
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