Por Trás do Anjo do Submundo - Parte Ii
2 A Grande Explosão
Notas iniciais
“Espero que Zip e Winston não tenham voltado para cá. Preciso do HD. As informações que estão lá sobre meu pai, podem me revelar à entrada para Avalon.”
Havia poeira por todo lado, Lara nunca pensou em ver a mansão de sua família daquela maneira.
O vitral principal da entrada estava todo estilhaçado, em quanto o da escadaria ainda mostrava o brasão da família. Inclusive, o teto ornamentado estava destruído, não completamente, mas o suficiente para que a chuva entrasse e formasse poças pelo chão.
Realmente, ela desconhecia o lugar onde crescera e passara por excelente momentos.
- Por culpa de Jaqueline.
- Ainda vamos pegá-la.
Lara pegou o HD de Zip, onde ficava escondido e o guardou com todo o cuidado.
- Estou com ele, agora é a hora do show!
Antes de sair do escritório de Zip, Lara observou bem as LEDs que mostravam imagens da Tailândia.
- Incrível lugar, águas limpas e mornas, que nem a menos sei se vou rever. – Disse Lara com um tom de desânimo.
- Quanto as suas relíquias? Seria burrice, tantos anos de luta.
- Já tenho minha opinião, infelizmente elas terão o mesmo destino.
Lara observou bem a sua sala, caminhou até o centro e olhou para o retrato em tinta de seus pais. Um raio o iluminou.
Ela sentiu a falta deles, como também a de Werner.
- Lara, é você mesma? – Perguntou a voz de Zip por algum microfone.
- E quem poderia ser?
- Não sei, mas outra noite que esteve aí, você ignorou meus chamados. A câmera capturou bem o seu rosto, você estava mal, nem parecia você.
- Deve estar maluco, ou Natla anda aprontando algo com a minha imagem.
Lara não deu importância ao assunto e o encerrou jogando a culpa em Natla. Como de praxe, tudo o que acontecia era a culpa daquela mulher.
- Lara, por onde esteve na última semana? – Indagou a voz de Winston ecoando pela mansão.
- Pelo visto o mecanismo de segurança ainda está vivo.
- Mas a Interpol ficou por aí uns três dias depois da invasão.
- Não era a Interpol, e sim a CIA. – Falou o homem que acompanhava Lara.
- Ah, esqueci deste detalhe. – Começou Lara, virando-se para o amigo. – Andei investigando essa última semana e meu amigo Kurtis, me ajudou nas pesquisas. Descobrimos que Amanda estava envolvida com alguém do Governo Americano. Então para ela ficou mais fácil fazê-los de seus mercenários. Eram eles invadindo a mansão e eram eles armando a cilada para mim, na morte de Werner.
- Malditos! – Exclamou Winston exaltado com toda a sua hierarquia em evidência.
- Bem, se tudo isso você descobriu com a ajuda de seu amigo, aposto que teve de ajudá-lo com algo em troca, certo? – Disse Zip conhecendo bem o tipo do rapaz.
Kurtis riu.
- Sim, tive que o ajudar numa missão ‘hard core’ em El Dorado, com a antiga lenda do velho Drake.
- Ah, pensei que fosse algo mais ‘jardim de infância’.
- Bem, Kurtis está aqui por que ele vai me ajudar a descobrir o que Werner fazia envolvido com as Pinturas Obscuras.
- O mito do Nefilim. – Falou Winston.
- Não sei até onde essa história é verídica, mas realmente é uma hipótese. – Respondeu Kurtis.
- Ainda mais vindo de Natla. – Concluiu Lara.
- Então Lara, te encontro lá fora. — Disse Kurtis se retirando da mansão e indo procurar abrigo de baixo de alguma árvore no jardim.
- Lara, está pensando em fazer o que seu pai havia lhe sugerido naquela carta?
- Sim Zip. Mas antes de tudo, explique ao Winston. Estou com pressa para ficar de conversa.
Não demorou em o mordomo fazer uma exagerada e precisa cena de desespero. Lara por sua vez, forçou-se em não dar atenção. Muitas coisas passaram por sua cabeça, muitas lembranças.
Virou as costas ignorando o chamado de Zip e Winston, caminhou para frente da mansão. Olhou-a pela última vez, pesou tudo o que iria acontecer. Hesitou e soube no exato momento que não teria coragem para fazê-lo.
Suas lágrimas se confundiam com as gotas da chuva.
Lara virou as costas e então, apertou o botão do dispositivo.
E um segundo pareceu uma eternidade. Estava tudo em câmera lenta. Ela ouvia os fortes batimentos de seu coração, o movimento da chuva ela via com perfeição, as formas dos raios e a expressão no rosto de Kurtis.
Tudo aconteceu em um segundo.
Às suas costas, um intenso calor trouxe uma violenta onda de destroços em sua direção. A grande explosão havia sido executada.
Havia terminado.
Lara cambaleou para frente conforme o impacto, e cabisbaixa tomou fôlego, olhou para frente e seguiu a diante, sem olhar para trás.
Kurtis estava com os braços entre o rosto, porém, seus olhos haviam captado todo o acontecido.
- Inexplicável. Cinematográfico. – Disse ele de boca aberta. – Incrível o que umas doses de vodka não fazem.
- Exato! Mas agora precisamos ir.
Fale com o autor