Por Trás do Anjo do Submundo

1 Mansão Croft Queimando Ao Chão


Notas iniciais
Espero que gostem dessa mistureba entre TRAOD com TRU.

Mais uma noite fria com o céu estrelado. Um longo e morno banho proporcionava à Lara um delicioso prazer.

Do outro lado da mansão, Winston preparava-se para dormir.

“Ainda bem que estou dispensado por hoje, meus pés estão me matando”.

Pensou o velho mordomo ao deitar-se.

No térreo, Zip parecia hipnotizado na frente do seu computador. Mexia-se apenas para alcançar o grande copo de milkshake.

Uma noite comum na mansão Croft. Prevalecendo a calmaria e o silêncio.

Mas os pensamentos de Lara estavam agitados e conturbados... Não parava de pensar na noite anterior. Enrolou-se numa toalha branca e felpuda, foi se secando em direção ao quarto. Depois, com o corpo enxuto, entrou em seu closet e revirou uma muda de roupas à procura de uma veste confortável. A luz do cômodo revelava a silhueta de um corpo rijo e jovem no chão do quarto escuro.

Voltando ao quarto, Lara fora checar as câmeras de segurança. Uma tela mostrava cada parte vigiada da mansão.

No saguão, Zip ainda permanecia ao fundo, em seu “escritório” na frente do computador. O restante estava deserto. Procurou por Winston, mas não o encontrou. “Dormindo”. Pensou em resposta.

Logo, algo lhe chamou atenção. O portão de entrada estava no chão.

Lara estremeceu e engoliu em seco. Imediatamente, apertou o “botão vermelho”, acionando todo o sistema de segurança da mansão.

- Minha casa invadida. – Murmurou com a voz rouca. Pegou logo seu coldre, e recarregou suas pistolas.

Winston passava correndo do outro lado em direção ao térreo. Lara fez o mesmo.

Reunidos no saguão, Lara, Winston e Zip pareciam estar preparados para uma guerra.

Um enorme helicóptero sobrevoava a mansão e iluminava os três em cheio.

- Lara Croft, aqui é a Interpol, renda-se agora ou iremos entrar! – Anunciou uma voz vinda do helicóptero, que agora sobrevoava e iluminava o vitral acima da escadaria.

- Droga Lara, como você deixou? – Gritou Zip. – Achei que você já tinha resolvido.

- Agora não adianta, vamos ter que nos entregar. – Argumentou o mordomo.

Lara hesitou de um lado para o outro. Parecia perdida.

- Vamos fugir! – Ordenou Lara ao correr para a sala da piscina. – Rápido, venham. – O helicóptero sobrevoou o grande teto de vidro.

- Estão escapando! Entrem e executem.

Vários agentes da Interpol, que na vista de Lara, pareciam mais agentes da CIA, invadiram a casa por todos os lados. Janelas foram quebradas e portas derrubadas.

Lara acionou um dispositivo revelando um túnel escorregadio por debaixo da piscina.

Zip e depois Winston desceram deslizando pela passagem. Lara rodou os olhos, observando bem a sua mansão. Lamentou-se por ter deixado as coisas chegarem àquele ponto.

“Por que eu voltei naquele maldito lugar?!” Perguntou-se com arrependimento.

- Estão cercados, rendam-se agora ou botaremos a casa no chão! – Gritou a voz megafonizada no helicóptero.

Lara quis ficar, mas se jogou no túnel e escorregou até ver Zip acionar outro dispositivo fechando o caminho às suas costas.

- E agora, o que faremos? – Indagou Winston.

- Se querem a minha cabeça, então devo fazer tudo sozinha. Vocês dois vão ficar escondidos no apartamento de Zip no centro de Londres. Não sei até que ponto eles vão meter vocês. – Lara andava de um lado para o outro, a expressão pasma ia sumindo conforme sua foz ia ficando mais firme. – Esperem eu entrar em contato. Sigam adiante e peguem o bote que está no canal do esgoto. Assim chegarão mais rápido e em segurança ao centro. Eu tenho planos para mim. – Terminou Lara sumindo na penumbra daquele lugar úmido e mal cheiroso.

Winston deu uma corridinha em direção à Lara. – Mas senhorita. – Ela já havia desaparecido.

- Venha velho amigo, temos uma viajem pela frente, ela sabe o que faz. – Terminou Zip esquivando seus pés de algumas ratazanas. Winston acompanhou Zip repetindo os movimentos.

*

* *

24 horas mais cedo

“Não agüento mais esses telefonemas. Vou ver o que esse velho quer com as Pinturas Obscuras”.

Fizera um ano do seu acidente no Egito; Lara estava muito cansada e preferiu ficar afastada de seu trabalho, também, afastada da mídia e de muitas pessoas. Inclusive seu velho mentor, Werner Von Croy, que este, persistia em querer conversar.

Aproveitou um dia que estava em Paris, e resolveu ir visitá-lo.

Chovia muito na Cidade Luz. O céu cinzento dava um ar de tristeza. Lara atravessou a rua e caminhou em direção aos pequenos apartamentos de luxo.

Ao chegar a seu destino, encontrou a porta do apartamento de Werner entreaberta.

- Esperava por você. – Resmungou uma cansada voz de um velho que olhava pela janela. Comovida com o encontro, Lara decidiu não mostrar nenhum pouco sentimento.

Queria parecer fria. Não queria dar importância para o momento, e faria de tudo para não prolongar a conversa.

- Diga logo o que quer. Estou sem tempo. — Informou Lara rispidamente.

Notando as condições, Werner logo se apressou.

- Preciso de sua ajuda. Preciso de você em uma missão. As Pinturas Obscuras são apenas uma parte.

Irritada com a proposta, Lara pensou em dar as costas ao velho.

- Outra missão? Que é agora, Íris? Natla? O que mais você quer de mim? Parece que o Egito não lhe serviu em nada! – Respondeu aos gritos.

Assustado, Werner havia esquecido do temperamento difícil da moça, tentou intervir.

- Calma Lara, por favor. Eu sinto muito sobre o Egito, vamos deixar pra lá.

- Deixar pra lá? – Lara riu. – É fácil falar, Werner. É por um milagre eu ainda estar viva.

- Lara, preste atenção, eu e você não temos muito tempo. – Orou o velho com seriedade.

- Seu velho idiota, está tentando me usar. Como das outras vezes. – Lara parecia incontrolável. Parecia que ia cometer um erro. – Sempre com o mesmo discurso, mas desta vez, basta!

- Lara afaste-se. Lara para trás. Vá embora.

“Aconteceu tudo tão rápido. Estava tudo tão escuro. Lembro apenas de Werner me apontar uma arma, quando fui arremessada contra a parede, ouvi tiros e apaguei. Quando tomei consciência, não encontrei ferimentos de bala em Werner. Seu pescoço esmagado fora o suficiente para tirar-lhe a vida.”

- Droga, o que estou fazendo?! – Questionou-se Lara ao parar de correr e voltar para a cena do crime. – Preciso saber quem foi.

Chegando ao local, Lara vasculhou toda a sala em busca de algum vestígio, mas a única coisa que servia de “dica”, eram as escrituras que foram feitas nas paredes com o sangue de Werner.

Um retrato quebrado estava jogado aos seus pés. Na foto, os amigos se abraçavam. Boas lembranças, ela recordou.

- Não se mova! – Disse uma voz firme e fira às suas costas.

- Ah... Jogos! – Insinuou Lara ironicamente.

- Mãos na cabeça. – Ordenou um policial da Interpol, aparecendo em sua frente, mirando fixamente nela.

Lara engoliu em seco. Era só o que faltava. Ser acusada pela morte de Croy. Só poderia ser azar, ou mesmo uma cilada. Uma forte corrente de adrenalina a fez com um movimento imobilizar o policial em sua nuca, fazendo-o atirar contra o outro, apenas para dispersá-los. Ganhando assim, alguns segundos que favoreceram sua fuga pela janela dos fundos.

Fugindo por um estreito beco, Lara corria como se o mundo estivesse sendo detonado às suas costas.

“Não deveria ter voltado”. Repetia várias vezes na cabeça.

- Lara, você está em todos os jornais. Como conseguiu sair da França?

- Tenho meus contatos Zip, foi difícil, mas não se preocupe, em breve eu resolvo esse assunto.

*

* *

Alguns dias depois.

- Lara, por onde esteve na última semana? – Indagou a voz de Winston ecoando por alto-falantes espalhados pela mansão.

- Bom saber que estão seguros ainda. Eu estive pesquisando. Aliás, como souberam que era eu? – Perguntou Lara elevando a sua voz para que algum microfone a captasse.

- O mecanismo de segurança ainda está ativo. – Informou Zip. – Sabe Lara, os policiais ficaram por ai uns três dias ainda.

- Percebi. – Respondeu secamente. – A mansão está uma bagunça. Está abandonada.

Lara olhou bem para cada canto. Parecia que a mansão estava abandonada há anos. Estilhaços de vidro por toda parte, móveis jogados pelos cantos, muita poeira.

- Terei muito trabalho pela frente. – Sugeriu Winston.

- Não será preciso. – Sutilmente, Lara cortou o papo do mordomo.

- Como assim Lara? As passagens secretas não foram descobertas, acho que logo poderemos voltar.

- Eu sei Zip, mas não precisaremos mais voltar. Fiquem onde estão. É seguro para os dois. Tenho alguns planos para a mansão. – Terminou Lara, indo de um lado para o outro.

Winston impaciente interveio:

- Senhorita Croft, nós estamos vendo você pelo GPS, o que faz de um lado para o outro?

- Lara, não está pensando em fazer o que o seu pai queria? – Quis saber Zip com medo da resposta.

- Exato! – Exclamou Lara decidida. – Conte para ele Zip.

Com frio na barriga e a voz trêmula, Zip informou Winston sobre os planos.

- Assim como Richard queria, ela vai explodir a mansão.

Abismado e assustado, Winston começou a tremer.

- O que? Mas que diabos... Que motivos seu pai daria para explodir a sua própria casa?

Lara, firmemente, respirou.

- Natla. Mas isso eu resolvo depois que voltar. Zip, você sabe o que fazer. Não sei até que grau ela está envolvida na morte de Werner, mas por hora, tenho outras contas a acertar. Preciso também me deletar, apagar todos os meus passos. Quando eu voltar, sentaremos e discutiremos melhor. Aguardem meu contato.

Impacientes, os dois tentavam falar.

- Mas Lara...

“Vou fazer o que meu pai pediu. É claro que não estava disposta, não agora. Mas já que sou uma foragida, não poderei resolver meus problemas com Natla, então terei que atrasar os dela. Em quanto isso, eu me camuflo na surdina e tendo desvendar a morte de Werner. Quando eu resolver isso, limpar a minha ficha, eu termino o que vou começar agora.”

- Lara não faça isso.

- Senhorita, nós podemos achar outra solução. Por favor.

Lara não pode conter as lágrimas ao olhar fixamente pela última vez para a sua mansão. Para o lar onde cresceu, e viveu bons momentos com sua família e amigos. Todas as relíquias que já havia descoberto. Tudo. Doeu mais ainda ao virar as costas para ela e ignorar as vozes de Winston e Zip tentando impedí-la do ato. Mas estava decidida.

Lágrimas escorreram timidamente de seus olhos no momento em que Lara apertou o botão e explodiu a mansão Croft.

*

* *

FIM

Notas finais
Poderá originar, quem sabe, continuação para essa saga sem noção.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!