Por Trás das Palavras.

5 Estrelas x Cometas. / Ciúmes ?


Notas iniciais
Oi gente linda! Mais um capítulo saindo quentinho do forno!! Espero que gostem! :D

Cheguei ao colégio ainda a tempo de ouvir o sinal bater. Ou seja, cheguei cedo.

Atravessei o estacionamento aonde alguns alunos despreocupados permaneciam conversando escorados em seus carros, devolvi os cumprimentos animados demais de um grupo de garotas mais ao longe, e também dos caras do grêmio e segui passando pelo portão principal. Apesar da instituição ser classe média-alta, ter salas de aula de última geração, os melhores docentes e índices de aprovações, sistema de segurança impecável, e outras várias coisas, eles não conseguem controlar os alunos, não com mão de ferro pelo menos. Alguns alunos simplesmente não dão valor para o que tem e fazem pouco caso. Mas acho que isso acontece em qualquer instituição de ensino.

— Fala ae, Pierre ! — saudou-me alguém que não sabia quem era, mas o rosto me era familiar.

— Ae ! — devolvi. Isso é o que se ganha por ser capitão do time de futebol, popularidade. Estou com a braçadeira desde o ano passado, e me orgulho muito desse feito. Batalhei muito, dando o melhor de mim para o meu time, e como consequência fui nomeado capitão.

As únicas coisas ruins nisso tudo é que:

Primeiro: você não sabe quem é seu amigo verdadeiro, e quem quer somente pegar carona na sua popularidade.

Segundo: você deve seguir umas "regras" que cada "tribo" , digamos assim, tem.

E no topo dessa lista está "Nunca se misture com quem não faz parte do seu grupo! "

É um saco! Não poder ser amigo da galera do laboratório de ciências, por exemplo, só porque eles são... eles.

Deixa eu explicar, o meu grupo, os esportistas, fazem parte do grupo dos "estrelas" aqui no colégio, como diz o próprio nome são o centro das atenções por conter luz própria, assim como a galera do grêmio, do jornal da escola, e as líderes de torcida. Os outros recebem o nome de " cometas", sem luz própria, a galera da dança, os nerds, o povo da orquestra, é muita gente!, e os traças, ou papa livro, é a galera da literatura, com eles eu me identifico, porém ninguém nunca pode saber disso, ninguém do colégio pelo menos.

Entrei na sala e a professora olhou no relógio; ainda estava dentro do prazo de tolerância então pouco me importei com o olhar atravessado que ela me dirigiu. Meu foco estava na carteira vazia onde a Cecília deveria estar.

— Fala ae, mano. — me deu o seu bom dia o Carlos assim que encontrei meu lugar no fundo da sala, e batemos as mãos.

— De boa na lagoa? — perguntou Oliver sorrindo.

— De boa, sapinho. — respondi, pra ver seu sorriso murchar, ele odeia ser chamado de sapinho e faço de propósito, porque irritar irmão mais novo é lei.

— Bom dia, manolo! — saudou-me Diego mais ao longe, duas carteiras na frente, falando um pouco alto demais.

— Meninos queridos, eu sei que vocês não se encontram desde ontem, e a saudade é imensa, mas vamos tentar agilizar um pouquinho aí na hora de copiar. — pediu simpática a professora Emanuelle.

Apesar da sua pouca idade, a turma a respeita, o fato dela ser nova faz com que nossos pensamentos e gostos não se diferenciem tanto, deixando a aula mais leve e dinâmica. Porque de professor chato já basta a Mercedes de história.

— Desculpa aí, fessora. — falou Diego.

— Tudo bem. — e voltou a escrever o poema no quadro.

Peguei meu caderno e comecei a copiar, sem ter a mínima ideia do que falava o texto. Um papel amassado caiu na minha mesa, olhei em volta procurando quem poderia ter mandado, mas todos pareciam estar centrados em copiar.

"Que tanto você olha pra porta? — Schneider."

"Não tô olhando pra porta" — escrevi, amassei o papel de novo, e joguei para mesa do lado sem que ninguém notasse.

Segundos depois recebi a resposta.

"Só você não percebe, tá esperando alguém?"

O nome Cecília vagou na minha mente na hora, e senti o estômago gelar. Está tão na cara assim a influência que essa menina exerce sobre mim? Fuzilei meu amigo que reprimiu o riso; amassei a droga do papel e taquei na cabeça dele que tentou desviar em vão, e voltei a copiar.

Um outro papel chegou na minha mesa. Abri desconfiado de conter mais provocações.

" Não falei/escrevi nada demais, só perguntei se você esperava alguém, agora se você pensou em alguém em especial aí já não tenho nada a ver com isso, até porque não citei nomes."

Arregalei os olhos. Fui pego desprevenido, o filho da mãe jogou verde! Meu olhar surpreso respondeu a ele que pensei na Cecília, do jeito que ele suspeitara. Tinha mais uma frase no final.

"ps. tá tão grilado na baixinha que nem sentiu falta do Igor".

Igor? Mas o Igor tá bem... espera.

Olhei para o nosso grupo e só contei cinco, o arruaceiro não chegara, bem que senti tudo muito calmo demais. Schneider piscou pra mim e voltou a escrever sorrindo de lado, satisfeito por seu plano ter dado como suas expectativas indicavam.

Nesse momento a porta se abriu de novo, entrando Igor e Cecília, quebrando o silêncio na sala.

— Mas o que... ? — perguntou nada contente a professora.

— Foi mal ae, fessora. — falou alto o Igor fechando a porta. E num instante ficou sem graça ao dar de cara com a professora e ver de quem era a aula — Quer dizer, desculpa professora ter parado a sua aula. — a arrancou o boné que estava usando — Mas olha, eu e a ...

— Cecília. — completou a menina ao seu lado.

— É, Cecília, já passamos na secretaria e pegamos o papel da detenção pelo atraso. — sorriu amarelo, indicando uma circular azul nas mãos.

— Tudo bem, podem entrar. — permitiu.

Os dois entregaram os papéis e foram para os seus lugares, não sem antes meu amigo entregar a mochila da Cecília que carregava. Não gostei disso.

Continuei a escrever pra ver se esquecia do incômodo esquisito no estômago que não tinha nada a ver com fome, enquanto a caneta protestava sobre a força desnecessária que eu fazia escrevendo.

— Que aconteceu pra você se atrasar logo hoje? — quis saber Diego.

Estávamos reunidos em torno de uma das mesas distribuídas ao longo do pátio aberto da instituição, durante o intervalo, o sol era bloqueado por uma árvore próxima onde a galera da literatura estava apoiada e sumia nas páginas dos seus livros, avistei Romeu e Julieta na mão do leitor mais perto, é o romance preferido da minha mãe.

— Dormi demais. Passei metade da noite jogando na net, aquele jogo que te mandei o link, e acabei perdendo a hora. — respondeu Igor, antes de morder seu hambúrguer. — Cheguei ao ranking 57, ainda é pouco, meu vizinho tá no 105 e toda vez que me encontra faz questão de jogar isso na minha cara. — falou de boca cheia, insatisfeito. — Mas é claro, — engoliu — que eu não ia perder a aula da minha professorinha.

— Ah é, você tem uma queda pela professora Emanuelle. — relembrou Oliver.

— Uma queda só não, caro aprendiz, um tombo! — exagerou. — Ela é perfeita! — sorriu abobalhado. — Tirando a parte que é professora da matéria mais chata que temos. Mas aí já é querer demais né ?! — deu de ombros.

Os garotos conversavam animados entre si, meu corpo estava entre eles, mas minha mente vagava em outras questões mais importantes.

— Onde encontrou com a Cecília? — perguntei aleatoriamente cortando a conversa deles, e todos os olhos da mesa voaram pra mim. Saiu sem querer, quando fui ver já tinha escapado.

— Cecília? — indagou Carlos.

— Quem é essa? — foi a vez de Diego questionar.

— A pequena que chegou comigo na sala? — quis ter certeza o Igor, trinquei os dentes irritado pelo apelido que ele a dera, já estavam tão próximos assim? — Foi no estacionamento, ela passou por mim tão atrasada quanto eu, quando tentamos entrar o inspetor já esperava pela gente no portão com aquela cara de quem dormiu de calça, não teve nem como escapar. — sorriu despreocupado.

Claro que não, ele deve ter somente se referido ao tamanho dela, e o meu ciúme fazendo-me enxergar coisas que não existem. Eu disse ciúmes? Não! Não é ciúmes!! Deve ser só um.. uma... coisa... ah deixa pra lá. — Na secretaria que fui saber que ela era da minha turma, até que ela é bonitinha .- finalizou. Repassei mentalmente a Canção do Exílio de Gonçalves Dias, todas as posições dos jogadores em campo, o hino nacional, tudo com o intuito de reprimir minha áurea assassina que ansiava por ir tirar satisfação de forma nada amigável com Igor por aquele elogio.

— Bonitinha é feia arrumadinha. — zombou Oliver, sempre ele.

— Opa, então ela é linda ! — redimiu-se Igor. — Por que? Tá de olho nela?

Fiquei sem ação com aquela pergunta, levando mais que dois segundos pensando em como sair dessa, porém meu amigo se auto respondeu por mim.

— Antes de pensar nisso, vou logo avisando, ela não é das nossas. — falou como se não tivesse culpa. — Na mochila dela parecia que tinha uma biblioteca inteira, pesava um chumbo. A pequena disse que eram livros.

Livros.

Ela gosta de livros.

Também gosta de livros.

Sorri singelamente, feliz com a descoberta, e quase esqueci que estava no meio de uma conversa.

— Não. Eu? Imagina. — menti.

De vez em quando cai a ficha que não faço parte desse grupo, e esse é um desses momentos, não o grupo dos esportistas, eles são maneiros, e eu amo meu futebol e lutei muito pra chegar ao patamar que estou, mas do grupo dos "estrelas" e essa palhaçada de não poder se relacionar amigavelmente com os "cometas". Minha revolta começa já pelo fato de ter uma divisão. Em certos casos a implicância da classe popular contra os outros é tanta, que quase vou em defesa deles. Como quando Ashley, braço direito da Silvana, e principal responsável pela escolha das novatas das líderes de torcida, mandou pichar o armário da candidata que tirou último lugar do ano passado com um imenso "perdedora" em rosa shocking. E é claro, ninguém nunca achou o responsável. Só não me rebelo porque seria jogar no ralo todo o esforço que tive pra conseguir ser capitão e subir até aqui. — Nem passou pela minha cabeça isso. — falei infeliz, mas disfarcei fingindo olhar algo importante a direita e dando de cara com Silvana e suas comparsas, digo, amigas vindo mais ao longe.

Schneider só me observou sem entender porque falei isso. Também queria entender. Talvez eu já saiba. Não quero me envolver ainda mais com ela. Como Igor disse ela não é das nossas. E eu já suspeitava disso.

— Finalmente os meninos mais disputados da escola! — com um sorriso de orelha a orelha Silvana anunciou sua chegada.

Notas finais
Hello peoples!! Mais capítulo na área!! Parece que a tentativa do Pierre de esquecer a Cecília foi por água abaixo, e deu crise de ciúmes no menino. Quem nunca teve ciúmes do crush, não é mesmo ? (Eu não '-') Só que com a divisão é praticamente impossível sequer conversar direito com a menina. O que será que ele vai fazer? Ainda mais agora que descobriu que ela também tem uma paixão por livros. E aí o que achou? Sinta-se a vontade pra comentar! Pode abrir o coração. (Críticas construtivas são bem vindas. ;) ) Espero que tenham gostado e até a próxima! Kisses Kisses *-*