Ele me levou até uma parte que dava perfeitamente pra ver a Lua. Sua mão ainda estava na minha cintura. Ele sorria. Olhei de relance pra escada e vi os outros três rostinhos curiosos nos espionando. Lucia ria com a mão na boca para abafar o som. Susana sorria e Pedro era o único com um pouco de seriedade no rosto. Edmundo devia saber que eles estavam ali porque não se virou e disse baixinho pra mim:

-Não se preocupe. Eles não vão fazer nada. Só são curiosos demais. Então... Tenho que te explicar a situação aqui de Nárnia. -Ele me soltou e pôs as mãos na bancada que nos separava dos galhos.

Ele respirou fundo. Abaixou a cabeça e coçou os cabelos na nuca. Ele olhou pra mim e se virou. Fez um aceno de cabeça e chamou seus irmãos. Eles se olharam surpresos e vieram ao nosso encontro. Edmundo se virou para eles e eu fiz o mesmo. Agora todos tinham um ar mais sério.

-Os entornos de Nárnia estão em guerra. -Edmundo ficou sério demais. Perdeu a pose de menino doce e se tornou um adulto responsável. Podia ver o rei que ele era pelo seu semblante naquele instante.

Susana pigarreou, olhou para Pedro e tentou olhar para Edmundo, mas ele estava com a cabeça baixa, mas sentia seus olhos em mim.

-Vou te explicar a guerra. O principe Tarant da Arquelândia precisa de uma rainha. E ele é mimado e está atrás das princesas de todas as cidades vizinhas. Por isso estamos escondidos. E se ele a encontrar, certamente vai querer que você se case com ele.

Coloquei a mão numa das dobras do vestido. Edmundo estava suficientemente perto para pegar na minha mão sem ninguém ver. Ele a apertou. Eu olhei para ele e vi que ele ficou triste. Tive certeza de uma coisa: eu não sairia do esconderijo por nada.

-Eu não vou sair. Vou ficar aqui até que ele se case. Quem sabe, até ter um herdeiro. Mas só fico se vocês ficarem.

-Ficaremos! Até porque, quando entramos aqui, não sabemos quando ir. Simplesmente, vamos.- Disse Lucia.

Fiquei preocupada e feliz. Decidi que como eles poderiam ir embora do nada, teria que aproveitar o tempo que tinha aqui com eles. E isso inclui ficar todo o tempo possivel com Ed.

Nós nos sentamos em confortáveis puffs que dispunham ali e conversamos sobre coisas que fariam minha memória voltar. Edmundo escolheu um puff grande o bastante para duas pessoas, mas estávamos tão grudados que cabia 4 pessoas ali. Ele abraçava minha cintura e deixou a cabeça no meu ombro. Eu deitei minha cabeça na dele e ficamos conversando.

Depois de muito tempo, Lucia foi dormir. Susana resistiu o que pareceu mais uma hora e Pedro foi com ela. Edmundo e eu ficamos sozinhos lá em cima. Fiquei vermelha com isso. Ele tirou a cabeça do meu ombro e viu que eu estava vermelha. Ele sorriu e afastou a franja do meu rosto, predendo-a atrás da orelha.

-Você é linda. Sei disso desde a primeira vez que te vi.

Legal, fiquei mais vermelha e sentia meu rosto arder, meu estômago se revirar e comecei a paralisar. Edmundo viu isso e segurou uma das minhas mãos e minha cintura. Sabia que ele ia me beijar, mas não seria tão fácil assim.

Estava exausta. Tive um dia de longas caminhadas e precisava dormir, mas não queria deixar Edmundo. Com a mão que ficou livre, escondi um bocejo intenso e meu olho lacrimejou. Edmundo tirou a lágrima do meu olho, agora estava perto demais. Meu plano ia falhar totalmente.

Ele beijou minha bochecha, foi um beijo delicado e longo, depois deu um beijo rápido no meu nariz, e finalmente, pressionou os lábios contra os meus. Instintivamente, minha mão foi para sua nuca e outra ficou na bochecha. Ele segurava minha cintura, e senti ele me trazendo para mais perto dele. Meu estômago parecia ter uma convulsão, mas eu não estava mais nervosa. Não queria que nos separassemos nunca mais.