Por Ti
1 Capítulo 1
Notas iniciais
~^~ Parte 1 ~^~
O medo assombrava-me tal como aquela noite fria e escura me assombrava, eu corria pela mata, escura e solitária, na tentativa de fugir dele, de encontrar lugar onde pudesse permanecer, onde ficasse segura. Mas esse lugar parecia ficar cada vez mais distante, ele afastava-se cada vez mais, à medida que eu corria cada vez mais, tentando fugir daquele que corria, também, cada vez mais para me apanhar.
As forças começavam a desaparecer e o ar fugia, mas eu tinha que correr ainda mais, ele estava quase a apanhar-me. Olhei para trás…onde é que ele estava? Tinha desaparecido? Continuei a correr ainda olhando para trás, foi quando voltei o meu olhar novamente para a frente, e aquele que me perseguia estava lá.
Tentei gritar, tentei gritar por Uruha, mas a minha voz não existia mais, não conseguia gritar, não conseguia falar, não conseguia sussurrar, ela simplesmente desaparecera. O homem que me perseguia agarrou-me pelos braços, batendo-me com força.
- Então Yoko, é assim que ficas por me ver? O teu querido e amado Daito? Por me veres? Pensei que ficasses contente.
Queria pedir que me largasse, que me deixasse em paz, mas ele agarrava-me os braços com cada vez mais força, e eu não conseguia falar, voltou a bater-me agora com mais força. Empurrando-me fazendo-me bater com as costas e cabeça na árvore atrás de mim, eu nem forças para lutar tinha.
- Agora o teu querido Kou não está aqui, para te ajudar – enfatizou o nome dele – Sabes porquê? Porque ele estava farto, ele simplesmente fartou-se de ti, de ti e dos teus medinhos inúteis.
Ele agarrava-me o cabelo com força, puxando-o, enquanto me batia no rosto sistematicamente.
O que ele dizia era verdade? Kou tinha-se fartado de mim? Eu não...isso não podia acontecer, ele sempre dissera que iria estar sempre comigo para tudo o que eu precisasse, porque que tinha que desaparecer logo agora que eu mais precisava?
Vi um metal brilhar nas mãos de Daito, ele notou a minha curiosidade e colocou-mo mesmo à frente dos meus olhos. Uma navalha. Ele nada disse, simplesmente encostou-a ao meu pescoço, começando a descê-la pelo meu corpo, rasgando-me a roupa e a pele.
A minha garganta ardia, eu queria gritar de dor, queria pedir ajuda, mas não conseguia, permanecia ali parada a sofrer, enquanto sentia o metal frio e afiado cortar-me.
E em apenas um movimento a navalha cortou-me o pescoço.
- AHHHH – gritei.
Abri os olhos, não estava mais na floresta, olhe à minha volta, reconhecendo o local como o quarto do Kouyou. Vi-o entrar pela porta aflito, vindo abraçar-me com força, não se importando se eu estava toda suada ou não.
Respirava com dificuldade e o meu corpo estava todo, de cima a baixo, molhado. Tudo aquilo não tinha passado de um sonho, aliás de um pesadelo. O pesadelo, que, ultimamente, me atormentava todas as noites, todos os dias.
Não conseguira cumprir a promessa que prometera a Kouyou naquela noite, no dia seguinte correu tudo bem, mas depois recebi uma carta de Daito, o homem que me fizera mal, o homem de quem eu tinha medo. Depois dessa carta, muitas outras vieram, todos os dias chegavam uma ou duas, ameaçando, os meus pesadelos vinham a partir daí.
Todas as noites dormia junto a Uruha, era incapaz de dormir sozinha, todas as noites, ao meio da noite acordava a gritar. Uruha começava a ficar chateado por eu me ir a baixo tão depressa. Ele ficava fulo sempre que via uma carta, fosse de quem fosse. A nossa casa estava cheia de cartas das fãs dele, mas ele não as abria, não as lia, eu não era a única que se deixava ir abaixo com esta situação, mas era a mais vulnerável.
- Tem calma – dizia tentando fazer com que eu parasse de tremer. Frio? Não. Pânico.
Pouco depois acalmei-me, graças ao seu abraço, graças a ele. Ele estava deitado na cama comigo, abraçando-me com força, escondendo o meu rosto no seu peito, só assim é que eu me conseguia acalmar. O Kouyou era o meu calmante, era o meu anjo.
Foi-se afastando, vendo que eu já estava calma e levantou-se dizendo que ia buscar alguma coisa para eu comer, vi-o ir em direcção à porta, mas ele não saiu. A porta estava fechada e uma das mãos contra ele, o rosto baixo, comecei a ficar preocupada com ele.
- Kou…
Ele virou-se para mim, com um olhar magoado e começou a falar:
- Porque tem que ser tudo assim? – o seu olhar mostrava tristeza – porque que tens que ser tão vulnerável e não és capaz de enfrentar os teus próprios medos?
O seu olhar triste tinha sido causado pela minha fragilidade, mas eu não sabia como tornar essa fragilidade em força, não sabia como por o olhar de Kou feliz. Da outra vez tinha-lhe dito que iria ultrapassar aquilo, que não mais ligar, que tinha sido um obstáculo passado, mas não era e eu bem lá no fundo sabia disso, e agora parecia cada vez mais distante, porque eu sabia que dessa maneira eu nunca ultrapassaria isso, porque qualquer coisa que Daito fizesse me deitaria abaixo.
Não lhe consegui dizer nada, apenas baixei o olhar, olhando para as minha pernas dobradas sobre a cama, eu deveria parecer mais uma criancinha assustada a uma mulher. Ele aproximou-se de mim, sentando-se na cama puxando-me o rosto para mais próximo dele.
- Eu tenho uma solução…mas duvido muito de que gostarás dela…mas é a única maneira…pelo menos a única que eu estou a ver…
O meu olhar tornou-se esperançoso, tal como o dele que me olhava bem fundo nos meus olhos. Mas ele disse que eu não ia gostar, sinceramente, neste momento eu já não sabia do que gostava ou deixava de gostar, os meus gostos tinham-se mudado, ou mesmo desaparecido.
- Diz…
Pedi-lhe, eu queria saber, queria por aquele sorriso nos seus lábios, eu queria pô-lo feliz, porque ele é a minha razão de viver, é a minha salvação e porque o amo com todas as minhas poucas forças.
Ele hesitou em dizer, mas eu pedi-lhe mais uma vez e ele disse, ele disse aquilo que era a ultima coisa que eu queria fazer nesta minha vida, ele devia estar a brincar, ele não esperava que eu fizesse aquilo ou esperava?
- Kou…eu…
- É a única solução, ou isso ou vais continuar toda a tua vida com medo daquele homem. Eu um dia fartar-me-ei de viver assim, porque todos os teus problemas são como se fossem meus, e acredita eu já me estou a fartar de tudo isto.
Não sabia que Kou se sentia assim, não sabia que ele se estava a fartar de mim. Alguma coisa começou a corroer-me por dentro, perto do coração e uma tristeza enorme abalou-me. Ele não era capaz…ou era?
- Não me abandones Kou!!!
Mandei-me para os seus braços a chorar. Se ele me abandonasse, aí é que tudo acabaria para mim, já não me importaria mais se estivesse a sofrer por causa de Daito, porque o Kou é que é a minha razão para eu me importar.
Ele ajeitou-me no seu colo, fazendo-me ficar como uma criança no colo da mãe, agarrei a t-shirt que ele vestia, segurando-me ali, sentindo a sua mão sobre o meu cabelo e cruzando as pernas à sua volta.
- Eu só não te irei abandonar se tu conseguires finalmente ultrapassar o teu medo absurdo – disse sincero – se não o conseguires ultrapassar eu terei que fazer isso, eu tenho uma vida na qual não há lugar para depressões, eu tenho muita gente a quem dar explicações e agradar.
Afastei o rosto do seu ombro, olhando-o nos olhos.
- Se eu fizer o que tu disseste, tu não me deixas?
- Não, não deixo.
Aquilo parecia mais uma conversa de namorados chateados, mas isso não me importa, porque eu realmente gostava de ser a sua namorada, era da maneira que não ficava chateada por causa de alguma namorada que ele arranjava, ou não ficava magoada por saber que ele tinha dormido com uma outra mulher.
- Eu não sei se irei conseguir dizer uma única palavra, mas vou tentar. Por ti Kou!
Ele beijou-me nos lábios e abraçou-me com força.
- Queres ir quando?
- Hoje quando amanhecer…
- Tens a certeza?
Balancei a cabeça afirmativamente e ele sorriu contra o meu pescoço, puxando-me contra a cama, deitando-me. Deitou-se ao meu lado e puxou o lençol branco para cima de nós, cobrindo-nos.
- Hoje, quando amanhecer eu vou maquilhar-te e vestir-te, vais parecer uma mulher indestrutível, a mulher que eras antes de tudo acontecer. Vais entrar naquela sala de visitas e vais falar tudo o que quiseres para aquele traste, eu estarei à porta, esperando por ti, esperando pelo teu choro no meu ombro se precisares, ali ele não te consegue fazer mal, ali ele não pode tocar-te nem com um dedo.
- Brigada Kou.
- De nada meu amor
Fechei os olhos, pouco depois já tinha adormecido, com os braços de Uruha em volta do meu corpo, sentindo o quanto quente o seu corpo estava.
O som de alguma coisa a partir fez-me acordar, olhei para o lado, constatando que Uruha já não estava deitado ao meu lado e os raios de sol entravam, sem qualquer hesitação, no quarto. Levantei-me lentamente, indo até a cozinha, donde parecia ter vindo o som de vidro a partir.
Parei na porta, vendo Uruha a varrer o resto dos pedaços de vidro e com a pá a colocá-los no lixo, dentro de um saco verde. Aproximei-me por trás, vendo que ele ainda não notara a minha presença.
Ao virar-se foi contra mim, tropeçando, mas conseguimos segurar-nos na mesa atrás de nós, impedindo-nos de cair no chão. Ele estava praticamente colado a mim e a minha respiração começou a falhar, ele parecia que se aproximava cada vez mais, directo aos meus lábios, mas quando eu fechei os olhos, à espera que os seus lábios cobrissem os meus, senti a sua cabeça cair-me no ombro, como um peso morto, as suas mãos rodearam-me a cintura, agarrando-me com força.
- Kou…
Sussurrei, sentindo a sua respiração pesada contra o meu pescoço, e ali ele depositou um leve beijo, enquanto me agarrava com mais força, apertando-me mais contra o seu corpo e aí ele falou.
- Promete-me que vais ser forte…
Quando ele pronunciou estas palavras eu não estava a ver onde é que ele queria chegar, só aí me lembrei desta noite, desta noite que ele conseguira com que eu assegurasse que iria à maldita esquadra onde esta o maldito Daito. O meu peito começou a bater rápido só de me lembrar dele.
- Eu vou ser.
Eu ia ser, eu iria falar para Daito com superioridade, iria fazer com que ele acreditasse que tudo o que ele me fizera, que tudo o que ele me andava a tentar fazer já não tinha mais importância na minha vida, e eu não estaria a mentir descaradamente, porque eu a partir do momento que saísse daquela sala de vistas, tudo aquilo não iria mais ter importância, a única coisa sobre o que eu mentiria era sobre o tempo, não seria o passado, seria o futuro, um futuro cheio que me esperava, que esperava pela minha recuperação, um futuro onde Kou estaria ao pé de mim e mais importante um futuro onde eu não faria Kou sofrer.
- Vai tudo resolver-se a partir de hoje, eu vou finalmente ser a tua Yoko.
Ele afastou-se para ver o meu rosto, vi-o sorrir, um sorriso lindo que mostrava todos eu seus dentes brancos de criança e então ele puxou-me até ao meu quarto que estava perfeitamente arrumado, fazendo-me sentar na minha cama.
Olhei para ele curiosa, vendo-o mexer no meu armários, onde estavam todas as roupas que eu já não vestia à um bom tempo, até já tinha medo que não me servissem. Pegou nuns skinny jeans pretos e num casaco de couro de corte de blazer também preto, ele sabia o quanto eu adorava preto, tal como Daito sabia. Abriu outra porta do meu armário, onde estavam as camisolas todas arrumadinhas por cores, tirou uma larguinha preta e virou-se para mim.
- Hoje vais toda da tua cor preferida ele vai ver que não te abalou.
Eu sorri para ele, mas ele rapidamente levantou-me da cama, mandando-me tomar banho e depois vestir-me, assim o fiz, ele veio comigo até à casa de banho e abriu-me a água do chuveiro, mandando-me ser rápida e saiu dizendo que ia acabar de me preparar o pequeno-almoço.
Tirei o pijama e entrei para de baixo da água, molhando logo o corpo todo, precisava de relaxar, tinha que pensar no que iria dizer, como me ia comportar e assim vieram-me flashbacks à minha cabeça insana, lembrando-me de quando era mais nova. Do quanto era feliz. Do quanto eu adorava tudo à minha volta. Dos tempos em que no final das aulas eu ia sempre ter com Kou e os outros membros da banda. Pensando nisso, nunca mais soube deles, apenas que eles estavam muito preocupados comigo, pelo que Kou me dizia todos os dias. À quanto tempo eu não saia de casa, à quanto tempo eu não olhava para o sol ou saia à rua?
Sai do banho, decidida que iria seguir os meus instintos, eu nunca preparava nenhum discurso antes eu preferia que o meu instinto me levasse, mesmo na faculdade eu sou assim, falando nisso também, eu teria que a acabar, por causa de Daito eu não a acabara, aliás neste momento eu devia estas no ultimo ano. E porquê que me lembrava de tudo isto agora? Eu nunca me tinha lembrado de tudo isto, aliás eu muitas vezes, já nem me lembrava que existia.
Vesti a roupa que Kou me dera, as calças estavam um pouco mais largas, ou eu é que estava mais magra, só aí é que olhei para o meu corpo no espelho, tinha realmente emagrecido, as coxas grossas que tinha, já não eram tão grossas, eu lembrava-me do tempo em Uruha andava sempre a olhar para elas dizendo que eram o maior pecado à face da terra, eu nessa altura nem de calções podia aparecer à frente dele, porque ele ficava a olhar, fazendo-me ficas constrangida.
Ouvi leves batidas na porta, mandei-o entrar, vestindo o casaco, ele olhou-me de cima a baixo, vendo como me ficava a roupa e sorriu, agarrou-me a mão puxando-me até à casa de banho, novamente. Penteou-me o cabelo, que apesar de molhado os caracóis já teimavam a aparecer.
- Quere-lo atado ou solto?
- Solto – sorri para ele.
Ele sabia que eu não gostava muito de usar o cabelo atado, só quando estava em casa e não queria que o cabelo me atrapalhasse.
- E se eu apanhar só esta parte?
Dividiu-me o cabelo ao meio, separou uma pequena mecha de cada lado e fez e contas que os seus dedos eram os ganchos que as iriam prender, olhou para mim esperançoso. Olhei para ele, dando um sinal de que ele podia fazer aquilo, então com cuidado, voltou a pentear-me o cabelo e com a escova e colocou um pouco de musse pegou numa mecha e prendeu-a com um gancho, faz o mesmo do outro lado.
- Gostas? – disse enquanto me dava um pouco de volume ao cabelo.
- Gosto – sorri.
Ele maquilhou-me, uma maquilhagem bastante simples, preparou-me o rosto e colocou um pouco de blush, passando depois o lápis preto e um pouco de rímel.
Deu-me a mão e levou-me até à cozinha, “obrigando-me” a comer o pequeno-almoço reforçado que ele tinha preparado de propósito para mim, ele hoje estava tão atencioso, e eu gostava dessa atenção, gostava que fosse assim todos os dias, mas não podia, isso seria abusar dele.
Acabei de comer tudo o que Kou me tinha preparado e ele ajudou-me a levantar, foi pegar na minha carteira que já lá tinha tudo, telemóvel, carteira com todos os documentos, um lenço, uma garrafa de água e outras coisas, fomos até à entrada de casa e lá calcei umas botas baixas de salto pretas, já há tanto tempo que não as calçava.
Fomos pelo elevador e lá, enquanto eu olhava sempre para o chão pensando em tudo o que acontecera ou ia acontecer, Uruha olhava-me tentando entrar na minha mente, ele queria saber o que eu estava a pensar, mas eu não disse nada, não estava para falar neste momento.
Saímos do elevador e saímos do prédio, logo avistei o carro dele à porta, abriu-me a porta do passageiro para eu entrar e deu a volta ao carro, entrando pela do condutor, apertei o cinto assim como ele e ele ligou o carro começando a conduzir até à prisão, que ficava fora da cidade.
Quando chegamos Kou estacionou o carro e em vez de destrancar as portas, deixou a cabeça cair para trás, fechando os olhos e deixando sair dos seus lábios um suspiro, ele estava tão nervoso quanto eu.
O seu olhar prendeu-se no meu, o seu semblante estava sério.
- Estás pronta? Se não quiseres diz, quando lá entrarmos não vais poder fugir.
- Eu já nasci pronta – ele olhou-me preocupado – Não te preocupes! Eu vou ser forte!
Ele depositou um leve beijo nos meus lábios, o primeiro naquele dia e sorriu-me de uma maneira doce, fazendo-me ficar levemente corada, ele riu-se.
- Porque que ficas sempre corada, quando eu te beijo de repente?
Dei de costas amuada, eu não gostava quando ele se punha com essas coisas, ficava sempre muito constrangida. Ele riu-se e perguntou:
- Vamos?
Acenei e ele destrancou as portas, provavelmente não as destrancou antes, com medo que eu saísse do carro e fugisse, neste momento tudo era possível.
Olhei para o local aterrador, as prisões japonesas eram conhecidas por serem muito severas. O meu coração batia forte só de olhar para aquele local, levei o dedo indicador à boca, para o morder, mas antes que eu tivesse esse prazer, Uruha afastou a mão da minha boca, olhando para mim.
- Ele vai reparar.
Suspirei, estava com uma vontade terrível de morder o dedo e Kou percebia isso.
- Queres morder o meu?
Olhei para ele surpreendida, vendo-o mostrar-me o dedo indicador, abanando-o mesmo à frente dos meus olhos, não lhe liguei e comecei a andar até à prisão, quando ia a começar a subir as escadas olhei para trás, vendo Uruha parado ainda no mesmo sitio a olhar para mim.
- Vamos?
Ele começou a andar até mim, agarrando-me pela cintura com força, encostei por momentos a cabeça ao seu ombro e fechei os olhos, sentindo os seus lábios sobre um deles, inclinei a cabeça para cima fazendo os meus lábios entrarem em contacto com os dele, naquele momento eu não sabia mesmo o que fazia, a única coisa que me apetecia era ficar ali, com os lábios sobre os dele, sentindo-o beijar-me lentamente.
Mas ele logo se afastou e começamos a andar até à porta da prisão, Uruha falou com um dos polícias perguntando se eu poderia visitar um dos prisioneiros, o policia disse que sim e mais algumas coisas que eu não tinha interesse em saber, Ouvi Kou dizer o nome de Daito.
Em pouco tempo, sem que eu reparasse já estava sentada à frente de um vidro, onde estava um telefone ao meu lado, mais ninguém estava lá, apenas eu, naquela sala vazia. do outro lado do vidro Daito com um policia que o empurrava com força.
Daito era um homem muito bonito fisicamente, tinha os cabelos levemente compridos castanhos chocolate, os olhos rasgados dele eram uma tentação total e um rosto tão liso e bonito como o de uma criança, mas aquele rosto agora mais parecia o de um velho do que dele, a olheiras grandes debaixo dos olhos e o rosto esfolado.
Por momentos pus-me a desejar vê-lo fora dali, queria que ele voltasse a ser como era quando começamos a namorar, e doce e simpático Daito, mas esses desejos desapareceram, quando senti o seu olhar sobre mim, o olhar maléfico e astucioso.
Ele sentou-se e sorrir falsamente enquanto o polícia que vinha com ele lhe tirava as algemas e ia para ao pé da porta, que provavelmente daria para as prisões.
O meu coração batia depressa, muito mais depressa do que todos os outros dias, talvez pelo receio de o voltar a ver, ou talvez pelos sentimentos que eu ainda sentia por ele , que apesar de tudo ainda não tinham desaparecido de todo.
Ele ria-se com a mão à frente da boca enquanto olhava para mim, vendo que eu estava nervosa e não sabia o que dizer, ele conhecia-me bem demais.
- Tens gostado das minhas cartas?
~^~ continua ~^~
Notas finais
Por favor cometnem e esperem pelo proximo capitulo.
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