Por Quê Sempre Eu?!
13 Voltando a rotina
Notas iniciais
A primeira coisa que fiz ao adentrar os espaços do acampamento foi avistar ao longe duas semideusas de sentinela. Não consegui identificar se conhecia alguma, mas mesmo assim segui em frente sem lhes dar atenção. Percebi que como já estava para anoitecer era bem provável que o acampamento inteiro estaria se aprontando para o jantar. Passei por alguns morangos e reparei que a safra deste mês está realmente boa (Que é? Me interesso quando o assunto é morango).
— Ei, quem é você? –uma das semideusas pergunta. Levanto meu olhar dos morangos para ela e me deparo com uma lâmina quase rasgando meu rosto ao meio. Credo, desde quando o pessoal daqui ficou tão medroso a ponto de atacar alguém sem nem saber quem é?
— Me chamo Melanie. O mais correto é perguntar quem é você, e porque está quase enfiando sua espada no meu olho. Está tão assustada assim? –questionei zombando-a. Eu sei, eu sei, fui muito grossa, mas como já disse antes, hoje não é um dos meus melhores dias.
— Você está invadindo nossa propriedade, e não adianta querer roubar morangos que eu e a Gabriela não vamos deixar! –bradou ainda apontando aquela espada para mim. Reparei que a outra menina, que deveria ser Gabriela, tinha tanta confiança na que me atacava que só olhava desinteressa para a cena.
— Você ainda não me disse seu nome. –respondi apenas para irritá-la. Que foi? Ela parece ser alguém novo no acampamento (até porque não a conheço) e zoar com os novatos é um ótimo exercício para acalmar os nervos. A garota, que agora que reparei tinha o cabelo ruivo, olhos verdes, e corpo esguio me encarou confusa. – Ora, filha de Afrodite, não vai me responder? –chutei arqueando uma sobrancelha.
— Co-co-como você sabe que sou filha de Afrodite? –perguntou com a voz tremendo. Peguei a lâmina de sua espada com a mão e tirei de meu pescoço, já que ela havia baixado guarda.
— Porque sou um monstro e vim aqui com o intuito de te matar. –respondi irônica e ela me encarou mais confusa ainda, e tirou a lâmina de minhas mãos a guardando.
— Já chega, não é, Melanie? –a tal de Gabriela disse com ar cansado. Espera, como ela me conhece?
— Você... –comecei a falar, mas ela me cortou.
— Sim, eu te conheço. Entrei no acampamento já faz alguns meses e por mais que nunca tenha conversado com você, sei da sua reputação. Luna, está é Melanie, filha de Zeus. Ela cresceu aqui no acampamento e nunca teve um namorado ou amigos, bom é o que os rumores dizem... –Agora era a vez daquela garota me zoar. Reparei que ela era alta, e possuía um lindo cabelo loiro com mechas roxas e os olhos acinzentados.
— Mesmo comigo fora daqui ainda me enchem o saco? –devolvi irritada e ela sorriu.
— Bem vinda de volta, e pode me chamar de Gabi se quiser. –disse com um sorriso sincero, diferente do que costume ver de qualquer pessoa. – Esta é Luna, entrou faz algumas semanas. –apresentou e cumprimentei com um aceno. Ela ainda me encarava confusa pelo que produzi, mas forçou um sorriso.
— Hum. Obrigada. –respondi meio a contra-gosto. – Que horas são? –perguntei, pois estava meio deslocada por ter desmaiado/dormido no templo de Apolo.
— 18:30h. Acho que seria bom você ir falar com Quíron, sabe, avisar que está de volta... E, aliás, cadê os semideuses que você foi buscar? –Gabriela perguntou e me remexi desconfortável.
— Longa história. –dei de ombros e segui adiante sem dar atenção às duas.
— Que garota estranha... –Ouvi Luna comentar.
— Que nada, ela só está nervosa. –Gabriela respondeu sem dar atenção a minha antipatia.
Continuei andando até que avisto a Casa Grande e vejo Quíron tentando falar com Sr. D, mas este não lhe dá atenção alguma, e fica concentrado no seu jogo de baralho.
— Mas Sr. D, como vamos... –começou e foi cortado.
— Não sei! Que chatice!
— Quíron... –chamei antes que ele começa-se a brigar novamente com o Sr. D.
— Ah, olá Melanie. O que quer? –respondeu meio impaciente, e o encarei confusa. Que tipo de recepção é essa?!
— Nada... –respondi me encolhendo um pouco, e sai de perto de lá.
Quando já estava quase entrando no chalé 1, escuto os cascos de Quíron atrás de mim, e me viro irritada para ele.
— Desculpe! –pediu assim que chegou perto de mim. – É que as coisas aqui no acampamento estão se tornando complicadas... –explicou-se.
— Que houve? –perguntei.
— Excesso de campistas. A cada dia chega um diferente! E estamos a ponto de entrar no verão, e as coisas só iram piorar... Ontem mesmo o chalé de Deméter pegou fogo... –falou com um ar cansado. – Enfim, bem-vinda de volta! Sei que não foi fácil o que você passou, já me informaram de tudo.
— Já? –questionei ainda confusa.
— Sim, Alec me mandou um M.I. –falou e eu olhei triste para o chão. – Melanie, criança, sei que chegou há pouco tempo, mas queria que você me ajudasse com os campistas como fazia antes... Será que amanhã poderia começar pela manhã dando aula de esgrima? –perguntou sorrindo carinhoso. Suspirei cansada e assenti. Mau cheguei e já tenho trabalhar!
— Boa noite. Creio que está cansada, mas se quiser o jantar será daqui a alguns minutos. –disse, afanou minha cabeça e saiu. Suspirei cansada novamente, e entrei no chalé. Não estava com paciência para rever as pessoas, e ouvi-las cochichando que eu havia falhado na minha missão, então sem nem reparar em nada me joguei em minha cama e dormi. Essa foi a minha melhor decisão.
Acordei quando uns poucos raios de luz passaram pela janela e acertaram meu rosto. Abri os olhos meio confusa por estar de volta ao meu chalé, mas reparo que tudo está exatamente do jeitinho que deixei da ultima vez. Levantei-me e coloquei uma camiseta do acampamento com um shorts jeans qualquer.
Saí do chalé e fui caminhando vagarosamente até o pavilhão. Não quero rever certas pessoas.
— Melanie? –ouvi alguém chamar assim que entrei no pavilhão. A voz vinha da mesa de Poseidon e me assustei ao constatar que se tratava de Julia Oakwood, uma garota que nunca foi com a minha cara já que como nós duas temos opiniões fortes, sempre discutíamos.
— Oi, Julia. –cumprimentei e minha voz saiu um pouco rouca por ter acordado a pouco tempo.
— Que bom que está de volta, eu já não tinha mais com quem discutir! –brincou e eu a encarei confusa.
— Passou a época em que vinham campistas com tanto orgulho como nós duas! –brinquei também e nós duas rimos. Wow, isso é o começo de uma amizade ou eu estou pirando?
— Olha se não é a chatonilda... –ouvi alguém falar por trás de mim e se sentar a mesa de Poseidon. –Fracassou na sua missão, não é? –zombou e virei para ver quem era aquele ser irritante.
— Se isso fosse da sua conta eu até te respondia... –respondi feito criança. Se tratava de Samuel Collin, um garoto que nunca foi meu amigo ou algo próximo disso. Outro filho de Poseidon.
— Bom, se me dão licença, irei para minha mesa... –avisei mesmo sabendo que era desnecessário. Sentei sozinha na mesa (como sempre) e comecei a tomar meu café em silêncio. Reparei que Julia havia dado um tapa na cabeça do meio-irmão. Bem feito.
— Bom dia heróis! Gostaria de fazer um breve anuncio antes que vocês acabem o café e vão fazer suas atividades... Ontem a tarde nossa querida amiga Melanie, filha de Zeus, voltou e ela será a professora de esgrima. –Quíron anunciou e eu ri no “nossa querida”, até parece! – E como o verão está chegando preciso decidir certas coisas, por isso haverá uma reunião do conselho hoje a tarde, após o almoço. Por enquanto é só. –terminou e continuei comendo. Estou vendo que hoje será um longo dia...
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