Por Que Nós?
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Brasil — 1969
Agora, o desenho que Brian estava olhando era... Estranho. “Quem Tem Boca Vaia Roma”. Uau, que engraçado. Essa era a frase, que tinha no desenho na parede da exposição que estava sendo realizada. Brian não sabia direito nem o nome do artista, mas os desenhos eram até que legais.
— Quem Tem Boca Vaia Roma... – Escutou uma voz do seu lado. Olhou para o lado, para ver quem era.
Era uma garota, loira, um pouco mais baixa que ele, e parecia ser adolescente também. Usava um vestido preto e branco, e tinha uma máquina fotográfica pendurada no pescoço.
— Bastante interessante, não é? – Brian disse, se referindo ao desenho.
— Sim... Curti, sei lá. – Ela disse, sem tirar os olhos do desenho. Só depois de um tempo, desviou o olhar e focalizou em Brian.
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Brian era um rapaz... bastante inteligente. Tinha cabelos negros como ônix, olhos verdes como o mar do nordeste e era bastante alto e magro. Tinha cerca de 1,85m de altura, não era nada musculoso, e não pesava mais que setenta quilos. Sua família vinha da Inglaterra, tinha vindo para o Brasil faz algum tempo.
O garoto gostava muito de ler. Lia tudo o que via pela frente: livros, jornais, revistas... mas ainda mais os livros, pelos quais tinha uma paixão extraordinariamente grande. Ah, os livros... o faziam viajar para lugares que antes nunca tinha imaginado estar, conhecia personagens e pessoas incríveis (mesmo que, quando lia, inventava o nome dos personagens que estava lendo. Ele, de jeito algum, conseguia ler “Boldhurter” na sua cabeça, mesmo que não fosse um nome tão complicado assim), e “vivia” situações inusitadas, que jamais poderia viver na vida real.
Tinha uma pequena coleção de livros em casa, que incluía literatura estrangeira, romances, biografias e muito mais. Mesmo assim não era uma coleção esplendidamente esplendida. Só sabia que não se importava em sentar numa poltrona por algumas horas do dia e devorar uma bela história.
Recentemente, havia sido o seu aniversário de dezessete anos. Ganhou de seu pai não um livro (que era o que sempre ganhava), mas sim uma linda máquina de escrever. Já tinha visto uma na delegacia e na biblioteca, mas nunca tinha tocado em uma. As teclas eram branquíssimas, o “corpo” azul, e todos os botões e engrenagens funcionavam perfeitamente. Brian a colocou num lugar especial no seu quarto, e, ao invés de escrever, ficou cerca de uma hora admirando-a. Era linda, lindíssima. Só depois colocou uma folha, sentou-se e começou a escrever. Mas tinha algo de errado: as letras, no teclado, não estavam na ordem. “Q, W, E, R...”. Devia ser uma ordem americana, ou algo assim. Mas o que importava, era que todas estavam lá.
Escreveu qualquer coisa. Não importava o que escrevia, e sim que escrevia. Era uma sensação maravilhosa, esplêndida encostar os dedos nas teclas, fazer pressão, escutar uma batida e ver a letra impressa no papel. Era como se fosse magia, transcrever seus pensamentos daquele jeito.
Brian também gostava de outros tipos de arte. Pinturas, desenhos, teatro, esculturas... Mesmo que não tivesse muito acesso a essas coisas. Por isso, agora, ele estava numa exposição de desenhos, de um artista plástico um tanto famoso por ali. Era o 2º dia de exposição, mas mesmo assim não tinha muitas pessoas. Era numa casa de exposições bastante velha, onde sempre tinha alguma exposição de qualquer artista.
Agora, o desenho que Brian estava olhando era... Estranho. “Quem Tem Boca Vaia Roma”. Uau, que engraçado. Essa era a frase, que tinha no desenho na parede da exposição. O desenho era muito colorido e vivo, chamava bastante atenção.
— Quem Tem Boca Vaia Roma... – Escutou uma voz do seu lado. Olhou para o lado, para ver quem era.
Era uma garota, loira, um pouco mais baixa que ele, e parecia ser adolescente também. Usava um vestido preto e branco, e tinha um estranho aparelho pendurado no pescoço, através de uma corda. Como um colar.
— Bastante interessante, não é? – Brian disse, se referindo ao desenho.
— Sim... Curti, sei lá. – Ela disse, sem tirar os olhos do desenho. Só depois de um tempo, desviou o olhar e focalizou em Brian. Suspirou, lamentando. – Pena que vai só até hoje.
— O que?
— Esta exposição, vai só até hoje. – Ela disse, dando uma olhada nos outros desenhos da sala.
— Mas começou ontem, pensei que ia ficar umas 2 semanas, ou 3... – Brian falou, olhando para ela, e para os outros desenhos.
— Até ia ficar, mas os militares decidiram fechar logo a exposição, pois tem alguns desenhos... Ofensores. – Ela falou, olhando para ele.
— Entendo. Que lástima. – O garoto disse, se aproximando dela novamente e olhando outro desenho.
A ditadura militar fazia isso. As exposições, os teatros, tudo não durava quase nada. Nem eram grande coisa assim, mas sempre tinha soldados em todo o lugar, e as coisas não duravam mais do que 3 dias. A maioria do povo não saía de casa, com medo de ver todos os policias, soldados, e até tanques de guerra nas ruas. Não que estivesse havendo uma guerra, os militares só queriam mostrar quem estava no poder.
— O que é isso? – Brian perguntou, apontando para o aparelho no pescoço da menina.
— É uma câmera, fotográfica. – Ela disse, pegando e apontando a lente para ele.
— Desse tamanho?! – As únicas máquinas de fotografar que Brian já tinha visto eram bem grandes, tinham de ser colocadas em um pedestal, a lente era muito grande, etc.
— Sim! Eu estou impressionada até agora. Um amigo do meu pai deu esse protótipo pra ele, quando morávamos no Japão.
— Japão? – Essa menina é de outro mundo?
— Hum, é, eu nasci na Itália na verdade, mas quando eu tinha uns 5 anos, nos mudamos para o Japão, pois estavam precisando de engenheiros lá, e o meu pai é um. E não faz muito tempo que viemos de lá pra cá...
— Nossa, que tal hein. Não tenho paciência pra viajar tanto assim. – Brian disse, e olhou para qualquer desenho nas paredes.
— O ruim é que eu também não tenho! – E os dois riram.
Ficaram em silêncio, e Brian perguntou:
— Desculpa, qual o seu nome?
— Giovanna, e o seu?
— Brian, é um prazer. – Ele disse sorrindo, se inclinando levemente. A menina deu um sorrisinho, com o olhar um pouquinho torto. Não por estar brava ou algo do tipo, mas sim porque era um pouquinho vesga, mas quase nada.
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