Por Quê Sempre Eu?!
18 \"Qual o seu problema?!\"
Notas iniciais
Aqui está um capítulo não muito grande, mais também não muito pequeno... Eu ia postar ontem, mas a minha net caiu :'( Fiquei um dia inteiro sem internet! E perdi alguns seguidores no tumblr... Enfim! kkkk Espero que gostem, e quem gosta de Melark não se preocupe, logo mais terá mais partes assim! Boa Leitura!
Odeio minha vida, odeio existir. Odeio todos a minha volta, odeio aquele maldito meio-irmão. Odeio o simples fato de ter que conviver com isso. Odeio estar viva... Seria tão mais fácil se eu já tivesse ido para Hades... Ou não, já que ele me odeia. Acho que nunca me cansarei de perguntar a mim mesma, porque essas coisas acontecem comigo. Porque eu tinha que me apaixonar por pessoas tão idiotas?! Porque meus deuses, porque?!
— Nem pensar Melanie! Você não vai ficar nessa cama o dia inteiro! –ouvi uma voz gritando enquanto entrava no meu chalé. Não dei ouvidos.
— Ficar mofando aqui dentro não vai mudar sua realidade... Anda dorminhoca! Daqui a pouco começa a corrida de bigas! –outra voz disse junto a que tinha entrado. Ignorei também.
— Você tem certeza que não vai levantar? Olha que pra eu jogar uma lufada de água em você é rapidinho...
— Contagem regressiva! Um! ... Dois! ... Três! –e elas realmente jogaram água em mim.
— AHHHHHH!-gritei assustada com o contado gélido da água em meu corpo. – Que droga! –resmunguei e vi que eram Lucy e Gabi. – Não quero ir pra lá... –murmurei cruzando os braços. E não queria mesmo, depois daquela cena patética de ontem eu nunca mais queria ver nenhum garoto na minha frente.
— Nós sabemos disso, mas é a primeira vez em que eu e a Anne vamos participar dessa atividade e a gente queria você lá! –Lucy disse um tanto animada.
— E eu já arquitetei uma biga extremamente perigosa e bonita, que tenho certeza que daria para você ir comigo... –Gabi completou. Minha vontade era de expulsá-las de lá e falar que eu só queria dormir. Não me entenda mal, eu dou muito valor às amizades delas, mas depois daquela confusão nada mais me interessava. Até agora não acredito no que aconteceu...
Eu estava gritando com Emanuel, mas ele me interrompeu em um beijo. Tentei de várias formas me soltar, mas ele não deixou. Seu beijo parecia desesperado, como se ter ficado com sua boca longe da minha fosse um sacrifício. Não que eu entenda muito de beijos... Claro que eu fiquei surpresa, e se fosse em outro momento eu nem tentaria afastá-lo, mas ele me interrompeu. Não me deixou falar. Quis impor o que ele pensava antes de eu concluir o que eu pensava. Admito que depois de duas tentativas falhas de me soltar, me entreguei ao beijo, mas só um pouco. Em determinado tempo em que o ar nos faltou eu tentei me afastar, sair correndo, gritar, sei lá, só não esperava que antes que eu pudesse fazer qualquer coisa assim, a pressão do ar dos distanciaria. Digamos que voei até uma árvore e Emanuel até outra. Era como se alguém tivesse mandado aquela quantidade de ar para nos afastar. Comecei a respirar com dificuldade, tanto por causa do beijo, quanto pela queda já que a árvore não era nem um pouco fofa.
— Como ousa mentir para o rei dos céus?! –uma voz proferiu irritada. Não parecia ser meu pai, estava mais para ser o... Ai meus deuses! – Você sabia que existe uma penalidade para quem engana o rei dos deuses?! –a voz continuou a ralhar e abri meus olhos um pouco zonza ainda. Fala sério, esse cara ia me perseguir pelo resto da minha vida?!
— E-e-eu... – Emanuel se embolou para falar ficando assustado. Não o culpo, já que Alec transmitia uma aura perigosíssima. Sua mão segurava fortemente um bastão, e por incrível que pareça, ele não vestia a costumeira jaqueta, na verdade não vestia nem uma blusa, apenas o shorts jeans. Sua pele parecia estar um pouco mais morena, seu cabelo loiro tinha um brilho mais forte, e os olhos azuis petróleo brilhavam de raiva. Ah, certo, sem contar o tanquinho... Arrisco dizer que o próprio Apolo tem inveja do filho. Espera... Cadê minha sanidade mental?!
— LARGA ELE ALEC! –gritei frustrada enquanto me levantava. Alec nem me respondeu, apenas olhou irritado para mim e depois voltou sua atenção para Emanuel. Eu sei que não deveria defender o Emanuel mas... Ah, ele é meu irmão não é?
— Você tem duas opções... –Alec continuou falando com a voz ameaçadora para Emanuel. – Primeiro: peça perdão a jovem dama que você assediou e peça perdão ao seu pai por desacatar suas ordens. Segundo: se você se negar a pedir perdão, quem não terá perdão serei eu. E como deve saber, quando sou mandado a um trabalho, jogo com minhas próprias regras. –terminou ainda encarando Emanuel e me deixando de segundo plano. Emanuel que estava parecendo um cervo assustado, levantou e ficou de frente para Alec, como se o desafiasse.
— PAREM VOCÊS DOIS AGORA! –gritei inutilmente. – VAMOS RESOLVER NO DIÁLOGO! –como sou ingênua, é claro que isso nunca ia ser resolvido no diálogo.
— Não preciso que você me defenda Mel. –Emanuel disse tirando a carranca de assustado e colocando uma que devia botar medo nas pessoas, mas não funcionou com Alec.
- Ah, claro que não, você pode me derrotar sozinho... –Alec zombou baixinho. – Não perca seu precioso tempo, senhorita. Serei o mais breve que puder... –Alec disse para mim enquanto seus olhos faiscavam de raiva. Desde quando ele fala desse jeito todo formal comigo?!
— Não se dirija a ela! –Emanuel gritou e tentou acertar um soco em Alec. Grande erro. A partir dali só consegui ver Emanuel sendo acertado de golpes e mais golpes.
— PAREM! QUE IDIOTICE! –eu gritava, e é claro, em vão. Naquela hora, pela primeira vez eu queria que meu pai aparecesse e terminasse com tudo. Os dois estavam irracionais! Tudo bem que Alec sempre foi assim quando é mandado fazer algo, mas eu não conhecia esse lado de Emanuel. E porque eles tinham que me deixar de fora? Eu era na verdade a causadora de tudo aquilo e ia apenas ficar assistindo enquanto os dois se matavam?!
— JÁ CHEGA! –interrompi a briga me colocando no meio dos dois. Emanuel estava com vários cortes pelo rosto e braços, enquanto apenas um pouco da franja de Alec havia saído do lugar.
— É muita valentia de sua parte proteger esse homem, senhorita. Temo dizer que está errada quanto às intenções dele, mas já que insiste, descobrirá sozinha. –Alec disse com um sorriso irônico enquanto guardava uma espada que eu nem havia visto que segurava. Enquanto Alec falava, Emanuel havia levantando e saído correndo. Nossa, como ele era corajoso...
— O que há com você?! Porque fez isso?! –indaguei me aproximando de Alec indignada. – Você poderia tê-lo matado!
— Era essa a minha intenção, mas se vossa senhoria insiste em protegê-lo, não posso fazer nada a não ser acatar suas ordens. –Alec disse agora com uma expressão serena no rosto. Já não parecia mais estar tão aborrecido ou irônico. Mas aquela formalidade toda estava me irritando.
— Volto a perguntar: O que há com você? Porque está todo formal? –questionei e antes de me responder ele pareceu se preparar para teletransportar para outro lugar, ignorando minha pergunta, então segurei seu braço. – Não me ignore, Alec! –percebi que eu o havia irritado mais um pouco, já que a pose de “cavalheiro” que ele estava fazendo foi por água baixo.
— Porque essa insistência, Mel? –perguntou utilizando meu apelido idiota, provavelmente apenas para me irritar. – Porque quer saber o que eu penso, ou sinto? Isso por acaso passou a lhe importar? –voltou a perguntar e afrouxei um pouco a mão que segurava seu braço, surpresa.
— Não é isso... É que... –me embolei um pouco para falar, já sentindo meu rosto começar a ferver.
— Então deixa eu ver se entendi: Você por acaso deve ter se esquecido que estava proibida a ficar com seu meio-irmão, que por um acaso te humilhou no Olimpo diante de seu pai, e resolveu beijá-lo para matar a saudade. Vendo que ele poderia perder a vida interrompeu-me e agora quer vingar o namoradinho?! –Alec ironizou. Fiquei chocada, porque não tinha nada a ver o que ele tinha falado. É claro que eu não tinha esquecido as palavras que Emanuel disse no Olimpo! – Só não se esqueça que estou lhe poupando a vida, já que o correto seria dar um castigo aos dois por enganarem a Zeus.
— Eu não queria beijar Emanuel, ele que me interrompeu enquanto eu falava. Não estou aqui para tirar satisfações com você por causa dele. Eu só... Só queria te entender... –despejei abaixando o olhar para o chão. Já havia ficado escuro, e logo vários campistas iriam sair de seus chalés para ir ao pavilhão jantar.
— Me entender? Creio que isso seria algo impossível, já que nem um mesmo me entendo. –Alec debochou se soltando.
— Qual o seu problema?! –bradei irritada. Porque ele não entende que eu estava preocupada com ele, e que eu havia estranhado a forma que ele estava me tratando?
— O meu problema? –ele se questionou pensativo olhando para o céu estrelado. – O meu problema é você, Melanie Smith... –terminou de falar, deu um pequeno sorriso cansado e sumiu.
Depois de toda essa bizarrice Emanuel passou a noite na enfermaria e eu me recusei a sair do chalé, onde estou até agora.
— Olha. Ontem na fogueira a Luna me disse uma coisa e eu fui obrigada a concordar... –Lucy comentou se sentando ao meu lado na cama. – Se você está com essa carinha deve ter sido algum garoto que mexeu com você...
— Verdade, eu fiquei sabendo que dois dos novos meninos eram do Brasil, da onde você estava. Tem certeza que nenhum mexeu com você? –Gabi concordou também se sentando. Ai, mereço. Como vou explicar pra elas?
— Eu... –comecei mexendo na coberta. – Não é nada disso, é só que eu recebi um telefonema que falava da minha mãe. Sabe, eu mal a vejo porque ela anda com uns caras nada legais. E acho que já faz uns quinze anos em que ela é uma drogada... –menti. Eu sei que foi feio colocar minha mãe no meio da conversa, mas elas não a conheciam mesmo, que mal tem?
— Hum... Que triste! Mas ela ta bem? –Lucy perguntou enquanto Gabriela me analisava para ver se eu estava mentindo ou não. Essa era uma das manias mais chatas dela, já que eu quase nunca conseguia mentir em sua frente.
— Não muito... –respondi olhando para o chão, fugindo do olhar questionador das duas.
— Mas ela vai ficar! E de quê adianta você se fechar para o mundo? Isso não vai ajudá-la! Anda, se troca que temos uma corrida de bigas para vencer! –Gabi mandou me levantando. Sorri fraco, não tinha como fugir das duas...
Notas finais
Beijocas e até o próximo!
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