Por Quê Sempre Eu?!
19 Dia agitado
Notas iniciais
- E como prêmio, o chalé de Atena e Zeus estão dispensados de suas atividades hoje! –Quíron anunciou depois que eu e Gabi vencemos a corrida. Todo o chalé de Atena estava em volta de nós comemorando, já que devido à dispensa das atividades, teremos mais tempo para planejar o caça-bandeira de amanhã.
- Parabéns meninas! – Júlia disse se aproximando junto com Annie, Lucy e Luna.
- Vocês bem que podiam ter maneirado, né? –Luna indagou um tanto irritada. Olhei para a direção que ela olhava e entendi o que queria dizer, ela estava com piedade de seus irmãos. No começo da corrida, Luiza e um outro filho de Afrodite tentaram derrubar a mim e a Gabi, o que resultou em uma pequena “batalha particular”. Só posso dizer que neste momento eles devem estar com o corpo todo dolorido e com o sabor de poeira e sangue na boca, uma pequena vingança minha.
- Desculpe, mas eles que provocaram... –pedi um pouco desanimada.
- Que nada! Ela mereceu, o único problema é que terei que ficar ouvindo ela reclamar o resto do dia! A dracaena chegou ontem, mas já se acha a rainha do chalé! –Luna reclamou sorrindo e eu também sorri. Houve uma época aqui no acampamento em que Luiza, eu e Pedro (um filho de Ares) éramos bastante amigos. Fomos o “trio parada dura”, ou as três fúrias, se preferir. Quíron tentava fazer de tudo para que nossas atividades fossem separadas ou que não aprontássemos nada, mas nunca funcionava. Pedro sempre foi muito apaixonado por Luiza, mas o sentimento não era recíproco. Então, há dois atrás, Pedro se declarou e recebeu um toco, o que fez com que o nosso trio se desfizesse. Luiza foi para o Brasil, e Pedro para o Canadá, enquanto eu fiquei aqui. Acabei pegando ódio dos dois, não entendia porque eles tinham que ter feito aquilo comigo, me abandonando. “Já não basta meus pais, meus amigos também?” eu pensava amargurada. Então ano passado Pedro voltou, mas eu o ignorei, tratei mal e esnobei. Ele pegou outra missão para a Espanha e ainda não voltou. Bom, o resto da história você já sabe: Após Luiza demorar na missão eu fui encarregada a ir para lá e trazer ela de volta. Esse sentimento de abandono ainda não passou, ainda mais porque Luiza age como se nunca tivéssemos sido amigas, e duvido muito que voltaremos a ser.
- Ei, o que vocês vão fazer agora que estão dispensadas? –Annie perguntou enquanto nós seis nos sentávamos na grama em baixo do antigo pinheiro de Thalia.
- Planejar o caça-bandeira de hoje... Aqueles idiotas de Ares vão sofrer por terem machucado a Fernanda na semana passada... –Gabi respondeu com um olhar mortal. Fernanda era a conselheira-chefe do chalé de Atena, e pelo que eu sabia, a irmã a quem Gabi tinha mais se apegado.
- E você? –Lucy perguntou para mim. Suspirei sem tem o que responder. Eu realmente não tinha nada pra fazer, e ver estratégias de batalha não era uma coisa que eu gostasse.
- Acho que vou ver como Emanuel está... Digo, o meu meio-irmão. –respondi e fiquei um pouco corada. Droga, eu tinha que ficar corada?!
- Ele chegou quando? E o que ele tem? –Julia questionou preocupada.
- Ele... Ele chegou ontem, junto com a Luiza. Mas eu já o conhecia do Brasil e... Bom, ele se machucou ontem à noite. –desconversei. Minha vontade de falar a verdade está acorrentada no tártaro.
- Se machucou? Mas como? –Lucy perguntou e percebi que elas estavam começando a ficar preocupada.
- Se machucando oras... –menti me levantando. Eu tenho que sair daqui o mais rápido possível! – Bom gente, vou indo... –despedi-me e só não sai correndo porque iria parecer que eu estava mais desesperada que o normal, o que eu estava. Elas responderam um “tchau” confuso, mas não me importei. Isso é assunto para outra hora.
Na verdade eu não queria ver o Emanuel, e estava pouco me lixando para seu estado (ta, eu estava um pouco preocupada sim, mas isso é irrelevante). Mas no mesmo jeito acabei dando uma passadinha na enfermaria para vê-lo. Esperava que ele estivesse dormindo, ou, sei lá, conversando com algum filho de Apolo, mas tamanha foi a minha surpresa quando cheguei a enfermaria e encontrei Mark conversando com ele. Assim que os vi minha mente acionou o “ALERTA VERMELHO, PERIGO A FRENTE” e quis sair correndo. Mas como na vida nada é do jeito que queremos, assim que fiquei desesperada Mark percebeu minha presença, se virou para trás e me viu.
- Hum... Olá. –cumprimentei Emanuel e ignorei Mark. – Como você está? –perguntei. Ele levantou uma sobrancelha e deu uma risada sarcástica.
- Como parece que estou?! –dizendo isso apontou para seu rosto, que continha vários cortes.
- Não vai me falar “oi” Srta. Educação? –Mark ironizou. Esses dois querem me ver perder a paciência, né?!
- Oi. –respondi de qualquer jeito para Mark e voltei minha atenção para Emanuel. – Olha... Sobre ontem, o Alec... –comecei, mas ele me cortou.
- Diga-me sobre seu namoradinho. Eu não sabia que você era assim tão fácil! Não fazia nem uma semana direito que a gente tinha se visto e você já estava com outro, que me deu uma surra por sua causa, por sinal. –ele pediu pra morrer. E não estou brincando.
- Escuta aqui... –comecei, mas ele me cortou de novo. Que garoto chato!
- Escuta aqui você! –então o interrompi também, percebendo que várias pessoas estavam se afastando de nós, apesar de Mark continuar ali sentado ouvindo tudo com uma expressão neutra.
- ESCUTE QUANDO OS OUTROS FALAM, IMBECIL! –gritei e ele se calou surpreso. – Quem você pensa que é? Achou mesmo que eu ia ficar pelos cantos chorando igual a uma idiota porque você me rejeitou?! E que seria assim tão fácil de tudo voltar ao “normal”? Que eu não ficaria magoada ou me sentindo uma idiota por acreditar em você?! –bradei irritada. E menti, claro, porque fiquei igual a uma tonta chorando pelos cantos.Tentei gritar, impor minha voz, mas já estava sentindo a garganta rouca, como se meu corpo implorasse pelo choro. – Uma semana?! Já faz praticamente um mês desde que você disse em alto e bom som que eu era uma distração para você! E para sua informação, Alec não tem nada comigo, estava apenas cumprindo ordens que você quebrou! Somos irmãos, seu idiota! Então, por favor, nunca mais chegue perto de mim... –finalizei com a respiração rápida, o corpo mole e o rosto molhado. Que ódio!
- Olha, eu sei que pensar que eu sou o “culpado” te faz se sentir melhor, mas a única culpada aqui é você. Você irritou Zeus primeiro, você era vigiada, você veio pra cima de mim gritando... –ele iria continuar a falar, mas dei um tapa em seu rosto. DI IMORTALES! Que garoto problemático! Eu até continuaria espancando-o, mas Mark me impediu.
- Melanie, vem logo! –Mark reclamou, já que eu tentei resistir a ser tirada dali. Queria colocar tudo a limpo, ou matá-lo ali mesmo. Diplomacia não funcionaria mesmo.
- Arghh! Me larga! –tentei me soltar, inutilmente, claro. E então eu vi a mesma imagem que vi no dia que havia conhecido Mark: minha mãe sendo morta. Meu corpo parou de se movimentar e minha visão ficou embaçada.
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- O que...? –abri os olhos e surpreendo-me com fato de estar debaixo de uma árvore deitada no colo de Mark. Assim que percebi que o modo que estávamos era vergonhoso, tentei me levantar, mas ele impediu.
- Não, você pode desmaiar de novo... –ele murmurou e o obedeci emburrada.
- Porque fez isso de novo? Porque me fez ver minha mãe morrer? –perguntei com a voz chorosa e os olhos fechados.
- Se eu não fizesse isso você iria matar Emanuel, e ele já está mal o suficiente depois daquela briga de ontem. –Mark respondeu e eu abri os olhos surpresa.
- Como sabe?! –indaguei.
- Hum... Não sei se lembra, mas leio mentes... –lembrou-me revirando os olhos. O que eu fiz pra merecer tanto garoto chato na minha vida...?
- Ah, é. –respondi apenas e levantei de seu colo.
- Como você é teimosa... –resmungou irritado.
– Há quanto tempo fiquei desacordada? –ignorei o seu comentário e perguntei.
- Duas horas.
- DUAS HORAS?! E VOCÊ FICOU ME OBSERVANDO?! –gritei extremamente envergonhada. Percebi que isso o fez ficar envergonhado também, apesar dele tentar disfarçar.
- Lógico! Foi por minha culpa que você teve o desmaio, ficar cuidando de você era o mínimo que eu podia fazer! –explicou-se atingindo um tom vermelho berrante no rosto normalmente pálido.
- E porque não ficou cuidando de mim na enfermaria? Que eu me lembre, perdi a consciência lá... –emburrei cruzando os braços. Desde quando ele estava assim tão “legal” comigo? Pelo que me lembro, ele me odiava!
- Porque você poderia acordar e tentar bater no Emanuel novamente, achei mais seguro te trazer para a floresta... –começou a se explicar e meus olhos se arregalaram.
- ESTAMOS NA FLORESTA?! –bradei ficando pálida. Então quer dizer que ele ficou duas horas me observando sozinho na floresta?
- Você queria o que? Que qualquer um visse e virasse fofoquinha aqui no acampamento?! Acabei de chegar aqui, ficar perto de você acabaria com a minha imagem... –ele também bradou completamente irritado. – E além disso, você não devia estar fazendo tantas perguntas, um simples “obrigado” seria o bastante. –dizendo isso se levantou e eu o acompanhei.
- Dizer “obrigado” a quem tem vergonha de mim?! Não, obrigada. E não se iluda, você não tem imagem nenhuma a ser estragada aqui... –retruquei e sai pisando fundo. Não lembrava qual era aquela trilha da floresta, mas de um jeito ou de outro eu encontraria o caminho de volta, conheço a floresta como a palma da minha mão.
O que aquele garoto tem na cabeça?! E porque eu cheguei a pensar que ele estava sendo legal? Qual é o meu problema, hem? Por quê sempre eu, deuses, por quê?! –pensava desolada enquanto subia em uma árvore para ver a localidade em que eu estava.
- DROGA! MARK, DROGA! –ouvi ele gritar um pouco ao longe. Terminei de subir o mais rápido que pude e tive uma pequena vista de onde estávamos. Mark parecia um pouco transtornado, e uma árvore estava ao chão. Wow, ele realmente ficou bravo... –pensei com ironia.
Assim que acabei de formular meu pensamento seu olhar desviou da árvore para mim. Droga, eu esqueço que não posso pensar! –resmunguei por pensamento. Ele pareceu um pouco constrangido por eu ter visto aquela cena, mas seu olhar estava totalmente irritado. Era como se eu ouvisse a voz dele falando: Porque você é tão complicada? Eu, hem, to ficando louca.
Parei de observá-lo, e virei para que direção era o acampamento. Em vez de voltar andando, resolvi sair voando mesmo. Já fazia tempo que não sentia o vento bater sobre meus cabelos (cor-de-rosa), e relembrar a sensação foi ótima.
- Melanie, criança, posso falar com você? –Quíron chamou-me quando eu estava próxima a Casa Grande.
- Claro... –respondi e parei a sua frente.
- Sei que você está liberada de suas atividades, mas será que pode apresentar o acampamento para dois novos semideuses? Pedro acabou de voltar da Espanha e como está machucado teve que ir para a enfermaria. –Quíron explicou-me.
- Pedro? O Pedro Foster? –questionei sem acreditar. Foi eu lembrar dele hoje que a criatura aparece!
- Sim, esse mesmo. Venha, as crianças estão aqui... –Quíron foi cavalgando até a varanda e lá tinham um garoto de cabelos castanhos enrolados e olhos azuis, e uma garota ruiva de olhos verdes. Os dois pareciam ter doze anos.
- Nós não somos crianças... –escutei a menina murmurar irritada enquanto o garoto deu de ombros.
- Liga não, ele trata todo mundo assim... –comentei rindo e a garota ficou um pouco vermelha por eu ter ouvido. – Prazer, meu nome é Melanie e sou filha de Zeus. –apresentei-me.
- Nós sabemos, Pedro contou muitas coisas sobre você. –o garoto deu de ombros novamente. – Me chamo Arthur.
- E eu sou a Marieta, não ria, eu sei que meu nome é feio! –Marieta pediu (mandou) e apenas sorri de mal gosto para eles. O que Pedro falou de mim?! – Qual é a do cabelo cor-de-rosa?
- Ah... Isso é uma peça que me pregaram. Enfim, sigam-me que vou mostrar o acampamento para vocês... –mudei o rumo da conversa, pois se continuássemos a falar sobre meu cabelo eles iriam acabar apanhando no primeiro dia. O resto da tarde foi até tranquilo, tirando o fato que segurei minha vontade de esganar Marieta umas quinze vezes. Eles me contaram que quando estavam vindo para o acampamento tiveram um problema no aeroporto e por isso Pedro estava todo machucado. Consegui arrancar deles também o porquê Pedro havia falado de mim, o que, segundo eles, foi porque ele estava explicando o quão divertido o acampamento pode ser. Claro, porque eu sou uma pessoa muito divertida.
- Como vocês ainda são indeterminados, iram ficar no chalé 11, o chalé de Hermes. –terminei meu discurso sobre os chalés. Estávamos em frente ao chalé 11 e assim que iago me viu com os dois novatos veio recebê-los.
- Os deuses nunca cansam não? –reclamou ele, brincando. Mas acho que Marieta não entendeu a graça, pois os dois começaram a discutir. Decidi ignorá-los e voltei para o meu chalé, já que eu já tinha feito o meu “trabalho”.
- Precisamos conversar. –tamanha foi a minha surpresa ao abrir a porta de dar de cara com ele, ali, sentado despreocupadamente em minha cama.
Notas finais
ENQUETE:
QUEM É QUE ESTÁ SENTADO NA CAMA DE MELANIE??
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Quem acertar, indico fanfic!
E aí, chatinho né? Prometo que o próximo fica melhor... Hihi, o que acharam do Pedro? Ele chegou para causar! kkkkkkkkkkkkkk Enfim, muito obrigada por ler! Beijos!
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