Por Quê Sempre Eu?!
20 Conversas e mais conversas.
Notas iniciais
Bem, boa leitura!
— O-oi... –gaguejei sem acreditar. Porque ele estava aqui?! – Aconteceu alguma coisa? –perguntei parada na batente da porta. Quê é? Eu não ia entrar com ele ali!
— Sim, e não. –respondeu com uma cara irritada. Sim e não? Que tipo de resposta é essa? – Será que poderia se sentar aqui ao meu lado para conversarmos normalmente como um pai e uma filha? –resmungou e fiquei tentada a desobedecer.
— Nem você nem eu somos normais... –devolvi cruzando os braços. – Da última vez que te vi você quase me matou. –despejei e continuei parada no mesmo lugar. Ele que espere sentado eu ir ao lado dele. Se bem que ele já está sentado... Enfim.
— Melanie, você poderia ser um pouco mais simpática, não? –devolveu cruzando os braços também.
— E você mais presente. –retruquei na mesma moeda, o que o pegou desprevenido.
— Tudo bem, sei que errei. Vim aqui para me desculpar com você... –falou e meu queixo caiu. O Grande Zeus pedindo desculpas?! É o Apocalipse?! Está bem, estou sendo um pouco dramática de mais.
— Continue... –gesticulei com a mão, como quem quer dizer que pode continuar falando. Zeus suspirou cansado, e tirou a carranca irritada de sempre por uma tristonha.
— Como sabe, Alec estava na sua cola. –começou e revirei os olhos. – Primeiramente dei essa missão a ele porque ele me alertou sobre seu poder. Quando você voltou daquela missão que fez sozinha, e ainda por cima com a pele do Leão de Nemeia, ele viu potencial em você, o potencial de me derrotar. –continuou e fiquei tentada a interrompê-lo. Como é que é?! O Alec era culpado disso tudo?! – E como você nunca demonstrou compaixão por mim fiquei com medo... Medo de perder a minha garotinha, e meu reino. Eis que você conhece Emanuel e tudo desanda. Achei que era verdade o que ele disse no Olimpo, e como percebi que lhe chateei retirei o castigo, mas então ele vem aqui no acampamento e mostra que me traiu.
— Ah, e então você manda Alec matá-lo?! Grande solução! –ironizei o atrapalhando.
— Melanie, quantas vezes terei que repetir? –impôs sua voz sobre a minha e me calei. – Você sabe que quando Alec é mandado para alguma missão, às regras jogadas são as dele. E da última vez, quando ele e Emanuel brigaram, eu estava assistindo a tudo. –esclareceu e entendi porque Alec parecia tão formal da última vez que o vi. – Por isso vim me retratar com você. Me desculpe. –pediu. Queria gritar que ele estava completamente enganado se achava que era só chegar aqui e pedir míseras desculpas. Mas, cara, era meu pai. Nunca em minha vida o vi pedindo desculpas a alguém.
— Zeus... –comecei a falar sem ter o que realmente responder, mas ele me cortou.
— Olha, peço apenas que aceite, está bem? Por tudo, principalmente por Helen... – falou e se levantou de minha cama, um pouco desconfortável.
— Ah, então você ainda se lembra dela? –respondi com a voz carregada de sarcasmo. Deveria estar sendo mais legal, levando em conta que ele pediu desculpas, mas não tinha como, meu orgulho falou mais alto.
— Mas é claro! Vocês duas são praticamente iguais... –respondeu ignorando meu sarcasmo. Iguais? Pelo que sei, não sou nada igual a minha mãe. Ele então se aproximou de mim, e antes que eu pudesse me esquivar, me abraçou. De primeiro momento fiquei surpresa de mais para corresponder, qual é, eu odiava meu pai! Mas depois acabei cedendo. Quando eu teria uma chance dessas novamente? Praticamente nunca...
Depois de em média dois minutos em que ficamos abraçados, ele desapareceu.
— Pai? –perguntei para o nada e mirei meu olhar para a grande estátua que tinha ali no chalé. É, ele tinha ido embora...
Tirei meus óculos e esfreguei meus olhos com força. É cada coisa que me acontece... E como assim Alec viu potencial em mim? Ele lá sabia que eu existia antes de começar a me perseguir? Quero dizer, eu sabia quem ele era, claro, ele não á fácil de ser esquecido, mas mesmo assim é confuso. Droga, porque estou pensando nele? –repreendi a mim mesma e me joguei em minha cama. Já que teria o restinho da tarde a toa, resolvi que iria dormir.
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-Melanie! Acorda! –alguém berrou entrando em meu chalé.
— Am? –murmurei confusa. Abri lentamente os olhos e dei de cara com Luna fuçando em minhas coisas. – Luna! –gritei e ela se assustou.
— Ui! Calma amiga! Só estava procurando um apito pra te acordar... –respondeu rindo.
— Um apito? E porque, raios, eu teria um apito?! –devolvi irritada e ela deu de ombros.
— Anda logo, já está na hora do jantar! E chegou um cara muito gato aqui no acampamento! –exclamou animada. Revirei os olhos e dei uma ajeitada no meu cabelo o prendendo em um coque frouxo. Logo depois coloquei meus óculos e já estava pronta.
— Cadê as meninas? –perguntei estranhando ela estar ali sozinha.
— Já estão comendo... –respondeu dando de ombros. Saímos e meu chalé e fomos até o pavilhão. No caminho Luna me contou que o cara gato tinha acabado de voltar de uma missão gigantesca e que estava com uma coroa de louros em comemoração. Contou também que ele era forte e filho de Ares. Pelo que vi ela já sabia a ficha inteira do menino...
— Oi. –quase cai durinha no chão quando vi Emanuel na mesa de Zeus. Estava tão acostumada a comer sozinha que até esqueci a vontade louca que eu estava de matá-lo. Não o respondi e sentei na outra extremidade da mesa, o ignorando por completo. Ele não devia estar aqui, e sim na enfermaria!
Logo depois de pegar um pouco de comida e oferecer aos deuses (hoje ofereci a Zeus em forma de agradecimento), sentei a mesa e comecei a comer. Estava uma barulheira terrível no pavilhão, e todos pareciam se divertir. Ao longo do tempo comecei a ficar incomodada, sentia olhares sobre mim.
— Quê é?! –indaguei irritada para Emanuel, que era uma das pessoas que me observavam. Acho que ficou surpreso pelo tom de voz que usei, pois apenas respondeu um “nada não” e desviou o olhar.
De relance, observei a mesa de Ares procurando o garoto que Luna havia mencionado e só faltou eu enfiar minha cara de baixo da mesa ao ver quem me encarava: Pedro. Mas é claro! Como pude não ligar os pontos? Ele havia acabado de voltar de uma missão, era filho de Ares e muito bonito.
O encarei por alguns segundos sem acreditar na imagem que via, e ele devolveu o olhar com um sorriso debochado. Ele estava muito diferente, e com diferente quero dizer bonito. Os músculos bem mais definidos, a pele bronzeada, parecia ter crescido alguns centímetros, e seu cabelo castanho escuro parecia mais brilhante. Deuses, que tipo e avaliação foi essa? –repreendi a mim mesma.
Assim que acabei de comer, sai rapidamente da mesa e fui até a fogueira sem olhar mais nenhuma vez para Pedro. Porque estou tão assustada assim? Ele é um idiota que fingiu ser meu amigo pra chegar a Luiza!
— Mel! –Lucy gritou acenando para mim, e fui me sentar perto dela e das meninas. Eu até ia falar pra ela não me chamar de Mel, por eu não gostar, mas estava tão atordoada que ignorei.
— Oi meninas... –cumprimentei com a voz um pouco nervosa.
— Ta tudo bem? –Annie perguntou segurando o riso. – Você parece... Nervosa. –completou e sorriu de uma forma maliciosa. Eu juro que se fosse qualquer outra pessoa, eu já tinha batido. Mas deixei passar...
— Ta sim. –murmurei mais grossa do que pretendia e encarei as chamas. Logo depois começamos a tocar as músicas do acampamento e tentei me deixar levar. Em determinado momento, Quíron interrompeu a cantoria.
— Heróis! Como sabem amanhã teremos o caça-bandeira! –anunciou e foi possível ouvir vários gritos de alegria. – E é com grande prazer que anuncio que nosso querido amigo Pedro Foster está de volta! –voltou a falar dando um tapinha nas costas de Pedro enquanto o chalé de Ares berrava coisas do tipo: “Vocês já perderam!”, “A vitória é nossa”. Deve ter sido reflexo, mas senti o olhar de Pedro sobre mim novamente.
— Preparem-se para perder otários... – Pedro falou concordando com os companheiros de chalé. A frase foi maldosa, mas o modo brincalhão que falou tirou um pouco a ameaça.
— Prepare-se você, idiota! –Gabi gritou de volta. Eu nunca tinha visto ela assim, acho que ficou realmente brava por terem machucado sua meio-irmã. A partir dali vários campistas começaram a discutir entre si, enquanto eu, Luna, Lucy e Júlia apenas ríamos.
— Ei, Melanie, lembra de mim? –uma voz rouca disse em meio à confusão, e me virei em sua direção.
— Ah, oi Pedro. –o cumprimentei sentindo meu coração acelerar. Am?! Afrodite, você me paga. – Como foi de missão? –perguntei mais para parecer simpática do que querer realmente saber como foi sua missão, afinal, eu já sabia de várias coisas pela Marieta e o Arthur.
— Muito legal, mas senti falta do acampamento... –começou a contar, e se sentou ao meu lado. Mau sinal. – Você conheceu a Marieta? A menina que entrou hoje? –perguntou.
— Sim, eu apresentei o acampamento pra ela...
— Ela me lembra muito você! Marrenta igual! –debochou rindo. Não soube interpretar se isso era uma ofensa, ou um elogio.
— Eu não sou marrenta! –defendi-me parecendo uma criança.
— É sim, Melzinha! –ironizou e apertou minhas bochechas. Já disse que odeio que apertem minha bochecha? Não? Eu odeio.
— Para Pedro! –mandei tirando sua mão de meu rosto. Cara, ele continuava irritante.
— Ué, ta vermelha, ou é impressão? –zombou e segurei a vontade de dar um tapa em seu braço.
— É por causa da fogueira, idiota. –respondi cruzando os braços. Ele revirou os olhos como quem diz “sei” e sorriu maliciosamente. É impressão ou sua ida pra Espanha o deixou mais atrevido?
— Continua amiga de Luiza? –perguntou mudando de assunto.
— Não. Ainda não sei como consegui ser amiga daquela patricinha metida! –exclamei irritada. – Acredita que ela convenceu Afrodite a me amaldiçoar?!
— Como assim? –Pedro levantou as sobrancelhas assustado. Esta bem, eu sei que prometi a mim mesma que iria ignorá-lo, mas parece impossível com ele aqui conversando comigo como se ainda fossemos amigos.
— Ah, nada de mais. Só que eu tentei matá-la e ela reclamou para a mamãezinha que a obedeceu e me enfiou em um quarteto amoroso. –Não acredito no que acabei de confessar. Nem para mim mesma eu já tinha aceitado esse fato, mas aqui conversando com ele simplesmente saiu...
— Quarteto?! E eu que achei que você era santinha! –debochou rindo e perguntou de quem se tratava. O enrolei o máximo que pude, o que não foi muito, até que acabei contando. Claro que compactei algumas coisas, como por exemplo, que Alec é um servo do meu pai e tem mais de trezentos anos e eu possivelmente tenho uma paixão platônica por ele. Ou que acho que Mark está interessado em mim, mas não consegue dizer. E também não contei tudo sobre Emanuel ser meu meio-irmão que já tinha me enganado duas vezes.
— Melanie, você já... –Luna começou a perguntar, mas sua fala morreu assim que viu Pedro. Sue rosto atingiu um leve tom avermelhado e suas mãos tremeram um pouco.
— Luna, esse aqui é o Pedro. Pedro essa é a Luna, filha de Afrodite. –apresentei os dois. Luna pareceu acordar para a vida e deu seu melhor sorriso “colgate”. Nem preciso dizer que toda a atenção de Pedro mudou para ela, não? Resolvi deixar os dois se conhecendo e como já estava tarde, fui andando até meu chalé. A maioria dos campistas ainda estava na fogueira, então os chalés estavam em um completo silêncio.
Uma das coisas que eu havia dito a Pedro estava batucando em minha cabeça. Eu realmente estou apaixonada por Alec? E será mesmo que é platônico? E quanto ao Mark? Eu não sinto nada por ele? E Emanuel... Até quando esse garoto vai estar na minha vida?!
— AH! –como estava distraída, pisei em um buraco, caí dando quase de cara com o chão. Quase, porque alguém me segurou.
— Alec? –arrisquei sem nem ao menos levantar os olhos para vê-lo, o porte físico já o denunciava.
— Quem esperava que fosse? –respondeu um tanto irritado. Pelo visto a sua formalidade foi por água a baixo.
— Alguém mais educado e verdadeiro. –devolvi irritada me soltando de seus braços. – Como teve a coragem de enfiar aquelas idéias malucas na cabeça de meu pai?!
— Ah... Então você soube. –comentou e sua expressão não se alterou em nada.
— Não entendo. Você disse que eu sou seu problema, mas quem está sendo o meu problema é você! –gritei exasperada. – Porque colocou meu pai contra mim?!
— Melanie, gritar não vai adiantar em nada... –ele me contrariou rindo e tive vontade de socá-lo. – E coloquei seu pai contra você porque realmente achei que você era perigosa. –dizendo isso começou a se aproximar de mim. Ele continha uma expressão serena, mas seus olhos demonstravam nervosismo. – Qualquer um no meu lugar faria o mesmo. Você sendo rebelde, poderosa, astuta e manipuladora, poderia muito bem levantar uma grande rebelião. Tudo que fiz foi para o bem de Zeus. –completou. À medida que ele falava, eu dava alguns passos para trás, tentando me afastar, mas ele também andava, de forma que só paramos de andar quando bati minhas costas em uma árvore.
— Por mais que eu tenha ódio de sobra guardado de meu pai, eu nunca faria isso! –defendi-me.
— Eu sei, bom, pelo menos agora. Pude observá-la e estudá-la durante esse tempo, e me surpreendi. Você é rebelde, sim, muito astuta e poderosa também, mas tem um bom coração. Me enganei ao seu respeito. Perdão. –dizendo isso se abaixou em uma reverencia. PARA TUDO QUE EU QUERO DESCER! Alec, o Sr. ignorância, estava ajoelhado, na minha frente, pedindo desculpas?
— Er... Alec, não precisa pedir desculpas. –falei surpresa. Minha vontade real era continuar discutindo, mas quer saber? E se eu realmente gostar dele? Tratá-lo mal seria algo péssimo! Não acredito que pensei nisso... – Eu não estou brava, sério. Levanta. –pedi e o levantei. Ele me encarou com aqueles olhos azuis petróleos e sorriu bondosamente. Ai meu Zeus, esse é o Alec real?!
— Me engana que eu gosto... –murmurou. Ele estava tão próximo de mim que eu consegui sentir seu hálito de hortelã, e o calor que seu corpo transmitia. Sem que eu percebesse comecei a encarar o chão encabulada com a situação. E se...? –comecei a formular um pensamento, quando sou surpreendida com os doces lábios de Alec sobre os meus.
É agora que eu fico louca de vez...
Notas finais
Como ninguém acertou a enquente, vou indicar uma fic one-shot minha.. -->http://fanfiction.com.br/historia/404945/Um_Beijo_Vale_Mais_Que_Mil_Palavras/
É de anime, (Fairy tail), se alguém gostar...
Beijos!
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