Por Quê Sempre Eu?!
14 Aulas de esgrima
Notas iniciais
Depois do café fui até a Arena com uma preguiça gigantesca. Dar aula de esgrima era uma das coisas mais chatas a se fazer, e logo eu tinha que ficar com essa tarefa. Mereço. Chegando lá, encontrei o espaço vazio, com vários bonecos amontoados e algumas espadas no chão. O povo desorganizado!
Comecei a catar as coisas para deixar o espaço limpo e várias pessoas foram chegando. Muitos eram rostos conhecidos, outros nem tanto. Quando já tinha em média vinte semideuses lá dentro, comecei a aula, chamando a atenção.
— Bom dia, meu nome é Melanie e vou ensinar esgrima para vocês. Gostaria de saber o nome de alguns que não conheço... –comecei e apontei para um garoto e duas garotas ali, os quais eu não tinha ideia de quem eram.
— Eu me chamo Scott. –o garoto disse. Ele era bem bonito, mas sua íris era cor de rosa. Estranho. – Sou filho de Afrodite. –totalmente explicado.
— Eu sou a Lucy, filha de Poseidon. –uma das garotas, a de cabelo castanho e olhos verde mar, anunciou.
— E eu sou a Annie, indeterminada. –ela disse e encolheu os ombros. Essa tinha o cabelo liso e escuro, com os olhos castanho vivo.
— Muito bem, formem pares. –pedi e começou um tumulto. Depois que tudo se normalizou eu demonstrei como era para fazer e todos eles começaram a praticar. Até que não era um grupo muito bagunceiro...
Passado quarenta minutos a aula tinha chegado ao fim, e uma outra turma veio. Antes era organizado por chalés, mas acho que agora devido ao grande aumento de campista, está segundo a idade. Por que eu to dizendo isso? Porque a turma que veio após essa só tinha pré-adolescentes, ou devo dizer pré-aborecentes?! Grande boca a minha, tinha que ter comentado que os outros não eram bagunceiros... Por quê sempre eu?!
— Lyon, solta o cabelo da Lilá! –gritei autoritária, mas de nada adiantou. Os dois começaram uma briga particular depois de Lyon falou alguma coisa sobre a roupa de Lilá (ela estava vestindo um macacão não combinava n-a-d-a com ela, até eu que não entendo de moda sei disso!) e ela fez algumas plantinhas nascerem em volta do pé de Lyon, que depois revidou com uma maldição de rimas, fazendo Lilá começar a correr atrás dele e todos pararem de fazer os exercícios para ver os dois.
— Parem de correr! –gritei novamente. Eu estava sendo legal, mas aquilo estava a ponto de me fazer perder a paciência. Pelo menos eles me obedeceram, pararam de correr, mas começaram a duelar com as espadas de bronze celestial.
— AGORA JÁ CHEGA! –bradei dessa vez chamando a atenção dos dois. Invoquei um pequeno raio e o acertei nas duas lâminas, apenas para assustá-los e distanciá-los, o que funcionou perfeitamente. Eles me olharam com o medo e a culpa estampada no rosto, e todos os outros que assistiam a cena rindo pararam. – Parabéns, vocês acabaram de ganhar o castigo de lavar a louça do jantar de hoje. –terminei brava e quando os dois iam começar a contestar, os encarei com meu olhar mais severo.
— Sério? –foi à única coisa que Lyon disse.
— Extremamente sério, agora vão e se sentem, porque só vão assistir a aula. –mandei e eles obedeceram. Dez minutos depois dessa bagunça a aula terminou, e veio o outro grupo antes do almoço. Esse era o grupo do pessoal mais velho, então não seria uma aula e sim um treinamento.
— Olá Melanie! –Gabriela me saudou assim que entrou junto com Luna e Lucy.
— Oi. –respondi meio cansada, não via à hora dessas aulas acabarem.
— É verdade que você estava no Brasil? –Lucy perguntou e assenti.
— Tinha muitos gatinhos lá? –Luna perguntou entrando na conversa.
— É... –comecei meio sem jeito de responder. – T-tinha. –gaguejei.
— E você ficou com algum? –Luna quis saber.
— N-não. –menti porque na hora não consegui admitir que sim, estava com muita vergonha para isso. Afrodite e suas filhas que tem a santa capacidade de me fazer ficar constrangida.
— Você está mentindo, olha pra sua cara! –Lucy contestou levando em conta o meu rosto que estava querendo se transformar em um morango ambulante.
— Cla-claro que não! –menti de novo ficando na defensiva.
— Deixem ela, meninas... –Julia disse entrando na Arena e quando viu minha cara começou a rir, e as outras a acompanharam. Ah, legal, vamos rir da Melanie.
— Va-vamos começar a aula? –perguntei fugindo daquela conversa, fazendo com que todas rirem mais.
Logo depois o resto do pessoal chegou e eu treinei junto com Julia. Por mais que antes não nos déssemos bem, quem nos visse acharia que eram amigas de infância, já que conversamos o treino inteiro. Entre uma conversa e outra, meus pensamentos voavam para o Brasil e eu me lembrava do traste do Emanuel, de Henri que nem me despedi, Mark que ficou a conta de Luiza, e Alec que espero não estar mais me vigiando. Tanto é que no final da luta eu estava extremamente cansada emocionalmente e fisicamente.
Sai da Arena e tomei uma ducha antes de ir para o almoço. Sentei na mesa sozinha, peguei um pouco de comida e comecei a comer. Claro, depois de oferecer um pouco a fogueira. Hoje, por incrível que pareça, eu ofereci ao deus Apolo, agradecendo a carona. Normalmente não ofereço a nenhum em especial, e sim para todos, mas exceções sempre existem, não é?
— Heróis, quero lembrar a vocês que os conselheiros-chefes terão reunião daqui a pouco. –Quíron lembrou antes de começar a comer. O senhor D. estava estranhamente quieto observando o horizonte sem nenhuma expressão. Suspeito, muito suspeito. Terminei de comer e fui até a sala de jogos, mais precisamente no tênis de mesa, e esperei o restante chegar, já que eu estava sozinha ali. Passado cinco minutos Quíron chegou junto com o restante de conselheiros e a reunião começou.
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